As origens históricas do direito do trabalho estão ligadas ao fenômeno conhecido como “Revolução Industrial”. Torna-se assim clara a necessidade de alterar as medidas de protecção do trabalho das mulheres, com o objectivo de beneficiar toda a comunidade, promover a igualdade entre as pessoas e fazer avançar o mercado de trabalho para as mulheres.
PRINCÍPIO DA IGUALDADE
Premissas do princípio da igualdade
A origem do princípio da igualdade de todos perante a lei remonta à Revolução Francesa, com a Declaração dos Direitos Humanos. A Constituição Federal de 1988 adotou o princípio da igualdade de direitos, que prevê a igualdade de aptidão, uma igualdade de possibilidades virtuais, ou seja, todos os cidadãos têm direito a tratamento idêntico por lei, de acordo com os critérios contidos no ordenamento jurídico. . É também vedada a actuação do legislador se este produzir normas que de qualquer forma ou de qualquer modo limitem, reduzam, restrinjam ou mesmo anulem a perfeita e harmoniosa aplicação do princípio da igualdade na sua totalidade, uma vez que tal actuação está sujeita às disposições constitucionais. filtro, e consequentemente à declaração de inconstitucionalidade.
19 Considerando que todos são iguais perante a lei, o princípio da isonomia exige que os iguais sejam tratados igualmente e os desiguais na proporção da sua desigualdade, o que cria um equilíbrio nas relações jurídicas e sociais. Contudo, com a devida referência histórica, o princípio da igualdade pode ser visto sob dois aspectos: igualdade formal e igualdade material; A primeira advém do facto de estarmos sujeitos a direitos e obrigações na mesma proporção, não podendo ser alvo de discriminação por lei ou pela sua interpretação, dependendo do princípio profissional. Consideremos a estreita ligação entre o género: o princípio da igualdade, com a igualdade formal, e a espécie: o princípio da isonomia, com a igualdade material, os aspectos do direito à igualdade são inúmeros, por isso é consistente pensar no fenómeno da "legal pleonasmo", pois a igualdade só é possível e eficaz se for dirigida proporcionalmente, com equilíbrio e simetria: recompensando os justos, punindo os injustos.
Reduzido a um sentido formal, o princípio da igualdade acabaria por se traduzir num simples princípio de supremacia do direito sobre a jurisdição e a administração. Isto não significa que o princípio da igualdade formal não seja relevante ou correto; significa simplesmente que o é, tendendo a ser tautológico, uma vez que a essência do problema permanece sem solução, nomeadamente saber quais são iguais e quais são desiguais.19. Vera Lúcia Carlos proclama “O fundamento do princípio da igualdade consiste na ideia de que todas as pessoas são iguais, traduzindo assim, em termos jurídicos, a igualdade de todos perante Deus” 24.
Isonomia entre mulheres e homens
Na Grécia, as mulheres foram educadas com o único propósito de criar e educar os filhos, que se dedicavam apenas ao trabalho doméstico, sendo negligenciadas aquelas que se dedicavam a outra função, como por exemplo as atividades comerciais” 25. As mulheres que permanecem. em casa são honestos e quem anda pelas ruas é desonesto.28. Além disso, longe de ser um local destinado a manter uma temperatura constante e adequada ao desenvolvimento dos filhos, ou seja, uma simples promessa de parto, a mulher lutou cara a cara com as lideranças para que seus direitos fossem satisfeitos, com unhas e dentes. conquistaram o direito, apenas os direitos, bem como os deveres e, com grande honra, podem hoje exibir com orgulho que foram abundantemente abrangidos pelo princípio da igualdade, tendo em conta os tempos sombrios do passado.
Tendo manchado o caminho rumo à igualdade que as mulheres têm seguido ao longo dos séculos, ainda se acredita que as mulheres procuraram incansavelmente e indiscutivelmente prosperar nas suas aspirações porque, como seres humanos, mereciam o desejado tratamento igualitário. Parecia impossível ultrapassar a barreira, a utopia da plena igualdade entre homens e mulheres continua até hoje. 31 Tomado literalmente, o princípio constitucional da igualdade pode criar confusão porque só quando aplicado na sua vertente formal é que se torna ineficaz, uma vez que a igualdade de tratamento é procurada independentemente das diferenças inerentes que devem ser analisadas em cada caso; Ressalte-se que é um erro dar tratamento igual aos desiguais, isso seria igualar os diferentes; Fazer isso encorajaria comportamentos inadequados, recompensando o indivíduo estranho e desigual em detrimento do indivíduo com boas intenções, valores e princípios; em suma, a igualdade é virtuosa, a desigualdade é imoral.
Todas estas situações, inspiradas no agrupamento natural e racional de indivíduos e factos, são essenciais ao processo legislativo e não violam o princípio da igualdade.
DO TRABALHO DA MULHER
Da tutela do trabalho feminino
O direito ao trabalho é, portanto, um produto cultural do século XIX e das transformações económico-sociais e políticas aí vividas. Portanto, esta nova ciência denominada Direito do Trabalho foi criada para reduzir as desigualdades que surgem das relações trabalhistas decorrentes do estado de hipossuficiência do empregado, dada a notória superioridade econômica, social e política do empregador. Quanto ao trabalho feminino em suas origens, como alta expressão de opinião, verifica-se que “A história do trabalho feminino foi contada através da divisão sexual do trabalho” 39.
