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Pulsando a Dança da Vida: Enraizando Sementes

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Academic year: 2023

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36 REVISTA LATINO-AMERICANA DE PSICOLOGIA CORPORAL V.9, No. 13, p.36-55, Novembro/2022 – ISSN 2357-9692

Edição eletrônica em http://psicorporal.emnuvens.com.br/rbpc

Pulsando a Dança da Vida:

Enraizando Sementes

Resumo: O presente artigo pretende descrever a oficina intitulada “Pulsando a dança da vida: enraizando sementes”, facilitada pelas autoras durante o III Congresso Latino-Americano de Psicologia Corporal, evento on-line realizado no período de 02 a 04 de junho de 2022. Inspiradas pelo tema do Congresso, “Enraizamento no pulsar da vida”, e fundamentadas em Lowen (2017) e Keleman (1996), as autoras convidam a refletir como o viver corporal molda a existência, definindo a própria realidade. Baseadas na Análise Bioenergética, sustentam a ideia de quanto mais em grounding, enraizados, ancorados no próprio eixo e equilibrados energeticamente, mais leve e fluida a vida. Através dessa oficina teórica-vivencial, as facilitadoras trazem a potência do corpo sob a perspectiva multidisciplinar e criativa;

convidam os participantes a compartilharem a experiência de enraizamento e conexão com o pulsar da vida, através da arte, da dança e do resgate do vínculo com a natureza. Esse artigo vem dar ênfase ao desenvolvimento da metodologia, com o relato minucioso da vivência proposta. Acredita-se que a relevância deste, esteja na possibilidade de tornar-se referência como instrumento de intervenção para grupos psicocorporais multidisciplinares.

Palavras-chave: Bioenergética; Biodanza; Arteterapia; Oficina Teórico- Vivencial; PICS.

.

Pulsing the Dance of Life:

Rooting seeds

Abstract: This article intends to describe the workshop entitled “Pulsing the dance of life: rooting seeds”, facilitated by the authors during the III Latin American Congress of Corporal Psychology, an online event held from June 2 to 4, 2022 Inspired by the theme of the Congress, “Rooting in the pulse of life”, and based on Lowen (2017) and Keleman (1996), the authors invite you to reflect on how bodily living shapes existence, defining reality itself. Based on Bioenergetic Analysis, they support the idea that the more grounded, rooted, anchored in one's own axis and energetically balanced, the lighter and more fluid life is. Through this theoretical-experiential workshop, the facilitators bring the power of the body from a multidisciplinary and creative perspective; invite participants to share the experience of rooting and connecting with the pulse of life, through art, dance and rescuing the bond with nature. This article emphasizes the development of the methodology, with a detailed account of the proposed experience. It is believed that its relevance lies in the possibility of becoming a reference as an intervention instrument for multidisciplinary psychocorporal groups.

Keywords: Bioenergetics; Biodanza; Art therapy; Theoretical-Experiential Workshop; PICS.

_____________________________________________________________________

Maria Adélia Piquet Gonçalves Menezes1

Andréa Vale2

1 Psicóloga Clínica, Analista Bioenergética- Libertas/PE- IIBA, Arteterapeuta, facilitadora de grupos, psicoterapeuta de crianças, adolescentes, jovens e adultos. Contato:

[email protected];

2 Psicóloga Clínica, atendimento presencial e on-line para adultos, jovens e adolescentes, Analista Bioenergética- Libertas/PE-IIBA, Especialista em Neuropsicologia- Unipê/PB e Naturologia-

Estratego/PB, Facilitadora-Didata em

Biodanza- IBF/SRT.

Contato:

[email protected]

DOI: 10.14295/rlapc.v9i13.136

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Introdução

O tema do III Congresso Latino-Americano de Psicologia Corporal,

“Enraizamento no pulsar da vida”, toca-nos profundamente, convidando-nos a refletir como o viver corporal molda a nossa existência, definindo a realidade. Dormir e acordar, levantar e deitar, andar e parar, são padrões rítmicos primordiais da nossa consciência ancestral, e os estados de excitação autorreguladores e autogeradores permitem vincular a nós mesmos e à natureza cósmica.

A vida, enquanto movimento, é caminhar por entre trilhas e estradas muitas vezes tortuosas, ora em equilíbrio e harmonia, ora em desequilíbrio e agonia; é estar em constante expansão e contração, vivendo o eterno pulsar. Através dessa oficina, trazer a potência do corpo sob a perspectiva criativa e multidisciplinar nos excita, ao mesmo tempo que nos desafia. Compartilhar a experiência de enraizamento e conexão com o pulsar da vida, através da arte, da dança e do resgate do vínculo com a natureza, enche- nos de prazer e alegria.

O convite, portanto, é que possamos adentrar na vivência como experiência única, individual e profunda, como possibilidade de estarmos mais integrados e conectados com nosso próprio self. Nesse sentido, vivenciar é nos deixar levar pelo re- encantamento das experiências do sagrado subjetivo, entregando-nos ao fenômeno dos sentidos, ao momento existencial. Partindo do processo de reconexão com nossa essência mais profunda, com o mundo e os seres que o habitam. Significa ir em direção às experiências do sagrado subjetivo, entregando-nos ao fenômeno dos sentidos e ao momento existencial, experienciando o imprevisível do aqui e agora, mergulhados no tempo e no templo sagrado da eternidade.

