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A POLÍTICA DE RECONHECIMENTO EM CHARLES TAYLOR

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Academic year: 2023

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CHARLES TAYLOR LEITOR DE HEGEL

Hegel e o Retorno aos Gregos

Como salienta Taylor, na polis grega os homens identificavam-se com a sua vida pública e com as suas experiências partilhadas. A liberdade humana, portanto, torna-se um processo que se constrói no exercício da vida pública.

A Sittlichkeit

Para Hegel, o eficaz é possível, pois o real é aquilo que ainda não está permeado pela racionalidade, isso é o eficaz. É o conceito de liberdade que se tornou o mundo existente em função da natureza da autoconsciência” (Hegel, PR.

A Substância Ética

Desta forma, é importante compreendermos que a vida de uma língua e de uma cultura é “uma vida cujo locus é mais amplo que o do indivíduo; e acontece na comunidade. Nesse sentido, “as normas da vida pública de uma sociedade são o conteúdo da Sittlichkeit” (Taylor, 2005, p. 114).

A História e o Absoluto

Vale dizer: 1) admitir que se trata de uma luta significa assumir que o reconhecimento não pode ser concedido, alcançado ou cedido. E esta é uma característica necessária daquilo que poderíamos chamar de um eu ou de uma pessoa.

CHARLES TAYLOR E A POLÍTICA DE RECONHECIMENTO

As Origens do Reconhecimento

É uma ideia que não exclui a nossa relação com Deus ou com as ideias. O reconhecimento não é algo que se consegue de uma vez por todas, nem é bom ser distribuído. O liberalismo é, portanto, uma expressão de uma cultura particular que é muitas vezes incompatível com outros modelos culturais.

O sujeito que possui uma linguagem de objeções avaliativas que hierarquizam desejos pode ser chamado de avaliador forte. Por outro lado, possuir uma identidade exige a existência de uma rede de conversas, de um espaço público.

O Ideal de Autenticidade: as contribuições de Rousseau e Herder

A Política de Dignidade Universal

Reconhecimento e Identidade: uma relação dialética

O primeiro pode ser caracterizado como aquele em que a identidade individual é construída através da valorização e do desprezo de outras pessoas significativas. A segunda pode ser definida pelo espaço em que ocorre uma política de reconhecimento22. Ele também argumenta que “uma teoria dos direitos adequadamente compreendida requer uma política de reconhecimento que proteja a integridade do indivíduo no contexto de vida em que sua identidade é formada” (Habermas, 1998, p. 131).

A Política de Reconhecimento: igual dignidade e respeito pelas

A segunda mudança diz respeito ao desenvolvimento do conceito moderno de identidade, que permitiu o florescimento da política da diferença. A política da diferença começa assim a redefinir a não discriminação como uma exigência de tratamento diferenciado com base nas diferenças existentes entre os indivíduos. Assim, o grande destaque da política da dignidade é o fato de ter reconhecido a presença do potencial humano universal em cada sujeito, como nos diz Taylor.

Embates Contemporâneos: individualistas x coletivistas

Por outro lado, o primeiro é criticado por negar a identidade e forçar as pessoas a se conformarem com um modelo que não lhes é fiel (Taylor, 1998, p. 63). Pelo contrário, é uma sociedade que alcança a unidade em torno de um forte esforço processual, onde as pessoas são tratadas com igual respeito (Taylor, 1998, pp. 76 e 77). E isto inclui todos aqueles que “não partilham das definições públicas do bem, e especialmente dos direitos que confere a todos os seus membros” (Taylor, 1998, p. 79).

A Política Liberal

Segundo o canadense, é errado pensar na sociedade, bem como em alternativas políticas e jurídicas, baseadas na neutralização do mercado e do Estado. Segundo esta concepção, a liberdade revelou-se perfeita precisamente porque incentivou a partilha do poder político entre todos os seus cidadãos. É um facto essencial da democracia republicana que todos os cidadãos sejam inspirados por um sentido do bem comum que partilham imediatamente.

