Compreender como a dinâmica das crianças nas interações com a simultaneidade das linguagens, ainda presente no período inicial do Ensino Fundamental, pode ser desdobrada por meio de seus processos criativos. Demonstrar possibilidades de intersecção entre música e artes visuais nos processos criativos em sala de aula, por meio da intervenção cartográfica.
A CARTOGRAFIA COMO UM LUGAR DE EXPERIMENTAÇÕES ARTÍSTICAS Toda a paisagem não está em parte nenhuma
Em geral, os processos de pesquisa funcionam com dados que são coletados e posteriormente analisados. Ao promover a intervenção, o processo de pesquisa permite emergir realidades que não foram ‘dadas’, esperando para serem observadas” (BARROS, L.
VER E OUVIR SOBREPOSTOS: OS PARTICIPANTES DA PESQUISA
Pontos sonoros: Atividade desenvolvida a partir de pequenos adesivos que as crianças colam na parede da sala, com o objetivo de traçar um caminho cantável, início de uma grafia sonora. Para tanto, é necessário que os processos criativos viabilizados pelos signos da arte em sala de aula possam ser comunicados de forma que dê à experiência acesso a conhecimentos sensíveis, estéticos e culturais.
MEDIAÇÕES SENSÍVEIS POR MEIO DAS NARRATIVAS: PROPOSIÇÕES EM GÊNESE GÊNESE
O primeiro exemplo que apresento é a história de uma criança de cinco anos que, ao final do ano em que foram desenvolvidas as atividades dos Pontos Sonoros20, mostra um brinquedo plug-in que canta padrões melódicos, utilizando os Pontos de Conexão21 como referência. Resumindo, ela cantou Lego. Os pontos de conexão são as saliências que permitem que uma peça se encaixe em outra. 22 Musicograma é um sistema de símbolos criado a partir de um código simples que não contém detalhes ou detalhes técnicos, mas permite a percepção do todo de uma obra musical.
Embora os sons da menina de três anos não pudessem ser ouvidos, a caracterização do desenho sem imagens figurativas como casas, carros, pessoas ou animais abriu espaço para uma representação gráfica do som a partir de uma narrativa distorcida em que a relação dos sentidos ganhou um significado ou mensagem, em que a audição (são pequenos sons..) não estava separada da visão (..você não vê?). A sugestão da criança de colocar tecido azul na estrutura do tubo transformou a atividade de escuta em uma história com palavras e desenho sonoro, narrativa em que o personagem principal era um navegador viajando pelos oceanos em seu barco tubular.
RETROPROJETOR 31 : ATENÇÃO À IMAGEM
A contribuição da autora aproxima o mundo exterior do interior e instiga possibilidades e significados ao pensar na relação das crianças com o material a ser utilizado. Os materiais utilizados no aparelho são folhas de papel celofane e objetos transparentes como copos, tigelas, garrafas de água, peneiras e embalagens plásticas, além de tudo o que encontramos no ambiente, desde que transparente. Além do exemplo da água com suas características incolores, a atenção das crianças repousa na qualidade da transparência como fenômeno físico no qual as cores estão incluídas, e o campo de observação passa a ter um roxo transparente.
Por exemplo, ao dobrar o papel celofane com as mãos, foi possível observar a mudança na tonalidade da cor, que ficava cada vez mais escura a cada camada sobreposta. Ao fechar as cortinas da janela e apagar as luzes da sala, as expectativas aumentaram e uma das crianças lembrou-se do acordo das aulas anteriores e anunciou a todos: - Todos cuidem do seu silêncio.
RETROPROJETOR: NO RITMO DA COMPOSIÇÃO
Chegou a hora das meninas fotografarem suas obras com os artistas (Figura 6). O ritmo, assim como a visão, a audição e a profundidade da compreensão, é uma relação espontânea de equilíbrio entre as partes sensíveis da experiência corporal. Para o professor cartógrafo, ele percebeu o interesse das crianças pela organização e escolha por meio da seleção criteriosa dos materiais, o que levou a pesquisadora a se afastar.
Meira (2009, p. 32) destaca que, para compreender a arte por meio da experiência estética, os procedimentos e abordagens devem ocorrer praticamente das mais diversas formas possíveis, “[..] assim como a música quando aborda um tema em diferenças de variações. ”No campo da atenção está a “[..] composição de cartografias, onde o conhecimento que se produz não resulta da representação de uma realidade pré-existente [..] o método cartográfico faz do conhecimento um trabalho de invenção” .
RETROPROJETOR: A AÇÃO DA IMAGEM
O que queremos agora observar é justamente se a atividade em grupo, com o retroprojetor, proporciona o caráter síncrono que Delalande menciona. Para o autor, a situação em que se realiza uma ação que resulta em um produto limita a expressão e o movimento, pois apenas se percebe o fenômeno e não sua origem, o que perde a ação musical. Quando o artista se expressa, utiliza os meios disponíveis oferecidos pelo estabelecido – o mundo da percepção e da cultura – para lhe dar novas formas.
É justamente na última parte da atividade que acontece o inédito: a criação é esse futuro, que as crianças naturalmente oferecem ao professor como novas formas de pensar o ritmo dos acontecimentos, onde focar a atenção, a gestão das sensações através da arte. Nas linhas seguintes, buscamos assim compreender como esses elementos podem contribuir para o desenvolvimento de uma mediação sensível, proposição que parte de reflexões sobre a sensibilidade, a situa em contato com a arte, as experiências e o conhecimento.
