Dissertação apresentada, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre, ao Programa de Pós-Graduação em Design, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Dissertação (Mestrado em Design) – Escola Superior de Design Industrial, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2009. A Daspu foi criada no Rio de Janeiro em 2005 por Davida, uma ONG de prostitutas focada em questões relacionadas à cidadania , combatendo a vitimização, a discriminação, o preconceito e o estigma que afectam as mulheres que trabalham nesta profissão.
A Daspu foi criada em 2005 no Rio de Janeiro por Davida, uma ONG dedicada às prostitutas nas questões de cidadania, no combate à vitimização, à discriminação, ao preconceito e à estigmatização das mulheres que exercem esta profissão. 98 Figura 13 – Fotos do desfile da Daspu na Rua Augusta publicadas pelo jornal O Estado de São. 107 Figura 16 – Foto do desfile da Daspu no Circo Voador, publicada pelo jornal O Globo, na seção.
109 Figura 17 – Foto do desfile da Daspu no Circo Voador, publicada pelo jornal O Globo, na seção Ela. 119 Figura 26 – Desfile de lançamento da coleção Copa Sacana, na Livraria Saraiva do Shopping Rio Sul.
LISTA DE GRÁFICOS
Da prostituta - o debate sobre a legalização
- Tráfico de pessoas
- Sobre a sexualidade
No âmbito das discussões globais, as discussões sobre a legalização da prostituição estão, devido à sua posição estratégica, em todo o lado ligadas aos debates sobre o tráfico de seres humanos. Segundo a autora, a forma como são construídas as histórias sobre o tráfico de mulheres pode ser vista como uma releitura moderna do mito das escravas brancas. Até certo ponto, estes medos e preocupações reflectem-se nas questões contemporâneas que envolvem o tráfico sexual.
Segundo ele, “a maioria das mulheres que se prostituem não fizeram uma escolha racional. Mas também ligou a repressão sexual na viragem do século à prostituição, levantando questões sobre a impossibilidade de as mulheres terem uma experiência sexual fora do casamento e, se vivenciassem tal experiência, ficarem limitadas à prostituição. 14 Apresenta um estudo realizado pelo Grupo de Budapeste, que mostra que 80% das mulheres em bordéis nos Países Baixos são traficadas de outros países, e contrasta isto com um estudo de 1994 da Organização Internacional de Imigração (OIM), que afirma que 70% das as mulheres dos bordéis holandeses vieram de países da Europa Central e Oriental.
Complementando a abordagem de Doezema, Kempadoo argumenta que o tráfico humano e a prostituição surgem das "interseções das relações de poder estatais, capitalistas, patriarcais e racializadas com a operação da agência das mulheres e desejos de moldar suas próprias vidas e estratégias para sobrevivência e subsistência" (KEMPADOO, 2001 , pp. 28-51). E a violação dos direitos das mulheres reside na violência contra as condições de trabalho e de vida que surge da informalidade a que a prostituição está confinada, e não da própria prostituição. Desta forma, ao invés de definir a prostituição em si como violência, são as condições de vida e de trabalho que provavelmente existirão no mercado do sexo, bem como a brutalidade e o horror que rodeiam este trabalho quando confinado ao sector informal e clandestino. sector, o que é considerado uma violação dos direitos das mulheres.
15 Kamala Kempadoo, em Changing the Debate on Trafficking in Women, salienta que a investigação encomendada foi publicada como WIJERS, Marjan e LAP-CHEW, Lin. Com isso, a prostituta torna-se um símbolo da autonomia sexual das mulheres e, portanto, uma ameaça potencial ao controle sobre a sexualidade das mulheres. Segundo a autora, essas diferenças criaram dois campos dicotômicos, que, descritos de forma simplista, podem ser definidos: um como "hostil ao sexo, que era percebido como fonte da opressão feminina na ordem patriarcal, e outro que protegia o sexo como fonte de prazer e poder na vida das mulheres" (PISCITELLI, 2005).
Para a segunda corrente de conceptualização, a ligação das mulheres com o sexo é considerada a fonte do seu maior poder. Assim, a prostituta torna-se um símbolo da autonomia sexual das mulheres e, como tal, uma ameaça potencial ao controlo patriarcal sobre a sexualidade das mulheres. As discussões globais sobre a legalização da prostituição tornam-se relevantes aqui, pois constituem vozes às quais se juntarão as vozes das mulheres do movimento prostituído no Brasil.