O Multiculturalismo

Bem, a exigência que Taylor prevê é precisamente que “todos reconheçamos o valor igual das diferentes culturas: deixá-las não apenas sobreviver, mas reconhecer os seus méritos” (Taylor, 1998, p. 84). Portanto, “a luta pela liberdade e pela igualdade deve transformar esta imagem” (Taylor, 1998, p. 86). Isto porque para uma cultura suficientemente diferente, a própria ideia de que devemos valorizá-la nos será estranha (Taylor, 1998, p. 87).

A Fusão de Horizontes

De certa forma, as questões levantadas na esfera pública da vida política de uma comunidade evocam, em última análise, a expressão da interioridade do agente humano. E é também por isso que não pode ser equiparado à apresentação de uma razão básica (Taylor, 1997, p. 108). Assim, em contraste com uma perspectiva distanciada, a razão instrumental e o self pontual, Taylor, como vimos, acredita na substancialidade de um bem definido.

A ANTROPOLOGIA FILOSÓFICA DE CHARLES TAYLOR: EM

A Concepção de Agência Humana

Por esse motivo, não é errado dizer que, para Taylor, “uma avaliação forte é uma condição de articulação, e adquirir uma linguagem de avaliações fortes é tornar-se alguém (mais) articulado sobre suas preferências” (Taylor, 2007, p. 19). Vale dizer que “o conceito de identidade está ligado a algumas avaliações fortes das quais não consigo me separar” (Taylor, 2007, p. 29), mas isto no sentido de que algumas avaliações constituem o horizonte necessário a partir do qual avaliar agentes humanos. eles mesmos. Somos responsáveis ​​no sentido de que podemos sempre, através de novas concepções, modificar nossas avaliações para melhor e, portanto, tornar-nos ainda melhores” (Taylor, 2007, p. 34).

O Homem como um Ser de Linguagem

A questão colocada por Taylor aos pensadores que insistem no carácter meramente instrumental da linguagem é que a linguagem, pela sua própria condição, transcende a natureza da expressão, ou seja, como perceberam os românticos, a linguagem não pode ser considerada uma criação do indivíduo. já que cada agente humano é introduzido nele através de uma comunidade linguística que por si só. Nesse sentido, podemos dizer que para Taylor o âmbito da linguagem é aquele que aparece acima não só da expressão, mas também do indivíduo que a elabora individualmente. Dessa forma, Taylor entende que o homem aprofunda e expressa sua identidade dentro da linguagem (Araújo, 2004, p. 24).

O Homem como um Animal que se Autointerpreta

É justamente a articulação de sentimentos que o agente humano possui que lhe permite construir uma hierarquia em relação a eles. O agente humano pode posicionar-se diante de um objeto de acordo com as características de seus sentimentos. Para Taylor, a interpretação surge como proporcionando ao agente humano o discernimento necessário para que suas articulações linguísticas emerjam no espaço.

A Importância do Bem na Construção do Self

Isto é, para compreender o nosso mundo moral, “devemos ver não apenas quais as ideias e quadros descritivos subjacentes ao nosso sentido de respeito pelos outros, mas também aqueles que sustentam as nossas noções de uma vida plena” (Taylor, 1997, p. 29). . Nos bens convergentes não há consideração sobre o que os caracteriza como tais, pois cada sujeito usufrui do seu uso de forma única. A identidade do homem depende, portanto, da sua adesão a um certo complexo de bens, que não são dados (ex-ante), mas construídos hermeneuticamente (revelados) a partir de um determinado facto e historicidade, porque, como nos diz Taylor, “somos apenas um só eu”. na medida em que nos movemos num determinado espaço de investigação onde procuramos e encontramos uma orientação para o bem” (Taylor, 1997, p. 52).

Os Inescapáveis Horizontes Morais

O pano de fundo, para Taylor, só pode consistir em valores que transcendem o próprio indivíduo. Este pano de fundo é o que podemos chamar de “as fontes da moralidade”, a motivação última das nossas escolhas, da nossa auto-realização. Se um determinado tipo de agente estiver envolvido neste sentido, a sua experiência não é inteligível fora do contexto, ou seja, do background.