Para Keleman (1996, p. 21), o corpo desperto é a nossa consciência e ficar de pé é a força da autoformação, da individuação e da criação. Nos três primeiros anos de vida, “a criança aprende a passar de uma posição horizontal para uma posição vertical”, sendo assim importante conquista, “em conjunto com a aquisição da linguagem verbal”. A verticalidade conduz à motilidade e a novas formas de sentimentos, através desses, assumimos nosso próprio caminho, tornando-nos independentes. Portanto, “ficar de pé é se abrir” para o mundo, é se expor, “é se revelar”.

Correia e Alves (2013, p.181) ressaltam que viver de forma saudável é uma

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escolha a partir da consciência e visão sistêmica, demanda responsabilidade e autocuidado. “Viver plenamente requer uma tomada de consciência sobre a qualidade dos pensamentos, das sensações e sentimentos dos relacionamentos e das ações no mundo”. Através de exercícios corporais rotineiros, respiração plena, meditação, sono adequado, alimentação equilibrada, relações harmoniosas, entre outras atitudes, temos a possibilidade de sentir prazer e alegria, condição de estar no mundo de forma viva e plena.

Como psicoterapia analítico-relacional-corporal, a Bioenergética compreende a dimensão sociopolítica e cultural do ser como intrínseca ao desenvolvimento da personalidade humana. É uma abordagem corporal que se alinha com os princípios de integralidade constitucionais do SUS (Sistema Único de Saúde), podendo estar presente em todas as esferas de atenção básica (BRASIL, 2018). Trata-se de uma Prática Integrativa Complementar em Saúde (PICS) que atua para além dos modelos hegemônicos (newtoniano-cartesiano-einsteiniano), visto que percebe o ser humano como multidimensional, cujos aspectos mentais, emocionais e espirituais pautam sua existência.

Barreto et al (2019, p. 399), destaca que "as experiências e contribuições de cuidado da Bioenergética vão além do âmbito da saúde mental”. Podem colaborar de diversas formas: “nas redes de atenção psicossocial, em serviços de média e alta complexidade, bem como no trabalho de humanização e educação permanente dos profissionais do SUS”; além de cuidados com transtornos psicossomáticos voltados para grupos específicos, idosos, gestantes, entre outros.

Para Liimaa (2013, p. 33), “a visão mecanicista do corpo como máquina de comportamento previsível” não mais se sustenta. Cada ser evolui “do ponto de vista energético de maneira única” e tudo emana na forma de frequências vibratórias.

Conectando com as bases biológicas, permitimos a circulação da vitalidade e, assim como árvores, fazemos crescer raízes, galhos e folhas, criando um ambiente fértil para a geração de novos frutos. Pulsando em nosso próprio eixo (self), como instrumentos musicais, “podemos dizer que tudo no Universo evolui no sentido de encontrar a sua melodia, a sua música, o seu acorde perfeito para fazer parte da grande sinfonia cósmica”.

Do contrário, catástrofes e tempestades emocionais podem nos desenraizar,

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interrompendo o fluxo excitatório, enfraquecendo o corpo, a personalidade. Quanto mais tempo conseguimos nos manter em grounding, enraizados, ancorados em nosso próprio eixo e equilibrados energeticamente, mais leve e fluida será a vida.

Lopes (2008) ressalta o enraizamento como possibilidade de nos integrar à real condição de nós mesmos, tanto no micro espaço (indivíduo, ego e self), quanto no macro espaço (família, sociedade e cultura). Atravessando os desafios do cotidiano, impedimos que intempéries da vida moderna nos suprimam da nossa essência, da nossa natureza cósmica; podemos assim, viver em ato e não apenas sobreviver, de fato.

Alexander Lowen (2017, p. 35) afirma que “a vida de um indivíduo é a vida de seu corpo” e, de forma indissociável, mente e corpo se auto regulam constituindo a identidade psicossomática. Funções básicas como respiração, metabolismo e movimento conferem a quantidade de energia, determinando respostas às situações do dia a dia.

Tensões crônicas existentes em determinadas áreas do corpo, causadas por conflitos ou estresses do cotidiano, reduzem o estado vibratório, restringindo a motilidade espontânea; além de diminuir a vitalidade, limitando a auto expressão, o prazer e a alegria de viver. Ao bloquear o fluxo de energia através do corpo, as tensões provocam estados de contração, atingindo órgãos e sistemas e desencadeando doenças psicossomáticas como enxaqueca, alergia, insônia, síndrome de pânico e fibromialgia, que podem se tornar irreversíveis com o tempo.

Na Análise Bioenergética, a energia é algo dinâmico, seu fluir e pulsar é sentido pelo corpo como um agradável movimento interno que se expressa em bem estar e alegria. Se o indivíduo for limitado por inibições ou tensões crônicas na sua capacidade de expressar sentimentos, repercutirá em sua capacidade de sentir prazer e satisfação, bem como em experienciar vivências criativas.

