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QuESTÕES DA TERRA

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Academic year: 2023

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O Conselho Federal de Psicologia (CFP) apresenta à categoria e à sociedade em geral o documento Referências Técnicas para a Atuação do Psicólogo em Questões Relacionadas à Terra, desenvolvido a partir da terceira rodada* da metodologia do Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas ( Crepop), este documento busca construir uma referência sólida para o sucesso da psicologia neste campo. Com o objetivo de construir referências técnicas para a atuação da psicologia no campo das políticas públicas relacionadas às questões da Terra, foi criada em 2011 uma comissão com um grupo de quatro especialistas nomeados nas plenárias dos conselhos regionais de psicologia e no plenário dos o conselho federal. Assim, esta comissão foi composta por quatro especialistas que voluntariamente tentaram qualificar o debate sobre o papel dos psicólogos no campo das políticas públicas relacionadas às questões fundiárias.

Para o Sistema Psykologirådene/Rede Crepop, a ferramenta de consulta pública abre a possibilidade de ampla discussão sobre o papel da psicologia nas políticas públicas relativas aos problemas fundiários, possibilitando a participação e contribuição de toda a categoria na construção dessa baixa psicologia. No segundo eixo, mapeou-se a Psicologia e o campo das políticas públicas em relação à questão fundiária, a produção da psicologia como ciência e profissão e sua ação como ferramenta de intervenção em políticas públicas.

DIMENSÃO ÉTICO-POLÍTICA DAS POLÍTICAS

O respeito deste objectivo foi condição para que as parcerias se tornassem aplicáveis ​​em projectos de trabalho concretos. Para que isso fosse possível a fala dos assentados foi fundamental, então o que buscamos foi criar situações e condições para que os assentados conversassem sobre temas de interesse individual, familiar ou coletivo. Esse tipo de prática contribuiu para atentar aos detalhes do cotidiano dos assentados.

A garantia desse respeito é a condição de que os assentados estejam prontos para se expor, expressar suas opiniões e formular propostas. Para que os assentamentos sejam frutíferos, os próprios colonos devem ter uma palavra a dizer. No caso dos assentamentos de reforma agrária no Brasil, para as famílias que os compõem, buscar autonomia e emancipação significa buscar tornar a terra fértil como fonte de vida.

Envolvimento dos jovens: a necessidade de pensar no projeto social do futuro, em que a agricultura familiar ganha relevância; questão profissional;

PSICOLOGIA E O CAMPO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS

Quando o Conselho Federal de Psicologia (CFP), em conjunto com os movimentos sociais que lutam pela terra, decidem tratar da Psicologia e das questões da terra, da subjetividade e do povo do país, significa um olhar específico sobre a desigualdade social traçada historicamente no contexto da luta pela terra. É necessário, portanto, uma compreensão mais ampla da Psicologia e da sua relação com a sociedade. Podemos dizer que o momento histórico de uma compreensão histórica e de uma atitude mais crítica e autônoma por parte da Psicologia em relação aos aldeões advém do encontro da Psicologia Social Comunitária e da Educação Popular com os Movimentos Sociais da Guerra pela Terra e quando é necessário. pois para esta ação se estabelece um diálogo interdisciplinar.

Portanto, a abordagem da psicologia às questões relativas à terra e aos residentes rurais segue a tensão histórica traduzida através dos movimentos sociais. A partir das décadas de 1980 e 1990, a produção da psicologia começou a se diversificar, acompanhando os movimentos sociais de luta pela terra. As atividades e pesquisas da psicologia parecem acompanhar a força e o movimento da sociedade, traduzidos no desenvolvimento dos movimentos sociais.

Para discutir os desafios e possibilidades da Psicologia nas questões fundiárias, retomamos a obra de Freitas (2001), que deixa clara a necessidade histórica de a Psicologia se voltar para o debate sobre a Reforma Agrária e responder aos movimentos sociais que lutam pela terra a partir de seu enfoque teórico. -quadro metodológico. Sawaia (2009) dá continuidade ao trabalho de Lane e incorpora, além de Vygotski, Spinoza na produção da teoria e da prática em Psicologia Social. A maioria das pesquisas tem sido realizada no campo da Psicologia Social, seguida pela Clínica, Psicanálise, EtnoPsicologia, etc.

Entendemos que a chave da atuação da Psicologia nas questões fundamentais reside na produção dialética entre relações objetivas e subjetivas, que não podem ser compreendidas separadamente. Conforme apontado pela pesquisa, é importante considerar a Psicologia Social como o grande campo de referência para a atuação da Psicologia nos desafios das questões terrenas. Essas pessoas foram convidadas a falar sobre suas realidades e formular bases para a atuação da Psicologia nessas áreas.

A ATuAÇÃO DA PSICOLOGIA

A atuação e o exercício profissional da Psicologia no contexto das questões rurais e fundiárias torna-se uma tarefa necessária para garantir que esta ciência e profissão avancem na capacidade que pretendem contribuir para a transformação social, assumindo o seu compromisso com setores historicamente marginalizados, excluídos e subordinados à sociedade. . invisibilidade em nosso país. Temos presenciado, especialmente por meio das políticas de saúde e de assistência social e da implantação de seus serviços equivalentes, como as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), um processo de interiorização da Psicologia; Os psicólogos passaram a atuar em municípios de médio e pequeno porte, cujas sedes têm estreita relação com o meio rural. Uma segunda área, particularmente essencial, advém do legado da Educação Popular (Freire com ações de alfabetização de jovens e adultos, dos meios culturais, com o objetivo de sensibilizar para os mecanismos de exploração vividos pelos agricultores familiares no seu país.

