O corpus da pesquisa envolveu documentos elaborados pela secretaria municipal de educação de Salvador, notícias do site oficial, diários oficiais e legislação municipal de educação. CME Conselho Municipal de Educação CNI Confederação Nacional das Indústrias CNE Conselho Nacional de Educação.
OS APARELHOS PRIVADOS DE HEGEMONIA, SUAS CONCEPÇÕES DE
A RECONFIGURAÇÃO DA RELAÇÃO PÚBLICO-PRIVADO: OS CONCEITOS E
UM CONCEITO E SEUS USOS (CONTROVERSOS) NA RME: CIDADE EDUCADORA
O PAPEL DOS TÉCNICOS NA EXECUÇÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS
OS DESDOBRAMENTOS DOS PROGRAMAS DE PARCERIA NA PONTA: OS
OS CICLOS DE PARCERIAS E SUA LÓGICA PRIVATIZANTE: O MODUS
ANEXO C – LIVRO DO PROGRAMA CIDADE EDUCADORA – LARANJA 164
Para o efeito foram utilizados documentos estruturantes das parcerias público-privadas realizadas pela rede municipal no período definido. O segundo capítulo caracteriza as parcerias público-privadas em Salvador, buscando destacar suas implicações nas políticas públicas de educação na cidade.
MARCOS DO PÚBLICO PRIVADO NA POLÍTICA PÚBLICA EDUCACIONAL BRASILEIRA
O PÚBLICO–PRIVADO E SUAS MUTAÇÕES NO CONTEXTO NEOLIBERAL Em seu livro “Sobre História”, Eric Hobsbawm (1998) nos remete à importância do
Por exemplo, durante a ditadura civil-militar instalada no Brasil com o golpe de 1964, as forças do capital na linha de frente transformaram as ideias tecnocráticas sobre a administração pública e a organização da educação em pilares estratégicos para a abundância de negócios. uma base fundamental para o desenvolvimento do país. As escolas privadas e confessionais têm sido a base da educação brasileira desde os tempos coloniais, o que significa que o seu poder e capacidade de mobilização em torno das suas reivindicações têm uma longa história.
Os Fundamentos da Educação Nacional (LDBN), que, além dos métodos de financiamento e do papel do Estado na garantia do direito à educação, incentivou discussões sobre a liberdade de ensino e sua laicidade. A Constituição afirma que a educação é um direito de todos e dever do Estado e da família, e deve ser promovido e incentivado através de empresas de cooperação honesta (Art. 205).
OS APARELHOS PRIVADOS DE HEGEMONIA, SUAS CONCEPÇÕES DE EDUCAÇÃO E ESTRATÉGIAS
Mas esperava-se que a Constituição de 1988, que restaurou as garantias constitucionais suprimidas após o golpe de 1964, mudasse radicalmente a compreensão da educação no Brasil. Nota-se que as estratégias de alguns setores empresariais passaram a focar nos contornos da educação pública brasileira, reforçando as práticas introduzidas no contexto do golpe de 1964.
A RECONFIGURAÇÃO DA RELAÇÃO PÚBLICO-PRIVADO: OS CONCEITOS E SUAS IMPLICAÇÕES POLÍTICAS
O então ministro Fernando Haddad deu o nome de Todo Compromisso pela Educação à sua ação mais importante no campo da educação, o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). Considerando essas constatações, empresários fundaram o TPE com a missão de mudar o quadro educacional do país, principalmente no que diz respeito à qualidade do ensino.
AS PARCERIAS EM SALVADOR E OS SEUS CICLOS CONSTITUTIVOS
A GESTÃO DE JOÃO HENRIQUE NO CONTEXTO DO FÓRUM DE PARCEIROS DA EDUCAÇÃO PÚBLICA MUNICIPAL: UM LEGADO, ALGUMAS ESCOLHAS
Em 2002, a gestão do então prefeito Antônio Imbassahy, por meio da ministra da Educação Dirlene Matos Mendonça, publicou o Decreto 13.744, de 22 de julho de 2002, que alterou o regulamento da Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMEC), nomenclatura utilizada no temporada. Inicialmente, o governo João Henrique optou por dar continuidade às atividades do Fórum de Parceiros, tanto que em janeiro de 2005 publicou um edital8 no site oficial da Secretaria de Educação, convocando as entidades para a primeira reunião do novo mandato.