Segundo Lowen (1997, p. 20) a alegria não é uma atitude mental, pois “pertence ao reino das sensações corporais positivas”. Para o criador da Bioenergética, não se pode decidir ser alegre, mas, quando a excitação prazerosa aumenta, podemos transbordar em alegria, entregando-nos ao corpo e à vida, vivenciando estados de êxtase e plenitude.

Um corpo vivo encontra-se em constante excitação, quer desperto ou dormindo.

Os Exercícios de Bioenergética desenvolvidos por Lowen e sua esposa Leslie (1985,

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p.15), propõe elevar o estado vibratório, deixando que “as ondas pulsatórias se desenvolvam e se espalhem pelo corpo”, fazendo-nos sentir conectados e integrados com o todo. A vibração se deve ao aumento de carga energética na musculatura e a falta de vibração indica que a corrente excitatória ou carga está reduzida, tornando o corpo inerte, sem motilidade, sem vida.

Os recursos corporais, tais como exercícios de respiração, enraizamento, sonorização, vibração, percepção e auto-expressão, objetivam recuperar a vitalidade do organismo e podem ser vivenciados não somente na psicoterapia, como em grupos de movimento, além de oficinas terapêuticas. Através do contato com o corpo, podemos ampliar a auto-percepção das respostas involuntárias e o grau de espontaneidade, integrando os aspectos biopsicossociais.

A Bioenergética, como psicologia corporal, cuja abordagem busca aumentar a tolerância do corpo para a alegria, excitação e prazer, adequa-se bem às vivências criativas, possibilitando a interdisciplinaridade e a multidisciplinaridade. Segundo Turato (2011, p. 86), qualquer pesquisa que “aprofunde seus estudos e direcione sua práxis (ação) de modo interdisciplinar”, contribuirá com o “desenvolvimento do conhecimento científico geral e de sua epistemologia”. Ao pesquisador multiprofissional, é dado fazer com que sua disciplina se interpenetre nas demais, permitindo que se fecundem mutuamente, “remando contra a fragmentação do saber”.

Conforme Philippini (2011, p. 23), “o processo criativo, quando ativado de maneira adequada, restaura, resgata, recupera, reorganiza, redireciona e libera o fluxo de energia psíquica em prol do bem estar e da expressividade de cada indivíduo". Lopes (2008, p. 174) vem reiterar quando afirma que somos o que criamos, pois “no corpo estão registradas nossas experiências de vida, os símbolos marcados nas imagens pintadas ou esculpidas assinalam nossa construção interior, o nosso criar na vida, profundamente interligado a nossa história, ao corpo.”

Arteterapia, enquanto processo terapêutico que utiliza modalidades expressivas diversas, facilita a comunicação do indivíduo consigo mesmo, permitindo que o sujeito que cria possa colher símbolos nas imagens produzidas, transformando-as em linguagem verbal e diálogo, facilitando a liberação de conteúdos internos, recompondo e reconstituindo o eu interior (PHILIPPINI, 2008).

Lopes (2008, p. 177) evidencia que a criatividade é uma experiência corporal

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única e, como tal, precisa ser traduzida em ação para se tornar criação. Afirma que várias podem ser as técnicas, pois não se trata de “encontrar o caminho e sim inventar o caminho, próprio a cada um”, na medida justa. Criar é dar forma, é relacionar-se consigo mesmo, com o outro, o ambiente, os materiais, com a própria experiência.

Como seres individuais, corporificados, nosso objetivo é manifestar o processo corporal como uma experiência mítica; processo auto-organizado, pelo qual o corpo sabe aquilo que é e o que está por ser. Keleman (2001, p. 45) afirma que “a experiência básica do corpo são seus pulsos, que organizam realidades múltiplas em camadas de expansão e contração; de plenitude e vazio”. Quando aprendemos a perceber nossas respostas orgânicas, esse fluxo de vivências na forma de emoções, sensações e movimentos, faz-nos aproximar da experiência “como mito fora do tempo objetivo”, vinculando-nos ao nosso saber interno.

Para que possamos ler as mensagens que em nossos corpos habitam e transitam, precisamos estar na presença e abertos para a possibilidade de estarmos com o outro.

Diante disso, o cuidar como modo-de-ser-essencial, enquanto fenômeno existencial presente em nós, antes mesmos da consciência, guiará nosso olhar, moldando nossa prática durante a vivência. Vale (2018, p. 87), ao referenciar Merleau-Ponty, ressalta não ser possível “compreender o humano e o mundo senão a partir de sua facticidade, abre-nos caminho para um modo-de-ser-relacional, no aqui do encontro vivencial”.

De acordo com Menezes (2016), uma proposta simples de intervenção psicocorporal, como aprender a respirar, fazer grounding, pode promover uma experiência bastante integradora e benéfica; uma verdadeira promoção à saúde que venha repercutir positivamente, durante toda a vida. A potência de uma vivência como experiência, mesmo quando única, pode ser transformadora, marco de uma vida mais integrada e conectada com o próprio self.

