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POLIMORFISMO DA APOLIPOPROTEÍNA E E SUA

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Academic year: 2023

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Polimorfismo da apolipoproteína E e sua associação com comprometimento funcional em idosos: Projeto Bambuí / Rodrigo Zunzarren Megale. Embora grande parte desse fenômeno seja atribuído a mudanças nos fatores de risco ambientais e socioeconômicos, não se pode negar a importância dos fatores genéticos no processo de envelhecimento (Vaupel et al., 1998). Numerosos estudos ligaram o alelo ε4 da apolipoproteína E a doenças comuns no envelhecimento, como doença arterial coronariana (DAC), acidente vascular cerebral e doença de Alzheimer (Mahley et al., 2000).

Mais recentemente, o gene da apolipoproteína E também foi considerado um gene de vulnerabilidade (Genders et al., 2000; Christensen et al., 2006, Kulminski et al., 2008), pois os portadores de ε4 também apresentam pior prognóstico em várias outras condições clínicas . como traumatismo craniano, doença arterial periférica e diabetes (Christensen et al., 2006). Poucos estudos foram publicados comparando o genótipo da apolipoproteína E e o grau de incapacidade em idosos (Alber et al., 1995; Bader et al., 1998; Blazer et al., 2001; Meizer et al., 2005; Kulminski et al., 2008; Lan et al., 2009; Verghese et al., 2013) e os resultados desses estudos ainda não permitem uma conclusão definitiva sobre a associação do alelo ε4 com comprometimento funcional.

Genética e envelhecimento

  • Genes ligados ao eixo GH-IGF-insulina
  • Genes ligados à inflamação
  • Genes ligados à manutenção de telômeros
  • Genes ligados a enzimas antioxidantes
  • Genes responsáveis pela manutenção e reparação do DNA
  • Genes que atuam na regulação da pressão arterial
  • Genes ligados ao metabolismo de lipídeos
  • Genes mitocondriais

As mutações nesta via têm efeitos notáveis ​​no tempo de vida de invertebrados e mamíferos (Murphy et al., 2003). No entanto, nem todos os estudos suportam uma relação entre o comprimento dos telômeros e o tempo de vida (Bischoff et al., 2006). A homozigose para a variante da proteína de transferência de éster de colesterol (CETP) I405V pode estar ligada a esse fenótipo (Barzilai et al., 2003).

A apolipoproteína E e seu gene

  • Apolipoproteína E e doenças cardiovasculares
  • Papel da apolipoproteína E na neurobiologia
  • Apolipoproteína E, inflamação e doenças infecciosas
  • Apolipoproteína E e longevidade
  • Apolipoproteína E e incapacidade funcional em idosos …

O alelo ε4, por sua vez, está relacionado a níveis mais elevados de colesterol e LDL e a um maior risco de doenças cardiovasculares e neurodegenerativas (Mahley et al., 1988). Mesmo após o ajuste para os níveis de LDL, o alelo ε4 ainda mostrou uma associação significativa com o risco de morte por DAC (Stengard et al., 1998). ApoE2 e apoE3 são mais eficazes do que apoE4 na manutenção e reparação de células nervosas (Mahley et al., 2006).

É possível que essa neurotoxicidade esteja relacionada à capacidade dos fragmentos de apoE de entrar no citosol e interagir com o citoesqueleto ou mitocôndrias (Mahley et al., 2006). As propriedades imunossupressoras da apoE foram descritas pela primeira vez nos anos oitenta por investigações de sua associação com a proliferação de células T (Kelly et al., 1994). Indivíduos portadores do alelo ε4 e infectados pelo HIV correm maior risco de infecções oportunistas (Burt et al., 2008), progressão para demência (Corder et al., 1998) e morte.

Além disso, esse alelo tem sido associado à psoríase, uma doença inflamatória crônica da pele (Campalani et al., 2006). No vírus da hepatite C, a apoE4 também está associada a menos danos hepáticos (Wozniak et al., 2002). Alguns estudos mostraram que os portadores de ε4 têm pior prognóstico (morte ou estado vegetativo) após traumatismo cranioencefálico grave (Horsburgh et al., 2000).

Além disso, ε4 é um fator de risco para declínio cognitivo 6 semanas após a cirurgia de revascularização do miocárdio (Shiefermeier et al., 2000).

