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Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Parque do Flamengo revisitado: uma investigação geográfica através do pensamento de Henri Lefebvre/Rodrigo Fernandes. Principalmente se considerarmos o potencial do Parque do Flamengo como objeto de estudos espaciais. Os movimentos que criam o Aterro do Flamengo, área onde será construído o Parque do Flamengo.

Preâmbulo Henri Lefebvre: breve apresentação bio-bibliográfica

Procedimento" cuja dinâmica se divide em três etapas ou momentos: descritivo, analítico-regressivo e histórico-genético.

Capítulo 1. Primeiro antecedente: Passeio Público

A explicação sob o subtítulo “Sobre o projeto” corresponde ao momento descritivo deste método. lagos, pântanos, manguezais e áreas costeiras da Baía de Guanabara). O Passeio, símbolo da alta capital carioca da época, se destaca aqui por trazer características físicas e simbólicas que também estarão presentes no Parque do Flamengo.

Capítulo 3. Dos morros ao Aterro

O Centenário da Independência do Brasil mais as técnicas utilizadas na transformação de dois montes históricos no Aterro do Flamengo. É nesse momento que se planeja transformar o Aterro do Flamengo – praticamente uma grande faixa de litoral semivirgem – em um corredor expresso para automóveis.

Capítulo 5. Enfim, o Parque do Flamengo

Porém, antes de iniciar a construção do Parque do Flamengo, o método regressivo-progressivo nos obriga a parar imediatamente antes de sua construção, quando as soluções e invenções utilizadas no Parque são experimentadas no laboratório arquitetônico e paisagístico que é o Museu do Flamengo. Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ). Projetado pelo arquiteto Affonso Eduardo Reidy e pelo paisagista Roberto Burle-Marx - dois dos pais mais presentes no nascimento do Parque do Flamengo - o MAM-RJ (inaugurado parcialmente em 1958) será uma espécie de marco zero para a construção do Parque do Flamengo , tornando-se, portanto, nosso objetivo.

Conclusão (de volta, para o futuro)

Pioneirismo colonial

Destacada em vermelho, a localização do Passeio Público em um mapa do Rio de Janeiro do século XIX. Assim, para o bem ou para o mal, a civilização do Rio de Janeiro se cria sob e sobre o signo da água.

Passeio Público e Parque do Flamengo: afinidades espaciais

Esta abrangia a área que ia do atual Passeio Público até o Aqueduto de Santa Teresa – a maior obra de engenharia do Brasil colonial, mostrada aqui ao fundo. Entrando na categoria de jardins, o Passeio Público – 33,64 mil metros quadrados que abrigam 90 tipos de espécies vegetais e um conjunto arquitetônico e escultórico diversificado35 – herda um simbolismo que nos leva a mirabilis, milagres e magia. Vale destacar que embora separados por quase duzentos anos - e apesar de contextos políticos, econômicos e socioculturais diferentes - o Passeio Público e o Parque do Flamengo estão unidos em outras características, conceitos, princípios e formas.

O Passeio Público e o Parque do Flamengo são espaços estruturalmente públicos, ajardinados e com vista para o mar da Baía de Guanabara, que oferecem aos visitantes não apenas a visão de uma paisagem estética e cenograficamente bela, mas também um respeitável acervo de equipamentos de lazer e prazer estético. Se a criação e construção do Parque do Flamengo reuniu grandes nomes como o paisagista Roberto Burle Marx, o arquiteto Affonso Eduardo Reidy, a educadora Ethel Bauzer Medeiros e o iluminador norte-americano Richard Kelly (entre outros notáveis ​​que se guiaram firmemente por o persistente leilão de Macedo Soares) foi o desenho do Passeio Público nas mãos de Valentim Fonseca e Silva. O Passeio Público abre-se como um jardim francês do século XVII, com características que enfatizam “o domínio do homem sobre a natureza, isto é, o absolutismo político somado ao absolutismo artístico” (TERRA, 2013, p. 185).