Durante a Revolução Industrial, especialmente no século XIX, observaram-se péssimas condições de trabalho, recorrendo ao trabalho feminino, que recebia salários mais baixos. Demorou algum tempo para que a tendência protetora do trabalho feminino chegasse a este ponto. Acredita-se que foi necessário obter um ambiente fértil para tal evento: a “era Vargas”. 384 da CLT foi inserido no capítulo destinado à proteção do trabalho feminino e contempla a concessão de intervalo de quinze minutos às mulheres, em caso de prorrogação da jornada de trabalho, antes do início das horas extras.
Mas como se justifica o acréscimo de quinze minutos à duração do trabalho de uma mulher?Os empregadores tomarão medidas discriminatórias ao contratar trabalhadoras como resultado desta protecção especial? O objetivo deste estudo é abordar a proteção especial do trabalho feminino e como essa proteção pode ter um impacto positivo e negativo na sociedade, principalmente no mercado de trabalho. Além disso, a legislação que protege o trabalho das mulheres deixa de ser cada vez mais necessária à luz dos desenvolvimentos científicos e tecnológicos que vivemos hoje, onde as profissões, sendo mais aperfeiçoadas, exigem menos força e mais técnica.
Discriminação do trabalho da mulher
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
Da inconstitucionalidade do artigo 384 da CLT
384 da CLT, quando se trata de intervalos especiais para mulheres, ou seja, quinze minutos antes do início da prorrogação da jornada de trabalho, resulta na inconstitucionalidade da lei, por contradizer o preceito constitucional do princípio da isonomia da Carta Magna.61. No entanto, esta disposição destina-se apenas ao trabalho das mulheres e prevê um tratamento diferenciado e proteccionista, o que falta aos homens, o que não é hoje razoável e é contrário ao princípio constitucional da igualdade (artigo 5.º, n.º I, e artigo 7.º, n.º 1, ponto XXX), o que pode, inclusive, causar discriminação indesejável na contratação de trabalho feminino, vedada pelo artigo 3º, inciso IV, da Constituição Federal de 1.988.62. Os direitos e obrigações em que homens e mulheres são iguais permitem a determinação de horários de trabalho diferenciados apenas quando há necessidade de distinção, e a diferenciação não pode ser permitida apenas com base no sexo, sob pena de encorajar a discriminação no trabalho entre iguais, o que só é possível por razões biológicas.
As únicas normas que permitem um tratamento diferenciado à mulher referem-se àquelas que se traduzem na protecção da maternidade e dão garantias à mulher desde a concepção, o que não acontece se apenas o intervalo de tempo definido pelo art. 384 CLT, que se aplica apenas à jornada de trabalho feminina, esse intervalo é uma extensão da jornada que não faz distinção entre homens e mulheres. Contudo, o Tribunal Geral do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou a hipótese de constitucionalidade do referido artigo e, portanto, manteve a decisão de que os direitos decorrentes do dispositivo pertinente da CLT não violam a igualdade entre homens e mulheres, tendo em vista a inerente diferenças psicológicas e físicas naturais de cada indivíduo.
Isso abre a possibilidade de restrição da entrada da mulher no mercado de trabalho, pois esse tipo de discriminação se apresenta de forma direta, estabelece-se tratamento diferenciado baseado no gênero, e negativamente, pois não incentiva a inclusão da mulher no mercado de trabalho. trabalho, mas os impede de entrar nele.
Do tratamento diferenciado
As mulheres passaram a ser alvo da legislação protetiva do Estado e a conquistar seu espaço no mundo por meio de incentivos específicos. Contudo, a proteção, quando agravada, infundada, desarrazoada, coloca as mulheres em desvantagem na competição no mercado de trabalho, funcionando como uma barreira que inibe a sua entrada no mesmo. Portanto, o artigo 384 da CLT, que garante proteção especial à mulher por meio do direito ao descanso de quinze minutos antes do início de jornada extraordinária de trabalho; Tal garantia distorce a ideia de protecção porque dificulta a inserção das mulheres no mercado de trabalho, e porque a diferenciação se baseia na teoria de que as mulheres desempenham as tarefas domésticas e os homens fornecem o pão e a manteiga do agregado familiar, uma realidade que há muito ficou desatualizado. tempo.
47 Além disso, o comportamento legislativo protecionista desmotivado baseado em propostas ultrapassadas, como no caso do dispositivo em questão, viola toda a força do princípio constitucional da igualdade e, consequentemente, expõe toda a comunidade a práticas discriminatórias resultantes da violação. Portanto, apesar de todos os argumentos apresentados, a prevalência da igualdade entre homens e mulheres foi esclarecida, pondo em causa a eficácia do dispositivo infraconstitucional da CLT, considerando inconstitucional a previsão de um período de descanso exclusivo para mulheres antes de ser atendido por horas extras. Portanto, uma sociedade que aposta nos valores sociais do trabalho e na dignidade da pessoa humana merece progresso, dota os casamentos de benevolência à medida que as relações sociais se desenvolvem, combatendo assim a discriminação latente que está presente em todos os lugares e em todos os momentos. incentivos legais que possam proporcionar um tratamento diferenciado baseado no princípio da igualdade e que tenham fundamentos concretos, os motivos certos para tal, se se tratar de reduzir as lacunas existentes e garantir a igualdade de oportunidades para todos os géneros, protegendo a supremacia da constituição.
Portanto, tendo em vista que o tratamento diferenciado deve ser evitado quando provoca efeitos de discriminação negativa, como acontece com a interpretação do artigo 384 da CLT; No entanto, se for utilizado para eliminar diferenças pré-existentes que prejudicam uma determinada classe de pessoas, neste caso as mulheres, este tratamento diferenciado caracteriza-se como discriminação positiva e será, portanto, plenamente aceite pelo sistema jurídico como se fosse contra os princípios fundamentais. princípio da igualdade.