Ao trazer a vivência como um momento vital, um ato que permanece vinculado com a infinitude da vida manifesta, Pinho et al (2009, p. 30) vai de encontro com o pensamento de Wilhelm Dilthey. Para esse filósofo alemão, “uma experiência psíquica forjada a partir das condições vivas e concretas da realidade do mundo e da própria realidade psíquica, guardando na sua constituição a totalidade dos aspectos empíricos e transcendentais”. Trata-se de um fato da consciência, um símbolo da experiência plena que mantém, em sua constituição, a totalidade dos aspectos empíricos e transcendentais,

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justificando a estrutura funcional indissociável, cuja realidade anímica-biológica integra o sentir, o pensar e o agir (GADAMAR, 2015).

Toro (2009, p. 34) vem atestar, quando ressalta que a vivência constitui um modelo de exploração da origem da consciência que não se limita ao conhecimento racional, mas abrange aspectos etológicos, míticos e poéticos. De acordo com esse professor, psicólogo e antropólogo chileno, “a vivência tem um valor intrínseco e efeito imediato de integração, para o qual não é necessário que seja posteriormente analisado a nível da consciência". Na vivência, a aprendizagem compromete todo o organismo, como fenômeno integrador, abrange funções viscerais e corticais.

Para alcançar a consciência da realidade, os caminhos percorridos são múltiplos e podem incluir informações emocionais e cenestésicas, que fazem da vivência uma experiência única. Percepção intensa e apaixonada de estar vivo, no aqui-e-agora do momento presente, um instante de vida capaz de estremecer e vibrar harmonicamente todo o ser.

Metodologia

A oficina teórico-vivencial “Pulsando a dança da vida: enraizando sementes” foi facilitada pelas autoras durante o III Congresso Latino-Americano de Psicologia Corporal, realizado no período de 02 a 04 de junho de 2022, em ambiente on-line, promovido pela Libertas Sociedade de Ensino e Pesquisa, com sede em Recife/PE.

Partindo do eixo temático proposto “corpo, pulsação e enraizamento”, a criação dessa oficina teve como base o conhecimento e experiência multidisciplinar das autoras.

O principal objetivo foi oferecer aos inscritos a possibilidade de vivenciar o pulsar da vida através da dança, gestos e movimentos suscitados pela consigna, ritmo e melodia da música. Bem como resgatar o vínculo com a natureza, através da criação de mandalas, rito que traz em si formas e símbolos que integram imagens interiores espontâneas; imagens circundantes que remetem a terra, ao cosmos e à vida, como o centro do universo.

Quanto aos objetivos específicos, buscou-se: a) promover o contato consigo mesmo e conexão com a natureza, favorecendo a expansão da consciência; b) despertar a potência do corpo e energia vital, promovendo o enraizamento (grounding) e auto-

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regulação; c) ampliar o potencial criativo, promovendo a integração dos sentimentos experimentados na vivência.

A oficina, com 24 vagas, foi proposta para duas horas de duração, tendo como guia o roteiro abaixo, cuja atividades foram distribuídas em 4 etapas:

Etapa 1: No espaço sagrado -15’

Acolhimento, apresentação sucinta dos participantes e facilitadoras;

Meditação breve: tudo se encontra no silêncio;

Respirando com a Mãe-Terra, sensibilizando através de imagens e sons;

Etapa 2: Pulsando a dança da vida - 45’

Despertando a potência do corpo através de ritmos e movimentos;

Reconectando o vínculo com a natureza cósmica;

Etapa 3: Enraizando sementes - 45’

Integrando através da criação da mandala;

Colhendo símbolos a partir das imagens;

Etapa 4: Fechando o ciclo - 15’

Compartilhando as experiências;

Dança de celebração com agradecimentos.

Antecipadamente, foram solicitados aos participantes materiais de apoio para os exercícios e confecção da mandala: colchonete ou tapete para yoga; almofada ou travesseiro; tecido de malha, canga ou lenço echarpe; folhas de papel ofício ou A4, cola, grãos e sementes diversas (arroz, feijão, milho, lentilha, grão de bico, gergelim, girassol).

Com as devidas adaptações para o ambiente on-line, o planejamento da oficina seguiu os moldes de uma sessão de grupo de movimento com Exercícios de Bioenergética, os quais, segundo Lowen (1985), devem partir dos pés em direção à cabeça. Tomou-se ainda, como parâmetro, a Educação Biocêntrica do antropólogo chileno Rolando Toro (2009), que tem a Biodanza como instrumento metodológico.

Todo o planejamento foi acompanhado pelo olhar da Arteterapia como guardiã do processo, facilitando a expressão e a criatividade.

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Em Biodanza, a criatividade refere-se às potencialidades genéticas que produzem pulsações, levando o ser humano a encontrar nova relação consigo mesmo e com o mundo. Gomes (2008, p. 175) afirma que “a criatividade faz parte da natureza e do universo, portanto cada um pode contatar seu próprio potencial de transformação e de inovação”, realizando seu projeto existencial, criando a si mesmo, sua história de vida.

Tratando-se de uma oficina teórico-vivencial, cada etapa foi acompanhada por uma fala introdutória trazendo a teoria e a consigna, ancorando a vivência. A partir dos objetivos propostos e do olhar multidisciplinar das autoras, foi possível convergir os exercícios com as dinâmicas propostas, de maneira fluida e integrada, estabelecendo diálogo entre as três abordagens: Bioenergética, Arteterapia e Biodanza.

