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POESIA E ACELERAÇÃO - eLyra

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Academic year: 2023

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51 >> Pequenas revoluções do cotidiano na poesia de Jorge Gomes Miranda Julio Cattapan. 199 >> Enraizados no presente – alguns caminhos da poesia brasileira no século XXI Danilo Bueno.

TREM CINEMA

Lirismo, aceleração e excesso: Haroldo de Campos canta “são paulo”

A situação contemporânea e a pós-utopia: aceleração e apagamento

No poema “São Paulo”, para cantar sobre sua cidade de progresso, para responder ao contexto da dromocracia, Haroldo evoca toda uma tradição. Pós-doutorado na área de análise do discurso e psicanálise pela Universidade de São Paulo (FFCLRP-USP/2011).

Lirismo de-vagar

Nele, a ênfase é colocada no signo “de-vagar”, onde a ideia de movimento espaçotemporal faz parte da natureza multissignificada da palavra. Exemplo disso é a repetição de substantivos, verbos, adjetivos e advérbios que enfatizam o movimento “de-vagar” nos poemas – “lentos”.

As pequenas revoluções do cotidiano na poesia de Jorge Gomes Miranda

Da mesma forma, a poesia de Gomes Miranda conta pequenas histórias, como se fossem vislumbres da vida urbana. Chegou a hora de falar sobre o tipo de vida cotidiana e os valores estabelecidos que a poesia de Gomes Miranda busca derrubar.

O que vemos, ao ler Herberto Helder: algumas notas

É a própria vida, registrada como vibração, imagem, som, ritmo – através da “ciência dos movimentos”, cinematográfica ou poeticamente. Este texto (publicado no final da década de 1970) quase teoriza uma leitura do poema de Lugar, publicado uma boa década antes de Photomaton & vox. Fotografados no movimento do tempo, tentamos acompanhar a imagem no devir através dos traços da linguagem.

Mas é a mesma transição no devir na relação poema/vida, através da dor brilhante de uma explosão nervosa, que nos dá a imagem. O arrebatamento que toma o sujeito “como um coração tocado por um dedo vibrante” é resultado da violência. O filme (ou poema) “Representa uma tensão dinâmica na forma de um banquete a duas mãos, abrupto e sombrio como a intervenção da beleza” (ibidem 2013: 83).

Modernidade tardia e contemporaneidade em três poetas paulistas

Diante disso, é necessário tecer algumas considerações para que possamos novamente nos aproximar do que será a modernidade para a poesia, e em particular para a poesia brasileira e as consequentes consequências de sua caracterização, o que inevitavelmente nos levará a algo que se você quero isso como contemporâneo. O que não está muito claro é como marcar o tempo dessa produção, pois não sabemos identificar em que parte da poesia brasileira ocorreu a divisão epistemológica entre modernidade e contemporaneidade. Não é por acaso que é tão difícil qualificar esta produção poética, dada a série de indeterminações nela utilizadas.

E o fato é que nenhum poeta brasileiro que se diga contemporâneo de qualquer grau de fama conseguiu se desvencilhar de tudo o que se moderniza. Sendo o poema a dramatização de um problema que ocorre em uma única cena, é necessário destacar a evidência de que existem quatro parênteses, dois para indicar os personagens e outros dois que funcionam propriamente como rubricas. Analítico, porque se constrói gradativamente na exploração de um acontecimento, que se forja em palavras que se repetem e lhe dão substância.

Poesia crepúsculo da cultura: a poesia antiespetacular de Roberto Piva

Poesia no crepúsculo da cultura

Assim, investimos na leitura crítica de Roberto Piva em busca (se houver) de uma verdadeira fuga lírica desse emaranhado de teias espetaculares que impossibilitaria, na leitura de Debord, o surgimento da criação artística. Quando fala da “destruição crítica da velha linguagem comum da sociedade e da sua recomposição artificial no espetáculo comercial, na representação ilusória do inanimado”, o que nos estaria Debord a dizer, senão sobre o ataque ao discurso retórico daquilo que outrora pertenceu a uma narrativa natural ou, para abusar da definição aristotélica, a uma imitação da natureza. A questão, finalmente, à qual peregrinamos é: como se dá a possibilidade da continuidade do gênero lírico, como se dá a possibilidade do poema em meio a uma vida retirado do que o próprio Alcir Pécora chamou de “narrativa básica”, que faz “o ato de contar”.