Envelhecimento populacional no Brasil e incapacidade funcional

A presença do alelo ε4 não é apenas um fator de risco independente para doença cardiovascular e doença de Alzheimer, mas os portadores desse alelo também são mais suscetíveis a resultados negativos após exposição a fatores externos. Indivíduos com aterosclerose, doença arterial periférica ou diabetes também correm maior risco de declínio cognitivo se forem portadores desse alelo (Christensen et al., 2006). colo femoral em idosos (Cauley et al., 1999 e von Muhlen et al., 2001). Se isso for realmente verdade, pode-se esperar que os portadores do alelo ε4 tendam a acumular mais doenças e deficiências à medida que envelhecem em comparação com aqueles que não carregam esse alelo.

AVD, AIVD e mobilidade são indicadores preferidos pelos autores e universalmente aceitos na literatura (Alves et al., 2008). Portanto, a incapacidade funcional refere-se à dificuldade ou dependência na realização de atividades essenciais para uma vida independente (Rubenstein et al., 1988). As atividades mais estudadas são classificadas em atividades de vida diária (AVD) e atividades instrumentais de vida diária (AIVD).

AVDs são tarefas necessárias para o autocuidado, como tomar banho, vestir-se, ir ao banheiro, transferir-se e alimentar-se (Katz et al., 1963). Estima-se que 20 a 30% dos idosos comunitários com mais de 70 anos vivam com alguma deficiência nas AVD e/ou AIVD (Fried et al., 2004). Na segunda metade, é determinada por eventos catastróficos, como acidente vascular cerebral ou fratura de fêmur (Ferruci et al., 1996).

Vários estudos têm mostrado que a deficiência em idosos pode ser prevenida por meio de programas de intervenção (Fiatrone et al., 1994, Fried & Guralnik, 1997, Stuck et al., 1997 e 1999, e Tinetti et al., 1994), o que desperta grande interesse em identificar o grupo de idosos com maior risco de adquirir incapacidades ao longo da vida. Vários fatores podem contribuir para o desenvolvimento da incapacidade funcional, que podem ser classificados como: 1) Fatores predisponentes – existentes antes da instalação do processo de incapacidade, como características demográficas e sociais, estilo de vida, ambiente e fatores genéticos; - 2) fatores intraindividuais - mudanças no estilo de vida e comportamento que alteram o curso natural da doença, atributos psicossociais, formas de enfrentamento das dificuldades e modificação das atividades; - 3) Fatores extra-individuais – acesso a serviços de saúde e reabilitação, acesso a medicamentos, dispositivos de apoio, apoio social e adaptação ao ambiente (Verbrugge & Jette, 1994 e Giacomin, 2008).

Objetivo geral

Objetivos específicos

Área e população do estudo

Avaliação funcional dos participantes do estudo

A mobilidade foi avaliada por meio de perguntas sobre a capacidade de caminhar 2 ou 3 quarteirões, subir escadas, inclinar-se para a frente, agachar-se e ajoelhar-se, levantar ou carregar um peso de 5 kg, de um cômodo para outro, o outro de caminhar, levantar-se de uma cadeira sem apoio e movimentar-se sem auxílio de órteses. Os idosos foram então classificados de acordo com o número de tarefas que não conseguiam realizar (nenhuma, uma, duas ou mais) por grupo (AVDs, AIVDs e mobilidade). Em outra análise, idosos que além de serem capazes de realizar todas as tarefas relacionadas às AVD, AIVD e mobilidade, como também não apresentavam dificuldade em realizá-las, foram considerados idosos com "envelhecimento bem-sucedido" e comparados com aqueles que apresentaram algum grau dificuldade em pelo menos uma das questões avaliadas.

Extração do DNA genômico e genotipagem da apoE

A ApoE2, além de substituir a arginina por cistina na posição 112, tem a mesma substituição na posição 158, que altera o sítio final de clivagem. Diferenças nos sítios de clivagem determinam fragmentos de restrição com diferentes números de pares de bases (pb), permitindo a genotipagem da apoE. A visualização dos fragmentos de restrição foi realizada após corrida em géis de agarose a 4%, tratamento com brometo de etídio e visualização com luz ultravioleta.

A estimativa dos fragmentos de restrição foi feita por comparação com um padrão de DNA de 100 pb.

Variáveis utilizadas para ajustamento

Foram considerados fumantes os indivíduos que referiram ter fumado pelo menos 100 cigarros na vida e que continuavam fumando no momento da entrevista. Para avaliar a hipertensão arterial, a pressão arterial (PA) foi aferida pelo menos 30 minutos após a última ingestão de cafeína ou fumaça de cigarro, utilizando esfigmomanômetros de coluna de mercúrio (Tycos 5097-30, EUA) e estetoscópios Littman Cardiology II (EUA). Foram considerados hipertensos os idosos que apresentavam pressão diastólica média maior que 90 mmHg e/ou pressão sistólica média > 140 mmHg e/ou que relataram uso de anti-hipertensivos.

