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percepção de risco ambiental e estratégias

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Academic year: 2023

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PERCEPÇÃO DE RISCO AMBIENTAL E ESTRATÉGIAS DE ADAPTAÇÃO DE UMA POPULAÇÃO DE PESCADORES ARTIFICIAIS: ASPECTOS SOCIOECONÔMICOS E PARTICIPAÇÃO COMUNITÁRIA;. Alguns fatores socioeconômicos podem influenciar a forma como os indivíduos percebem os riscos e desenvolvem estratégias adaptativas que devem ser realizadas com a participação ativa da população local. Se existem estratégias de gestão de riscos adaptativos realizadas de forma participativa por uma população de pescadores artesanais.

Optei por trazer a analogia da pandemia do COVID para envolver o leitor e facilitar a compreensão dos conceitos de “riscos” e “estratégias adaptativas” utilizados na pesquisa. Com este trabalho, pretendemos agregar um estudo científico onde discutiremos a importância de compreender fatores socioeconômicos e abordagens para desenvolver estratégias adaptativas para riscos ambientais em zonas tropicais ao redor do mundo. Também expusemos definições do que chamamos de percepção, percepção de risco, estratégias adaptativas; bem como exemplos de estudos que utilizaram essas metodologias.

Centramos nossa discussão nas variáveis ​​socioeconômicas que mais influenciaram as percepções de risco ambiental e na importância de estratégias adaptativas participativas percebidas pela população.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A primeira é composta pelos organismos vivos e suas relações entre si e com o meio ambiente, enquanto a segunda inclui o ser humano e suas relações (incluindo o conjunto de conhecimentos, práticas e crenças) (FERREIRA JÚNIOR et al., 2018). A idade também comumente afeta os resultados da percepção de risco, como é o caso das populações de catadores de frutas na região do Araripe, no estado do Ceará (SOBRAL et al., 2017). Sabe-se, porém, que a forma como as pessoas percebem os riscos pode determinar suas estratégias em relação ao meio ambiente e sua qualidade de vida (SILVA et al., 2016).

Pode-se dizer que as estratégias adaptativas de gerenciamento de riscos (estratégias de enfrentamento) dizem respeito essencialmente à percepção do risco, ações para reduzir o risco e fatores externos (como direitos para o governo e acesso a recursos financeiros) (SUDMEIERRIEUX et al., 2012). Assim, fica claro que a percepção de risco é um dos fatores determinantes de como as populações lidam com os transtornos (SUDMEIERRIEUX et al., 2012). O mapeamento de riscos pode, portanto, melhorar o desenho da pesquisa que pode estimular políticas públicas mais eficientes (QUINN et al., 2003).

No entanto, existem poucos exemplos publicados que mostraram a conexão entre seus resultados e a construção da capacidade adaptativa na população (WHITNEY et al., 2017).

Tabela 1. Definição de Percepção de Risco por grupos de pesquisa de áreas do conhecimento diversas
Tabela 1. Definição de Percepção de Risco por grupos de pesquisa de áreas do conhecimento diversas

ÁREA DE ESTUDO: aspectos biofísicos e socioculturais

Neste capítulo descrevemos as características sociais, econômicas e culturais da população pesqueira do Rio Formoso (PE) e concluímos com a experiência do autor sobre a importância da atenção do pesquisador e do "retorno" à comunidade. Rio Formoso tem apenas 29% de saneamento e tem alta incidência de pobreza e baixo produto interno bruto (PIB) (SULAIMAN; CARBONE; COUTINHO, 2018). Acreditamos que “população” é um termo mais próximo do conceito ecológico de populações e que melhor reflete a visão integradora de conservação dos pescadores artesanais.

De acordo com o cadastro de pescadores do município, elaborado em dezembro de 2019, são 426 pescadores; sendo 194 associados ao Colónia e 232 não associados. No centro do município está a colônia de pescadores do Rio Formoso Z-7, que, segundo a lei nº. A colônia é um importante espaço para os pescadores se manifestarem em busca da garantia de seus direitos na atividade.

