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Academic year: 2023

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Prescrições da comunicação e racionalização do trabalho: os ditames das relações públicas em diálogo com o discurso do IDORT (anos Claudia Nociolini Rebechi. Prescrições da comunicação e racionalização do trabalho: os ditames das relações públicas em diálogo com o discurso do IDORT (décadas de 1930-1960 ).

Fig.  g.  g.  g. 1111. Símbolo institucional do IDORT.
Fig. g. g. g. 1111. Símbolo institucional do IDORT.

P RESCRIÇÕES DE COMUNICAÇÃO NAS RELAÇÕES DE TRABALHO

A compreensão da obsolescência nas relações de trabalho é mais ampla, uma vez que a regulamentação do trabalho nunca é implementada de forma abrangente e confiável. Segundo Yves Schwartz (1997), o trabalho é sempre algo novo e especial, por mais que os racionalizadores do trabalho queiram enquadrar a atividade laboral dentro de padrões rígidos. É preciso sempre investigar a distância entre o que se pretende fazer e o que de fato se faz.

No caso dos dois linguistas, o preceito é conceituado como “uma construção de discursividades relacionadas às práticas sociais de trabalho” (SANT'ANNA; SOUZAE SILVA, 2007, p. 77). Joasiane Boutet indica que existem 'práticas linguísticas' dominantes e dominadas na história do desenvolvimento do trabalho. As conjunturas sócio-históricas, certos saberes, certas atitudes perante o trabalho podem favorecer algumas práticas de linguagem no mundo do trabalho.

O mundo do trabalho reúne e revela um conjunto de discursos (enunciados) que revelam uma disputa de sentidos.

Q UAL É O “ LUGAR ” DA COMUNICAÇÃO NA GESTÃO DO TRABALHO DO HOMEM POR SI

No trabalho, não se trata apenas de realizar uma tarefa ou responder a todas as exigências do trabalho planejado, mas de dominar o “uso de si”, que aparece na dialética da distância entre o trabalho prescrito e o real. A comunicação, portanto, também se constitui a partir da divisão social do trabalho entre os que dirigem o modo de produção e os que realizam o trabalho. Não é por acaso que as formas tradicionais de organização do trabalho adotadas pela sociedade, a exemplo do taylorismo, tentam constantemente esconder as evidências da comunicação como.

Para a “comunicação interna” o que conta são sobretudo as exigências e normas que surgem dos agentes de racionalização do trabalho. Schwartz (2011) acrescenta que esses “laços” são, no entanto, difíceis de perceber na análise do trabalho. Deixar de (re)pensar e (re)processar as formas de organização do trabalho leva à ideia de que devemos padronizar o máximo possível.

Simula-se que o ponto de vista do trabalhador é aceito como parte integrante da gestão da empresa e do trabalho.

A COMUNICAÇÃO NAS RELAÇÕES DE TRABALHO EM ORGANIZAÇÕES

Mais conhecido como "comunicação interna", esse uso da comunicação nas relações organizacionais de trabalho está diretamente ligado às relações de produção inscritas no modo de produção capitalista e no contexto do trabalho remunerado. Além disso, as relações de produção dependem da economia e do lugar ocupado pelas classes no desenvolvimento do trabalho. O discurso da "comunicação interna" mobiliza temas e preceitos que sustentam as formas de gestão e organização do trabalho e a configuração mais ampla do mundo do trabalho, especialmente no que diz respeito aos princípios que circulam nesse universo.

As receitas da "comunicação interna" também incluem um vocabulário renovado que vem sendo criado na atual configuração do mundo do trabalho: o termo. Percebe-se que se trata de uma visão reducionista, pois, ao contrário do que reconhece a "comunicação interna", o mundo do trabalho é mais amplo que o contexto das organizações. Toda essa discussão centrada no caráter e uso da “comunicação interna”, conforme discutido anteriormente, faz parte de um momento em que se apresenta uma nova configuração do mundo do trabalho e, portanto, das relações de produção e sociais na empresa .