Desenvolvimento

De acordo com a proposição do artigo, de compartilhar experiência e tornar a oficina um possível instrumento de intervenção psicocorporal multidisciplinar, seguem as atividades e o relato da vivência:

Etapa 1 - No espaço sagrado

Etapa destinada a dar boas-vindas ao grupo e breve apresentação das facilitadoras e participantes. Através das possibilidades de comunicação mediada pela tecnologia (Zoom), buscou-se criar um ambiente acolhedor e nutritivo, através do olhar empático, gestos e falas inclusivas. Alves e Correia (2007, p. 49) ressaltam que o

“facilitador precisa criar um clima de confiança” e incentivar a formação de vínculos,

“uma forma de grounding para o grupo. “O trabalho da respiração e o espaço para a expressão”, a suavidade dos gestos, o contato visual, a entonação da voz e expressão fluida do facilitador, tornam-se caminhos para a aproximação.

Em seguida, foi proposta uma meditação, por poucos minutos, cujo tema: “Tudo se encontra no silêncio” trouxe, em forma de consigna, o pensamento do autor de Presença no Silêncio:

Antes do mundo ser mundo, já lá estava o silêncio. Ou o Vazio, ou o Nada. Antes de

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sermos concebidos, também estávamos rodeados de silêncio. Nascemos e o silêncio passou a dividir espaço com os ruídos. Com o barulho, perdemos a preciosidade da quietude que o silêncio traz. [...] A presença, a sensação de estar conosco, de nos fazer companhia está ligada a esta respiração fluida e plena, aqui e agora. [...]

Quando silenciamos, podemos ver o tempo acontecendo na natureza (PANERAI, 2019, p. 9-10).

Para sinalizar o início e o fim da meditação, foi usado o toque do “sino tibetano”, como recurso para trabalhos em grupo. Ao produzir sons específicos, esse sino modifica as ondas sonoras cerebrais em nível theta, proporcionando profundo relaxamento. Ao regular a respiração e frequência cardíaca, equilibra as vibrações energéticas reduzindo o estresse, além de estimular o sistema imunológico, trazendo benefícios para o sistema corpo-mente (ORSI, 2010).

Como consigna, foi sugerido que cada participante pudesse estar sentado com a coluna ereta, na cadeira, no colchonete ou no tapete de yoga. Bem como estar de olhos abertos ou fechados, respirando com suavidade e, a cada inspiração e expiração, silenciar os pensamentos; “que o toque desse sino nos leve e nos traga, ainda mais, para dentro de nós mesmos”, fala que intenciona aprofundar a conexão interna, bem como dar contorno temporal à experiência.

À medida que as pessoas foram retornando e abrindo os olhos deu-se novo convite, anunciando a próxima vivência: “que possamos agora, respirar com a Mãe- Terra”. Cuja consigna: “Quando silenciamos e diminuímos os barulhos, percebemos o tempo e a vida acontecendo. Quando nós nos entregamos ao corpo e nos conectamos com a natureza, entramos no ritmo do pulsar da terra, enraizando-nos como morada interna”.

Em seguida, foi apresentado o vídeo Respiração da Terra, produzido pela Organização Não-Governamental Greenpeace disponível no YouTube1. Há poucos 30 segundos do final do vídeo, foi inserida a música “Cio da Terra”, do Iluminuras (3:37”), com o objetivo de sensibilizar o grupo para a próxima etapa. Tendo como recurso o uso de imagens e sons, essa vivência teve o intuito de promover conexão com a natureza, expandindo a consciência, através da respiração uníssona com a Terra.

1 Respiração da Terra, Ong Greenpeace, em: https://www.youtube.com/watch?v=wjXWWXGQsQ4.

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Etapa 2 - Pulsando a dança da vida

Momento da oficina destinado ao despertar da potência do corpo e da energia vital, através dos estímulos da dança, dos ritmos e movimentos, promovendo o enraizamento (grounding) e auto-regulação. Lowen (1985, p.16) afirma que uma das características da vitalidade é a qualidade de estar em contato com a sensopercepção, é estar atento ao próprio corpo. “Usualmente, entretanto, nós não nos permitimos relaxar totalmente, respirar profundamente, ou sentir intensamente”, através dos Exercícios de Bioenergética, começamos a sentir como inibimos ou bloqueamos o fluxo de excitação em nosso corpo; restringindo os movimentos e a auto-expressão.

De acordo com Flores (2006, p. 59), “o movimento é uma das principais características dos sistemas vivos”. Nos humanos, “os movimentos se expressam em impulsos emocionais, em gestos voluntários resultantes da aprendizagem” como andar, respirar, e “nas ondulações sensuais das danças espontâneas”. Através de seus movimentos, a pessoa saudável expressa, existencialmente, sua corporeidade vivida com graça, intensidade e entrega.

Em forma de pequenas vivências, compondo uma vivência maior, foram propostos 10 exercícios acompanhados de música2, teoria embasada e consigna facilitadora :

1º Exercício: Jogo de vitalidade - Música: “Pata pata” - Miriam Makeba (3:00).

