É sabido que o objectivo principal da legislação laboral é, sem dúvida, a protecção dos trabalhadores, que muitas vezes se encontram numa posição desigual face ao empregador. Porém, com a nova redação da Lei nº, o processo de trabalho tornou-se mais oneroso para as partes conflitantes, principalmente no que se refere aos beneficiários da Justiça Gratuita, uma vez que são eles os responsáveis pelo pagamento dos honorários conforme artigo 790.B da referida legislação. , embora beneficiem de um poder judicial livre. Trata-se de uma pesquisa teórico-dogmática, de natureza também transdisciplinar devido à sua aplicação. diversos ramos do direito, especialmente o direito substantivo e processual do trabalho e o direito constitucional.
Assim, o direito ao trabalho é um produto cultural do século XIX e das transformações económicas, sociais e políticas aí vividas. Segundo Gustavo Felipe Barbosa, o benefício da Justiça Gratuita é um direito fundamental; 5º, inciso LXXIV, da Constituição da República de 1988, o Estado deve prestar “assistência judiciária integral e gratuita a quem comprovar insuficiência de recursos”. 1DELGADO, Maurício Godinho Curso de Direito do Trabalho – M-15. 2BRASIL, Planalto, Constituição Federal de 1988, Disponível em:. 1º Na determinação do valor dos honorários periciais, o tribunal deverá respeitar o limite máximo fixado pelo Conselho Superior de Justiça do Trabalho.§.
5. A CF/88 claramente não respeita a lei n no que diz respeito à regulamentação do instituto da justiça gratuita no direito processual do trabalho.
DA REFORMA TRABALHISTA
Profundamente desvinculado das principais ideias da Constituição de 1988, como a concepção do Estado Democrático de Direito, os princípios constitucionais humanísticos e sociais_ o conceito constitucional dos direitos fundamentais da pessoa humana no campo jurídico trabalhista e a compreensão constitucional do Direito como instrumento de civilização, a Lei n. Diante dessas considerações, percebe-se que a lei 13.467/17 causou um retrocesso no campo do Direito do Trabalho no Brasil, especialmente em relação aos beneficiários da justiça gratuita, que é o tema central da obra em questão. Sabe-se que a Boa Fé é um princípio geral do Direito e que deve ser respeitado em todas as relações sociais, principalmente na área processual onde as partes buscam os seus mais diversos direitos, não cabendo neste caso ser de má-fé não litigar. .
Contudo, o dano moral no direito do trabalho decorre da necessidade comum dos profissionais da justiça no trabalho pericial cotidiano, o que torna legítima a sua regulamentação. O artigo 452-A da CLT trata da regulamentação do trabalho intermitente, o que de alguma forma contribuiu para a política de desvalorização salarial, vejamos. Delgado considera que esta alteração não se justifica no domínio do direito laboral e não é consistente.
Os dispositivos acima parecem inconstitucionais, além de configurarem um verdadeiro obstáculo ao direito ao trabalho e ao acesso à justiça, ensina Maurício Godinho Delgado;. 789 desta Consolidação, ainda que seja beneficiário de justiça gratuita, salvo se ficar comprovado, no prazo de quinze dias, que a ausência ocorreu por motivo legalmente justificado” (novo § 2º do artigo 844, CLT). regulamentação do instituto da justiça gratuita no Direito Processual do Trabalho. 23.
A hermenêutica jurídica representa a capacidade de interpretação da norma e sua aplicabilidade no campo do direito substantivo, correspondendo principalmente à estrutura básica do direito em relação aos acontecimentos jurídicos. Nesse sentido, a tarefa do advogado é levar em conta os diferentes métodos de interpretação utilizados pela hermenêutica jurídica e, portanto, aplicá-los a um caso concreto. É isso que Delgado nos ensina. O método teleológico de interpretação enfatiza a importância de observar o caráter finalista da norma, do grau e da lei interpretada.
É verdade que, embora os desafios acima delineados ainda não tenham sido totalmente superados, um processo institucional e jurídico regressivo atingiu o direito do trabalho com o objetivo de retirar ao máximo a matriz constitucional do campo das relações de trabalho. da centralidade da pessoa humana na ordem jurídica e na vida socioeconómica. Se isso não bastasse, sem dúvida diminuiu o papel do processo jurídico do trabalho como instrumento para a efetividade do direito do trabalho na economia e na sociedade brasileira.26.
PRINCIPIOS E REGRAS PROCESSUAIS APLICÁVEIS AO
Este princípio é considerado por Humberto Theodoro Júnior como o mais importante do direito processual do trabalho. Contudo, existe uma diferença entre o princípio da tutela processual e o princípio da finalidade social do processo, pois este último decorre da capacidade do juiz de conduzir o processo de acordo com as finalidades sociais de que deriva, neste caso . Ao magistrado cabe aquela parte da responsabilidade de realizar o ato judicial de acordo com sua crença pessoal sobre o judiciário, é o que se pode extrair da lição de Bezerra Leite. A diferença entre o princípio da proteção processual e o princípio da finalidade social do processo é que no primeiro a própria lei proporciona desigualdade no plano processual; na segunda, permite-se que o juiz desempenhe um papel mais ativo, pois auxilia o trabalhador na busca de uma solução justa até chegar o momento de proferir a sentença.30.