Seu principal objetivo era estabelecer uma reorganização da sociedade com base nos princípios e métodos da “organização científica do trabalho”23. Se, nessa dinâmica, fossem desconsiderados os fatores que compõem o trabalho humano, era claro que o objetivo de racionalizar as relações de trabalho não seria alcançado28. Os empregadores foram aconselhados a: incentivar o aumento da produtividade organizacional e a redução dos custos de produção através da racionalização do trabalho;

Fig. 10 Fig. 10Fig. 10
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O IDORT E A LEGITIMAÇÃO DAS RELAÇÕES PÚBLICAS NO B RASIL

Aspectos psicológicos na racionalização do trabalho e o “fator humano”

Assim, foram valorizadas as relações entre os homens que se desenvolviam dentro da empresa e a oportunidade que este teria de 'cumprir' de forma humana (PILLON; VATIN, 2003). Mayo apresenta dois tipos de organizações que compõem esse "sistema": a organização "técnica", entendida como a estrutura física da empresa, suas máquinas, suas matérias-primas, suas ferramentas, entre outros elementos. Ainda nessa perspectiva, o que move a interação entre indivíduos e grupos dentro do "sistema" é a "organização social".

Este, concebido como um "sistema social" e composto por indivíduos com interesses e sentimentos comuns, integra redes de relações interpessoais que surgem da interação entre os indivíduos no ambiente. Nenhum evento dentro da empresa é considerado como um possível conflito de interesses ou qualquer contradição, mas é simplesmente entendido como um elemento dentro das diferentes lógicas que compõem o "sistema social". Pierre Desmarez (1986, p. 39) aponta o que essas lógicas são pensadas por Elton Mayo e sua equipe: "a lógica dos sentimentos" (consistindo nos valores sociais trazidos pelas relações entre indivíduos existentes em diferentes grupos em a empresa); "lógica de custo" (é um pensamento lógico a partir da noção de "custo" que avalia os objetivos econômicos da empresa e que conecta a organização "humana" com a organização "técnica"); Para.

Desta forma, o "sistema social" responde a tais perturbações a fim de restabelecer o equilíbrio e remover a pressão exercida por este ambiente externo.

F ALAR DE RELAÇÕES PÚBLICAS É FALAR DE “ RELAÇÕES HUMANAS ”?

O trabalhador, na perspectiva das “relações humanas”, deve ser entendido como um ser humano composto de “sentimentos” e com necessidades “psicológicas”, por ex. No Brasil, os princípios das "relações humanas" foram assimilados, com as devidas adaptações, pelas formas de administração da empresa. Eles revelam uma conexão entre o significado de "relações humanas", propagado pelo IDORT, e o que este Instituto considerava como atividades de relações públicas no âmbito das relações de trabalho nas organizações.

Desta forma, as relações públicas são projetadas como uma atividade inerente à filosofia das 'relações humanas'. Seguindo a filosofia de “relações humanas”, o comportamento de cada colaborador é influenciado pelo grupo em que está inserido no ambiente de trabalho. Lealdade' e 'entusiasmo' são conceitos-chave no discurso de racionalização que une relações públicas e 'relações humanas'.

As relações de produção, quando as orientações das "relações humanas" são absorvidas, não mudam em sua raiz.

A COMUNICAÇÃO NA INDÚSTRIA BRASILEIRA , ANOS 1960: “ RELAÇÕES PÚBLICAS INTERNAS ”

O encontro entre "relações humanas" e "relações públicas" e o uso da comunicação que surgiu dessa convergência, no contexto da racionalização do trabalho no Brasil, não aparece, portanto, exclusivamente nos documentos produzidos, e.g. Organização científica do trabalho", assimilada e adaptada pela administração nas décadas de 1950 e 1960, foi compartilhada por diversas instituições e pessoas decisivas na configuração das relações de trabalho nas empresas e na sociedade. A combinação de métodos e princípios baseados nos ditames da " Organização Científica do Trabalho", que voltou a centrar-se na criação de parâmetros "científicos", e.g.