Muitos jovens preferem trabalhar no setor de turismo ou em outras atividades dentro e fora da cidade de Rio Formoso. Dentre os peixes mais pescados em Rio Formos estão: sauna (Mugilidae) (Fig. 4E), carapaça (Gerreidae) (Fig. 4F), camurça (Centropomidae), tainha (Mugilidae) e lula (Lutjanidae) (MELO, 2018). Ao contrário de outras populações, os pescadores de Rio Formos realizam 45% das vendas porta a porta (direto ao consumidor) sem passar por intermediários (MELO, 2018; SILVA; . ARAÚJO; ALVES, 2014).

Fui bolsista PIBEXC com projeto premiado pela 1ª Sepec - Semana de Ensino, Pesquisa, Extensão e Cultura da UFPE e fiz meu trabalho de conclusão de curso com essa mesma comunidade, para poder utilizar meus conhecimentos iniciais de etnobiologia e aprender sobre os saberes tradicionais de pescadores. Durante minha pesquisa de mestrado, procurei atentar para as necessidades de insumos dos pescadores de Rio Formos. Eles mesmos solicitaram este documento para auxiliá-los em suas argumentações perante o Conselho Municipal de Meio Ambiente; . iii) Participação no cadastramento de pescadores para atendimento emergencial devido ao derramamento de óleo na costa brasileira em 2019.

Distribuição espacial da ictiofauna estuarina do Rio Formoso (Pernambuco, Brasil), com ênfase em peixes recifais. Observação de uma área de manguezal onde os rios ariquindá e una se encontram, no município de Rio Formoso, Pernambuco.

Figura 1  -  Principais resultados obtidos sobre o perfil socioeconômico dos(as) pescadores(as) entrevistados em  Rio  Formoso (PE)
Figura 1 - Principais resultados obtidos sobre o perfil socioeconômico dos(as) pescadores(as) entrevistados em Rio Formoso (PE)

How socioeconomic factors and community participation can contribute

Socioecological systems — a concept that brings together biophysical (natural ecosystems) and cultural (human populations) elements (Folke et al. 2016). In order to effectively integrate such people in the search for understanding environmental problems, their different perceptions of the environment must be evaluated (Silva et al. 2016). Such a reaction and/or prevention behavior occurs in connection with the so-called adaptation of socio-ecological systems through adaptive strategies (Ferreira Júnior et al. 2018).

1 Symbolic representation of the hypothetical predictions raised in this study considering the influence of socioeconomic variables on the number of risks perceived by fishermen in the Rio Formoso (PE). The Rio Formoso estuary is divided into three zones: upper (greater presence of mangroves), middle (mangroves mixed with coconut trees), and lower (coconut trees) (Paiva et al. 2008). To assess participants' perceptions of environmental disturbances in the estuary, we used a semi-structured questionnaire (Huntington 2000), divided into two parts: (i) socio-economic profile (Silva et al. 2014) and (ii) risk perception and adaptive management strategies (see Appendix S1).

The interviews began with the interviewee's socio-economic profile (Fig. S1) and the context of the project proposal. These characteristics are important when studying populations with a low level of formal education and for reducing research bias and maintaining respect for the construct and language of the population (Smith et al. 2000). Arbitrary "cut-off limits" for the selection of these variables can be found in the literature of between 0.5 and 0.8 in Akaike's weights (Terrer et al. 2016; Silva et al. 2020a).

Individuals with a higher level of education (left), with supplementary income (middle) and men (right) mostly perceived greater risks for the preservation of the estuary. The salience value of risks was positively related to the number of strategies mentioned for them (Figure S6). Water color and odor are known to be factors used to assess the environmental quality of ecosystems (Azevêdo et al. 2018).

In the current and in other studies (Araújo et al. 2014; Melo 2018), fishermen from Rio Formoso even witness the worsening of these changes, especially in the upper estuarine zone. These fishermen are out of the community but often use destructive fishing techniques (Barbosa-Filho et al. 2020). According to Silva et al. 2020b), individuals who rely heavily on collecting fish stocks tend to be less receptive to issues related to the conservation and sustainable management of the ecosystems used by the population.

We therefore recommend that studies with tropical fish populations take these factors into account when planning the work.