Como, então, Piva poderia criar uma letra que se afirmasse como uma linguagem sui generis em meio a uma rede tão densa de redes, de uma pseudonarrativa já existente que não aceita repetição. Se Piva tiver sucesso no seu esforço, só o poderá conseguir através daquele fenómeno adorniano de que falámos no início do nosso texto: através de uma historiografia inconsciente, isto é, livre dos constrangimentos desta retórica espectacular. Sua poesia é fragmentada ao extremo: pois, mesmo com esforço, muitas vezes somos incapazes de reunir seus fragmentos lírico-narrativos em uma organização que escape ao caos absoluto.

Um lírico no sol da meia noite: a poesia antiespetacular de Roberto Piva

Aleida Asmann nos diz que trauma é aquilo que não pode ser elaborado simbolicamente (2011), fenômeno que pode ser observado na história da cultura ocidental, especialmente desde o nazismo e o Holocausto - as maiores metáforas possíveis para o fracasso do projeto ocidental. Os vagabundos barrigudos de néon, símbolos dos traficantes de drogas da cultura imperialista ocidental, num movimento silencioso, são os pontos de condensação humana absoluta que a retórica espetacular não consegue homogeneizar, por mais que tente. O fim da cultura chegará, mas na forma de uma explosão de retórica antiquada, sulfurada pela vida estóica que se impõe ao sábio que pode conduzir uma narrativa verdadeira de sua vida caso desista de participar do circo. atuação - estoicismo: o presente vale mais que o futuro, e o futuro ditado pelo ritmo das máquinas não existe senão como retórica e, portanto, não existe para a esfera da vida - e assim um novo verbo abrirá um novo princípio, onde nada além de sua própria voz conquistará a salvação.

Poesia Crepuscular da Cultura: A Poesia Antiespetacular de Roberto Piva. 1998), Crítica Cultural e Sociedade, em Prismas (Traduzido por Augustin Wernete Jorge Mattos Brito de Almeida), São Paulo, Ática. Benjmin, Walter (1987a), Crise na Narrativa, em Magia e Técnica, Arte e Política: Ensaios sobre Literatura e História Cultural. 1987b) Experiência da Pobreza, em Magia e Técnica, Arte e Política: Ensaios de Literatura e História Cultural: Obras Selecionadas Parte 1, traduzido por Sérgio Paulo Rouanet, São Paulo, Editora Brasiliense.

Uma visita às “admiráveis ruínas” em Mirleos (2015), de João Miguel Fernandes Jorge

No entanto, João Miguel Fernandes Jorge escreve há mais de quarenta anos, publicando trinta e sete livros de poesia (o último, Mirleos, março de 2015). Joana Emídio Marques escolheu “Porque não lemos todos João Miguel Fernandes Jorge furiosamente?” como título da sua crítica, referindo que a sua poesia representa “uma das mais belas paisagens da poesia portuguesa contemporânea” (Marques 2015: s/n ). ). Depois veremos de que tipo de erros ou ruínas fala João Miguel Fernandes Jorge no seu último livro.

Por fim, dediquemos algum tempo à análise dos aspectos formais e do tom narrativo, que no início da obra se apresentava como o traço dominante da poesia de João Miguel Fernandes Jorge. Além disso, devemos acrescentar que não é apenas um mimetismo formal (como ilustrado no primeiro poema analisado, “S. João Evangelista”) que a visualização de objectos artísticos provoca em João Miguel Fernandes Jorge. Pela forte dimensão narrativa da poesia de João Miguel Fernandes Jorge, o poeta por vezes constrói diálogos e encontros imaginados com as figuras que observa.