SENSÍVEL: ARTE, ESTÉTICA E EXPERIÊNCIA
Basta andar pelas ruas da cidade para perceber que o uso da palavra “estética” se incorporou ao significado popular como algo valorizado pela aparência física, seja estética facial, estética dentária, estética corporal, sobrancelhas, unhas , e assim por diante. fila, até mesmo serviços como, por exemplo, estética de automóveis (Figura 10). Perissé (2014, p. 9-10) examina brevemente os significados da palavra “estética” em diversos dicionários que tratam desse tema, como 36 Para limitar os significados contidos em torno da palavra “estética”, ao longo de seu livro, Perissé (2014) capitaliza as palavras (estética e estética) justamente para limitar seu uso conceitual ao longo da história, e que acusa, por um lado, “estética” como algo menor que a razão; e, por outro lado, a Estética imbuída de intuição, sentidos e experiência.
Portanto, nesse campo de forças que gravitam em torno da sensibilidade, é possível identificar pistas importantes que compõem uma proposição voltada ao desenvolvimento da mediação sensível, a saber: a experiência do corpo como portador e intérprete dos sentidos; a percepção (visão interior) da arte que ativa nossos sentidos quando apreendidos pela estética; e a estética como meio de influenciar a sensibilidade. Da mesma forma que aconteceu com a palavra “estética”, que, a partir das contribuições de Perissé (2014) e Martins, Picosque e Guerra (2010), se separa do seu estado externo e entra no campo dos sentidos, de modo que é possível pensar a educação por meio do sensível e colaborativo. Larros (2017) afirma o que a palavra “experiência” nos permite pensar, dizer ou fazer no singular.
MEDIAÇÃO: FORMAR É FORMAR-SE
Não esqueçamos: na prosa de Pessoa42 (2006, p. 260) o que é profundamente sentido é incomunicável, mas pode ser transmitido aproximando-se da linguagem do outro como forma de tradução, para que ele possa compreender a sua própria pode ler a linguagem. O maior desafio da mediação reside, portanto, na capacidade do mediador de compreender a arte que está a mediar e na forma como dinamiza o processo de comunicação na sala. Também distorce a verdadeira natureza do que uma pessoa sente, para que a sensibilidade possa ser traduzida na linguagem da outra.
Não sou eu ou a pessoa que faz a mediação sensível, mas todos os que se permitem envolver-se e envolvem os outros. Brito explica que as ideias do professor seguem o caminho da experiência estética, que se funde culturalmente com a forma como manuseamos os objetos e os procedimentos que se desenrolam, o que transforma educacionalmente a experiência musical num jogo onde se pode perceber, intuir, sentir. reflexivo, criativo e transformador é constantemente atualizado.
POLIAS: UMA QUESTÃO DE SOM (E TEMPO)
Nesse sentido, a importante contribuição de Koellreutter nos diz que a vida é uma experiência estética que dialoga e brinca com a arte, fazendo do nível da educação musical um território especialmente capaz de integrar processos de transcendência aos modos de conceituação, para que seja possível construir uma consciência musical através da qual imagens, reais ou mentais, surjam, por exemplo, de uma simples trilha sonora de roldanas. Para Delalande (2019), o som está intuitivamente ligado à percepção do movimento, onde a relação visual entre os gestos desempenha um papel importante na forma como a música é percebida, como a percepção sonora que se tem ao ver os gestos. um violinista tocando. Primeiro, o som só pode ser resultado de um gesto, mas não há relação na forma, ou seja, o desenvolvimento não se assemelha ao do gesto.
Minha preocupação inicial em mudar o rumo do planejamento foi na verdade uma oportunidade de mediação conduzida pelas vozes das crianças, para chegar ao som das bobinas, a partir de um local que lhes era familiar: uma aula de música; instrumentos musicais; cantar e tocar; sinta o som do corpo; para um lugar inexplorado, desconhecido, misterioso: o som da mochila; peças de motor; sons diferentes; ritmos familiares com peças de metal recém-descobertas. Para o professor mediador do sensível, que por um momento renuncia ao seu planejamento em prol de um tempo que contemple o exercício dialógico da experimentação, a constatação de processos coletivos de elaboração do conhecimento sensível transforma a visualidade em uma experiência ou vivência que são geradas por sensações , que são seus. forma de treinar.
POLIAS: GRAFIA DO SOM
Sua escrita sonora apresentou três momentos distintos: Duas curvas centrais que marcavam a força do som e da imagem devido ao peso do pergaminho, e outro esforço que resultou em linhas transversais emergindo do carbono (Figura 12). Ele escolheu um rolo médio porque notou outro amigo usando-o e gostou do efeito do tom rápido, da escrita suave e dos traços leves. Para a criança (Figura 13), o evento sonoro é regulado pelo resultado visual, na determinação do espaço dos traços durante a produção da imagem, enquanto para a professora, a leitura da imagem como partitura alternativa, sugere uma interpretação distinta da o som. do acontecimento, do som que o produziu, que cria, como aponta Koellreutter, uma transformação da consciência sonoro-musical.
Ao observarmos a atividade das bobinas pelas lentes do autor, os elementos comuns apresentados nesta aula vão ao encontro da imaginação, tornando a imagem do som perceptível através de uma correlação com a estética. A escrita saudável surgiu como um signo de arte que enfatizava a sensibilidade, fomentava reflexões, crescimento, incorporação e desconstrução de coisas que pareciam simultaneamente incompatíveis.