Teoria embasada: Para Alexander Lowen (1985, p. 63), médico e psicoterapeuta americano, criador da Bioenergética, os processos energéticos do corpo estão relacionados ao estado de vitalidade. “Todo sentir começa com o sentido de si próprio, isto é, do próprio corpo”, então, “estar em contato é estar atento ao que está acontecendo dentro” e ao redor de nós; quanto mais cheios de vitalidade, mais afiados são nossos sentidos e mais aguçadas nossas percepções.

Consigna facilitadora: Ainda sentados, em uníssonos com o pulsar da Mãe- Terra, vamos trazer esse ritmo para o corpo, presentificando-o através de toques suaves,

2 Apresentados ao lado do nome das músicas, os minutos e segundos em parênteses, representam o tempo

total de duração e servem como parâmetro para o planejamento do tempo de cada vivência, podendo ser usado inteiro ou parte.

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mas consistentes. Com as palmas das mãos, ora juntas, ora alternadas, com carinho e sutileza, vamos dando “batidinhas” acordando o corpo. Podemos começar pelos pés e subindo pelas pernas, quadril, costas, até os ombros. Ao final da música, continuamos respirando, sentindo as sensações mobilizadas, ficando em contato com nós mesmos e com as demais pessoas que aqui estão, e aqui vieram.

2º Exercício: Caminhar - Música: “Um tom” - Caetano Veloso (2:27)

Teoria embasada: Keleman (1996, p. 21) ressalta, “o corpo desperto é a nossa consciência e ficar de pé, a força da autoformação, da individuação e da criação, importante conquista”. Com a evolução, saímos da posição horizontal e aprendemos a nos movimentar na posição vertical. “Essa verticalidade conduz a motilidade e novas formas de sentimentos, através desses assumimos nosso próprio caminho, tornamo-nos independentes.” Para esse autor, “ficar de pé é poder se abrir para o mundo, é se expor, é se revelar”.

Consigna facilitadora: Agora que acordamos o corpo e estamos vivos, excitados, o convite é fazermos um caminhar a partir do nosso eixo, de forma que possamos nos movimentar livremente pelo espaço que ocupamos agora. Dado momento, vamos colocar uma música e, cada um, no seu ritmo, vai caminhar percebendo o corpo e seus movimentos, ao final da música retornem, respirando, em contato com as sensações corporais, presentificando-as.

3º Exercício: Dança rítmica batucada - Música: “Ensaio Geral” - Ritmistas brasileiros (2:35)

Teoria Embasada: Em Bioenergética, a sensação do contato entre os pés e o chão se conhece como grounding. Segundo Lowen e Lowen (1985, p. 23), estar “grounded é uma outra maneira de dizer que uma pessoa está com seus pés no chão”. Quando estamos com os pés enraizados no solo, identificados com nosso corpo, entramos em contato com a realidade básica existencial, sabemos onde estamos e quem somos.

Consigna facilitadora: Nas culturas caracterizadas pelo sedentarismo e rigidez corporal, a percepção do ritmo e sua expressão estão reduzidas. Nessa vivência, vamos intensificar um pouco mais os movimentos, entregando-nos a cadência da música com

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pequenos saltos rítmicos, mobilizando pés e pernas. Respirando, joelhos flexíveis e pélvis solta, vamos permitir que o ritmo se propague como onda, por todo o corpo.

4º Exercício: Segmentar de Pélvis - Música: “Amor de Índio” - Milton Nascimento, Ronaldo Bastos e Túlio Mourão (5:00).

Teoria Embasada: Lowen (1985, p. 49) ressalta que “a barriga ou baixo ventre é o reservatório de sensações sexuais”. Quando a pélvis está contraída, tensionada, essa função se perde e, por defesa, suprime-se o sentimento. Ao manter a barriga contraída e a respiração presa, limitamos o prazer, as sensações sexuais. “Um corpo sexualmente vivo é caracterizado por um balanço livre da pelve”, que se move espontaneamente a cada respiração. “Quanto mais em contato com o corpo e com nossas sensações, mais ampliamos a percepção das respostas involuntárias e o grau de espontaneidade, integrando corpo-mente”.

Consigna Facilitadora: Através de movimentos sutis e circulares do quadril, entramos em contato com as sensações. Desbloqueando as tensões, restabelecemos o fluxo energético do nosso corpo, podemos pulsar, sentir mais prazer. Então, em grounding: joelhos levemente fletidos, pés retos e paralelos, separados na largura dos ombros e o peso do corpo sobre o peito dos pés, vamos girando a pélvis para um lado e depois para o outro, sutilmente.

5º Exercício: Dança Livre de Fluidez - Música: “She”- G. Zamfir (4:01)

Teoria Embasada: Correia e Alves (2013, p. 179) ao enfatizarem: “o ser humano pulsante é aquele que respira por inteiro, que flui, que expressa graça, beleza e saúde”, apontam para o ser-natureza como conhecedor da sabedoria de seu corpo, que respeita o seu ritmo e movimenta-se “como ondas ao mar, que se agitam e se acalmam, podendo integrar agressão e ternura, raiva e amor”. Pulsar, portanto, “é viver, é sentir prazer e isso, é ter saúde”.

