A pesquisa teve abordagem qualitativa e foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com 16 jovens de minorias sexuais com idades entre 18 e 30 anos nos campi de duas universidades públicas do estado do Rio de Janeiro. Existe uma lacuna de conhecimento sobre a VPI nas relações entre jovens de minorias sexuais.
REVISÃO DE LITERATURA
Violência e saúde
Outro factor que levou a esta diminuição dos homicídios foi a deterioração da qualidade dos dados de mortalidade por mortes violentas de causa indeterminada. Este tipo de mortes aumentou 25,6% em 2018 em relação ao ano anterior, um número absoluto de 12.310 mortes, onde muitos homicídios permaneceram ocultos. 35) Se as 12 mil mortes violentas por causas indeterminadas em 2018 pudessem ser confirmadas como homicídios, haveria 70 mil homicídios.
Adolescência, juventude e vulnerabilidades
Uma característica importante a desenvolver na juventude é a resiliência, ou seja, a capacidade do indivíduo de responder às adversidades, adaptar-se e transformar-se. É comum que os jovens tentem validar as suas origens e identidades para se defenderem e escaparem a um contexto económico negativo e de vulnerabilidades através da construção de movimentos de resistência.
Minorias sexuais e violência
Haas e Lane argumentam que é difícil identificar a orientação sexual e a identidade de género das vítimas de violência no sistema de saúde. Portanto, não se deve negar as especificidades de saúde da população LGBT afirmadas, e por vezes ainda confirmadas, pelo discurso médico, segundo a sua percepção.
Violência entre parceiros íntimos
O referido fato de estar bem resolvido com a identidade sexual confirma a questão do gênero social e também pode ser entendido como um fato específico das relações LGBT. Apontaram e concordaram que o estereótipo de género encontrado nas relações heterossexuais é transferido para as relações entre pessoas do mesmo sexo. O papel de género dos homens e das mulheres quando relacionados com uma relação entre pessoas do mesmo sexo é em grande parte activo e passivo.
A desigualdade de género é histórica e esta questão de género é o fator mais importante ligado à violência entre parceiros íntimos em casais heterossexuais, e esta visão pode ou não ser estendida a casais formados por minorias sexuais. O estereótipo de gênero aplicado às relações homossexuais parecia criar uma contradição na questão da violência entre parceiros íntimos, segundo os entrevistados. Esta investigação mostra que membros de minorias sexuais vivenciam situações de violência em relações íntimas que têm as mesmas raízes daquelas entre parceiros heterossexuais, como a desigualdade de género e a violência estrutural na sociedade, exacerbando a violência LGBTfóbica.
Violência de gênero: comparação da mortalidade por agressão em mulheres com e sem denúncia prévia de violência.
Violência entre parceiros íntimos das minorias sexuais
OBJETIVOS
Objetivo Geral
Objetivos Específicos
Tipo de estudo
Tais sentimentos conduzem à tensão e à raiva e podem causar conflitos, especialmente quando uma das partes na relação tem uma orientação ou identidade de género publicamente assumida e a outra não. Esta categoria reúne percepções sobre fatores relacionados à VPI entre jovens LGBT e diferenças de poder que causam potenciais desequilíbrios que favorecem a ocorrência da VPI, como a heteronormatividade social com sua ideia de binarismo imposto, questões de gênero e papéis sexuais. A questão de gênero foi abordada massivamente pelos entrevistados, deixando outras dinâmicas de poder em segundo plano.
A aceitação de ser contra a heteronorma está, portanto, relacionada com a questão do género, por não seguir o que é socialmente receptivo à própria tríade de orientação sexo-género. Em 'A História da Sexualidade', Foucault mostrou quão importantes eram para o capitalismo os papéis de género e a resistência à homossexualidade e, mais ainda, a criminalização das práticas sexuais que se desviam do padrão heteronormativo. Butler enfatiza em seu livro Problemas de Gênero que a performance de gênero é um processo de construção contínuo, tenso e fluido.