Os princípios do processo civil e do processo trabalhista, em: BARROS, Alice Monteiro de (Coord.). O princípio da protecção dos trabalhadores remonta mais precisamente; esse princípio decorre da então Constituição de 1988, que prevê no artigo 7º uma série de direitos para os trabalhadores urbanos e rurais, direitos que visam a melhoria de suas condições sociais, como o direito ao lazer e ao apoio financeiro. assistência em caso de despedimento sem justa causa. Contudo, estes mesmos direitos são sujeitos a cortes pela própria lei, o que se pode deduzir das palavras de Alice Monteiro31: “O princípio da proteção está sujeito a cortes pela própria lei, com o objetivo de não onerar demasiado o empregador e dificultar o progresso no desempenho.
A autora traz, portanto, uma série de mudanças que já previa em 2012 como formas de “vestir” de certa forma o princípio da Proteção. Este caminho protetivo envolvendo o direito trabalhista permite também a criação de toda uma estrutura voltada para a melhoria da qualidade de vida e da saúde dos trabalhadores em seu ambiente de trabalho e ambiente social. O princípio da protecção, pela sua inclusão na estrutura do Direito do Trabalho, é uma forma de prevenir a exploração do capital sobre o trabalho humano, o que permite a melhoria das condições de vida dos trabalhadores e do bem-estar social dos trabalhadores.32 .
O princípio da irreversibilidade do poder judiciário está expresso no texto constitucional, que Gustavo Felipe nos ensina: “O princípio da irreversibilidade do controle judicial está estabelecido no art. a presença das condições da ação e dos pré-requisitos processuais, o que indica o chamado direito processual de ação, que, portanto, passa a ser condicional.36 BRASIL – LEI 5.584, de 1970 Determina normas da legislação do processo do trabalho, altera disposições da consolida a legislação trabalhista, regulamenta a concessão e prestação de assistência jurídica em direito do trabalho e dá outras providências disponíveis em: http://www.planalto.gov.br/CCivil_03/Leis/L5584.htm Acessado em.
INCONSTITUCIONALIDADE DO PAGAMENTO DE DESPESAS
Contudo, a mesma disposição garante que, mesmo que o queixoso obtenha o benefício da justiça gratuita, ele ou ela terá de suportar tais despesas. A responsabilidade pelo pagamento da taxa de perícia é do sujeito do pedido objeto da perícia, ainda que seja beneficiário da justiça gratuita (alterada pela lei nº 13.467, de 2017). 4º Somente no caso de o beneficiário da justiça gratuita não ter recebido em juízo empréstimo capaz de arcar com as despesas mencionadas no capítulo, ainda que em outro processo, a União será responsável pela taxa. de 2017)44.
A análise deste regulamento evidencia, como já explicado, o seu evidente desrespeito ao direito constitucional e à garantia da justiça gratuita (art. 5º, LXXIV, CF) e, consequentemente, ao princípio constitucional do amplo acesso à jurisdição (art. 5º XXXV). , CF). Nos termos do artigo 844, inciso 2º e 3º, da Lei Federal nº, em caso de ausência injustificada à audiência, o reclamante será condenado ao pagamento das custas do processo, ainda que seja beneficiário da Justiça Gratuita. 789 desta consolidação, ainda que beneficiário de justiça gratuita, salvo se se provar, no prazo de quinze dias, que a ausência decorreu de motivo legalmente justificado.
Para Mauro Schiav, o pedido de pagamento das referidas despesas aos beneficiários da Justiça Gratuita fere o princípio constitucional do acesso à justiça. 844, da CLT, foi alterado essencialmente para determinar o pagamento de custas no caso de arquivamento do processo por ausência do recorrente à audiência, ainda que beneficiário de justiça gratuita, salvo prova em contrário, no prazo de quinze dias, que a ausência ocorreu por motivo juridicamente vinculativo e justificável, sendo que o pagamento das despesas processuais pelo reclamante será condição para a apresentação de nova reclamação. De nossa parte, embora o dispositivo vise moralizar o processo de trabalho e evitar interrupções prematuras do processo, a exigência do pagamento de custas como condição para apresentação de nova ação, caso o autor seja beneficiário da justiça gratuita, fere o princípio constitucional . de acesso à justiça (art. 5º, XXXV, da CF).
A expressão “ainda que beneficiário da justiça gratuita”, contida no § 2º, e na totalidade do § 3º, ambos dispositivos do art, são inconstitucionais. 844 da CLT, na redação dada pela Lei por violação direta e frontal dos princípios constitucionais da igualdade (art. 5º, caput, da CR), da indiscutibilidade de competência (art. 5º, XXXV, da CR) e conceder justiça gratuita a quem dela necessita (art. 5º, LXXIV, do CR).52. Conforme explicado acima, verifica-se que o legislador, ao determinar a obrigação de pagar custas ao beneficiário da justiça gratuita, não respeitou o princípio constitucional da indedutibilidade da competência que consta do artigo 5º, inciso XXXV do Dispôs a Constituição Federal. de 1988, que nos diz: “a lei não excluirá da avaliação do Poder Judiciário a lesão ou ameaça a direitos”, ou seja, como o trabalhador exercerá o seu direito constitucional de acesso à justiça do trabalho, se por outro lado, o próprio Estado estabelece “barreiras” económicas.
em relação à sua regulamentação do instituto da justiça gratuita no direito do processo do trabalho.53. Dito isto, se o denunciante ausente não justificar a sua ausência na audiência, será condenado ao pagamento das custas e esse pagamento constituirá condição processual para a propositura de nova reclamação, ainda que seja beneficiário da justiça gratuita, impedindo-se assim o trabalhador de prosseguir com a reclamação passa a ser previamente apresentado caso o pagamento não seja efetuado.