Consigna Facilitadora: Mantendo esse estado de conexão consigo mesmo, vamos agora para uma dança de fluidez. A fluidez é um movimento contrário à rigidez, realiza-se de modo lento e contínuo, permitindo o fluxo contínuo de energia por todo o corpo. A fluidez, como movimento universal, é encontrada na natureza, nos rios, nos ventos e nos animais; propicia a desaceleração e a auto regulação orgânica.

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6º Exercício: Segmentar de Pescoço - Música: “Bilitis - Generique” - Francis L. e Sarah B. (3:24).

Teoria Embasada: Lowen (1985) refere que situações de estresse produzem tensões no corpo e, muitas vezes, não são aliviadas mesmo quando cessa a pressão, tornando-se crônicas. São tensões musculares que desorganizam a saúde emocional rebaixando a energia, diminuindo a vitalidade, restringindo a autoexpressão.

Consigna Facilitadora: As couraças musculares distribuídas pelo corpo impedem o fluxo de energia, bloqueando as sensações de prazer e alegria. Com os pés paralelos, braços ao longo do corpo, olhos fechados e boca semi-aberta, delicadamente vamos destensionando os anéis de tensão oculares e orais presentes na base do crânio. Girando lentamente o pescoço, sem esforço ou controle algum, deixando-nos abandonar. Quanto mais lento o movimento, maior a sensação de relaxamento, entrega.

Etapa 3 - Enraizando sementes

Visando manter continuidade das vivências oferecidas, os dois subtópicos:

Integrando através da criação da Mandala e Colhendo símbolos a partir das imagens e oferecendo, foram inseridos nessa segunda etapa, seguindo o mesmo modelo de explanação dos exercícios anteriores:

Exercício: Criatividade (Integrando através da criação da Mandala) - Músicas:

“Canção de Pacha Mama”- George Lucena, Leena A. e Gilson Gal (5:23); “Shirat Ha Yam” - Gerhard Fankhauser, Einat G. (3:39); “Música Xamânica para eliminar ansiedade” - Música de flauta nativa (5:13).

Teoria Embasada: A arte também nos coloca em contato com a dimensão do sagrado na vida. Para Jung (1991, p. 39), “quando fazemos uma mandala criamos nosso próprio corpo sagrado, um lugar de proteção, um foco para a concentração de nossas energias”. Ao expressarmos os conflitos interiores na forma simbólica da mandala, projetamos esses para fora de nós. “O simples ato de desenhar dentro do círculo pode fazer com que experimentemos um sentido de unidade”. A mandala ajuda acessar os

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“reservatórios inconscientes de forças que possibilitam uma reorientação para o mundo exterior.”

Consigna Facilitadora: Quando criamos, colocamos sempre algo de nós. Vamos tomar esse momento como um espaço-tempo fértil, acolhedor, amoroso e tranquilo para criar. Siga as suas sensações, a sua intuição. Deixe a mão guiar! Caso não tenha reservado o material, pode usar qualquer um que tenha disponível, até objetos ao redor podem virar peças de uma criação. Importante é conectar consigo mesmo e criar. Deixa fluir, brincar, sem julgamentos. Você é livre!

8º Exercício: Encontros (Colhendo símbolos a partir das imagens e oferecendo) - Música: “Vengo a oferecer mi corazon” - Mercedes Sosa (4:05)

Teoria Embasada: Os exercícios de encontro têm caráter de rito de vinculação afetiva, constituem aprendizado dos comportamentos de aproximação, comunicação e contato. A vivência do encontro, acompanhada de música adequada e contexto de intensa afetividade, constitui em reaprendizagem no âmbito afetivo que estimula o respeito, a reverência e a ternura. Transforma-se em nova experiência, quando o outro, enquanto estranho, passa a ser semelhante, uma forma indiferenciada de afetividade que tende a reduzir os comportamentos discriminatórios e seus prejuízos, abrindo espaços afetivos de caráter universal (TORO, 2009).

Consigna Facilitadora: Concluído o processo de criação, contemple o resultado e identifique: Qual o sentimento que essa obra passa? O que nela chama atenção? Se essa obra falasse o que diria? Como em exposição, vamos apresentar aqui as mandalas construídas para que todos apreciem e se deixem contagiar pela riqueza e diversidade das mesmas. Para finalizar esse momento, aproximem-se e contemplem um ao outro, em profundo encontro de olhares.

Etapa 4 - Fechando o ciclo

Seguindo o mesmo procedimento da etapa 3, os dois subtópicos:

Compartilhando as experiências e Dança de celebração com agradecimentos, também foram inseridos nessa etapa 2, acompanhando os demais exercícios:

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Exercício: Compartilhando a experiência - Sem música.

Teoria Embasada: Segundo Alves e Correia (2007, p. 87), “o processo de comunicação é um fator importantíssimo nos grupos. É necessário que se instale um clima de confiança, onde as pessoas possam desenvolver uma comunicação direta, clara”. Qualquer que seja a forma de comunicação: falada, escrita, através do olhar ou do toque, torna-se importante canal, expressa um pensamento, sentimento, sensação.