OS DOCUMENTOS NORTEADORES DA POLÍTICA PÚBLICA EDUCACIONAL ENTRE 2005 – 2012
- Um conceito e seus usos (controversos) na RME: Cidade Educadora Diferentemente do primeiro documento, o Salvador, cidade educadora: novas
Espera-se que esta ação esclareça possíveis dúvidas, ajude a orientar discussões e implementar esta política educacional na Rede Municipal de Ensino de Salvador. Em 2008 lançou o documento “Salvador, Cidade Educadora: novas perspectivas para a educação municipal” que traça as “contribuições curriculares para a educação infantil, ensino fundamental e educação de jovens e adultos – EJA da Rede Pública Escola Municipal de Educação de Salvador” ( SALVADOR, 2008, p. 3), sem renunciar aos pressupostos da missão, visão e diretrizes estratégicas da SMEC, que estão contidos no documento “Educação de qualidade, novos rumos para a cidade: política de educação pública municipal em Salvador A partir disso, os segmentos de ensino apresentados pela secretaria definiram suas diretrizes curriculares a partir do eixo central - Salvador: Cidade Educadora, entendida como “Cidade Educadora”, “o contexto plural, polissêmico e formativo, no qual as matrizes culturais extraem suas contribuições para a primeira capital do Brasil". Com natureza diferente do anterior (“Educação de qualidade, novos rumos para a cidade: política de educação pública municipal de Salvador), o documento Cidade Educadora buscou direcionar a prática pedagógica dos professores e coordenadores pedagógicos das escolas da RME.
Uma Cidade Educadora” e os Direcionamentos Estratégicos da Educação Municipal definidos no documento Educação de Qualidade: Novas Diretrizes para a Cidade.
Antes mesmo dessa dissolução, a nova gestão também passou a estabelecer parcerias diretamente com cada instituição que se apresentasse, e após a extinção do fórum, essa possibilidade se consolidou e passou a incluir modalidades distintas daquelas ligadas à Responsabilidade Social Empresarial (RSE), aquelas que envolveram dispêndio de recursos públicos para sua aquisição e desenvolvimento. E em 2005, a Secretaria começou a estabelecer parcerias, a primeira identificada foi com uma instituição de natureza que envolve transferências de fundos públicos, mas que foram acompanhadas por parcerias ligadas à Responsabilidade Social Empresarial. Verifica-se pela análise das duas tabelas que existiram parcerias da seguinte natureza: responsabilidade social corporativa; consultoria e venda de equipamentos didático-pedagógicos.
Destes, os três primeiros constituíram o universo da responsabilidade social empresarial, e o jornal A Tarde realizou projetos de transferência de recursos públicos em conjunto com as humanidades.
SALVADOR, CIDADE EDUCADORA E OS (DES)ENCONTROS ENTRE INTELECTUAIS E BUROCRATAS NA EFETIVAÇÃO DOS CICLOS DE
PROGRAMA CIDADE EDUCADORA E A EDITORA AYMARÁ
Alunos, familiares, professores, funcionários, gestores e demais membros da equipe pedagógica da Secretaria Municipal de Educação deverão atuar como agentes de desenvolvimento na comunidade, pois serão atores indispensáveis nas estratégias e projetos do Programa Cidade Educadora. Toda a rede foi acompanhada diariamente por visitas às escolas pela equipe pedagógica da Editora Aymará, sob supervisão da secretaria, acompanhando as atividades nas salas de aula e orientando os professores na utilização dos materiais do programa. Nos anos seguintes, sob a coordenação do Ministério da Educação municipal, foram realizados eventos e atividades do Programa Cidade Educadora em escolas e outros espaços do município, conforme consta do Relatório do Programa Cidade Educadora – Volume 1 (SALVADOR, 2009a, pág. 7).
A continuidade da parceria foi resultado de uma avaliação que avaliou positivamente suas ações por parte dos responsáveis: “o sucesso do programa fez com que ele se expandisse e chegasse a todas as escolas do ensino fundamental I, beneficiando alunos do 1º ao 5º ano” (SALVADOR, 2009b , p. 8), pelo qual entendemos dois ciclos de aprendizagem.
O ENCERRAMENTO DE UM CICLO
Desse modo, deduz-se que a adoção do conjunto de serviços agrupados no sistema de ensino privado da Editora Aymará apresentado à Secretaria de Educação salvadorenha reduziu a autonomia dos professores, uma vez que o material definia previamente o que e de que forma ensinar, tal como pode ser verificado com o acompanhamento dos agentes pedagógicos que visam garantir a utilização deste material nas escolas da rede. E ambos contribuíram para a padronização dos processos de ensino e serviram de base para a agenda de formação em serviço. E este universo tornou-se terreno fértil para as soluções criadas por este aparato privado de hegemonia ligado aos sistemas editoriais e educativos.
