O objetivo desta tese é estudar o fenômeno da violência doméstica no Brasil, bem como a compatibilidade da Lei Maria da Penha com a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, além de sua adequação hermenêutica com os dispositivos legais nacionais vigentes. . sistema. No contexto da análise crítica da Lei Maria da Penha, o trabalho é confrontado com a questão da constitucionalidade deste diploma.
NOTAS INTRODUTÓRIAS
Esses aspectos caracterizam a sociedade e o Estado democrático contemporâneo7, que formam o panorama teórico utilizado como pano de fundo para as análises realizadas neste trabalho. 7 Para o conceito de Estado democrático contemporâneo, adotamos o conceito de Paulo Márcio Cruz, para quem “o Estado democrático contemporâneo também é denominado Estado social, Estado de bem-estar social ou Estado social democrático, entendido como aquilo que existe na sociedade intervém para garantir oportunidades iguais.” oportunidades para seus cidadãos nos campos econômico, social e cultural” CRUZ, Paulo Márcio.
O CONCEITO DE DIREITOS HUMANOS E FUNDAMENTAIS
Os termos “direitos fundamentais” e “direitos humanos” (ou similares), embora comumente usados como sinônimos, referem-se a significados diferentes. Os direitos humanos são definidos como direitos subjetivos que podem ser reivindicados por qualquer pessoa em qualquer circunstância.
EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS DIREITOS HUMANOS E FUNDAMENTAIS
- OS DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES NA PRÉ-HISTÓRIA
- OS DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES NA IDADE ANTIGA
- OS DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES NA IDADE MÉDIA
- OS DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES NA IDADE MODERNA
- OS DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES NA IDADE
- OS DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES, NO BRASIL
No Brasil, assim como os processos revolucionários do mundo, o movimento para a conquista dos direitos humanos das mulheres foi lento, gradual e com muitos obstáculos, ao longo da história. Assim, do ponto de vista formal, existe atualmente um quadro jurídico dotado de institutos e procedimentos capazes de garantir os direitos humanos das mulheres.
A PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS DA MULHER NOS
Este instrumento internacional foi pioneiro na prestação explícita dos direitos humanos das mulheres e baseou-se no reconhecimento de que as práticas de discriminação contra as mulheres violam os princípios da igualdade de direitos e da protecção da dignidade humana, além de dificultar a participação das mulheres na esfera pública, tradicionalmente reservada às mulheres. homens. Embora representasse um grande progresso na concretização dos direitos humanos das mulheres, a Convenção CEDAW absteve-se completamente de regulamentar o tratamento da violência baseada no género, especialmente a violência doméstica cometida contra as mulheres, dentro do lar conjugal, e nem sequer catalogou esta prática horrível, que tem sido identificado em diversas sociedades, inclusive no Brasil, como uma forma de discriminação ou como um meio de dificultar o gozo igualitário de direitos das mulheres, o que tem dificultado o progresso na determinação dos Estados em implementar políticas capazes de coibir esse triste mal na sociedade contemporânea , com base na ligação destas ações com um ataque à dignidade humana. Na observação do TESCARI, os direitos das mulheres tinham até então sido tratados de forma compartimentada, o que impedia a percepção de que as violações destes direitos estivessem abrangidas pelo problema das violações dos direitos humanos.36.
Com efeito, as discussões em torno das diversas formas de agressão contra as mulheres, especialmente as cometidas no âmbito das relações domésticas, foram formalmente declaradas na Declaração de Viena como actos típicos de ataque aos direitos humanos das mulheres, uma vez que violam os aspectos da inalienabilidade, integridade e indivisibilidade dos direitos humanos universais. A Quarta Conferência das Nações Unidas sobre os Direitos da Mulher, denominada Declaração de Pequim, realizada na China em 1995, também parece ser um importante instrumento internacional na luta pela realização dos direitos humanos das mulheres. A nível regional, é um marco importante para a O Brasil definirá políticas de proteção aos direitos humanos das mulheres com destaque para as discussões no âmbito da Convenção Interamericana de Prevenção.