Todas essas ações surtiram efeito e a entidade brasileira conseguiu organizar o principal evento sobre a "Organização Científica do Trabalho" conforme planejado. Por outro lado, vem ganhando cada vez mais espaço no movimento mundial em prol da “Organização Científica do Trabalho”. A realização do Congresso Internacional CIOS no Brasil48 pode ser considerada um marco de suma importância na trajetória do IDORT, em seu papel de difundir os princípios e métodos da "Organização Científica do Trabalho".

Trata-se de uma publicação, lançada em 1954, que apresentava as biografias de personalidades consideradas mundialmente representativas para o desenvolvimento e divulgação dos princípios e métodos da "Organização Científica do Trabalho".

O CNOF E A CEGOS: ENTIDADES CONGÊNERES DO IDORT NA F RANÇA

Através do CNOF e do CEGOS em particular, eles lideraram o movimento de divulgação dos princípios da organização científica do trabalho. 51 Além da CNOF e dos CEGOS, diversas instituições foram criadas na França na primeira metade do século XX com o objetivo de disseminar os princípios da organização científica do trabalho e configurar um modelo de racionalização considerado mais adequado à sociedade francesa. Nesse processo, organizações patronais e a classe industrial francesa criaram entidades capazes de orientar empresas privadas e órgãos governamentais no que diz respeito aos princípios e métodos da “Organização Científica do Trabalho”, com contornos mais próximos da realidade de seu país.

Reunindo especialistas da “Organização Científica do Trabalho” da França, o CNOF tornou-se um espaço de discussão e divulgação do pensamento de Frederick W. para a classe dominante (HENRY, 2012). O contexto de desenvolvimento da racionalização do trabalho na França, na primeira metade do século XX, não se desenvolveu de forma linear e harmoniosa.

Refira-se que, em 1930, o engenheiro e industrial Coutrot já tinha criado o Bureau of Ingénieurs Conseils en Racionalisation, que se ocupava do estudo das questões da "Organização Científica do Trabalho", no que respeita à melhoria da produtividade das empresas privadas empresas e administração pública.

A AMERICANIZAÇÃO DO ESTILO DE GESTÃO FRANCÊS : OUTROS CONTORNOS DA

Assim, após a Segunda Guerra Mundial, as entidades francesas fundadas em torno da organização do trabalho reconsideraram suas diretrizes. O Plano Marshall estimulou diversos técnicos e especialistas norte-americanos a visitarem empresas/organizações francesas para ensinar seus dirigentes a usar e praticar esses novos valores, tão importantes para a racionalização do trabalho. Além disso, são definidas algumas medidas para que os responsáveis ​​pela gestão das empresas francesas e os especialistas em organizações trabalhistas possam realizar missões e visitas técnicas aos Estados Unidos para obter treinamento na base.

Por exemplo, o Institut des Sciences Sociales du Travail, fundado pelo Ministério do Trabalho francês e sediado pela Université de Paris, contribuiu para a disseminação de parâmetros de "relações humanas" nas organizações por meio do trabalho de seus ex-alunos, que realizaram atividades de "serviços sociais" (BOLTANSKI, 1982). Para além destas ações, estas entidades também produziram e publicaram revistas e livros de divulgação da doutrina da “Organização Científica do Trabalho”, divulgando orientações e recomendações quanto à postura dos dirigentes e dirigentes nas relações laborais nas organizações. BOLTANSKI, 1982), para que certas atitudes fossem adotadas, como facilitar a comunicação entre chefia e empregados, criando assim em seus subordinados um sentimento de integração na empresa, de acordo com a lógica da nova configuração de racionalização do trabalho.

Se antes o entendimento da comunicação nas empresas era delineado a partir do modo de trabalhar taylorista, numa perspectiva essencialmente mecanicista e instrumental, neste novo momento a comunicação é entendida como uma forma de contribuir para a “gestão” das empresas.

Imagem

Fig.  g.  g.  g. 1111. Símbolo institucional do IDORT.
Fig 2222. Primeiro número da revista do IDORT, em 1932.  Fig 3 Fig 3 Fig 3 Fig 3. Sumário do primeiro número da revista do IDORT.
Fig  Fig  Fig
Fig. 4. Capa da revista do CNOF, de 1950.  FF Fig. 5 F ig. 5 ig. 5. Capa da revista do CNOF, de 1955
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Referências

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