Pós-doutora em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Pelotas-RS, Brasil. Pós-doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte-MG, Brasil.
HISTÓRIA, PSICANÁLISE E LITERATURA
ARTE / FATO
O fantástico em A travessia dos sempre vivos de Tereza Albues: a (re)(des)construção identitária
LITERATURA E (IN)FORMAÇÃO
150 O visível e o invisível: uma leitura especulativa de Le peintre de la vie moderne Gabriel Loureiro Pereira da Mota Ramos (UFPE).
QUESTÕES DE (CON)TEXTO
CHAMADA E NORMAS PARA PUBLICAÇÃO
Apresentação
LITERATURA SEM FRONTEIRAS
Por fim, vale lembrar outro tipo de transbordamento, que está relacionado ao tema da literatura sem fronteiras. O primeiro é Literatura e imagens mentais: uma abordagem tripartida do arquétipo da infância em Ocean at the End of the Road, de Neil Gaiman.
Artigos
Filosofia, política e literatura
A NARRATIVA LATINO-AMERICANA COMO MÁQUINA DE ROMANCEAR A VIOLÊNCIA DE ESTADO: UMA ANÁLISE SOBRE O
ESPÍRITO DOS MEUS PAIS CONTINUA A SUBIR NA CHUVA 1
ISSN eISSN https://revista.uniandrade.br/index.php/ScriptaAlumni/index Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Attribution 3.0. ISSN eISSN https://revista.uniandrade.br/index.php/ScriptaAlumni/index Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Attribution 3.0.
INTRODUÇÃO
À medida que as gerações se sucedem, o que Marianne Hirsch chamou de “pós-memória” (HIRSCH, 2012, p. 5) ganha força: uma sombra que não se apaga, uma dor indescritível que se alastra como uma doença hereditária mesmo entre aqueles, que não são vivendo diretamente a violência. Assim, a última parte deste trabalho estabelecerá uma base teórica sobre os autoritarismos latino-americanos e a pós-memória em diálogo com o romance da escritora e jornalista Patrícia Pron (2011), O espírito dos meus pais continua subindo na chuva, em uma tentativa de ilustrar e continuar a discussão estabelecida.
DA LITERATURA E DO REAL
Em outra obra, também com conexões políticas, esse enfraquecimento do real aparece deliberadamente como aspecto central da narrativa: Ele voltou, do alemão Timur Vermes. Mas é em sua versão em outras mídias que o elemento de realidade se torna mais evidente.
UM ROMANCE SOBRE A DITADURA ARGENTINA: ENTRE O POLICIAL, A PÓS-MEMÓRIA E A AUTOFICÇÃO
Por confusão, confusão, esquecimento por parte do narrador ou do personagem, essas narrativas produzidas na América Latina têm sua trama refinada pelos artifícios literários únicos que estão presentes no livro de Pron. Detalhando as características do arquivo, sabemos que se trata de um arquivo contendo fotografias, recortes de jornais, manchetes sobre o desaparecimento de Alberto José Burdisso.
CONCLUSÃO
Sua entrada nesse ambiente pode ser vista como o início de um processo de conscientização. Enquanto o pai utilizava um método de arquivamento muito próximo ao descrito por Derrida, para quem "o arquivo não deve ser confundido com a memória, ao contrário, ele existe no lugar da memória" (DERRIDA, 2011, p.27), o filho fez o caminho inverso, por meio de um método de prova (GINZBURG, 2007).
Trata-se de verificar se a ficção da Era Estética definia padrões de conexão entre a apresentação dos fatos e as formas de compreensão que borravam a linha entre a razão dos fatos e a ficção, e que esses modos de conexão foram retomados por historiadores e analistas . da realidade. Social. Disponível em: https://congressoemfoco.uol.com.br/exercito-brasileiro/braga-netto-ameaca-golpe-em-meio-a-denuncias-de-militares-pela-cpida-da-covid/.