No processo de organização social das famílias em áreas ocupadas e no âmbito das políticas públicas relacionadas às questões fundiárias, dentre as quais destacamos a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (PNATER). 6 Embora no campo da Psicologia Comunitária se discuta o conceito de comunidade, e sem querer fugir deste importante debate, comunidade aqui segundo o MDA (2007) é entendida como: “espaço territorial que representa uma série de dimensões articuladas. , do ponto de vista humano (atribuído a Marx o ditado de que “comunidade é o lugar onde todas as pessoas se conhecem pelo nome”), econômico (atividades econômicas e de vida com certa semelhança) e social (igreja, escola, associação)., comércio local, etc.). Impressiona-nos como, apesar das inúmeras dificuldades vividas nos espaços de guerra, como a insegurança dos acampamentos rurais, as constantes ameaças aos locais, as ações de bandidos na destruição das plantações operárias, eles permanecem determinados e motivados em o processo de guerra (LEITE; DIMENSTEIN, 2006).

Entre os especialistas que tratam do tema, há uma caracterização dos assentamentos com base no seu processo de criação e implantação. 2004) apontam para assentamentos de reforma agrária, valorização de terras públicas, transferência de comunidades marginais (relocação) e áreas de extrativismo. No contexto da psicologia comunitária e em contextos rurais, a utilização desta atividade foi proposta em particular por Ieno Neto (2007). Como o processo de pensar ações de desenvolvimento para a comunidade implica a participação de atores institucionais, é desejável estimular a participação de pessoas da comunidade para assentos em instâncias de controle social, conselhos municipais (educação, saúde, agricultura, etc.) . .), fóruns municipais (como assistência técnica) que buscam fortalecer a representação comunitária nesses casos.

Os conhecimentos da área da Psicologia Organizacional e do Trabalho podem ser ferramentas poderosas para esse processo. Na dimensão política, contribuir para o enfrentamento da invisibilidade e da vulnerabilidade social das comunidades indígenas, quilombolas, tradicionais e camponesas, e fortalecer lideranças, grupos e comunidades em seu processo de busca e afirmação de direitos. Trabalhar numa perspectiva interdisciplinar e tentar combinar os conhecimentos da Psicologia com os da Antropologia, Sociologia, História, Medicina, etc.

DESAFIOS PARA uMA PRáTICA PSICOLÓGICA

Durante as últimas décadas, especialmente desde a promulgação da Constituição Federal em 1988, a sociedade brasileira tem visto o surgimento das populações rurais como sujeitos políticos, detentores de direitos e participantes ativos na construção de políticas públicas que os afetam. Fortes mobilizações e amplas articulações desses setores repercutiram e impactaram o Congresso Constituinte de 1986 a 1988, processo que teve como principal consequência o reconhecimento, pela Carta adotada, dos direitos territoriais dos moradores rurais. A luta dos residentes rurais a nível internacional garantiu que os seus direitos fossem reconhecidos pelas Nações Unidas (ONU) e pelas suas organizações.

Percebemos, portanto, que os povos indígenas e demais populações rurais têm feito grandes avanços nos últimos anos no que diz respeito ao reconhecimento de seus direitos e à obtenção de espaços institucionais onde sua participação seja garantida, tanto para a construção como para a implementação e monitoramento das políticas públicas que os afetam, como saúde, educação, gestão territorial, fortalecimento cultural, sustentabilidade ambiental, projetos de etnodesenvolvimento. É neste contexto que vale a pena perguntar qual o papel que a psicologia pode desempenhar, tanto em termos de exame dos complexos processos sociais e étnicos no trabalho e da sua dimensão subjetiva, como também qual pode ser o papel dos psicólogos. ) na perspectiva dos profissionais. prática comprometida com os direitos fundamentais da população rural. Para que os profissionais da Psicologia possam contribuir mais profundamente com os povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agrícolas, é necessário que haja um processo de formação que os capacite para esse desafio, não só em termos de conteúdo, mas também em termos de compromisso com o destino. e protagonismo político dessas populações.

É importante também que as universidades realizem diálogos e estabeleçam parcerias com organizações representativas dos povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agrícolas, pois isso pode contribuir para o acesso de professores, estudantes e pesquisadores à realidade do campo com seu universo social e étnico. -culturais, como podem contribuir para a aproximação das pessoas no âmbito da vida académica, dos seus métodos e do seu património de saberes. Uma psicologia voltada para o campo: desafios do futuro A questão fundamental colocada para a construção deste caminho de diálogo e compromisso da Psicologia com o. Os profissionais da psicologia podem dar uma contribuição significativa para a democratização do Estado, no que diz respeito à abertura do diálogo com os povos do campo, recebendo suas demandas, críticas, propostas e construindo parcerias em torno de políticas públicas compatíveis com seus territórios e culturas.

É importante também que os profissionais da psicologia participem mais ativamente nos conselhos de políticas públicas, bem como nos processos de conferências, nos níveis municipal, estadual e federal. A contribuição da Psicologia pode ser feita, além dos espaços de gestão das instituições públicas federais, nos espaços de gestão das instituições públicas municipais e estaduais, ainda mais próximas geograficamente de comunidades indígenas, quilombolas, tradicionais ou agrícolas. Neste momento histórico, de crise civilizacional, os povos rurais apontam-nos para uma vida para além do consumo imediato e obsessivo de bens ou para além de um modo de vida caracterizado pelo consumo como mercadorias através dos objectos que imaginamos consumir.

As pessoas rurais direcionam-nos das suas próprias vidas, valores e culturas para outra direção, para uma concepção de vida que é guiada por relações significativas entre as pessoas dentro da comunidade e por relações significativas entre as comunidades e a natureza como um todo. Psicologia comunitária, psicologia comunitária e psicologia comunitária (social): práticas psicológicas comunitárias das décadas de 1960 a 1990 no Brasil. org.).

Referências

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