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Suicídio e os Desafios para a Psicologia

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Academic year: 2023

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O livro “Suicídio e desafios para a psicologia” tem caráter ainda mais especial por registrar o último texto da psicóloga uruguaia Blanca Susana Werlang, falecida em novembro, em decorrência de um câncer. Com o objetivo de aproximar os psicólogos do tema, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) publica esta publicação “Suicídio e desafios para a psicologia”.

SUICÍDIO: UMA QUESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA E

UM DESAFIO PARA A PSICOLOGIA CLÍNICA

Capítulo i

Deve-se ter em mente que toda morte revela algo sobre a sociedade em que ocorre. Gostaria de refletir com vocês sobre o que estamos fazendo que é muito diferente do que o senhor Inácio Gonzales Olivares expressou sobre a sociedade em que viveu, em seu momento histórico, em relação à questão do suicídio.

Capítulo ii

Esperava-se que os municípios e estados, por meio de suas secretarias de saúde, incentivassem a criação de equipes que pudessem atuar na prevenção do comportamento suicida. Prevenir o comportamento suicida não é apenas um grande desafio para a psicologia, mas para a sociedade como um todo, pois é um desafio social, económico e político.

Capítulo iii

Portanto, na tentativa de suicídio, mais do que um ato para chamar a atenção, é um ato para buscar atenção. Em geral, o que um psicólogo pode fazer diante de um sujeito que decide morrer?

Parte ii

SUICÍDIO: O LUTO DOS SOBREVIVENTES

Capítulo iV

Mas o impacto de uma tentativa de suicídio ou suicídio não se limita à pessoa em processo de sofrimento. O impacto de ser um sobrevivente é tão significativo que ter mantido um relacionamento com alguém que cometeu suicídio é um dos principais indicadores de risco futuro de suicídio. Estudar os processos de ser sobrevivente também nos ajuda a compreender o processo de sofrimento antecipatório em uma família que acompanha uma pessoa em sofrimento grave com ameaça de suicídio.

As reações que temos diante do risco de suicídio ou suicídio provocam emoções muito poderosas: medo, culpa, raiva, tristeza, ansiedade, vergonha, saudade. Então o que aparece como tentativa de suicídio é na verdade um indicador, ou seja, um sintoma de um processo de sofrimento muito maior, como um último pedido de socorro. Não é a atividade técnica que parece ser o maior obstáculo ao exercício profissional diante do risco de suicídio.

Confrontar alguém que chama a nossa atenção profissional através de uma tentativa de suicídio pode evocar sentimentos bastante conflitantes.

Capítulo Vi

  • Estado de choque
  • alívio
  • Catarse (do grego “purga” e “purificação”)
  • Depressão
  • Culpa
  • Preocupação com a perda
  • Raiva

Suicídio e desafios para a psicologia A história de vida coletada em casos de suicídio permite observar que a inculturação desde a primeira infância se dá no contexto da violência estrutural em uma sociedade em que os métodos de punição e a satisfação familiar são variáveis ​​(flexibilidade - rigidez). A culpa se manifesta de diversas formas, muitas vezes imaginárias, pois pode ser consciente ou inconsciente. Nas sociedades indígenas, a culpa pode se estender à família de um dos cônjuges, por exemplo: no caso de suicídio de um casal, a família do marido acusou a família da esposa de assassinar o casal e fingir suicídio, e vice-versa.

As pessoas sentem raiva por não intervirem para prevenir o suicídio, o que é diferente da culpa – que pode ser expressa como um sentimento autodestrutivo. Nessa percepção subjetiva da perda, deve-se observar também a percepção de habilidades para lidar com ela, para estimular ou apoiar os recursos adaptativos da pessoa à nova situação. Os esforços para reduzir o impacto da perda podem ser mesclados com ações reativas e/ou proativas de proteção e apoio, dependendo dos sintomas e momentos do processo de luto.