O PALCO SOCIAL ALINHADO ÀS CARACTERÍSTICAS BRECHTIANAS EM SIX DEGREES OF SEPARATION, DE JOHN GUARE 1
Nosso trabalho busca analisar elementos presentes na peça Seis Graus de Isolamento, de John Guare, em relação à teoria do drama social de Erving Goffman e às características do teatro épico de Bertolt Brecht, conforme explicitado em Rosenfeld (1965). Para tanto, com a ajuda de Bornheim (1992), faremos uma breve exposição de cada conceito - teatro social e teatro épico - a fim de situar o objeto de análise em um contexto que permita uma convergência de características, especialmente no esfera social.
O TEATRO ÉPICO
Assim, seguem as considerações de Willet, visando esclarecer as principais diferenças entre as peças realistas, ou seja, produções dramáticas, e as peças do teatro épico brechtiano. Nesse contexto, "a solidão, aliada à sensação de vazio, rompe a situação dialógica e sua dramatização conduz quase necessariamente a resoluções lírico-épicas" (p. 71), trazendo à tona episódios alienantes do teatro épico como forma de dissolução do diálogo.
O PALCO SOCIAL DE ERVING GOFFMAN
As pessoas agiriam não apenas estimulando respostas, mas também definindo a situação em que se encontram. Tais atividades podem ser vistas como uma rota de fuga das principais linhas de atividade individual.
SIX DEGREES OF SEPARATION
O jovem casal ingênuo é novo na cidade grande e, com base no engano de Paul, o convida para morar com eles até que ele resolva as coisas com seu pai rico - que Paul diz ser Flan Kittredge. O trio forma uma bela amizade, com Paul se abrindo sobre seu relacionamento disfuncional com seu pai racista.
ASPECTOS BRECHTIANOS EM SIX DEGREES OF SEPARATION
A posição de Geoffrey sobre a questão negra em seu país, a África do Sul, também indicaria a missão de um homem branco que deve difundir a cultura de outra etnia. Ao final da peça, Ouisa parece ter mudado de atitude – ou seja, ela humaniza Paul e percebe que o casal jogou deliberadamente com o desejo e a ambição de um jovem que não teve as mesmas oportunidades que os dois. .
A TEORIA DO TEATRO SOCIAL EM SIX DEGREES OF SEPARATION
Esta é uma consequência direta do sistema capitalista, razão pela qual a análise do teatro épico de Bertolt Brecht, ativamente militante, juntamente com a teoria do palco social de Erving Goffman, tornou-se relevante. Portanto, conclui-se que a teoria do teatro social de Erving Goffman na obra Seis graus de separação de John Guare vai além do enquadramento do indivíduo e beneficia apenas o indivíduo que se disfarça de grupo social, confirmando seu esforço.
A VIAGEM SIMBÓLICA E FILOSÓFICA DE CECÍLIA MEIRELES 1
THE SYMBOLIC AND PHILOSOPHICAL JOURNEY OF CECÍLIA MEIRELES
Neste trabalho, analisaremos algumas crônicas de viagem de Cecília Meireles presentes em seus três volumes de Crônicas de Viagem. As viagens de Cecília Meireles são como uma partida para o infinito, pois representam uma busca pela eternidade no momento presente.
CECÍLIA MEIRELES E A REINVENÇÃO DA VIDA PELO ITINERÁRIO
É assim que Cecília Meireles também usufrui dos seus percursos, e faz uma comunicação sensível entre o olhar e o visto, entre o percebido e o lembrado. Cecília Meireles preparou-se conscientemente para conhecer pessoas de diferentes culturas, pois em suas crônicas não vemos comparações absurdas entre a estranheza dos lugares visitados e o que se costuma observar, como os turistas.
A ELEVAÇÃO TRANSCENDENTAL DE CECÍLIA MEIRELES
Essa fuga do mundo material e profano no deslocamento da viagem é o início da jornada mitológica e filosófica de Cecília Meireles. Lembremos aqui que Cecília Meireles é uma viajante tradicional, que guia suas viagens pelo olhar.
LIVROS, ESSES PEQUENOS DEUSES
No caso de A Biblioteca, essa confusão não é tão explícita, mas é a forma como se deu a decisão de leitura que aqui se apresenta. Há um desvio no percurso do narrador em A Biblioteca que se dá por um processo inverso: ele nunca havia estado na cidade até os quinze anos.