Os Hiperbens

O quadro da vida moral em que aparece um hiperbem é aquele em que somos capazes de sair de um estado “normal”, “original”, “primitivo” ou “médio”, no qual reconhecemos e nos orientamos em direção a uma gama de certos bens. , até mesmo o reconhecimento de um bem que tem uma dignidade incomparavelmente maior que estes. Nós os julgamos de forma diferente e talvez os vivenciamos de forma bastante diferente, ao ponto de uma possível indiferença em relação a eles e, em alguns casos, de rejeição (Taylor, 1997, p. 98). E é por isso que o reconhecimento de um hiperbem é fonte de tensão e, muitas vezes, de dilemas dolorosos na vida moral (Taylor, 1997, p. 93).

Os Três Mal-Estares da Contemporaneidade

Neste caso, como aponta o próprio Taylor, “a autenticidade é um aspecto do individualismo moderno” (Taylor, 2011, p. 52), ou seja, de um individualismo que encontra os seus recursos estruturantes na exigência de que cada pessoa pense de uma forma diferente. autoresponsável (individualismo da racionalidade descomprometida, desenvolvido por Descartes) e na concepção de cada pessoa, ou sua vontade, como primária e prioritária em relação às obrigações sociais (individualismo político desenvolvido por Locke). Para o canadense, “nossos graus de liberdade não são zero” (Taylor, 2011, p. 17), pois a sociedade contemporânea ainda cria pontos e formas de resistência contra a dominação e a usurpação completa da nossa liberdade. Esta constatação leva Taylor a questionar se a eminente alienação da esfera pública, na qual vive o sujeito contemporâneo, está realmente ocorrendo “em nosso mundo altamente centralizado e politizado” (Taylor, 2011, p. 19).

Autorrealização e Liberdade

Consequentemente, “assim como o termo 'ideia' migra para fora do seu sentido ôntico para ser aplicado aos conteúdos intrapsíquicos, a matéria da 'mente', também a ordem das ideias deixa de ser algo que descobrimos e se torna algo que descobrimos. nós construímos” (Taylor, 1997, p. 191). Portanto, Taylor acredita que Descartes “é o fundador do individualismo moderno, porque sua teoria força o pensador individual a se voltar para sua própria responsabilidade, exige que ele construa sua própria ordem de pensamento na primeira pessoa do singular” (Taylor, 1997). , pág. 237). Assim, as conexões relevantes para a nossa existência são “determinadas de forma puramente instrumental, por aquilo que trará os melhores resultados, prazer ou felicidade” (Taylor, 1997, p. 223).

A Necessidade de Reconhecimento

Numa democracia, os indivíduos só podem realizar-se se reconhecerem os outros como pertencentes a uma comunidade partilhada124. A importância do reconhecimento é agora universalmente reconhecida de uma forma ou de outra; a nível pessoal, todos estamos conscientes de como a identidade pode ser moldada ou distorcida no nosso contacto com outras pessoas significativas. Isto porque a afirmação de uma identidade implica necessariamente a participação na construção da organização social em que se movem os indivíduos, grupos e comunidades, e não é menos importante que esta própria organização reflita a identidade dos envolvidos. .

Autenticidade e Reconhecimento: uma ética para o novo milênio

Estas capacidades, ou pelo menos as duas primeiras, que requerem uma reflexão radical, são a base de uma certa concepção de interioridade” (Taylor, 1997, p. 273). Neste contexto, o papel essencial da ideia de reconhecimento não só se apresenta como fundamento da vida humana em sociedade, mas ao mesmo tempo também reconstrói esta categoria (de reconhecimento intersubjetivo) de forma pessoal e original no dimensão filosófica de seus pressupostos de validade, pois Taylor propõe a construção de uma nova antropologia filosófica (bem como de uma ética que a sustente) e vislumbra a fundamentação das ciências humanas na perspectiva de uma ontologia hermenêutica. Para Taylor, vale ressaltar, os homens são agentes corporificados que vivem em condições dialógicas e habitam o tempo de forma especificamente humana.

Referências

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