• Nenhum resultado encontrado

Revista de Antropologia

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2023

Share "Revista de Antropologia"

Copied!
175
0
0

Texto

Mobilizações políticas em tempos de fragmentação dos movimentos sociais A turma de Antropologia Cultural era composta essencialmente pelos calou-

Eu não sabia que negros escreviam essas coisas”: Alunos da Cota Negra, Movimento Ocupa IFCS e Transformações Curriculares em Antropologia • 112. Mobilizações Políticas em Tempos de Fragmentação dos Movimentos Sociais . Eu não sabia que negros escreviam essas coisas”: cotistas negros, movimento Ocupa IFCS e transformações curriculares em antropologia • 113.

Eu não sabia que negros escreviam essas coisas”: Alunos negros cotistas, Movimento Ocupa IFCS e transformações curriculares em antropologia • 114. Eu não sabia que negros escreviam essas coisas”: Alunos negros cotistas, Movimento Ocupa IFCS e transformações curriculares em Antropologia • 115. Eu não sabia que negros escreviam essas coisas”: Alunos da Cota Negra, Movimento Ocupa IFCS e Transformações Curriculares em Antropologia • 116.

Eu não sabia que negros escreviam essas coisas”: negros cotistas, movimento Ocupa IFCS e transformações curriculares no campo da antropologia • 117. Eu não sabia que negros escreviam essas coisas”: negros cotistas, movimento Ocupa IFCS- e currículos transformações no campo da antropologia • 118. Outra das ironias relacionadas à ocupação foi testemunhar a simpatia que uma mobilização liderada principalmente por estudantes cotistas negros provocou entre os professores de um dos institutos que mais contra o sistema de cotas raciais no universidade pública, especialmente no caso do Departamento de Antropologia Cultural14.

14 O Departamento de Antropologia Cultural era um dos três departamentos que compunham o IFCS, juntamente com Ciência Política e Sociologia. Eu não sabia que negros escreviam essas coisas”: Alunos negros cotistas, o movimento Ocupa IFCS e transformações curriculares no campo da antropologia • 119. Eu não sabia que negros escreviam essas coisas”: Alunos negros cotistas, movimento Ocupa IFCS , e transformações curriculares no campo da antropologia • 120.

A relação professor-aluno em tempos de ocupação

Eu não sabia que negros escreviam essas coisas': cotistas negros, movimento Ocupa IFCS e transformações curriculares em antropologia • 121. Na época, por exemplo, a UFRJ ampliou o número de vagas para o equivalente a todo o contingente de estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina17, ao mesmo tempo em que sofria cortes em seu orçamento, o que impossibilitava a ampliação do apoio à permanência estudantil, uma das reivindicações centrais do movimento. Parecia-me que os alunos estavam perdendo a oportunidade de se unir a setores da universidade contrários ao governo Michel Temer e de fortalecer grupos mais amplamente contrários ao atual desmonte da educação pública e à retirada de agendas relacionadas à proliferação de vagas públicas universidades implementadas por governos petistas.

Se quiséssemos utilizar um instrumento clássico de análise dentro da antropologia política, poderíamos dizer que estávamos vivendo um momento antiestrutural no instituto, ou seja, um momento em que a estrutura social vigente e seus rituais de sustentação. foi suspensa (TURNER 1974). Não sabia que negros escreviam essas coisas': cotistas negros, movimento Ocupa IFCS e transformações curriculares no campo da antropologia • 122. Essa atitude, extremamente respeitosa com minha posição de professora, traduziu-se em intensa participação nas aulas . e cumprir todos os acordos acadêmicos que havíamos feito no início do semestre, antes do Ocupa IFCS começar.

Havia ali certamente uma simpatia mútua, certamente relacionada com a minha posição abertamente favorável às quotas e que não deixava de estar relacionada com uma atitude rigorosa na educação dos alunos e a recusa de qualquer tipo de atitude paternalista ou de abandono da transferência de informação conteúdo programático da disciplina. 18 Cabe destacar que pouco antes do início do movimento de ocupação estudantil, em 10 de junho de 2016, professores dos Institutos de História (IH) e de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) que trabalhavam no prédio emitiram um manifesto de repúdio do o governo de Michel Temer, no qual descreviam as inúmeras medidas tomadas em nível nacional nos primeiros tempos daquele governo, que já apontavam para o desmonte da educação pública, ciência e tecnologia e das políticas sociais no país. O único ponto comum às pautas do movimento Ocupa IFCS foi a condenação do Projeto Escola sem Partido, concebido como um projeto de censura ao magistério.

Eu Não Sabia que Negros Escreviam Essas Coisas”: Alunos Cotas Negras, Movimento Ocupa IFCS e Transformações Curriculares em Antropologia • 123. Enfrentamos uma situação extrema, onde alunos que ingressavam na universidade por se não estivessem lá poderiam ficar sem o mínimo condições de sobrevivência, algo que a maioria dos estudantes de classe média não havia enfrentado até então. Voltando novamente ao vocabulário de Turner, fomos confrontados com uma situação de liminaridade (op. cit.), de transição, em que se procurava afirmar novas posições, identidades e modos de política nos mundos sociais da academia.

A questão curricular

Percebi que as “diretrizes locais” e a recusa de engajamento com os movimentos políticos institucionalizados na universidade não tiravam o caráter político e formativo do movimento, com origem, perfil e motivação até então desconhecidos para mim. Eu não sabia que negros escreviam essas coisas”: Alunos cotistas negros, o movimento Ocupa IFCS e transformações curriculares em antropologia • 124. Este ensaio foi uma primeira indicação para mim dos efeitos da presença de cotistas em cursos e das questões que deveríamos estar perguntando a respeito do conteúdo curricular de antropologia com o qual vínhamos trabalhando.