O TEMOR DE PLATÃO
Lá conhece um caixeiro-viajante e aprende a escrever – ouviu falar do mar, não da escrita (CARDOSO, 2017). Fascinado pelo processo de colocar palavras no papel, decidiu que aprenderia a fazê-lo e que não voltaria para casa.
ADORADOR E ADORADOS
Comecei a usar as mentiras como companhia, e gostava mais delas do que das conversas com os outros presos. Também já não se importava com a branda realidade ou com a memória – em sua opinião, e ao contrário do que pregava Sócrates (PLATÃO, 2000), “Mais tolo que puta velha” (CARDOSO, 2017, p. 59). ).
UM FIM SEM FIM
Atormentada pelo ciúme da irmã e pela frustração de um amor não correspondido, ela aprendera a escrever para transformar tudo que a incomodava em algo bom. Em Troca e Tarefa, a ênfase no poder transformador da literatura leva a uma visão da escrita como remédio, como bem essencial.
DULCE ESTEVE LÁ
Na leitura de abertura da novela A Biblioteca, que se baseia no conceito da palavra escrita como fármaco, foi mostrado o embate do texto como remédio e veneno, que a protagonista enfrentava e que os personagens de algumas outras obras, como como Dom Quixote (CERVANTES, 2013), Madame Bovary (FLAUBERT, 2010), À Beira do Soneto (ESPANCA, 2007) e A Substituição e Tarefa (NUNES, 1997). Se havia Dulce Cardoso, lendo ou escrevendo, nos mundos que ela criou, ela estava lá, na biblioteca.
História, psicanálise e literatura
LITERATURA E IMAGENS MENTAIS: UMA ABORDAGEM TRÍPLICE DO ARQUÉTIPO DA INFÂNCIA EM O OCEANO NO FIM DO CAMINHO,
DE NEIL GAIMAN 1
Esta proposta de tríplice abordagem à interpretação de imagens artísticas é o que pretendemos adaptar neste artigo e aplicar à análise da imagem mental. Uma imagem artística seria, portanto, aquela que está presente em um objeto material, físico, imbuído de estética artística, ou uma forma visual identificada como arte4.
Tomemos agora especificamente a imagem da infância como arquétipo: o modelo ou imagem mental que analisaremos pelo método proposto por Freitas. Por meio de uma abordagem social seria, portanto, possível identificar como e por que a imagem mental (ou pintura) que Gaiman cria da infância é o que é e como se relaciona com outras representações desse mesmo arquétipo.
A AMBIVALÊNCIA MATERNA EM CORALINE DE NEIL GAIMAN (2003) 1 MATERNAL AMBIVALENCE IN CORALINE BY NEIL GAIMAN (2003)
No dia seguinte, depois de visitar suas vizinhas, a Srta. Spink e a Srta. Forcible, além de ter uma conversa rápida com a vizinha do andar de cima que treina ratos, Coraline volta para sua casa. Embora este outro mundo seja tentador, Coraline retorna ao seu verdadeiro lar, percebendo que seus pais ainda não voltaram.
MÃE BOA VERSUS MÃE MÁ
A partir das vivências de Coraline, neste artigo procuramos analisar a figura materna e como ela afeta direta e indiretamente a personagem, por meio da figura da Mãe e da Outra Mãe. Dessa forma, fica clara a ligação entre o mito de Narciso e o mito do amor materno, pois ambos mostram o grande peso da responsabilidade da mãe e sua obrigação para com a prole.
Arte / fato
LOURENÇOS E O GRIFO DE ABDERA: UMA PARÓDIA DE SI 1LOURENÇOS E O GRIFO DE ABDERA: UMA PARÓDIA DE SI.