Fig. 1 Symbolic representation of the hypothetical predictions raised in this study considering the  influence of socioeconomic variables on the number of risks perceived by fishers in Rio Formoso  (PE)
Fig. 1 Symbolic representation of the hypothetical predictions raised in this study considering the influence of socioeconomic variables on the number of risks perceived by fishers in Rio Formoso (PE)

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os riscos mais proeminentes ligados à poluição continental e práticas insustentáveis, causadas pelo aumento do número de pescadores fora da comunidade e pela diminuição dos recursos pesqueiros, revelam um panorama de vulnerabilidade dessas populações devido ao aumento da densidade populacional (SILVA; PENNINO ; LOPES , 2019). A partir de nosso estudo, identificamos que a escolaridade e a presença de uma fonte alternativa de renda influenciaram positivamente na percepção de riscos ambientais. A presença de riscos salientes (mais percecionados e consequentemente mais graves) com elevada perceção de estratégias leva-nos a supor um possível impacto na articulação comunitária que existe através da colónia de pescadores.

Ou seja, o possível papel influente que as discussões de mitigação de risco desempenham durante suas reuniões mensais (fato vivenciado pelo pesquisador). No entanto, a alta proporção de referências a "sem solução" para riscos salientes nos leva a inferir o efeito da motivação dos indivíduos nesse processo (WACHINGER et al., 2013). Nas análises, a identificação de grupos de risco que contavam com a presença de estratégias participativas revela a possibilidade de aprofundar a discussão sobre a elaboração de práticas de manejo e conservação com abordagem biocultural (GAVIN et al., 2015).

Tais práticas podem ser, por exemplo: a introdução de valores e costumes culturais de populações tradicionais em planos de manejo de um território natural (GAVIN et al., 2018); o uso do conhecimento ecológico local para determinar o período de proibição e fechamento das espécies pescadas (MOURÃO et al., 2020); e iniciativas de conservação que promovam o comanejo de espécies culturalmente importantes com populações tradicionais (FREITAS et al., 2020). Devido a abordagens conservacionistas que destacam a participação de povos tradicionais no processo (BALDAUF, 2020; DIEGUES, 2014; GAVIN et al., 2015), nosso trabalho mostra empiricamente a importância da caracterização socioeconômica do contexto específico dos sistemas costeiros socioecológicas tropicais com pescadores artesanais, para adoção de práticas conservacionistas participativas. Ampliando, buscando uma “repolitização dos oceanos” (BENNET, 2019), pretendemos inserir nossa pesquisa no debate acadêmico (teórico e prático) para entender como as variáveis ​​sociopolíticas alteram a funcionalidade dos sistemas socioecológicos tropicais (GONÇALVES-SOUZA et al. , 2019) e compreender o papel do cientista aplicado nesse processo (VUCETICH et al., 2018).

Em relação à metodologia aplicada, recomendamos o uso de abordagens de listagem de riscos com base nos próprios entrevistados. Também reforçamos nossa discussão sobre cautela no campo ao considerar a influência de um pesquisador homem entrevistando mulheres. Nosso estudo foi reservado para investigar padrões gerais de percepção de risco e estratégias, tornando necessário aprofundar outros fatores (por exemplo, motivação dos indivíduos) que podem ter um impacto qualitativo e quantitativo na percepção dos pescadores sobre riscos e estratégias.

Recomendamos que a comparação de nossos dados com os de outras populações de pescadores artesanais seja feita levando em consideração características socioeconômicas semelhantes às desta pesquisa. Recomendamos que, em estudos futuros, sejam avaliadas as seguintes questões: .. i) Como a educação formal tende a aumentar o pensamento crítico em relação aos riscos ambientais? . ii) Como a busca por outras fontes de renda que complementem a pesca pode afetar a percepção de riscos? . iii) Como a questão de gênero afeta qualitativamente os tipos de riscos percebidos e vieses na obtenção de dados durante a entrevista? . iv) Quais são os efeitos do envolvimento dos pescadores com a colónia na sua percepção das estratégias adaptativas?

Imagem

Tabela 1. Definição de Percepção de Risco por grupos de pesquisa de áreas do conhecimento diversas
Figura 1  -  Principais resultados obtidos sobre o perfil socioeconômico dos(as) pescadores(as) entrevistados em  Rio  Formoso (PE)
Figura 2 –Áreas urbana (A) e rural (B) onde foram realizadas as entrevistas da pesquisa e visão do estuário superior  (C)  e  inferior (D)  de  Rio  Formoso (PE)
Figura 3 - Embarcações e petrechos de pesca dos pescadores de Rio Formoso, Pernambuco
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Referências

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