Os níveis séricos de glicose em jejum, LDL, HDL e triglicerídeos foram determinados após um jejum de 12 horas usando um analisador automatizado (Eclipse Vitalab, Merck, Holanda). Foram considerados diabéticos os idosos que apresentaram glicemia de jejum maior ou igual a 126 mg/dL ou que relataram tratamento para a doença. O histórico de AVC foi avaliado por meio de um questionário estruturado no qual o sujeito respondia às seguintes questões: a) "Você já teve fraqueza ou paralisia em um lado da face/face, braço ou perna, com duração superior a cinco minutos?"; b) "Você já teve perda acentuada de visão em um olho ou visão acentuadamente escura ou turva em ambos os olhos por mais de cinco minutos?";.

A presença de DAC foi verificada por meio de um instrumento padronizado, o questionário de angina WHO/Rose (Rose, 1962), além de considerar o histórico de diagnóstico médico de infarto. As entrevistas foram realizadas nas residências dos participantes por entrevistadores treinados e respondidas pelo próprio idoso ou por um entrevistado próximo quando isso não foi possível por motivos de saúde.

Análise dos dados

As amostras foram centrifugadas, resfriadas e então enviadas ao Laboratório de Epidemiologia e Antropologia Médica do Centro de Pesquisas René Rachou/FIOCRUZ em Belo Horizonte (Lima-Costa et al., 2011). Em apenas uma população, a presença do alelo ε2 foi positivamente associada a um pior desempenho nas AIVDs (Kulminski et al., 2008). Os autores chamam a atenção para a baixa frequência do alelo ε4 (5,1%) e para o consumo da típica "dieta mediterrânea" por esta população, pobre em gordura e colesterol, o que poderia explicar o efeito do genótipo apoE. minimizar (Bader et al., 1998).

No entanto, houve interação significativa desse alelo com o sexo, sendo o declínio funcional mais frequente em mulheres portadoras do alelo ε4 (Blazer et al., 2001). Na análise longitudinal (aproximadamente 6 anos de seguimento), o alelo ε4 aumentou o risco de morte ou pior desempenho no teste da cadeira, mas não se associou aos demais desfechos analisados, levando em consideração o ajuste para fatores de confusão (Melzer e outros, 2005). Em Bambuí, 25,3% dos idosos apresentavam pelo menos um alelo ε4, o que também chama a atenção para a alta prevalência da infecção pelo Trypanosoma cruzi (38,1%) nessa população (Lima-Costa et al., 2011), apesar de a doença ser chagásica doença. não associado ao genótipo apoE (dados não mostrados).

Da mesma forma, embora não tenha sido observada associação significativa, em idosos italianos, o alelo ε4 foi mais frequente na população considerada saudável, definida neste estudo como: (1) idade superior a 80 anos; (2) ausência de doença cardiovascular, doença respiratória, demência, artrite grave, depressão maior ou alcoolismo; (3) ausência de alterações em marcadores bioquímicos, urinários ou tumorais e (4) ausência de incapacidade (Bader et al., 1998). Corder EH, Robertson K, Lannfelt L, Bogdanovic N, Eggertsen G, Wilkins J et al., Indivíduos infectados pelo HIV com o alelo E4 para APOE têm excesso de demência e neuropatia periférica. Drabe N, Zünd G, Grünenfelder J, Sprenger M, Hoerstrup SP, Bestmann L et al.. A predisposição genética em pacientes submetidos à cirurgia de circulação extracorpórea está associada ao aumento de citocinas inflamatórias.

Lander ES, Linton LM, Birren B, Nusbaum C, Zody MC, Baldwin J et al. Initial sequencing and analysis of the human genome.

Tabela 1 – Características dos participantes do estudo. Linha de base da Coorte de Idosos de  Bambuí
Tabela 1 – Características dos participantes do estudo. Linha de base da Coorte de Idosos de Bambuí

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Tabela 1 – Características dos participantes do estudo. Linha de base da Coorte de Idosos de  Bambuí
Tabela 2 - Prevalência de incapacidade funcional na amostra do estudo. Linha de base da Coorte de  Idosos de Bambuí
Tabela 3 - Grau de incapacidade funcional avaliado pelo número de tarefas comprometidas em  AVDs, AIVDs e mobilidade
Tabela 4 - Associação entre genótipos da apolipoproteína E e incapacidade funcional para tarefas relacionadas a mobilidade, AIVDs e AVDs
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Referências

Documentos relacionados

Ainda houve evidências de melhora nas condições de saúde auto-referidas dos idosos brasileiros, entre o período compreendido nos anos de 1998 a 2003, pois em um