O POVO COMO FISCALIZADOR DA LEI: A IMPORTÂNCIA DO ACESSO À INFORMAÇÃO PARA O CONTROLE POPULAR DOS DIREITOS PÚBLICOS ADMINISTRATIVOS. Nesse contexto, demonstra-se a dependência do exercício do controle social da efetividade do direito de acesso à informação. Qual o papel do acesso à informação no exercício do controle popular sobre as ações dos agentes públicos.
CULTURA DE SIGILO
Por outro lado, quando essas condições não são atendidas, estabelece-se um sentimento de impotência e violação do senso de cidadania do indivíduo. Ainda hoje, a verdade é que algumas autoridades e serviços públicos acreditam na superioridade normativa de um regulamento, decreto ou notificação ministerial em relação à própria constituição. Portanto, é necessário promover a ideia de que todas as informações de interesse da comunidade pertencem a ela.
O que se percebe, no entanto, é que o poder público identifica a necessidade de sigilo em relação às ações praticadas – falsa premissa – como se a divulgação de informações a seu respeito armasse os inimigos em uma guerra. Nos últimos anos, nesse contexto, houve intensa proliferação de ações judiciais, movidas principalmente pelo Ministério Público com vistas a obrigar o Judiciário a divulgar informações de interesse público. Em sua avaliação do caso, o ministro Teori Zavascki reconheceu que a definição de interesse coletivo ou geral, como qualquer conceito aberto, incluiria preenchimento de valor.
No entanto, estabeleceu-se a tese de que a remuneração de pessoas em cargos, funções e empregos públicos no âmbito municipal, estadual ou federal constitui informação de interesse coletivo ou geral, motivo que justifica sua publicação oficial em prestígio aos princípios da transparência e publicidade que norteiam a administração pública. Diante dos inúmeros casos em que há aparente resistência à divulgação de informações de interesse da sociedade, percebe-se a necessidade urgente de uma mudança de cultura no setor público, de forma que o sigilo seja invocado apenas em situações excepcionais. , especialmente onde há riscos para a segurança da sociedade ou do Estado.
ATUAÇÃO DOS ÓRGÃOS DE CONTROLE INTERNO E EXTERNO
Além da ineficácia dos sistemas de controle interno, há também a incompletude do controle externo exercido pelos tribunais de contas e Ministério Público. Não se pode negar a necessidade dos esforços empreendidos por esses órgãos para prevenir e combater atos irregulares no exercício da Administração Pública. De fato, há um relevante trabalho dos membros do Ministério Público na busca de informações, na formulação de recomendações e na propositura de ações judiciais voltadas para a promoção do direito de acesso à informação.
Por sua vez, os tribunais de contas também desempenham papel relevante na análise dos sistemas administrativos dos diversos órgãos e entidades sujeitos à sua jurisdição, recomendando a revisão de procedimentos e penalizando os agentes públicos quando persistem as infrações. No entanto, não há "braço" suficiente por parte desses órgãos de controle externo para exercer uma fiscalização efetiva sobre todos os entes públicos e, quase sempre, as medidas adotadas - após longo período de análise e julgamento - de repressão, quando já tenham sido constatadas irregularidades quanto ao (in)cumprimento de obrigações constitucionais e legais relativas ao acesso à informação. Esta mesma conclusão pode ser estendida a todo o controlo – interno ou externo – exercido sobre a Administração Pública.
Ou seja: a fiscalização dos atos dos agentes públicos não pode depender apenas da atuação dos mecanismos de controle interno e externo exercidos pelo Ministério Público e tribunais de contas. Justamente pela constatação dessa deficiência do lado do controle institucional, parece mais importante, atualmente, o aumento da participação dos administradores na fiscalização dos atos praticados pelos agentes no exercício da função pública.
O CONTROLE SOCIAL
É o que vemos quando cartazes criticando determinados políticos são afixados em meio a protestos nas vias públicas, bem como mensagens espalhadas no Facebook, Twitter ou outras redes reclamando do comportamento deste ou daquele funcionário. O conceito pode ser utilizado de forma mais ampla, significando todas as ações populares relacionadas ao desafio do governo, como greves e protestos. Na prática, você vê que vários diretores tomam decisões que muitas vezes visam promover seus próprios interesses ou de pessoas, grupos e comunidades específicas que eles representam, e não o interesse público.
Justifica-se, portanto, a seu ver, a perspectiva segundo a qual o direito administrativo com maior estabilidade em seu sistema teria maior capacidade de proteger os cidadãos do que o direito constitucional. Com efeito, no cenário jurídico moderno, em que se percebe a importância da burocracia para materializar as promessas e valores da constituição, a expressão pode ser invertida para que se enfatize que “se o direito administrativo permanece, o direito constitucional não não passar". A ubiquidade do discurso constitucional nas instâncias de controle da atividade pública revela o avanço do constitucionalismo nas áreas do direito administrativo.
O que se quer dizer é que não haverá governo efetivo do povo sem sua participação direta. Diante da dificuldade de delimitar o escopo organizacional da administração pública hoje como elemento definidor no campo do direito administrativo, a submissão à responsabilidade democrática, ao que tudo indica, constitui uma nova base para a concepção institucional da administração pública. Segundo Gomes, a construção do sentido da constituição é constante e está sujeita a diversas influências sociais, inclusive no que diz respeito à interpretação popular da constituição.
