RESUMO: Este trabalho se propõe a analisar a Lei nº. conhecida como “Lei Anticorrupção das Empresas Jurídicas”, que dispõe sobre a responsabilidade administrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a administração pública, nacional ou estrangeira. PALAVRAS-CHAVE: desconhecimento da personalidade jurídica; processo administrativo; de prestação de contas; lei anticorrupção; Conformidade; Responsabilidade objetiva. A lei, também conhecida como “Lei Anticorrupção da Pessoa Jurídica”, foi incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro com o objetivo de preencher a lacuna existente na legislação até então vigente no que diz respeito ao combate à corrupção.
A fim de criar mecanismos efetivos de responsabilização, a Lei Anticorrupção estabeleceu, como principal instrumento, a responsabilidade objetiva, civil e administrativa das pessoas jurídicas. A aprovação da Lei nº., também chamada de Lei Anticorrupção da Pessoa Jurídica, está intimamente ligada ao histórico de discussões desenvolvidas em nível internacional a respeito do combate à corrupção envolvendo empresas e poder público.
ESCOPO FUNDAMENTAL DA LEI Nº 12.846/13
Contrariando o texto proposto pela Casa Legislativa, o veto presidencial retirou a ideia de responsabilidade subjetiva e manteve a lógica inicial de objetivar a responsabilidade, garantindo o que viria a representar um dos pilares fundamentais da Lei Anticorrupção. A introdução da responsabilidade subjetiva anulará todos os avanços da nova lei, pois não é preciso falar em mensuração da dívida da pessoa jurídica.171. Desta vez, mantendo a previsão da responsabilidade objetiva, a Lei Anticorrupção representou um marco no combate à corrupção, na medida em que previu a responsabilidade objetiva nas esferas administrativa e cível e uma ideia amplamente aceita da pessoa jurídica. , bem como visando o cumprimento de tratados internacionais, dos quais o Brasil é signatário.
Dada a natureza da responsabilidade da pessoa jurídica eleita pela Lei nº., nota-se que o legislador tem buscado contornar as dificuldades que o diploma legal enfrentaria caso fosse assumida a responsabilidade penal das pessoas jurídicas (SARCEDO, 2016, p. . 132). Contornando essa lacuna legislativa, a lei estudada acabou adotando um modelo de direito administrativo, impondo sanções civis e administrativas às pessoas jurídicas, para evitar discussões sobre a constitucionalidade da norma ou mesmo a incompatibilidade do instituto da responsabilidade penal com as pessoas jurídicas de natureza. No entanto, apesar da aceitação explícita da responsabilidade civil e administrativa, parte da doutrina tem defendido que a lei em questão é realmente uma só.
5. A lei, sem prejuízo da responsabilidade individual dos administradores da pessoa colectiva, determinará a sua responsabilidade, sujeitando-a às penas compatíveis com a sua natureza, nas acções praticadas contra a ordem económica e financeira e contra a economia nacional . Embora tenha sido afastada a natureza penal da lei, fica claro que a adoção da responsabilidade objetiva na esfera cível e administrativa representou um verdadeiro marco no combate à corrupção ao colocar entidades coletivas em risco de prisão. responsáveis pela prática dos atos praticados por seus agentes. Desta vez, o que se constata é que a lei anticorrupção ao colocar a responsabilidade objetiva no âmbito civil e administrativo para a imposição de sanções e adotar o conceito amplo de pessoa jurídica como objeto ativo dos crimes do art. 5º175,.
174 art. 1. A presente lei determina a responsabilidade objetiva administrativa e civil das pessoas coletivas por ações contra a administração pública, nacional ou estrangeira.
A DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA: CONCEITO E FUNDAMENTOS
A disposição do artigo 14.º contesta a constitucionalidade da norma na medida em que prevê a possibilidade de a administração pública não ter em conta a personalidade jurídica da entidade colectiva, sem decisão judicial. A desconsideração da personalidade jurídica é, portanto, segundo a definição de Marlon Tomazetta (2014, p. 241), “a privação lenta, imediata e extraordinária da autonomia hereditária de uma pessoa jurídica, de modo que os efeitos de suas obrigações se estendam à pessoa física pessoa de seus proprietários, sócios ou gerentes, a fim de coibir desvios da função das pessoas jurídicas que por eles sejam exercidas”. Não obstante, Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho (2013, p. 276) destacam que “a finalidade da doutrina da desconsideração é desfazer episodicamente a personalidade jurídica da empresa em caso de fraude, abuso ou simples descumprimento do dever, com o fim de satisfazer o terceiro lesado com bens dos próprios sócios, que se tornam pessoalmente responsáveis pelo crime causado”.
Neste rescaldo, desvirtuado o uso da pessoa jurídica, deve ser aplicada a teoria da desconsideração da personalidade jurídica, a fim de rejeitar a autonomia jurídica da capacidade no caso concreto e a respectiva existência entre a sociedade e os sócios que dela abusaram, suspender. Assim, Gladston Mamede (2012, p. 173) ensina que a desconsideração “não licencia um acesso amplo e indiscriminado à comunidade empresarial, mas pressupõe a definição fundamentada de quem é responsável pelo uso indevido ou abuso da personalidade jurídica”. O que temos de fato é uma relativização do instituto da personalidade jurídica e uma negação do absolutismo desse direito.
Assim, a concessão da pessoa jurídica apresenta-se com um sentido ou efeito relativo, e não absoluto, que permite ao legítimo questionador penetrar em seu âmago (REQUIÃO, 1988, p. Reconhece-se, assim, ao Estado a capacidade de controlar o bom uso do direito e, nesta medida, tem-se em conta a pessoa coletiva. ordem financeira na Constituição Federal de 1988.
Assim, o facto de as sociedades comerciais personificadas serem um importante motor do desenvolvimento económico afasta por completo a ideia de que a aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica deva ser utilizada de forma deliberada.
AS TEORIAS DA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA
- Teoria Menor
- Teoria Maior
Na lição de Fábio Ulhôe Coelho, é mencionada uma tendência doutrinária, que diz não haver requisitos específicos para o uso da desconsideração da personalidade jurídica (COELHO, 2006, apud, TOMAZETTE, 2014, pp. 247-248). Vale observar: para a referida teoria, a desconsideração da pessoa jurídica só pode ser realizada quando a utilização da pessoa jurídica se desviar dos fins para os quais foi constituída, mediante comprovação de confusão de bens ou abuso de direito. fraude típica ou abuso de intenção. A teoria do objetivo principal, conduzida por Fábio Konder Comparato (COMPARATO, 1983, apud, TOMAZETTE, 2014, p. 247), sustenta que a existência de confusão patrimonial é o requisito originário que pode legitimar o uso da desconsideração da personalidade jurídica.
Para o autor, o deslocamento das obrigações da empresa para aquelas relativas ao patrimônio dos sócios ou administradores caracteriza abuso no uso da personalidade jurídica, pois representa ruptura com os princípios que sustentam o artifício da pessoa jurídica. O professor aponta ainda que, ao eleger a confusão patrimonial como pressuposto da desconsideração, a linha objetivista quis facilitar a proteção dos interesses dos credores ou de terceiros lesados pelo uso fraudulento do princípio da autonomia (COELHO , 2014, p. 67) pois, ao se comprovar a confusão patrimonial, conclui-se que o patrimônio dos sócios e da sociedade não está devidamente destacado, o que de certa forma caracterizaria uma forma fraudulenta de uso da personalidade jurídica. . Para alguns autores, a confusão patrimonial não esgota todas as possibilidades de desconsideração da personalidade jurídica e não gera a presunção de que houve abuso no uso da personalidade jurídica pela simples demonstração da confusão entre o patrimônio dos sócios e da sociedade.