O cinema na poesia de Ricardo Aleixo

Uma leitura das relações entre poesia e cinema, no caso de Aleixo, mesmo que se concentre nos poemas impressos, não descura o ponto de partida intermédio e as infiltrações de uma arte noutra, que nos mais diversos suportes e acompanharam a sua trabalho inteiro. Uma poesia “do cinema” (com todas as conotações enfáticas que permanecem na expressão) diferirá de uma poesia “com cinema”, por ele atravessada, nutrida por ele, ou melhor, da compreensão de que existe um certo cinema “em "poesia. Quando fechamos os olhos, nos encontramos no mesmo ambiente escuro e aconchegante de uma sala de cinema.

Tudo no “Cine-ouvido” é movimento, é experiência sensorial, é criação de possibilidades, análogas às do cinema, assim como montagem e conflito. Em vez de “poesia cinematográfica”, seria mais cinema de poesia se o título do livro de Rosa Maria Martelo fosse devolvido. E isso porque o poema impresso na página tem uma abertura e flexibilidade que convida a ecos da arte e da linguagem cinematográfica.

Territórios do Eu Reencontrado, o Drama do Estranho feminino

Provocação

No início do século XX, o escritor e artista José de Almada Negreiros lançou em Portugal o seu "Manifesto da Exposição Amadeo de Souza-Cardoso" (Imprensa Nacional-Casa da Moeda: 1992), no qual apelava aos portugueses para descubram a si mesmos. ao seu tempo atual, para descobrir a arte do seu tempo contemporâneo. O limite da descoberta é infinito porque o significado da Descoberta muda de conteúdo e cresce de interesse – razão pela qual a Descoberta da Rota Marítima para a Índia é menos importante que a exposição Amadeo de Souza-Cardoso na Liga Naval de Lisboa. Embora Amadeo de Souza-Cardoso se considere mais modernista do que futurista, expressaria na sua obra um verdadeiro conhecimento dessa nova arte/atitude.

Tal como a exposição de Amadeo de Souza Cardoso, a importância do evento não pode ser demonstrada nas estatísticas ou no número de públicos-alvo, mas sim na importância última do diálogo, naquele sentido de descoberta que é infinito. E se, para Almada Negreiros, Amadeo de Souza-Cardoso pertence ao que chamou de “Pensamento Universal”, suspeito que Alberto Estima de Oliveira pertence a uma “Infralingua”, que só pode ser um resquício de experiência vivida, a estrada do amor . dentro dos limites da própria identidade. As Infraestruturas, de Alberto de Estima de Oliveira, são mais importantes do que qualquer outro evento relacionado com as obras concretas realizadas em Macau.

Contrastes

Então talvez seja altura de falar e dizer, ao estilo de Almada Negreiros, que o acontecimento mais importante de 1999 foi a publicação do livro Infraestruturas Alberta Estima de Oliveira, editado pelo Instituto Cultural de Macau, novamente um livro bilingue luso-chinês edição com tradução de Yao Jingming. Sem elencar a produção poética deste período, que foi enorme e inclui nomes consagrados no cânone da literatura portuguesa, como José Augusto Seabra e António Manuel do Couto Viana, percorrerei algumas obras da literatura lusófona publicadas em anos 80 e 90, que contribuíram para a construção dos significados do espaço urbano, no sentido de estabelecer uma relação mínima entre a obra publicada de Estima de Oliveira e a obra dos seus pares. Noto que no mesmo ano foi lançada a primeira edição de Infraestruturas de Estima de Oliveira, também editada pelo Instituto Cultural de Macau, da qual falarei em breve.

Dentre todas as produções poéticas deste período, a de Albert Estima de Oliveira destaca-se pela sua continuidade e conteúdo. Obviamente, a poesia de Estima de Oliveira situa-se nas condições migratórias da diáspora portuguesa, que já referi. Contudo, há também um vazio no movimento do corpo poético que Estima de Oliveira inventa, aquele que surge ao amanhecer ou mesmo, como no último poema do livro, no ruído profético dos cavries.

Referências

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2 A aprendizagem e a motivação dos alunos estão extremamente relacionadas à relação que sua estrutura cognitiva consegue realizar entre os fatos de sua vida cotidiana e os conteúdos