LOURENÇOS E O GRIFO DE ABDERA: A PARÓDIA DE SI MESMO 1 LOURENÇOS AND O GRIFO DE ABDERA: A PARODY OF ITSELF
Um dos aspectos muito atuais desse conceito é olhar para o passado, obras e eventos; não de forma classicista, dirigida a uma nobreza antiga, mas de forma questionadora. Essa prática, que ganha corpo ainda mais denso na contemporaneidade, tem grande potência, a partir de uma paródia autorreferencial, na obra que abordaremos neste artigo: O grifo de Abdera, de Lourenço Mutarelli.
LOURENÇO MUTARELLI
As imagens de página inteira são isoladas dos fragmentos de texto verbal, mas se conectam entre si em uma complexa relação texto/imagem. A busca pelas fronteiras das linguagens fica explícita nessa obra e parece ser uma parte importante da obra do autor.
O GRIFO DE ABDERA: O LIVRO QUE CRIA O AUTOR
O grifo de Abdera não deixa de se envolver com essas complexidades, que podem ser observadas na arte latina. Quando o narrador passa a discorrer sobre sua obra, “'Uma Ocasião Exterior'” (MUTARELLI, 2015, p. 68, grifos no original), na qual assume a carreira solo, com nome próprio, Mauro Tule Cornelli, esta obra . é fictício e não se relaciona com nenhuma publicação de Lourenço Mutarelli.
O LIVRO É O ARTISTA: XXX, OLIVER MULATO E O MUTARELLI INICIAL
A metaficção de O grifo de Abdera é construída sobre uma mise en abyme de narrativas autorreferenciais, o que dificulta qualquer explicação contundente do sentido, tudo permanece em constante contradição. Mas longe de uma abordagem dramática, em O grifo de Abdera, o autor ri de si mesmo e transfere o que fez no início da carreira para uma obra hermética, de mau gosto e beirando o nonsense.
RESUMO: Este trabalho se propõe a refletir sobre a (re)estruturação das memórias individuais e coletivas na (re)(des)construção da identidade da personagem Taisha, elemento catalisador na trama do romance A Encruzilhada da Eterna Teresa . Álbuns. RESUMO: Este trabalho se propõe a refletir sobre a (re)estruturação das memórias individuais e coletivas na (re)(des)construção da identidade da personagem Taisha, catalisadora da trama do romance “A Travessia do Eterno”, de Tereza Albue Vivendo".
O FANTÁSTICO
Segundo o estudioso português, as incertezas suscitadas pelo conto fantástico não podem em momento algum ser esclarecidas. Nesse sentido, o crítico observa que: "É, portanto, a criação e sobretudo a perpetuação da ambigüidade por meio da narrativa que principalmente distingue o fantástico dos dois gêneros a ele adjacentes" (FURTADO, 1980, p. 36) ; e conclui: "Um texto, portanto, só faz parte do fantástico quando, além de suscitar a ambigüidade, o mantém pela ação" (p. 40).
As transformações pelas quais a própria Taisha passou ao longo de sua jornada refutam essa ideia de um "eu real" engessado. Para a ida de Taisha ao Livramento, está relacionado ao fato de ela não ter conhecido o bisavô.
Literatura e (in)formação
RESUMO: Este artigo desenvolve uma investigação especulativa sobre a relação entre tempo e experiência estética concebida por Baudelaire em Le peintre de la vie moderne. RESUMO: Este artigo desenvolve uma reflexão especulativa sobre a relação entre tempo, subjetividade e experiência estética, conforme proposto por Baudelaire em seu ensaio Le peintre de la vie moderne.
LEITURA ESPECULATIVA COMO INDAGAÇÃO DO ESTÉTICO
Na medida em que Geist é espírito autopensante, o meio adequado pelo qual ele pode se conhecer e se pensar é a proposição especulativa, a única capaz de articular a ideia. É o desenvolvimento de tal dialética que nos permitirá compreender como Baudelaire oferece uma sutil noção de forma literária, articulada com a ideia do mundo como um infinito inesgotável e ilimitado, em que o fenômeno literário aparece no estado paradoxal . de uma contingência universal, ou seja, eterno-transitório.
