Eles foram responsáveis por me fazer sentir confortável e querida no complexo da Maré. 4 O complexo de favelas da Maré foi criado em uma área pantanosa coberta por manguezais às margens da Baía de Guanabara.
Breve história de Angola
O segundo grupo político-militar em defesa da libertação de Angola surgiu na zona norte do país. Desde 1961, os três grupos político-militares iniciaram a luta armada pela independência de Angola.
Acusações, notícias e associação com o tráfico
Antes reconstruímos os relatos referentes ao envolvimento de angolanos no tráfico ilegal de drogas na Maré. A hipótese é que as minas tenham sido trazidas por ex-guerrilheiros angolanos que viviam no complexo de favelas da Maré.
Processo de identificação da categoria “angolano”
A caracterização da favela como um território de violência contribui deliberadamente para que os meios de comunicação social e o Estado associem os residentes angolanos da Maré a mercenários que participam no comércio ilegal de drogas. Os angolanos, que eram negros, foram vítimas de racismo, agravado por serem residentes de um aglomerado de favelas e logo ligados ao tráfico ilegal de drogas.
Memórias do perigo
Apresento o segundo interlocutor que relata os acontecimentos e acidentes relativos ao período em que foram acusados os angolanos da Maré. Melo conta como a perseguição se intensificou após denúncias de participação de angolanos no tráfico de drogas e na megaoperação policial.
Roberto Manuel Cazenga entre lícito e o ilícito
Mas em meados de 2015, Rob me contou sobre um desentendimento com um dos soldados antidrogas. Cheguei ao armazém do Rob e encontrei um jovem trabalhando, era um menino negro, alto (cerca de 1,80 cm de altura) e com sotaque característico. Rob respondeu que Pierre era haitiano e morava com a esposa em Balacobaco há algum tempo.
Sua recuperação começou quando um dia, ao chegar em casa, se deparou com uma das coisas que restavam - um espelho - e viu sua imagem refletida; cinzelado, emaciado e consumido por drogas. Uma semana depois de uma grande operação do BOPE nas favelas da Maré controladas pelo Comando Vermelho, fui ao armazém do Rob. Fui ao armazém do Rob e sentei-me com outros dois angolanos que já conhecia.
Ivo Domingos Bumba “o fugitivo”
O livro conta a história de Ivo Domingos Bumba, desde Angola até a vida no Rio e depois em São Paulo. Amigos de Ivo Domingos presos retornaram imediatamente ao Rio de Janeiro com medo de represálias da polícia, mas Ivo permaneceu em São Paulo. 62 Noutras passagens do livro, Ivo Domingos fala da diferença entre angolanos e nigerianos.
Num dos períodos em que Ivo Domingos estava desempregado e a filha acabava de nascer, o tráfico de droga surgiu como uma oportunidade. Para Ivo Domingos, estas pequenas ações de entrega de droga não o definiam como traficante. Os fragmentos relativos à trajetória de Ivo Domingos contribuíram para a análise que desenvolvo na terceira parte.
Ilegalismos, trabalho informal e práticas ilícitas
Mercado informal e imigrantes angolanos
- Mercado informal
O setor da construção civil não exige alto nível de escolaridade ou amplo conhecimento técnico e a situação dos imigrantes nos primeiros anos, sem estar em condições regulares e, portanto, sem carteira de trabalho ou autorização de trabalho no Brasil, contribuiu para os imigrantes angolanos e os refugiados conseguiram o seu primeiro emprego neste sector da economia. O setor é caracterizado pela flexibilidade, variabilidade e descontinuidade no processo produtivo, o que promove o desenvolvimento de relações de trabalho não institucionalizadas. O caso dos trabalhadores bolivianos em situação de trabalho precário ou mesmo em situação comparável à escravidão nas confecções de São Paulo aponta na mesma direção69.