Nesta Convenção houve ampla discussão em torno do tema dos ataques aos Direitos Humanos das mulheres, e nessa ocasião foi aprovado o conceito de violência contra as mulheres, como qualquer ato ou comportamento baseado no gênero que cause morte, dano ou dano físico. sofrimento, sexual ou psicológico às mulheres, tanto na esfera pública como privada37. Como se pode verificar, o Brasil, como signatário dos diversos instrumentos internacionais que tratam da erradicação da violência contra as mulheres, já possuía documentos legais no nível do sistema jurídico, que era formalmente responsável pela elaboração de políticas públicas que tratassem do combate estas formas de ataques aos direitos humanos das mulheres. Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou de tratados internacionais dos quais a República Federativa do Brasil seja parte" e seu § 3º diz: "Tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos direitos que forem aprovados, em cada Câmara do Congresso Nacional, em dois turnos, com três quintos dos votos dos respectivos membros, equivalerão a emendas constitucionais”.
NOTAS INTRODUTÓRIAS
O FENÔMENO DA VIOLÊNCIA. CONCEITO E ABORDAGEM HISTÓRICA E
Este fenómeno é frequente em todas as organizações sociais, que integram o quotidiano dos mais diversos grupos humanos, quer na expressão de políticas de Estado, através de lutas pela conquista ou expansão de territórios, quer, por outro lado, na manutenção da defesa de interesses nos ataques, bem como se manifesta na individualidade, expressando-se na violência urbana, nos conflitos individuais nos seus mais diversos espaços, incluindo a manifestação da violência no espaço doméstico, no lar, no cotidiano privado das pessoas que formam a célula chamada unidade familiar. No que diz respeito à organização social do Estado brasileiro, somente a partir da década de 1970 é que o Brasil se caracterizou como uma sociedade industrializada com população predominantemente urbana. Como se pode observar, a mudança no cenário populacional brasileiro, evidenciada pelo significativo contingente migratório, provocou uma explosão demográfica nas grandes cidades brasileiras, formando grandes regiões metropolitanas, que, desde o seu surgimento, têm sido terreno fértil para a explosão da violência e criminalidade.
Mas para combater a violência é fundamental identificar as diferentes formas de violência, tais como: gangues, máfia, etc. A demonstração da instituição do medo e da insegurança, resultante da explosão da violência e da criminalidade, especialmente nos centros urbanos, surge da visibilidade do isolamento voluntário dos indivíduos, com a construção de enormes muros e grades em casas, prédios de apartamentos e escolas . como prova inequívoca de que a violência assombra a sociedade em todos os seus cantos. O que está claro é que o valor fundamental que orienta o comportamento das vítimas da enorme escalada de violência é a sobrevivência, no sentido estrito da palavra.
Contudo, a identificação da violência como um problema social é bastante recente, pois ainda é latente a adoção de meios repressivos por parte do Estado para o enfrentamento das questões sociais. Não é vista como uma forma de disciplina, mas como uma forma de opressão, de mutilação dos corpos das pessoas. Atualmente, é necessário tratar o fenômeno da violência de uma forma que possibilite relativizar o conceito de normalidade, que parece configurar-se como o espaço contra os espaços da anormalidade, nos mais diversos espaços da vida cotidiana, especialmente em o campo. das relações domésticas e familiares. , que passa a ser objeto de análise a seguir.
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER -
O Brasil foi um dos signatários desses instrumentos internacionais e integrou ao seu ordenamento jurídico interno as diferentes visões sobre políticas de combate a essa forma de agressão aos direitos humanos das mulheres. Pelo menos no nível formal, o Brasil já contava com instrumentos jurídicos destinados a coibir a violência doméstica no país desde a promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil em 1988, conforme previsto no artigo 226, § 8º: O Estado providenciará atendimento à família na pessoa de cada membro, criando mecanismos para coibir a violência em suas relações. É importante destacar que a norma constitucional indicava o apoio estatal na redução da violência doméstica ou familiar, no que diz respeito à proteção de todos os membros do núcleo familiar, sejam crianças, adultos, jovens, idosos, homens ou sejam mulheres. , em um sentido claro.