A TEORIA RACIONAL E HISTÓRICA DO BELO
Diferentemente de Jauss, queremos enfatizar a presença de duas dimensões na compreensão do tempo que estão presentes neste ensaio. Portanto, a nosso ver, a resposta a essa questão está no segundo nível de compreensão do tempo, por meio do qual ele se articula à subjetividade e à figura reflexiva do sempre-já-passado.
TEMPO, SUBJETIVIDADE, DESEJO
Agora começamos a ver como os dois níveis de tempo estão conectados: por meio da subjetividade desejante, o tempo como figura reflexiva do passado sempre-agora permite pensar a modernidade como uma época, como uma condição histórica sem coordenadas fixas. O desejo, criado pelo tempo como figura reflexiva do sempre-passado, possibilita a estética e lança, para usar a expressão de Costa Lima (2000), o sujeito fora de si.
HISTÓRIA E ESTÉTICA – O MODERNISMO DE MADAME POMMERY 1
Analisando esse contexto, buscaremos demonstrar como o romance Madame Pommery, de José Maria de Toledo Malta e publicado sob o pseudônimo de Hilário Tácito, estabelece relações com o espaço-tempo e com as condições sócio-históricas e culturais da capital paulista. São Paulo. na chamada Belle Époque, que extrapola os limites do texto literário e se torna uma obra de valor documental. Procuraremos demonstrar como tais recursos hibridizam e remodelam significativamente o processo narrativo, diluem as fronteiras entre os gêneros literários e colocam Madame Pommery na posição de uma obra que aponta novos caminhos para a literatura brasileira.
CONTEXTUALIZANDO POMMERY NA BELLE ÉPOQUE PAULISTA
3 Joseph-Antoine Bouvard foi um arquiteto francês que elaborou um projeto para a cidade de São Paulo que ficou conhecido como Plano Bouvard para São Paulo. Francisco Foot Hardman, no prefácio da quinta edição do romance, testemunha que Madame Pommery relata a domesticação da cidade de São Paulo e sua transformação em uma metrópole cosmopolita totalmente dominada pelo valor de troca (HARDMAN, 1992, p. 10).
HIBRIDISMO E INTERDISCURSIVIDADE
O narrador monta, assim, um jogo de afirmação e contradição, no qual se manifesta um dos traços mais característicos da obra: a ironia. Porém, toda essa interdiscursividade presente em Madame Pommery não é utilizada como material básico da narrativa.
Questões de (con)texto
Maria Lucia Guimarães de Faria, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro-RJ, Brasil. 2 Doutoranda do Curso de Letras Vernáculas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro-RJ, Brasil.
O BEIJO E O PRIMEIRO BEIJO: AS TRAMAS
Em O Beijo, conto de 1887, Chekhov apresenta-nos uma série de personagens, com destaque para o personagem principal, o Capitão Ryabovitch, um tímido soldado da brigada de artilharia, "um oficial baixinho, um tanto encurvado, de óculos e bigodes que um lince" (TCHEKHOV, 2014, p. 17). Percebendo imediatamente o erro, "aquele que o beijou soltou um gritinho e, foi a impressão de Riabovitch, afastou-se dele enojado, em 'um movimento brusco" (TCHEKHOV , 2014, p. 20); e o capitão, por sua vez, “mal gritou, e correu para a fresta bem iluminada da porta..” (p. 20).
A SUBVERSÃO DA CRONOLOGIA
A representação psicológica das emoções é rejeitada, porque o sentido da existência é acordado através da experiência metamórfica da alteridade, e não através do sentido da subjetividade egocêntrica monádica. Nesse sentido, O Beijo torna-se um paradigma da arte tchekhov dos contos, que “traz para a literatura a grande riqueza de seu mundo interior, sua agudíssima penetração psicológica” (SCHNAIDERMAN, 2014, p. 7).
A PRIMAZIA DAS REFLEXÕES
SCHNAIDERMAN, 2014, p. 7), argumentamos agora que First Kiss é um exemplo paradigmático da contribuição única de Clarice Lispector para a arte do conto. Se a verdade da tragédia grega se concentra na compreensão e interpretação das emoções, mas não na representação das ações (SOUZA, 2017, p. 25), a prosa de O beijo e O primeiro beijo também nos convida.