Quase dois séculos antes, o Passeio Público foi construído sobre a Lagoa do Boqueirão, sufocada pelos escombros da demolição do adjacente Morro das Mangueiras, em Santa Teresa (GERSON p. 230). E se a construção do Passeio Público é um primeiro movimento urbano em direção às áreas então isoladas e inexploradas da zona sul do Rio, o segundo aterro - aquele que cria o Aterro do Flamengo, base física, piso do Parque do Flamengo - apresenta que seu a primeira função expande essa conexão.

Ares marinhos

Beira-mar e Parque do Flamengo se encontram em outro ponto: na geohistória da cidade do Rio de Janeiro. Números que fazem do transporte ferroviário o transporte urbano por excelência no Rio de Janeiro de meados do século XIX e primeira metade do século XX. 44 “A Zona Rural do Rio de Janeiro foi formada até meados do século XX pelos municípios (mais tarde, bairros) Jacarepaguá, Campo Grande, Guaratiba e Santa Cruz.

O discurso do capital imobiliário promove a Nova Zona Sul como a antítese do centro do Rio de Janeiro. 52 Segundo dados do censo do IBGE de 2010, existem 763 assentamentos subnormais (favelas) no Município do Rio de Janeiro. 59 Estatísticas oficiais mostram que em 1991 a cidade do Rio de Janeiro atraiu 50,3% dos turistas estrangeiros que visitaram o Brasil.

69 Cerca de 45% dos portugueses que chegaram ao Brasil no século XIX estabeleceram-se no Rio de Janeiro. Na gestão do presidente Rodrigues Alves, com o engenheiro Francisco Pereira Passos73 como prefeito do Rio de Janeiro, uma resposta importante será dada.

A desigual reforma de Pereira Passos

No Brasil, a influência de Haussmann - especialmente em relação à construção de avenidas largas e extensas - não se limita ao Rio de Janeiro: Vale do Anhangabaú, Av. Guiado por esses paradigmas - que vão além das intervenções na forma de cimento, ferro, vidro e cal e abrangem aspectos culturais e sociais77 - Pereira Passos investe no Rio de Janeiro. Era imperativo garantir a saúde dos magnatas estrangeiros que vinham ao Rio de Janeiro para fazer negócios.

Civitas est communitas perfecta Para o povo “incivilizado” do Rio de Janeiro, a cidade centrípeta torna-se uma cidade centrífuga. Até meados do século XVIII, os atores hegemônicos atuantes no Rio de Janeiro colonial eram o Estado e a Igreja. No caso do Rio de Janeiro, a dívida se estende e se estende: seu capital não seria viável sem o escravo.

Durante mais de três séculos, eles foram responsáveis ​​pela coleta, transporte e disposição - em pântanos, lagoas, rios ou no mar - dos resíduos sanitários provenientes das residências do Rio de Janeiro colonial. No Rio de Janeiro, na virada do século XIX para o XX, foi o Estado quem organizou, liderou e ordenou tanto a renovação de áreas "decadentes" (como a área central) quanto a criação de novas áreas urbanizadas (Nova Zona Sul ) tem. Carioca).

Régua e compasso

No litoral – que deverá percorrer suavemente o litoral e ligar a Rua Chile, no centro, à praia de Botafogo89 – é preciso que o projeto comece o mais rápido possível, pois se acumula outra demanda urgente, extremamente urgente: “ dar finalidade aos escombros resultantes dos prédios que serão demolidos para o início da Grande Avenida” (JORNAL DO BRASIL, 9 jan. 1904). Outra publicação – a revista O Commentario de janeiro de 1905 – informa que o município “contratou e iniciou a construção da Avenida Beira-Mar, que ligará ao novo cais da Baía de Botafogo” e que “a baía foi dragada e sitiada com um cais. do Botafogo, que conquistou uma área de 98.000 m², que ficou linda com jardins, ligada à Avenida Beira-mar” (O COMMENTÁRIO, 01/1905). A costa (mapa 8) tem 33 metros de largura e pouco mais de 5 km de extensão: começa na já vazia Praia de Santa Luzia, no centro - em frente à igreja do século XVII com o mesmo nome, que ainda existe - e vai até ao limite dos distritos.