Sua premissa é que qualquer pessoa que viva sob os auspícios de uma determinada constituição pode interpretá-la, à luz do que são relevantes os esforços para capacitar as pessoas comuns e promover sua crença em sua própria capacidade interpretativa (2016, pp. 28-37).
MECANISMOS DE CONTROLE SOCIAL
Excepcionalmente, o legislador previu o prazo de 20 (vinte) dias - prorrogável por mais 10 (dez) dias, mediante apresentação de justificativa expressa ao requerente - para a disponibilização de informações cujo acesso imediato não seja possível haja, e também pode ser justificada, a recusa de atendimento ou comunicação no sentido de que a autoridade ou entidade requerida não dispõe dos dados solicitados (art. 11, parágrafo primeiro). Além disso, a decisão de recusa de entrada deve ser integralmente comunicada ao requerente, por meio de certidão ou cópia (art. 14), cabendo recurso para a autoridade hierarquicamente superior que proferiu a decisão - nos casos de recusa de entrada ou falta de fundamentação da recusa - no prazo de 10 (dez) dias após a comunicação ao requerente (art. novo recurso para deliberar, no prazo de 5 (cinco) dias, sobre decisões negativas quanto ao acesso a informações emanadas de órgãos ou entidades do poder executivo federal (art.16).
É possível a qualquer cidadão, devidamente representado por advogado, independentemente da cobrança de custas judiciais, propor o referido processo para efeito de anulação de acto lesivo do património público ou da entidade em que o Estado participe, para efeito administrativo moralidade, ao meio ambiente e ao patrimônio, histórico e cultural, conforme estipulado pela Carta Magna de 1988 (art. 5º, inciso LXXIII). No campo de aplicação infraconstitucional, a lei do art. 1.) Alarga a aplicabilidade do acto popular a todos os casos em que a anulação ou declaração de. Para interpor o referido recurso, basta o interessado comprovar a sua nacionalidade mediante a apresentação do título de eleitor ou outro documento equivalente (art. 1º da Lei).
O próprio diploma prevê a possibilidade de situações em que não seja possível obter documentos importantes para a propositura da ação, por recusa de acesso por parte das entidades requeridas, podendo neste caso a ação ser intentada sem as certidões ou informações negadas . , caberá ao juiz, após avaliar os motivos da recusa, e ressalvadas as razões de segurança nacional, requerer ambos (art. 1º, § 7º). Nesse caso, a legislação determina a competência do juiz, previamente e por meio de ofício ou intimação, para ordenar a exibição de todo e qualquer documento necessário à comprovação da demanda, desde que localizada em repartição ou unidade pública ou nas competências de autoridade que se recuse a fornecer-lhe certidão ou de terceiro (artigo 6.º, n.º 1, da lei.
APATIA E DESCONFIANÇA DO PÚBLICO QUANTO AO CONTROLE SOCIAL
Porém, para o exercício do direito de requerer a Citação, é imprescindível que o interessado respeite o prazo de prescrição de 120 (cento e vinte) dias, contados do dia do reconhecimento do ato impugnado. Quanto à exigência de provas pré-montadas, o diploma legal que rege o procedimento de Mandado de Segurança - a exemplo do que ocorre na Lei de Ação Popular - prevê a hipótese de o impetrante não conseguir instruir o vestibular com os documentos que julgar necessários para provar seu direito claro e certo. A intimação do Mandamus é certamente mais objectiva e célere para qualquer cidadão que, uma vez feito um pedido de acesso à informação, veja o seu direito violado, sobretudo nos casos em que os prazos legais para obtenção de resposta são totalmente ignorados pela administração.
Assim, pode-se dizer que ainda não chegamos a um momento de contestação efetiva dos atos públicos, com a adoção massiva de mecanismos de controle social (acesso limitado). Conforme apontado por BARCELLOS (2015, p, os procedimentos previstos na Lei de Acesso à Informação, a longo prazo, devem estimular o desenvolvimento de uma cultura de transparência na Administração Pública e, em contrapartida, também o exercício da responsabilidade social controle por eles. A ideia é que, aos poucos, os cidadãos tomem consciência de seu papel na fiscalização do Poder Público e, também gradativamente, passem a utilizar de forma mais rotineira e massiva os mecanismos já existentes - e outros talvez concebidos - monitorar a atuação dos agentes, buscar transparência, questionar e solicitar mudanças.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A adição deste elemento (controle popular) ao já consolidado arcabouço institucional (controle interno e controle externo pelos tribunais de contas e ministério público) pode significar o estabelecimento de um sistema eficaz e abrangente de prevenção e combate a atos desleais e crimes contra a administração . O público, reduzindo o espaço para desvios e, por último, mas não menos importante, o cultivo da própria moralidade no desempenho de uma função pública. Se o Direito Administrativo Permanece, o Direito Constitucional não: Perspectivas do Direito Público Contemporâneo sobre uma Velha Questão. Disponível em:
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