Uma vida sem violência é nosso direito, p. dois. . É indicativo que a Diretriz Constitucional Brasileira de 1988 está alinhada com o conceito de violência doméstica, conforme endossado pela ONU, na Convenção de Pequim. Embora a delimitação do tema deste trabalho se limite à análise da Lei Maria da Penha, é importante ressaltar em termos gerais que os três diplomas normativos fazem parte da ordem constitucional brasileira, visando o combate à violência doméstica. como expressão de uma política jurídica que visa concretizar o “cuidado”, como valor jurídico. Portanto, é neste contexto de implementação do princípio do cuidado, norteador do princípio da dignidade humana, que surge a Lei Maria da Penha, que constitui um importante instrumento jurídico, que deve ser gerido na perspectiva da política de proteção jurídica. familiares contra atos agressivos cometidos contra qualquer de seus membros, nos termos do comando constitucional.
No campo do controle penal da violência doméstica, é necessário ir além do modelo jurídico da família patriarcal vigente no Brasil, especialmente antes da Constituição da República de 1988, que introduziu um novo paradigma da unidade familiar baseado no respeito pela direitos humanos, a dignidade dos seus membros e a igualdade entre os cônjuges. Neste sentido, é necessário que as pessoas jurídicas, especialmente os juízes, compreendam a função social dos seus entendimentos, que devem estar em conformidade com a política jurídica de promoção da igualdade de género, em conformidade com o respeito pelos direitos humanos das mulheres. o propósito de promover a convivência entre os familiares, num ambiente sem qualquer violência, sob ameaça de perda de legitimidade social. Superada a necessidade de adequação de conceitos penais arcaicos relacionados ao tema da violência doméstica ao novo modelo jurídico-político instaurado no Brasil, a partir da Constituição da República de 1988, faz-se necessário analisar o fenômeno da violência doméstica. no brasil.
ANÁLISE DA LEI MARIA DA PENHA - ORIGENS E CONCEITOS
- ORIGEM DA LEI MARIA DA PENHA
A Lei de Justiça Maria da Penha: a eficácia da lei no combate à violência doméstica e familiar contra a mulher. Para entender o alcance da lei Maria da Penha é necessário avaliar cada tipo de ocorrência, que agora é realizada separadamente. Este ponto será reiterado posteriormente quando for analisada a constitucionalidade da Lei Maria da Penha.
A lei Maria da Penha na justiça: a eficácia da lei no combate à violência doméstica contra a mulher. Uma das principais inovações previstas pela lei Maria da Penha foi a criação de juizados de violência doméstica contra a mulher. Desta forma, deve-se reconhecer que a lei Mário da Penha não fere o princípio constitucional da igualdade.
O comando constitucional brasileiro, do qual se origina a base da lei Maria da Penha, não limita a proteção do fenômeno da violência doméstica às mulheres. Acreditamos que o mais grave é a visão preconceituosa da Lei Maria da Penha, que contempla apenas a violência doméstica e familiar cometida por homens. Compatibilizar os dispositivos da Lei Maria da Penha com o mandato constitucional previsto no art. 226, § 8º i.
A partir de agora, abordaremos a polêmica em torno da natureza da ação penal para crimes de lesão corporal, de natureza leve e negligente, cometidos no âmbito da lei Maria da Penha. No mesmo sentido, BASTOS argumenta que a ação penal nos crimes de lesões corporais leves e negligência regulamentados pela área de aplicação da lei Maria da Penha volta a ficar sem condicionamento público.102. 41 da lei Maria da Penha, que a ação penal é incondicional e, ao mesmo tempo, protegida, perante o artigo.
É nesse ambiente que se originou a Lei Maria da Penha no Brasil, através da promulgação da Lei nº. 11.340.