A pós-avenção na sociedade indígena requer conhecimento aprofundado das características dos eventos suicidas como condição necessária para intervenção no processo de luto.

Parte iii

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Capítulo Vii

Perguntas respondidas

Além disso, é sabido que a religião é entendida pelas instituições oficiais como um elemento positivo no que diz respeito à manutenção da religião. Como mencionei antes, não concordo em chamar de suicídio certas mortes de crianças, causadas pelas próprias crianças. Além disso, mesmo o que é conhecido como para-suicídio, ou seja, uma tentativa que não tem a intenção de tirar a própria vida, pode, portanto, ter um fim trágico entre as crianças.

Situações de violência, seja física ou psicológica, certamente contribuem para que as pessoas, em geral, busquem a morte como forma de escapar do destino que lhes é apresentado. A análise que muitas vezes se faz é que a leitura do livro causou morte ou infectou os leitores. Caso haja tentativa de suicídio, você acredita que a família deve ser monitorada?

Concordo plenamente que este é um apelo ao outro devido à incapacidade de suportar este sofrimento.

Capítulo Viii

Perguntas respondidas por Carlos Coloma

Na suicidologia, recomenda-se que a intensidade dos sintomas listados abaixo seja levada em consideração na avaliação do risco de suicídio. Esta deve ser considerada como uma energia psicológica que canaliza o esforço para a tentativa de suicídio. Finalmente, existem poucos estudos avaliativos de programas de prevenção que utilizam a Internet para prestar serviços a jovens com pensamentos suicidas ou em risco de suicídio.

Em relação às questões sobre gestão e intervenção do risco de suicídio, é necessário um conhecimento profundo da Suicidologia. Um exemplo é o instrumento Suicide Status Form (Jobes, 2006)16, que é utilizado na entrevista inicial do paciente para avaliar o risco de suicídio. Lembro que é necessário conhecimento específico e experiência supervisionada para atender um paciente suicida.

O suicídio e os desafios para a Psicologia As tentativas de suicídio também são entendidas como um pedido de ajuda, essas tentativas podem ser repetidas caso os fatores geradores do comportamento suicida ainda estejam presentes.

Capítulo iX

Perguntas respondidas por Soraya Carvalho Rigo

Considerando que o sigilo profissional faz parte do nosso código de ética, o que fazer diante do anúncio de suicídio de um paciente. Mas nos casos de depressão grave, especialmente o que chamamos de melancolia e que na nosografia psiquiátrica equivale ao transtorno bipolar e à depressão grave, o risco de suicídio é alto. Além disso, se metade das pessoas que cometem suicídio têm histórico de tentativa anterior de suicídio, isso torna-o um importante fator de risco para o suicídio.

E se, diante da sua dor, a pessoa que deveria protegê-lo o tratar com desprezo e desrespeito, isso sem dúvida aumentará o seu risco de suicídio. Na família da minha mãe ocorreram exatamente cinco casos de suicídio (um dos irmãos da minha mãe, tio, primo, outro primo e outro tio). O que posso te dizer primeiro é que o suicídio na família é considerado um fator de risco para o suicídio.

Quando confrontado com a ação ou anúncio de suicídio de um paciente, independentemente de como isso “parece” ser no enunciado ou na transição para a ação, procuro sempre agir com a mesma seriedade e preocupação.

Perguntas respondidas por Lúcia Cecília da Silva

Nos adolescentes, nas crianças mais velhas, nos jovens nas universidades, nos currículos dos cursos de saúde, no local de trabalho, nos ambientes de saúde, nos contextos de saúde, devem ser proporcionados espaços onde seja possível refletir e, sobretudo, partilhar experiências. Christian25 – Referem-se ao processo de “vigilância” à luz dos problemas enfrentados pelo suicídio, mas dentro da concepção da fenomenologia é perceptível que o indivíduo tem liberdade para realizar suas escolhas na vida. No que diz respeito à vigilância, há que ter em conta o facto de a saúde pública ser um contexto particular de vigilância, controlo e prevenção do suicídio, no sentido de que será dada atenção à epidemiologia e aos números.