Consigna Facilitadora: A experiência em si já é significativa e suficiente, não precisando de palavras. No entanto, abrimos espaço para duas ou três pessoas compartilharem, na essência, como viveu esse processo e como está saindo.

Gostaríamos de trazer o mestre Jayme Panerai, quando diz: “em uma palavra ou no máximo uma frase, nunca um parágrafo, jamais um capítulo !”

10º Exercício: Dança de celebração com agradecimentos. Música: “Soy loco por ti America” - Ivete Sangalo (3:40)

Teoria Embasada: A dança é a expressão mais visceral, emocional e graciosa.

Toro (2005, p. 28) ressalta que dançar, assim como o canto, “é uma das condições inatas do ser humano”, expressa a unidade orgânica em integração com o universo. “A dança surge das profundezas do ser humano: é movimento de vida, de intimidade; é impulso de união à espécie”.

Consigna Facilitadora: Agradecemos a presença de todos que aqui vieram e se fizeram presentes. Terminamos nossa vivência trazendo o pensamento de Leonardo Boff (2004, p. 34-76) quando refere: “somos seres do cuidado” e , portanto, de necessidades que precisam ser satisfeitas, sendo o cuidar nossa raiz primordial. “Sentir que somos Terra nos faz ter os pés no chão”, um modo-de-ser existencial, “um fenômeno que é a base possibilitadora da existência humana enquanto humano”. Nosso caloroso abraço!

Conclusão

Para as autoras facilitadoras, desenvolver essa oficina foi uma grande oportunidade de unificar experiência e conhecimento fundamentando um projeto criativo e consistente, proposto a partir de uma intervenção psicocorporal

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multidisciplinar, na qual campos do saber se entrelaçam e se potencializam. De acordo com os depoimentos, para os participantes essa oficina se constituiu em vivência fluida e equilibrada, na qual, cada etapa foi preparando os participantes para etapa posterior, promovendo maior entrega, o encontro consigo mesmos e com os demais.

A relevância deste artigo está, não apenas no proeminente diálogo teórico entre disciplinas que se interpenetram, mas em práxis que aponta para uma intervenção extremamente eficaz como prática do cuidado. Vivência que vem oferecer possibilidades múltiplas de contato consigo mesmo, com o outro e com o mundo, através de linguagem que propicia a interação, a comunicação, a expressão, a conexão com a natureza e com o cosmo, incluindo a possibilidade de criação. Um modelo teórico, metodológico e vivencial específico que demostrou ter efeito integrador, atuando em vários níveis, despertando a consciência de si, criando motivações. Mais um passo para o despertar das pessoas, no sentido de encontrarem nelas mesmas a força, o equilíbrio e a harmonia.

Os depoimentos que os participantes relataram após a oficina, ratificam o quanto a Bioenergética possibilita o resgate da função de auto regulação e conexão com o próprio self. Os exercícios proporcionam aumento do estado vibratório e excitação interna, gerando um processo de carga e descarga energética auto-regulada pelas funções vitais do organismo, mobilizando prazer e bem estar.

Alguns depoimentos foram reveladores e evidenciaram o quanto a oficina foi positiva. Segundo as palavras de uma das participantes: "a oficina me proporcionou um dos momentos mais especiais desse congresso, pra mim já valeu!”. Mostrou-se, ainda,

"encantada" com o trabalho corporal, permeado pela Arteterapia e a Biodanza.

Conforme outra: "consegui me entregar numa dança instintiva e reconectar comigo mesma, segui os movimentos que meu corpo pedia”.

Para uma das componentes do grupo, a confecção da mandala foi referida como uma experiência de integração, “que abriu as portas e janelas da minha intuição”. A vivência lhe despertou o interesse profissional pelo trabalho corporal integrado à Arteterapia; percebeu o quanto foi potente a combinação de ambas. Alguns relatos fizeram menção sobre a importância da sensibilização inicial, atribuindo profundidade a partir da vivência “Respiração com a Mãe-Terra”. Palavras como infância, prazer,

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sacralidade e plenitude foram citadas em relatos emocionados no final da oficina, revelando o potencial criativo como integrador dos sentimentos experimentados.

Podemos constatar que temos aqui uma ferramenta preciosa. Além de eficaz quanto aos objetivos propostos, é leve, bela e de uma alegria contagiante. Um modelo a ser replicado e ampliado, com possibilidades de novas interações interdisciplinares e multidisciplinares. Cabe ser levada a um maior número de pessoas, testando também sua aplicação no formato presencial, sem mediação direta da tecnologia, para um futuro estudo comparativo dos resultados obtidos, em ambos os formatos.

Gratidão aos participantes dessa oficina, a nossa equipe e ao Libertas/PE, por promover mais um evento potente e multiplicador.

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Recebido: 23.10.2022

Aceito: 13.11.2022 Publicado: 30.11.2022

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2, Outubro/2014 – ISSN: 2357-9692 Edição eletrônica em http://psicorporal.emnuvens.com.br/rbpc As Propriedades Reguladoras da Relação Interpessoal Resumo: Neste trabalho, as seis