Os papéis sexuais de activos e passivos nas relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo são directamente proporcionais ao estereótipo de género das relações heteroafectivas, incluindo o fardo da diferenciação de poder. Porque, embora estes papéis sexuais e/ou de género criem diferenças de poder na relação, o sexo biológico das partes não deve gerar violência porque são iguais. Isto mostra que, apesar das dinâmicas de género serem o principal motivador da VPI, elas são plásticas quando aplicadas às relações entre pessoas do mesmo sexo.
Violência física cometida por ciúme no namoro adolescente: uma perspectiva de gênero em dez capitais brasileiras. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/medicos-e-deputados- contestam-resolucao-do-cfm-sobre-terapias-para-mudanca-de-sexo/.
População do Estudo
Seleção da amostra e estratégia de entrada no campo
Os alunos foram convidados a participar por meio de postagem-convite nas páginas de redes sociais (Facebook) das associações estudantis LGBT universitárias, denominadas “Coletivos”, ou por recomendação de algum participante já entrevistado. Pequenos cartazes com os dados de contato do pesquisador principal e um resumo da pesquisa e de quem poderia participar foram afixados em murais em frente a bibliotecas e centros acadêmicos com as autorizações necessárias antes da transmissão. Por motivos que seriam esclarecidos posteriormente nas próprias entrevistas, com a polarização política que o país se encontrava no momento do estudo, essas estratégias não foram eficazes e tiveram que ser modificadas.
Além dessas duas formas de recrutamento consideradas inicialmente, foi necessária a abordagem espontânea, pela pesquisadora e diretamente nos campi universitários, dos potenciais estudantes que atendessem aos critérios de inclusão. Nessas abordagens, o pesquisador se apresentava e em seguida explicava o conteúdo da pesquisa, incluindo os critérios de inclusão, e caso o entrevistado manifestasse que tinha/tem as características selecionadas e desejava participar, ambos solicitavam um local privativo para realizar a entrevista. . O convite aos participantes no início da coleta de dados foi dificultado por imprevistos que acabaram gerando atrasos no cronograma.
O problema surgiu a partir da desativação de coletivos LGBT no início de 2019, que teriam sido fonte de contatos para potenciais participantes.
Coleta e registro de dados
Cenário do Estudo
Análise de dados
Aspectos Éticos
O projeto de pesquisa foi aprovado pelos comitês de ética de ambas as universidades e os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - TCLE (Anexo A). Foram realizadas 16 entrevistas com participantes com idades entre 22 e 30 anos, com média de 27 anos entre os participantes. Entre as mulheres (três), duas identificadas como bissexuais e uma como homossexual.
Os dados relativos à entrevista com esse participante, portanto, não diferiram dos demais e foram analisados em conjunto. Da mesma forma, não foram observadas diferenças significativas nas narrativas dos participantes do sexo feminino em relação aos participantes do sexo masculino, nem entre as de universidades públicas ou privadas, nem no que diz respeito às características da instituição de ensino, tipo de formação, raça/cor e prática religiosa, por exemplo. pelo mesmo motivo, foram analisados em conjunto. É claro que do ano passado para cá as pessoas se mostraram mais por causa da nossa trágica eleição.
A primeira, “Tipificação do que é considerado violência nas relações íntimas” refere-se a situações vivenciadas nas relações íntimas que constituem violência para eles.
Tipificação do que é percebido como violência no relacionamento
Pode-se compreender claramente a ligação entre a VPI geral e várias questões como o isolamento e o medo, referidos pelos nossos entrevistados como, por exemplo, o isolamento de relacionamentos futuros. Vale ressaltar que essa falta de visibilidade das minorias sexuais na mídia também é observada em outros contextos, como no sistema público de saúde. Estudos sobre a prevalência da VPI na população minoritária sexual em geral, ou seja, incluindo as diversas identidades da população LGBT, mostram taxas entre 20% e 78%. que inclui verbal, financeiro e emocional.