Migrantes com baixa escolaridade e provenientes de regiões pobres tiveram a sua primeira oportunidade de emprego na indústria da construção. 68 O caso dos senegaleses em Buenos Aires, analisado por Maria Pita (2012), destaca a arbitrariedade a que os imigrantes e refugiados estão expostos no emprego informal e precário. No caso dos imigrantes angolanos, poucos permanecem na indústria da construção porque há oportunidade de trabalhar noutras actividades económicas, algumas dessas oportunidades também são informais ou ilegais, como a prática ilegal do “171”.
Conforme discutido no primeiro capítulo, as denúncias de envolvimento no tráfico de drogas mobilizaram a polícia (polícia civil, polícia militar e polícia federal), o ministro da Segurança Pública e o governador do Rio Janeiro. Estas práticas vão desde o contrabando de produtos ilegais até ao comércio a retalho de drogas ilegais. Nesse momento da entrevista falávamos sobre as denúncias relativas à participação de angolanos no tráfico ilegal de drogas, quando o meu interlocutor respondeu que o então ministro da Segurança Pública, deputado Álvaro Lins, sabia que os angolanos na Maré não participavam no tráfico de pessoas , mas tinha conhecimento do envolvimento dos angolanos na prática do “171”.
171” como uma atividade relacionada com fraude que não seja de categorias criminais, como assalto à mão armada ou tráfico ilegal de drogas. O relatório não se aprofunda na detenção destes dois rapazes, pois o foco do relatório estava na alegada participação de angolanos no tráfico de droga. Como já afirmou o atual Secretário de Segurança Pública do Rio Janeiro, José Mariano Beltrame, as Unidades de Polícia Pacificadora visam combater o tráfico ilegal de drogas e acabar com o “domínio territorial” dos traficantes varejistas (LOBATO, 2011).
Globalização popular
Dentro desta análise é possível compreender como os angolanos organizaram um intenso fluxo de produtos piratas ou contrabandeados vendidos tanto no Brasil como em Angola. Segundo ele, os brasileiros não conseguem entender como os angolanos não trabalhavam e se vestiam bem. Os angolanos não compravam produtos apenas no Rio de Janeiro e em São Paulo, como revela Alex, que chegou a comprar produtos no Paraguai e na Bolívia, conhecido como contrabando de formigas na rota Ciudad del Este-São Paulo (FREIRE, 2015).
Em São Paulo, como relata Ivo Domingos Bumba (2016) no seu livro, os angolanos desenvolveram uma rede de lojas e serviços no bairro do Brás destinada principalmente a servir os clientes angolanos. Como salienta Carlos Freire (2015), os angolanos compram roupas fabricadas no Brasil para revender em Angola. Conforme narrado por Ivo Bumba (2016), os angolanos residentes no Brasil desenvolveram uma estrutura de atendimento para atender seus compatriotas que viajam a São Paulo para realizar “turismo de saco”.
Apontamentos finais
A trajetória de Ivo Domingos é bastante representativa deste mundo social que surgiu desde a década de 1970, em que o trabalho formal se torna cada vez mais raro à medida que os trabalhadores urbanos oscilam entre períodos de desemprego, empregos temporários e biscates. Portanto, são atividades profissionais que estão na intersecção do legal e do ilegal, onde as possibilidades de negociação e mediação com agentes públicos são sempre possíveis. As conexões são diferentes, as mediações são diferentes e a escala em que surgem os problemas também é diferente.
Da mesma forma, Ivo Domingos revela em diversas passagens da sua autobiografia em que ele próprio está envolvido na prática de peculato e como vários dos seus amigos também se envolveram nesta actividade. Como salienta Vera Telles (2010), os angolanos são actores imersos num mundo social em que as “mobilidades laterais” são activadas para ultrapassar as fronteiras do formal e do informal, do legal e do ilegal, do permitido e do não autorizado. Estas actividades informais, ilegais e não autorizadas só podem existir devido a “ligações perigosas” e à troca de “bens políticos” em que os agentes estatais gerem ilegalismos, neste caso particular ilegalismos populares.
