O registro de nascimento é o primeiro documento oficial de uma pessoa ao nascer, que permite a entrada nas autoridades estaduais para cidadania e justiça. No entanto, os melhores padrões de cidadania vão além, exigindo o direito ao registro civil de nascimento qualificado e ao reconhecimento de paternidade ratificado. Quanto à fundamentação teórica, busquei Thurler Makrakis (2000), DaMatt (2002) e outros como referências no debate sobre registro civil de nascimento e reconhecimento de paternidade no Brasil.
O Registro Civil de Nascimentos no Brasil, que pretende destacar, brevemente, a história do Registro Civil de Nascimentos, desde sua criação até o processo de legalização, bem como analisar as percepções atribuídas ao documento de registro de nascimento. O registo da população é o registo oficial de todos os dados relativos a nascimentos, casamentos, óbitos, efectuado por um oficial” (Aurélio, 1986). A história do registo civil remete-nos para a antiguidade, época em que tais registos se destinavam à contagem de populações e para fins bélicos.
No Brasil, a história do registro civil de nascimento ou certidão de nascimento está inteiramente relacionada à fundação da República, bem como à criação da legislação do registro civil. Com a introdução da legislação do registro civil e a laicidade do Estado, a certidão de nascimento passou a ser considerada “representação da existência jurídica da pessoa física, condição fundamental para a reivindicação da cidadania” (IBGE, 2022). O registro de nascimento tornou-se o primeiro documento oficial da população ao nascer, o que permitia o ingresso na cidadania e na justiça estadual.
Assim, nota-se que o registro civil de nascimento caracterizou-se como fonte de controle populacional, em que a guarda do documento é imprescindível para “existir” na sociedade.
Acepções sobre o Registro Civil de Nascimento
Sem certidão de nascimento, a pessoa não tem oficialmente nome, sobrenome ou cidadania e, portanto, não aparece no estado. Somente com o certificado é possível matricular-se na escola, casar-se civilmente, registrar filhos, participar de programas sociais do governo federal. No entanto, em regiões onde faltam medidas de políticas públicas, a certidão de nascimento raramente é utilizada como uma “entrada” na sociedade, pois a própria importância da sociedade é ignorada pela falta de políticas públicas que a contemplem. outros fatos além do próprio documento são levados em consideração.
Para algumas pessoas que não possuem certidão de nascimento, a rede de apoio na qual estão inseridas e transitam: vizinhos, colegas, amigos, algumas instituições, desenvolve-se como base de uma identidade coletiva, como suporte para a execução de planos, satisfação de necessidades e aspirações. Portanto, o documento não se configura como a principal forma de se identificar dentro da sociedade, mas sim a sociedade na qual o sujeito está inserido. DaMatta (2002) analisa que nas sociedades arcaicas e tribais, não escritas e sem forma de governo como a conhecemos, o Estado, a “identidade” não era conferida por documentos escritos produzidos dentro de uma burocracia, mas por “sinais” ou “ relacionamentos", como cicatrizes, deformidades, pintura corporal, etc.
O significado do registro de nascimento estará diretamente relacionado à forma como o sujeito se identifica, ou à sociedade em que está inserido. Em que, a utilização do registo civil de nascimento pode falar do lugar que ocupamos na sociedade, reiterando simultaneamente a cidadania igualitária e a inferioridade (ou superioridade) social. Por fim, a certidão é considerada mais que uma carta, um documento, a certidão fala sobre o significado da concepção e gravidez da criança e a qualidade da relação entre seus pais.
A Paternidade
Vale destacar o avanço do direito de paternidade no último século, que reconheceu que os filhos "naturais", fruto ilegítimo de uniões consensuais ou casais cuja relação não era legalmente oficializada, haviam conquistado certo direito, na forma de ao reconhecimento da paternidade e reivindicações ao direito de herança. Para traçar um panorama dos processos de reconhecimento de paternidade no município de Tefé, Amazonas, realizamos análises dos registros do cartório extrajudicial da Comarca de Tefé2 (CECT), do projeto "Meu Pai tem Nome". No Brasil, a ausência do reconhecimento de paternidade é um grave problema que tem causado um número alarmante de crianças sem o nome do pai registrado.
Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com base no Censo Escolar de 2011, indicam que mais de 5,5 milhões de crianças não possuem o reconhecimento paterno em seus registros de nascimento. Por meio dos dados coletados nesta pesquisa, foi possível identificar um baixo número de processos de reconhecimento paterno nos anos analisados (Tabela 2). Os dados apresentados nas tabelas anteriores são expressivos para que possamos compreender o cenário do reconhecimento de paternidade em Tefé e conseqüentemente no Amazonas, onde nos últimos 4 anos foram reconhecidas apenas 273 crianças.
A importância de falar desses dados é importante para entendermos as estruturas patriarcais da sociedade Tefen, e principalmente porque sabemos que o reconhecimento paterno promove a igualdade entre os cidadãos, o que certamente alimenta práticas patriarcais, mas o aprofundamento da democracia e a abertura de espaços para novas formas de relacionamento parental. Ou seja, ser pai também é mais do que uma questão biológica, o ato de se reconhecer como pai e estar presente na vida do filho vai, além do documento, trazer mudanças na sociedade em que ele está inserido . Em outras palavras, a busca pela paternidade pode passar de um problema de Estado para os homens civis, nos quais terão que assumir as responsabilidades afetivas e sociais de seus filhos.
Vale ressaltar que a busca pela paternidade tem motivos que vão além da justiça e apenas um nome em um pedaço de papel, o reconhecimento pelo pai também está relacionado às questões emocionais da mãe e da criança, em que o reconhecimento do pai é importante para o crescimento. da criança, em que ele terá um. No entanto, nas condições da sociedade pós-moderna, a mulher tornou-se uma mãe, que assumiu toda a responsabilidade pela criação da criança sozinha, ou que prefere compartilhar a educação da criança com outros membros parentais. Portanto, a partir dos dados, foi possível analisar o contexto do reconhecimento paterno no município de Tefé, que, não muito distante de outros centros urbanos, enfrenta um número significativo de abandono por parte do pai e, portanto, esses números contribuem para a continuação do um patriarcado. sociedade, a deserção de um filho tem, para o homem, o sentido de exercer uma forma de poder patriarcal.
A cidadania apresenta um duplo desafio para o pai masculino: o desafio do compromisso intergeracional, especialmente nos segmentos mais vulneráveis, onde o compromisso do pai masculino com a prole tem um significado político especial e pode implicar perspectivas emancipatórias. Além dos significados atribuídos à certidão de nascimento, destacou a importância da paternidade e como ela se apresenta na sociedade. A busca pelo reconhecimento paterno significa reconhecimento afetivo e relacional, reconhecimento de outro ser social, o filho, sujeito de direitos.
Filho de': um estudo do sub-registro de nascimentos na cidade do Rio de Janeiro. Com este documento, solicito acesso ao livro de nascimento deste cartório a fim de reunir informações para meu trabalho de pesquisa para conclusão de curso no Centro de Estudos Superiores de Tefé - CEST da Universidade do Estado do Amazonas - UEA , no âmbito do qual o tema é "Estudo sobre reconhecimento de paternidade no município de Tefé, Amazonas (2019 a 2022) sob a direção do professor Reginald José Gonçalves Bacelar.