Dessa forma, é possível concluir que a adoção de Sistemas de Ensino Privado se configura como uma modalidade de privatização que se caracteriza pela difusão de uma visão, associada a uma prática de abertura para grupos empresariais atuarem em atividades antes exclusivas. . ao setor público.
OS AGENTES DAS POLÍTICAS PÚBLICAS
Mas é preciso ressaltar também que a partir do momento em que o governo ao qual está sujeito faz opções e faz suas escolhas com base na lógica do mercado, ele também se torna um fator dominante na implementação de políticas baseadas na lógica público-privada. , alinhado com a capacidade de gestão. Geralmente, um governo escolhe uma alternativa que “satisfaça” a realização dos objectivos políticos em vez de os maximizar. Em diversos momentos, como foi possível perceber, ações semelhantes foram desenvolvidas na mesma rede, cabendo aos técnicos dialogar, argumentar, justificar e convencer os sujeitos presentes de que tais ações contribuiriam para a melhoria do seu desempenho.
Dessa forma, as propostas das instituições implementadoras das parcerias ganharam ressonância nas escolas, a partir da disseminação do consenso, da crença de que tais ações ajudariam neste ou naquele problema por elas identificado.
O PAPEL DOS TÉCNICOS NA EXECUÇÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS EDUCACIONAIS
Quando os aparelhos hegemônicos privados se aproximam das secretarias de educação com seus projetos, programas e propostas educacionais, geralmente o fazem dirigidos aos secretários de educação, ou seja, ao cargo mais alto dessas instituições. Ao longo da gestão de João Henrique, a Câmara Municipal de Salvador não realizou concursos para cargos administrativos ou outras profissões para compor o quadro de pessoal da Secretaria de Educação. A última (e 2003) ocorreu sob a liderança de Antônio Imbassahy, mas cargos como psicólogos e assistentes sociais incluíam outras secretarias, o que levou a secretaria de educação a explorar a oportunidade de terceirização para formar o quadro de atendimento das escolas municipais.
Portanto, fica claro que é preciso manter essa ideia de ineficiência, baixa qualidade e falta de capacidade técnica das secretarias de educação para que possam promover a educação pública, sendo estes espaços os grandes transmissores dos ideais de educação burguesa.
OS DESDOBRAMENTOS DOS PROGRAMAS DE PARCERIA NA PONTA: OS RESULTADOS E A RECEPÇÃO DOS PROJETOS NA RME
Já a Cidade Educadora, desenvolvida pela Aymará, conforme mostra a Tabela 10, esteve presente em todas as escolas primárias da rede municipal de ensino de Salvador até o seu encerramento. Disponível em: http://educacao.salvador.ba.gov.br/vamos-foram-beneficiados-com-a-entrega-de-oculos-parceria-da-smec-com-a-sulamerica-seguros-e-instituto -Helen Keller/. Além disso, indicou que a capacitação para sua implementação esteve presente nas jornadas pedagógicas de 2008 e também de 2009, o que expressa seu alcance entre os profissionais que atuam nas escolas da rede.
Dessa forma, os efeitos do pacote Aymará nas escolas municipais foram além de disciplinas como as de Adrião et al. 2016) traz quando os processos foram suspensos pela impossibilidade de utilização do material embargado pelo Ministério Público, conforme afirmado anteriormente no Capítulo 2.
OS CICLOS DE PARCERIAS E SUA LÓGICA PRIVATIZANTE: O MODUS OPERANDI DO GERENCIALISMO
Dimensões e formas de privatização da educação no Brasil: caracterização a partir do mapeamento das produções nacionais e internacionais. Uma forma especial de privatização do ensino público: a tomada dos 'sistemas de ensino' pelos municípios de São Paulo. Acompanhando os circuitos da história e o equilíbrio da educação no Brasil. primeira década do século XXI.
Dispõe sobre o plano de carreira e remuneração dos servidores educacionais do Município de Salvador e dá outras providências. Relações Público-Privadas: A Liderança Pedagógica da Educação no Mestrado do Instituto Ayrton Senna. Examinar as novas normas de gestão e organização do trabalho introduzidas pelo Ministério da Educação de Sergipe (2003 a 2006) e seus impactos no trabalho dos profissionais da educação (professores e pedagogos que exercem funções técnico-pedagógicas).