Esta praça (mapa 9) está localizada entre as ruas Beira-mar e Augusto Severo, que possui áreas verdes, vielas, espelhos d'água e um conjunto de esculturas. Hoje, tomando o Passeio Público como um mirante privilegiado – muito privilegiado –, pode-se pensar no encontro das ruas centrais (atual Av. Rio Branco) e Beira-mar (imagens 51 e 52). Beira-mar ilumina não apenas as mudanças concretas e visíveis no espaço urbano do Rio, mas, de uma perspectiva marxista, a transformação de uma atitude.

O litoral “redefine todo o litoral do Centro até Botafogo, acabando com todas as pequenas e médias praias que ali existiam” (RIBEIRO, 2019, n.p.). Somos então empurrados para outro salto analítico-regressivo, onde presenciamos mais uma rodada de transformações em grande escala na região central do Rio de Janeiro.

Morro do Castelo: um espaço sub judice

A secção nacional situou-se na Misericórdia, entre o antigo Arsenal de Guerra e o novo mercado, estendendo parte do território conquistado até ao mar com o desmantelamento da colina do Castelo. Na verdade, na segunda década do século XX, o Morro do Castelo tornou-se centro de um grave imbróglio. 95 Foram instaladas três fortificações em épocas diferentes, quer no próprio morro do Castelo (Forte São Sebastião) quer no seu sopé (Forte de São Januário e Forte de São Tiago).

Porém, a extinção do Morro do Castelo só teria significado durante a grande reforma realizada por Pereira Passos. As justificativas para a extinção do Morro do Castelo não se limitaram à sua identidade como relíquia colonial, obra antiga e antimoderna. 99Em nossa pesquisa encontramos referências que tratam o semanário Careta como um dos veículos da campanha aberta de destruição do Morro do Castelo.

No Rio de Janeiro e no interior da Bahia, a força do Estado foi sentida na forma de massacres sociais indiscriminados e evitáveis: a matança de milhares de fiéis de Conselheiro104 e o exílio dos habitantes do Morro do Castelo. Embora a feição geográfica “suja” e “criminosa” tenha sido eliminada, o fantasma do Morro do Castelo permanece vivo e amaldiçoado, assombrando a esplanada nascida da sua destruição.

O fim do Morro de Santo Antônio: o ciclo se fecha

Vieira Fazenda em seu livro Antiqualhas e Memórias do Rio de Janeiro (1921) diz que por volta de 1575 a lagoa que ali existia era usada por índios (como local de banho) e por artesãos coloniais (para lavagem de couro). O triângulo vermelho marca a localização do Morro de Santo Antônio no Rio de Janeiro do século XIX. Espaço dedicado à alegria dos fiéis e religiosos do período colonial, o Morro de Santo Antônio passou, a partir do final do século XIX - 1863 ou 1894 - a abrigar a favela - assunto do Rio de Janeiro e do Brasil a partir do ano 110 em diante. .

A favela não expõe apenas as contradições de um Rio de Janeiro dividido social, econômica e culturalmente, mas também seus próprios paradoxos. Na verdade, os ganhos urbanos com a nova esplanada de Santo Antônio, muitas vezes anunciados (mesmo que ainda não tenham sido realizados), fortaleceriam a imagem de progresso do Rio de Janeiro (AMOROSO, 2009, p. 17). Antes disso, porém, foi construído outro espaço importante, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ).

119 Não é apenas o primeiro carro do Brasil – um Serpollet de fabricação francesa – que estreia no Rio de Janeiro. No subúrbio do Rio de Janeiro, onde crescemos e ainda moramos, o amor pelos carros é mais do que um sentimento genuíno.

Referências

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Pensar numa cidade sustentável e inteligente, não nos faz lembrar em calçadas, porém como vimos, o passeio é a base da mobilidade urbana, não existe transporte qualquer sem uma calçada,