O movimento das prostitutas no Brasil
- A trajetória de Gabriela Leite
- A ONG Davida
- O discurso do movimento
O papel estratégico desta aliança está relacionado com a aprovação do movimento das prostitutas por outros, pois houve certas dificuldades em reconhecê-lo como um movimento social (BRASIL, 2002 apud MELLO, 2007, p. 55). Desde a sua criação, a RBP assumiu a missão de articulação política do movimento organizado de prostitutas e de fortalecimento da identidade profissional desta categoria. Para tanto, assessora na criação e formação de associações de prostitutas (que atualmente são 30), apoia e promove eventos e encontros da categoria, formula políticas públicas em cooperação com autoridades estaduais e luta pelo reconhecimento legal da profissão. " (Mello, 2007, p. 64).
Os princípios políticos estabelecidos pelo movimento organizado de prostitutas baseiam-se na auto-representação e na autodeterminação. 18 Entrevista com Andréia Sckauskas Vaz de Mello e publicada em: Burocratização e Institucionalização de Organizações de Movimentos Sociais: O Caso da Organização das Prostitutas David. Prostituta pioneira no Brasil, Gabriela tem uma posição protagonista e inovadora na história da luta dessas profissionais contra o preconceito.
Foi após trabalhar com crianças do local, na Vila Mimosa, que acabou participando de um programa de recuperação de prostitutas do Banco da Providência, vinculado à Arquidiocese do Rio de Janeiro. Participa da gestão de pesquisas e do trabalho com multiplicadores de informação, bem como da organização da primeira associação de prostitutas do Brasil, na Vila Mimosa, no Rio de Janeiro. A primeira edição do tabloide foi lançada em abril de 1989, enquanto sua versão on-line só foi publicada 16 anos depois, no site www.beijodarua.com.br (LENZ, 2004)27.
Abrange eventos nacionais e internacionais, publica reportagens sobre legislação, política e eleições, segurança, saúde, fantasia sexual, travestis, perfis de prostitutas e histórias da área, entre outros temas. Desde os tempos áureos em que "O Lampião"28 chegou às bancas, imaginei o movimento das prostitutas para terem um jornal onde pudessem discutir todos os assuntos que diziam respeito às nossas malditas queridas marginais. Além disso, promovem a visibilidade das ideias e demandas não só da ONG, mas de toda a Rede Brasileira de Prostitutas.
Moda contra o preconceito: a organização não governamental de prostitutas brasileiras Davida lançou a marca Daspu: é uma nova estratégia de combate à AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis. Daspu SHOW apresenta moda inspirada em caminhoneiros: marca criada por uma ONG de prostitutas mostra sua coleção no Circo Voador. A marca prostituta Daspu não abrirá mão do nome: o prazo dado pela multimarcas paulista termina na quarta-feira.
Rio de Janeiro: Burocratização e institucionalização de organizações de movimentos sociais: o caso da organização Davida Prostituta.
Organização cronológica dos fatos e matérias
Daspu concorre com Bündchen: o Fashion Rio começa com fofocas e roupas quentinhas de inverno. Estilo passarela: Grife Daspu leva irreverência à Praça Tiradentes, dia em que Gisele Bündchen chega ao Fashion Rio Passarela democrática: Daspu desfila na Praça Tiradentes, ganha apoio de Betty Lago e elogios de Piovani.
10 de abril de 2006 Fato Primeiro desfile em São Paulo, Rua Augusta e Clube Vegas, com prostitutas cariocas e PS. 17-Maio-2006 Fato o rapper MV Bill apresenta o livro "Falcão - Traficando Meninos" na sede da ONG Davida. 12 de julho de 2006 Daspu Desfile para participantes de 30 países da Consulta Global sobre HIV e Trabalho Sexual, promovida pela ONG, em hotel do Rio.
15 de julho de 2006 Fato Prostitutas e simpatizantes do Rio e de SP desfilam a coleção primavera/verão no Clube Glória, em São Paulo. 1º de setembro de 2006 Fato Em parceria com a Moda Fusion, a Daspu apresenta a coleção primavera/verão no prêt-à-porter parisiense. 7 de outubro de 2006 Fato Em colaboração com o artista esloveno Tadej Pogacar, que desenvolve o projeto CODE:RED, sobre economia informal, Daspu expõe na 27ª Bienal de SP.
Incluído: Periferia invade o Fashion Rio com presença do Afro Reggae, Bordadeiras da Coroa e Artesãs da Maré. O governo das prostitutas brasileiras, Davida, lançou a marca Daspu: é uma nova estratégia de combate à AIDS e outras doenças. 28 de março de 2007 Fato Apresentação do trabalho em colaboração com Tadej Pogacar na World Factory, San Francisco Art Institute.
06-jun-2007 Fato Lançamento da coleção primavera/verão Copa-Sacana, simultaneamente ao livro “Meninas da Daspu”, de Anna Marina Barbará, com entrevistas com nove prostitutas.