Os Angolas da Maré
Naquela época, o traficante Playboy era o traficante mais procurado pela polícia do Rio de Janeiro e a conversa era sobre os planos da Playboy de invadir o complexo da favela da Maré. Os angolanos, assim como os angolanos que vivem no complexo de favelas da Maré, são chamados pelos moradores locais. Inicialmente, o uso da categoria Angola pelos moradores da Maré pode indicar um desrespeito à individualidade dos angolanos.
Esta foi uma das situações em que pude observar o uso da categoria angolana por moradores da Maré. Com base nos dados recolhidos no trabalho de campo e nas entrevistas, a categoria dos angolanos é a categoria construída pelos moradores da Maré para definir um novo grupo social, a etnia dos angolanos. A apropriação desta categoria positiva pelos angolanos pela Maré é uma indicação do aspecto de valor da categoria angolana.
Disputas, redes sociais e fronteiras étnicas
O encontro com os angolanos convocado pelo traficante Denilson ocorreu após a divulgação de denúncias de envolvimento deles com traficantes da Maré. A reunião foi convocada com o objectivo de apurar a veracidade do envolvimento dos angolanos no tráfico de droga. Este episódio selou o que o rapper Badharó chama de reconhecimento do tráfico de drogas pelos angolanos como habitantes da Maré.
Segundo alguns dos meus interlocutores, Kazanga é amigo do traficante que não gosta dos angolanos e conta-lhe tudo o que acontece entre os angolanos. Não se pode excluir que as acções e atitudes de Kazanga procurem o poder dentro do grupo étnico angolano. No jogo em que a selecção angolana defrontou a equipa do Kazanga, houve alguma confusão.
Xumane, o autor de “Zedu tem que morrer”
O discurso sobre racismo
Na entrevista, Xumane abordou principalmente as diferenças de racismo e relações raciais no Brasil em comparação aos Estados Unidos. Xumane em que o rapper e produtor musical fala sobre a experiência do racismo nos Estados Unidos e no Brasil. Para analisar o discurso de Xumane é necessário compreender brevemente a formação das relações raciais no Brasil e nos Estados Unidos.
Com base neste breve histórico das relações raciais nos Estados Unidos e no Brasil, acredito que a fala de Xumane aponta para o chamado racismo brasileiro. O discurso de Xumane critica a classificação racial brasileira, que não é polarizada como nos Estados Unidos e na África do Sul. A atitude de Xumane em reivindicar o termo "negro" é efeito dos anos que viveu nos Estados Unidos e do movimento hip-hop .
Angola, rap e ativismo político
Disponível em: http://oglobo.globo.com/rio/angolano-morto-facadas-na-vila-do-joao-em-bonsucesso-2812061. Disponível em: https://acervo.oglobo.globo.com/busca/?tipoConteudo=pagina&ordenacao Data=dataDescendente&allwords=angolanos+na+Mar%C3%A9&anyword=&noword=&exac twoword=&decadaSeleciona=20000elecion=20000&elecion=2000 Disponível em: https://acervo.oglobo.globo.com/busca/?tipoConteudo=pagina&ordenacao Data=dataDescendente&allwords=angolanos+na+Mar%C3%A9&anyword=&noword=&exac twoword=&decadaSeleciona=200060000&ano.
Disponível em: https://www.scielo.br/j/soc/a/4W4GXXnw GYDFVY6tSMV8gJj/?format=pdf&lang=pt. Disponível em: https://acervo.oglobo.globo.com/busca/?tipoConteudo=pagina&ordenacao Data=dataDescendente&allwords=angolanos+na+Mar%C3%A9&anyword=&noword=&exac tword=&decadaSeleciona=20000=20000&ano. Disponível em: https://www.gazetado povo.com.br/vozes/caixa-zero/agressoes-a-haitianos-mostram-o-pior-de-curitiba-racismo-e-intolerancia/.