É claro que há outros factores a considerar, tais como a influência de outras pessoas, bem como o facto de a nossa própria sociedade ser actualmente muito autodestrutiva. Então, o foco não deve ser só nela, mas na dinâmica, tentando entender o que faz com que essa criança se mutile, por exemplo, ou o que faz com que ela seja agressiva e tenha comportamento destrutivo. Quando falamos em suicídio, estamos tratando de vários aspectos, porque estamos falando de um fenômeno, de um sinal, de uma condição, de uma situação social, enfim, de uma sociedade que não tem condições de cuidar de seus membros, de uma sociedade que é muito autodestrutivo.

Capítulo Xi

Perguntas respondidas por Marcelo da Silva Araújo Tavares

Nunca se esquece a perda de um vínculo, de uma relação afetiva que é tão importante quanto alguém da família, mas é preciso dar algum sentido a isso e a criança também tem que encontrar algum sentido nessa perda. Pesquisas recentes mostraram que os idosos que têm apoio social, se relacionam com outros idosos e realizam atividades significativas, vivem com melhor qualidade de vida, são mais capazes de se adaptar às perdas naturais do processo de envelhecimento e têm menos probabilidade de sofrer de doenças como a depressão. É preciso estar atento aos vínculos, aos relacionamentos, ao sentido da vida, aos projetos de vida, até.

Finalmente, a nossa sociedade ainda não discutiu seriamente o que significa morrer com dignidade, o que significa ajudar uma pessoa idosa e estar consciente do processo de envelhecimento e de morrer. A morte é falada como um acontecimento único que acontece na vida de uma pessoa, e na verdade a palavra morrer seria a mais adequada, pois morrer é um processo da vida. Se cada pessoa pudesse vivenciar isso de forma mais plena, acredito que o risco de suicídio seria menor para essas pessoas.

Quem vivencia um processo de exclusão, identificado de alguma forma com um grupo minoritário, de alguma forma tem problemas maiores, pois vivencia um estresse mais agudo e intenso.

Capítulo Xii

Perguntas respondidas por Blanca Werlang

O suicídio e os desafios para a psicologia Embora se publique mais sobre o suicídio em contextos sociais e económicos mais vulneráveis, este acontece em todas as classes sociais e faixas etárias. Portanto, não podemos deixar de pensar que eventos traumáticos na infância também são fatores de risco para o suicídio. Assim, nos mostra que a diversidade de estados está presente e, portanto, para funcionar de forma preventiva, os programas devem estar efetivamente vinculados a uma visão do homem e da sociedade, ou seja, ao tipo de característica que aquele estado, que o comunidade tem como forma de se relacionar, como forma de organizar sua vida.

Débora38 – O que nós psicólogos podemos fazer para intervir no campo da saúde pública para tentar resolver ou amenizar a situação. Primeiramente, o psicólogo que atua nessa área, seja nos centros de saúde, CAP e NASF, enfim, na Atenção Básica à Saúde, deve ser qualificado, para que possa identificar alguns aspectos que podem levar aos riscos de suicídio. Suicídio e desafios para a psicologia Luiz39 – Existem pesquisas sobre a relação entre o discurso suicida (a pessoa diz que vai se matar) e o comportamento suicida (a pessoa se mata).

O suicídio sempre foi maior a partir dos 50 anos, principalmente entre os idosos, mas hoje esses números estão distribuídos de forma diferente e temos pessoas muito jovens que estão pensando, tentando ou cometendo suicídio.

Referências

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Logo, os atores que atuam dentro da Secretaria de Saúde do DF e que participam da Política Distrital de Prevenção do Suicídio são compostos por: Diretoria de Saúde