A principal teoria subjetiva, ao contrário da formulação objetiva, adota como pressuposto básico para a aplicação da desconsideração da personalidade jurídica "o desvio de função da pessoa jurídica, que se verifica na fraude e abuso de direitos relativos à autonomia patrimonial”. TOMAZETTE, 2013, p. 250). Esse aspecto parece corresponder mais precisamente às premissas da doutrina da desconsideração da personalidade jurídica, pois a concepção objetiva dá ensejo à interpretação de que a simples demonstração da confusão patrimonial, ainda que dissociada da finalidade de burlar a legislação , autorizará a aplicação da técnica no estudo. Nesse sentido, o dolo pode ser verificado quando comprovado que os administradores da pessoa jurídica se valeram da personalidade jurídica para burlar a lei e prejudicar os credores, em benefício do próprio fraudador ou de terceiro.
No caso, o referido Tribunal considerou que não ficou provada a prática de atos que possam ser interpretados como excessivos ou contrários à lei, como os estatutos ou estatutos, não havendo, portanto, que se falar em aplicação de desrespeito à legalidade personalidade.
- REQUISITOS E APLICAÇÃO DA TEORIA DA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA NA LEI 12.846/13
- A DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA NA ESFERA ADMINISTRATIVA
- DO POSICIONAMENTO DA JURISPRUDÊNCIA
- I.1 O posicionamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ)
- I.2 O posicionamento do Supremo Tribunal Federal (STF)
- CONCLUSÃO
- REFERÊNCIAS
No entanto, é importante observar que existem diferenças importantes entre a desconsideração da personalidade jurídica e a responsabilização dos sócios e administradores na legislação em análise. É certo que a positivação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica na Lei Anticorrupção inaugurou dispositivo normativo até então inexistente no ordenamento jurídico brasileiro: a expressa possibilidade de a Administração Pública estender sanções administrativas a diretores e sócios . com poderes administrativos. Para o advogado, a decretação da desconsideração da personalidade jurídica em processo administrativo, prevista na lei n.º, põe em causa o Estado Democrático de Direito, na medida em que atribui à Administração uma competência reservada ao poder judicial.
Assim, a causa da desconsideração da personalidade jurídica na esfera administrativa não é juiz. Assim, por flagrante descumprimento da legislação por abuso de personalidade jurídica, a administração pública estendeu as penas da pessoa jurídica aos sócios da nova sociedade pela técnica da desconsideração da personalidade jurídica. . Quanto à questão da desconsideração da personalidade jurídica no âmbito administrativo, o Supremo Tribunal Federal ainda não se pronunciou sobre a constitucionalidade de sua utilização pela administração pública.
Dessa forma, justifica-se a utilização da teoria da desconsideração da personalidade jurídica na sede administrativa, na medida em que possibilita ao tribunal de contas exercer com mais eficiência o controle e a responsabilidade dos infratores no âmbito da licitação. O Ministro também considerou que a aplicação da teoria da inobservância da personalidade jurídica do TCU na esfera administrativa não exige expressa permissividade legal, em entendimento semelhante ao expresso pelo STJ na ROMS n. 15.166. Apesar de a juíza ter se posicionado como compatível com a ordem constitucional a aplicação da tese da desconsideração da personalidade jurídica na esfera administrativa, ela deferiu a medida protetiva proposta pela impetrante a fim de suspender a sentença proferida pelo Tribunal de Contas .
Tal posicionamento firmado no âmbito do julgamento sumário deveu-se à ausência de decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o presente caso e à existência de eminentes juristas que se valem da cláusula de reserva de jurisdição como elemento essencial para a aplicação da teoria de desconsideração da personalidade jurídica. A responsabilidade dos sócios-gerentes pela desconsideração da personalidade jurídica se aplica na medida em que a administração pública pode dispor de seu ordenamento jurídico administrativo para cumprir sua missão constitucional de proteger o princípio da moralidade administrativa e da inacessibilidade do público interessado. Desconsideração da personalidade jurídica e responsabilidade de terceiros na Lei de Indecência Administrativa e na Lei de Combate à Corrupção.