Claramente, existem resultados bastante mistos na literatura relativamente à prevalência da violência entre parceiros íntimos entre as minorias sexuais. Embora a literatura aponte a saída como uma situação de violência entre parceiros íntimos que ocorreria especificamente nas relações LGBT, apenas um entrevistado relembrou e/ou apontou essa questão quando questionado se havia violência que afetasse apenas as relações com minorias sexuais. Na literatura estrangeira é chamada de saída, conceituada como a ameaça de revelar a orientação sexual a outras pessoas, mas pode ser entendida como violência psicológica específica às relações de pessoas de minorias sexuais.
É muito difícil para um indivíduo pertencente a uma minoria sexual não ser afectado pela opressão heteronormativa e homofóbica da sociedade.
Desigualdades geradoras de violência nas relações
Vários autores já mostraram como a sociedade construiu os papéis de género e como eles foram necessários para manter a estrutura social tal como é, especialmente sob o capitalismo. A autora afirma que a identidade de gênero não está por trás das expressões de gênero, mas sim da identidade construída pelas representações de gênero, pelas expressões individuais. Poderíamos pensar que a dinâmica de género não tem em mente esta plasticidade, mas que o indivíduo trabalha sobre si mesmo e tenta adaptar-se o máximo possível à norma e “passar despercebido”.
Enquanto na heteronormatividade a dinâmica de género segue o binarismo mulher = mulher + heterossexual e homem = homem + heterossexual, nas relações LGBT esta dinâmica de género permanece operativa e parece mais plástica dependendo da subjetividade de cada relação. Um entrevistado afirmou que não existe diferença de poder nas relações entre pessoas do mesmo sexo, especialmente entre homens gays. Pouco depois, porém, ele se contradisse no mesmo discurso, o que mostra quantas dinâmicas de poder estão embutidas nas relações íntimas, mesmo que não realizadas.
Se a diferença de papéis configura a crença na possibilidade de dominação, ela configura a diferença de poder.
Homofobias implícitas e explícitas percebidas no ambiente
Isso pode ser percebido na universidade, porque aqui somos mais politizados, mais militantes. Enquanto o ambiente escolar (ensino primário, que inclui o ensino primário e secundário) tende a ser visto como um espaço mais segregado, numa perspectiva homofóbica, a universidade é vista como libertadora e preconceituosa. 195,196) Um estudo sobre a representação social de pessoas LGBT na escola e na universidade, desenvolvido através da recordação livre, encontrou diferenças entre esses ambientes. Na escola predominaram as palavras descoberta, medo e exclusão, e na universidade as palavras descoberta, libertação e preconceito.
E a universidade como espaço onde, apesar dos preconceitos ainda existentes, há possibilidade de libertação, tendo também relação com a expectativa de vida de quem lá estuda. Há uma necessidade óbvia de que o ambiente acadêmico, as faculdades e a universidade como um todo lidem com a redução dos preconceitos criados pela heteronormatividade. Porém, no próprio ambiente acadêmico, os resultados exigidos, a competitividade e a LGBTfobia entre os docentes podem causar preocupação e prejuízos aos alunos e às relações que eles criam, segundo a percepção dos entrevistados.
Nesse sentido, alguns entrevistados manifestaram o reconhecimento de que a universidade tem competência para intervir e atender casos de violência por parceiro íntimo envolvendo a população LGBT.
Reconhecimento e enfrentamento da VPI
Linha de cuidado para atenção integral à saúde de crianças, adolescentes e seus familiares em situação de violência: orientações para gestores e trabalhadores da saúde / Ministério da Saúde, Secretaria de Saúde, Departamento de Medidas Programáticas [Internet]. No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), está instituindo a Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (Política Nacional de Saúde Integral de LGBT). Questões que Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros enfrentam ao receber cuidados de saúde da família.
Prevalência de violência perpetrada por parceiro masculino entre mulheres usuárias da rede básica de saúde no estado de São Paulo.