Dutra Vieira – Nasionale Konfederasie van Onderwyswerkers Luiz Fernandes Dourado – Federale Universiteit van Goiás Suzane da Rocha Vieira Gonçalves – Federale Universiteit van Rio Grande Theresa Maria de Freitas Adrião – Universiteit van São Paulo.
Isso é coisa do capeta!”
A partir desse momento, a mobilização em torno do combate à “ideologia de género” (em 2015 a menção a este tema nos discursos dos deputados saltou para 106!) ofereceu ao grupo conservador a oportunidade de atribuir uma identidade conceptual ao seu movimento antigénero, que cresceu gradativamente a partir de 2007 (LACERDA, 2016). O termo “ideologia de género” nem sequer é reconhecido como um conceito académico nas humanidades.
Uma ficção biológico-conservadora
Além disso, uma leitura performativa do discurso de ódio pode ajudar-nos a situar as estratégias ultraconservadoras de uma forma mais objectiva, para além da controvérsia, por assim dizer, pois permite-nos ter um olhar diferente sobre a produção de quadros políticos ou operações de forjamento de normas. pela possibilidade de uma vida mais habitável para sujeitos que vivenciam sexo e/ou gênero desviantes. Apropriar-se de discursos científico-biológicos para produzir ódio e violência contra sexualidades e gêneros dissidentes nas redes sociais.
Discussão sobre gênero nas escolas Ações e resistências
Esta citação nos incentiva a refletir sobre como os temas de gênero e sexualidade estão – ou não – entrando nos espaços escolares. Ressaltamos que as questões de gênero são práticas discursivas contínuas, sempre abertas a “[..] intervenções e reconsiderações”. Meyer (2010, p. 16) explica que “[..] o conceito de gênero passa a incluir todas as formas de construção social, cultural e linguística envolvidas nos processos que distinguem mulheres e homens”.
Apesar da falta de consenso, decidimos dividir a identidade de género em cisgénero e transgénero. Esse ponto de vista também é defendido por cientistas da área de gênero e diversidade sexual (MEYER, 2010; OLIVEIRA, 2017; MAIO, 2013). EFDH-MG Direitos humanos e cidadania: Proteção, promoção e restituição dos direitos das pessoas LGBT e identidade de gênero V.07.
Cultura escolar e questões em gênero e sexualidade O delicado equilíbrio entre cumprir, transgredir e resistir
A primeira delas é perceber a abordagem das questões de gênero e sexualidade na escola em seu caráter agonístico. A norma, que no caso das questões de género e sexualidade podemos chamar de heteronormatividade ou heterossexualidade compulsória, atua silenciosamente. No caso que nos propomos analisar, interessam as relações sociais em que vigoram os marcadores de gênero e sexualidade.
A escola deve investir na educação de género e sexualidade orientada pelos ideais republicanos e valores do espaço público, e não pelas tradições familiares. Por tudo isso, só podemos elogiar os professores que se dispõem a trabalhar na educação sobre questões de gênero e sexualidade. Muito sexo, pouco giz, quase nenhuma borracha e muitas provas: cenas escolares envolvendo questões de gênero e sexualidade.
Laicidade do Estado e da educação
Nos anos de e até meados de 2019, diversas escolas públicas municipais ou estaduais, principalmente dos municípios de São Gonçalo, Itaboraí e Niterói, localizados no estado do Rio de Janeiro, nos convidaram para realizar projetos de intervenção no combate à lesbofobia, homossexualidade, bifobia, transfobia, práticas sexistas e também a palestras sobre “ideologia de gênero”, já que escolas e professores são acusados de serem ideológicos de gênero. Movimentos conservadores como a "Escola sem Partido" (Mesp) e teorias conservadoras baseadas no combate a essa "ideologia de gênero" têm promovido uma série de ataques ao campo da educação, seja por meio de projetos de lei nas diversas câmaras legislativas, seja por meio do pânico moral, um imaginário que entende o gênero como outsider, algo que estaria fora da escola e deveria permanecer assim. Junqueira (2018) enfatiza que nos últimos anos temos testemunhado uma presença forte e marcante do ativismo religioso, que utiliza um neologismo denominado “ideologia de gênero” como artefato teórico para influenciar e desenvolver novas estratégias de mobilização política e intervenção na esfera pública. .
No dia a dia da criação de outros currículos, alguns professores do ensino fundamental procuraram o Observatório da Laicidade na Educação (OLÉ), projeto de extensão da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense, para traçar táticas e estratégias de discussão sobre a questões de gênero e sexualidade em suas instituições escolares. Eles entenderam que o laicismo é um dos componentes mais importantes da sociedade democrática, que defende a dignidade humana e as diferenças entre as minorias de gênero e sexualidade na sociedade brasileira. A invenção da “ideologia de gênero”: a emergência de um cenário político-discursivo e a elaboração de uma retórica reacionária antigênero.
A ofensiva antigênero e seus efeitos
Segundo Junqueira (2017), a “ideologia de gênero” é uma invenção católica, que ganhou força entre meados da década de 1990 e início de 2000. Com essa afirmação, esse tema teve como objetivo causar medo diante do debate de gênero e sexualidade na escola. Ao utilizar o termo “ideologia de gênero”, tentou desqualificar os estudos e as produções acadêmicas para impedir qualquer menção ao gênero no espaço escolar (PARAÍSO, 2016).