A disciplina de Antropologia Cultural traçou uma espécie de síntese da história da disciplina e das principais questões por ela levantadas até a primeira metade do século XX, a ser seguida pelas disciplinas de Antropologia I, II e III, que desta conclusão concluíram . história até os dias atuais e selecionei alguns temas para aprofundar dependendo dos interesses específicos de cada professor. Alguns anos antes de me tornar professor da UFRJ, trabalhei em um projeto de ação afirmativa para indígenas na Universidade19, no qual uma das preocupações levantadas com as instituições que colaboravam conosco era justamente a necessidade de adequar os currículos à presença . daqueles alunos dos cursos, buscando formas de inserir seus conhecimentos e experiências específicas na estrutura curricular. Curiosamente, apesar dessa experiência, até aquele momento eu não conseguia ver o problema dos currículos de antropologia sobre racismo que excluíam do debate as reflexões de escritores negros.

Nesse sentido, não bastava que a disciplina tivesse uma sólida formação na crítica aos pressupostos racistas, estabelecidos principalmente por correntes da antropologia biológica, estruturadas ao longo do século XIX e primeira metade do século XX, com muitos representantes e desenvolvimentos no Brasil20. E não bastava que essas críticas fossem apresentadas em cursos introdutórios de antropologia, o que as tornava mais complexas – o que eu achava muito bom. Eu não sabia que negros escreviam essas coisas': cotistas negros, movimento Occupy IFCS e transformações curriculares em antropologia • 125 .

Então, quando parte da turma de Antropologia Cultural começou a me trazer livros de Fanon, Césaire e outros intelectuais negros, perguntando se não havia vaga para eles no curso, resolvi mudar a dinâmica para atender às demandas feitas. A partir das atividades desse grupo pude organizar debates e seminários sobre raça, etnia e racismo, a partir da produção de intelectuais negros africanos e brasileiros22. Com essa mudança de rumo no curso, em que passei a incluir a produção de intelectuais negros discutindo sua própria produção bibliográfica sobre eles e os estudos realizados em contextos afro-brasileiros, africanos e da diáspora africana, recebi um comentário de um dos cotistas que resume bem a demora que estávamos, na universidade, em relação a essas questões: “Professor, eu não sabia que preto escrevia essas coisas”23.

Considerações finais

Naquela época, a intenção era entrevistar Pajé Barbosa e uma de suas filhas para a produção de um capítulo de um livro organizado pelo professor Leonardo Oliveira de Almeida sobre as religiões afro-cearenses, no qual os entrevistadores publicaram o capítulo intitulado "O terreiro do pajé : afro-indígena no sentido do termo". Pajé Barbosa: A Umbanda está na minha vida desde criança, porque o catimbó que Pitaguary pratica é um catimbó antigo. Pajé Barbosa: Na verdade eu não incorporei, mas eu tinha outra coisa mais terrível: eu via e ouvia.

Pajé Barbosa: Rapaz, aquele dia foi muito interessante, porque eu estava passando e tinha uma pessoa trabalhando ali, né. Pajé Barbosa: A gente tem três festas básicas aqui no terreiro: a festa que acontece em dezembro, a Festa da Padilha. 17 A denominação "Terreiro da Padilha" está relacionada à importância atribuída por aquela comunidade religiosa à pombagira Dona Maria Padilha, uma das principais guias espirituais que acompanhavam o Pajé Barbosa.

18 Nádia é uma das filhas (biológicas e espirituais) do Pajé Barbosa e que na época da entrevista já tinha seu próprio terreiro de umbanda na Aldeia da Monguba. Pajé Barbosa: Ah, eu sou muito [apegado] a essas matas que cuidam muito do meu terreiro, como o Sr. Pena Branca, Sr. Tupinambá23. 21 Mesmo sem especificar, quando Pajé Barbosa fala da "década 22" parece estar se referindo à década de 1920, período compreendido pelo surto de gripe espanhola no Brasil.

O que dá essa ligação com o touro Búfalo Preto, o touro Bufa30 Branco, o touro Bufa Dourado, essa coisa que [alguém pode dizer] é “Pajé Barbosa. 29 “Lakota”, “Cheíta” e “Maias”: menção a povos dos quais a comunidade religiosa do Pajé Barbosa teria recebido contribuições espirituais e cujas entidades espirituais são cultuadas naquele terreiro. 32 Com a entidade espiritual – mas também natural – Abaobá ou Obaobá, Pajé Barbosa parece referir-se à árvore de origem africana muito apreciada nas religiões afro-brasileiras, o baobá.

Patrício: Por fim, tem alguma pergunta, parte ou assunto que você considera importante falar sobre o Terreiro do Pajé Barbosa que eu não fiz e que você gostaria de comentar. Pajé Barbosa me diz que "é importante passar o conhecimento das rezas e curas tradicionais e espirituais", é por meio delas que ele diz que espera sempre "voltar a fazer o bem", na força que conectou desde essa cosmovisão que eu gostaria de continuar pensando em imagens e memórias.

Referências

Documentos relacionados

Dentro das abordagens conceituais, há quatro correntes principais de análise: ética empresarial, que analisa a RSE baseada em conceitos filosóficos da ética, com