Um dia após a publicação da matéria no noticiário, um vereador da cidade de Rio Grande/RS propôs um projeto de lei intitulado “Programa escolar sem ideologia de gênero”13. Resumindo o que foi discutido no slogan “ideologia de gênero”, a proposta visava limitar as discussões envolvendo pluralidades no espaço escolar. Ideologia de género': a génese de uma categoria política reaccionária - ou: a promoção dos direitos humanos tornou-se uma 'ameaça à família natural'.
Enfrentamentos em torno de gênero
O projeto de lei considerava como “ideologia de gênero” as discussões e trabalhos relativos ao campo dos estudos de gênero, delimitando este campo como uma direção política e tratando-o apenas como um “conceito”. Como argumento citamos a ausência do termo “ideologia sexual” no Plano Nacional de Educação discutido um ano antes. No nível nacional, destaca algumas questões relacionadas a gênero e direitos humanos no Brasil.
Sob o discurso político de que a “ideologia de gênero” ameaça a família, apoiam-se posições reacionárias contra os direitos humanos, segundo as quais “ameaçam a família natural” (JUNQUEIRA, 2017). O termo “ideologia de gênero” foi utilizado pelos discursos conservadores para esvaziá-lo de significado. 9 “O STF confirma decisão do TJAM que anunciou a inconstitucionalidade da lei municipal que proibia a reprodução do conceito de ideologia de gênero”.
Corsário preso
Nesse sentido, o tema “Brinquedos não têm gênero” justificou-se porque muitas instituições de educação infantil e ensino fundamental não olham com atenção para o conceito de gênero e suas relações com situações de violência. Contudo, as experiências têm demonstrado que os gestores também não reconhecem a importância da formação crítica desses profissionais que trabalham com crianças e adolescentes nas questões de gênero. O relevante termo “ideologia de gênero” provocou em uma parte da sociedade, como aparentemente aconteceu com membros da secretaria de educação e dirigentes municipais que foram informados pelo profissional da educação, sussurros, silêncios, palavras não ditas, reprimendas..., acabando com o pânico moral. em grupos de professores, nas famílias, na sociedade.
Parece que a provocação do evento foi dizer que os brinquedos e brincadeiras infantis na educação infantil e nos primeiros anos do ensino fundamental não deveriam ter tais normas sagradas de gênero e deveriam, portanto, ser áreas livres de brincadeiras, independentemente de serem crianças. que se identificam como menino ou menina. Os filmes apresentam as relações de gênero como questões teóricas, questionando as identidades de gênero de seus personagens. Ideologia de género: a emergência de políticas reaccionárias – ou: a promoção dos direitos humanos tornou-se uma “ameaça à família natural”.
Novos olhares sobre gênero e sexualidade Transformações advindas de um curso de formação
O objetivo foi discutir as marcas construídas em professores que frequentaram um curso envolvendo debates sobre gênero e diversidade sexual. Em geral, os cursos ensinam essas normas de gênero e sexualidade construídas socioculturalmente, e nas escolas os professores as reproduzem quando, por exemplo, discriminam um aluno ou aluno que se desvia das normas de gênero ou sexualidade, gênero correto e identidade sexual são considerados desviantes e/ ou quando querem normalizá-lo (FERRARI; CASTRO, 2013). Ferrari e Castro (2013) discutem algumas de suas experiências como docentes de três cursos de formação de professores sobre as temáticas de gênero e sexualidade.
O contato foi feito por telefone e em seguida foram feitas visitas às escolas onde atuavam para que pudéssemos discutir a formação de professores sobre gênero e diversidade sexual. As questões de género e sexualidade só podem ser vivenciadas de uma forma ou existem várias opções. Limpe o tabuleiro como um homem!”: embates sobre gênero e diversidade sexual em um curso de formação de professores de ciências e biologia.
Paschoal Lemme
Paschoal Lemme, detentor de um pensamento social avançado, que marcou suas conquistas profissionais no campo da educação nacional, viveu sua infância em um bairro de classe média da cidade de São Paulo, pertencente a uma família de imigrantes. Nas décadas de 1920 e 1930, integrou o movimento de reforma e reconstrução educacional, conhecido como Pioneiros da Educação Nova, porque assinou o seu manifesto. Como professor profundamente envolvido na luta pela educação dos trabalhadores, foi também um dos pioneiros da educação popular e de adultos no Brasil, área central de suas preocupações, à qual atribuiu um papel estratégico e fundamental nas mudanças sociais, inclusive no processo de democratização da educação, em que o Estado é responsável pela sua organização e desenvolvimento.
Já estava claro que os professores da educação de adultos necessitam de uma formação específica, que lhes proporcione condições para lidar com os mais diversos problemas, com a diversidade de disciplinas e com os conhecimentos que trazem para a escola. Lemme destacou os problemas da educação primária brasileira e denunciou a gravidade da situação nas áreas rurais, especialmente ao apontar a menor matrícula nas escolas rurais e a relação direta que esse fato tinha com o analfabetismo. A extensa literatura sobre os temas da educação de jovens e adultos (EJA) e da educação do campo destaca aspectos que aproximam essas áreas da educação, ambas envolvendo a exclusão histórica e a negação de direitos sociais por parte de seus sujeitos. especialmente o direito à educação.