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Tatiane Muniz Barbosa.pdf - Univali

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Academic year: 2023

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A Constituição Federal de 1988 e a Lei Orgânica da Saúde estabeleceram um sistema único de saúde e assim algumas diretrizes passaram a nortear a saúde no Brasil. A população do estudo foi constituída por orientadores de usuários, membros do Conselho Municipal de Saúde de Itajaí/SC, cuja coleta de dados foi feita por meio de observação participante, grupos focais (representação) e entrevistas em profundidade. Os conselhos gestores de saúde representam um desses espaços institucionais onde poderiam ser desenvolvidos aspectos que teriam efeitos positivos, tanto no desenvolvimento pessoal de seus membros, como na possibilidade de melhor representação de suas bases.

Portanto, esta pesquisa teve como objetivo compreender a composição dos representantes dos usuários como sujeitos históricos (empoderamento) no processo de participação no Conselho Municipal de Saúde de Itajaí-SC e investigar a relação entre o vereador, o grupo que ele representa e o conselho no qual trabalha (representação) – Conselho Municipal de Saúde de Itajaí-SC. Acredito que a problemática deste trabalho possibilita a compreensão de novas expressões para a representação e empoderamento de usuários-assessores em Conselhos Gestores de Políticas Públicas, contribuindo com algumas respostas, que podem ajudar a fortalecer alguns atores que podem ter forte influência positiva. para a consolidação do Sistema Único de Saúde.

M ARCO TEÓRICO

O processo de reforma do Estado e de reestruturação da sociedade civil, que envolve a participação e o empoderamento dos cidadãos, pode ser o vector da legitimação da sociedade democrática e justa que se tem procurado nos últimos tempos. Porém, no mesmo ano, por pressão da contra-hegemonia, foi aprovada a Lei Orgânica nº 8.142, que dispõe sobre a realização de conferências de saúde (nos três níveis de governo) e a criação de Conselhos de Saúde, estabelecendo assim a participação de da sociedade civil às políticas públicas. Os conselhos de saúde são hoje considerados um dos principais órgãos de controlo social na definição do sistema e dos serviços de saúde”.

Pelo que vemos na realidade, não há dúvidas sobre a força numérica dos Conselhos de Saúde no país, mas devemos concentrar a nossa atenção na qualidade do seu desempenho. Esta luta democrática também é histórica e mostra os avanços e obstáculos que continuam a fazer parte da reforma sanitária, do sistema único de saúde, da estratégia de saúde da família e dos conselhos de saúde.

P ROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Esta tem sido caracterizada como a fase exploratória da pesquisa, que apoia, como argumenta Minayo (1996), o delineamento do problema, a construção de fundamentos teóricos e metodologias de coleta e análise de dados. A coleta de dados foi dividida didaticamente em momentos, sendo eles: observação, grupo focal e entrevistas em profundidade com dois consultores usuários. Minayo (1996) afirma que qualquer uma das formas de coleta de dados acima mencionadas faz parte de uma relação de pesquisa mais formal, na qual o pesquisador coleta intencionalmente informações por meio da fala dos atores sociais.

Na entrevista, o entrevistado “mostra” o grupo e o contexto em que está inserido, pois por mais que distinga sua fala, ele a universaliza à medida que a homogeneiza, diferenciando-se dos demais. Os temas das entrevistas em profundidade emergiram das próprias declarações dos participantes, bem como do interesse da pesquisa. Contudo, para transmitir esta riqueza no discurso dos atores sociais, estes devem sentir-se pertencentes ao processo de investigação e sobretudo à entrevista.

Triviños (1987) aponta para a necessidade de “abordagem” na entrevista, que foi estabelecida a cada encontro com os participantes, relembrando suas falas anteriores, objetivos de pesquisa e vínculos já estabelecidos. Isto é essencial para atingir a profundidade máxima da mente do informante sobre o fenômeno que está sendo estudado” (TRIVIÑOS, 1987, p. 149). Nesse sentido, a análise dos dados procurou compreender as estruturas relacionadas ao discurso do ator social.

Ou seja, como significa determinadas expressões, com base na época e no contexto histórico, social, cultural e econômico em que está inserido como sujeito. Quanto aos aspectos éticos, o projeto foi inicialmente enviado ao Comitê de Ética da UNIVALI para análise e autorização da pesquisa (assessor anexo). No que diz respeito às fases da pesquisa envolvendo entrevistas, foram observados os requisitos éticos preconizados no Parecer nº 196/96, a saber: concessão de consentimento livre e esclarecido aos participantes.

A PRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS DADOS

Mas na altura em que entrei no grupo de jovens, tive de frequentar um curso ministrado pela hierarquia da Igreja que deveria fazer as pessoas recuarem, fazerem um auto-exame das suas vidas. Acho que transformou minha vida de uma forma que me fez participar hoje.” Acho que sempre pensei assim, se vou morar em comunidade, vou morar em comunidade (grifo nosso).

Com o passar do tempo vimos que as pessoas têm metade educação, metade saúde, e eu não aceito esse tipo de coisa. A cada tempo as pessoas parecem ficar mais descrentes de qualquer possibilidade de participação na mudança” (Hera). Tudo isto leva ao descrédito das pessoas e sinto que as pessoas não têm vontade, não têm vontade de vir.

Mas eu já deixei, em algum momento parei de fazer (referindo-se a uma época em que saí do COMUSA), mas não me sentia 'Héracles'. Então, se não estou envolvido nisso, não sou a pessoa que sou. Tive o sonho quando entrei no grupo de jovens e as pessoas sempre me perguntavam por que você está fazendo isso.

Não espero muito, espero deixar o mundo um pouco melhor do que encontrei” (Héracles). Eu sempre falei isso: você tem que ir e aderir, “ah não, mas não sei”, eu também não sabia disso. As pessoas que representam os órgãos municipais, estão ali assim, (gagueja um pouco, balbucia, pára como se procurasse uma palavra), num presépio.

E nas reuniões da Igreja, onde fazemos parte de outras associações, as pessoas conversam entre si. É difícil as pessoas se envolverem à toa, as pessoas sempre se envolvem porque querem alguma coisa. Por exemplo, quero algo que não quero para mim, quero para toda a minha comunidade.

Mas gosto muito dessa política de resultados, não daquela política partidária que tem que colocar as pessoas acima das outras” (Héracles).

C ONSIDERAÇÕES FINAIS

Quanto à relação entre o conselheiro, o grupo que ele representa e a Diretoria Municipal de Saúde de Itajaí, vale destacar que mesmo que os conselheiros sejam escolhidos em reunião ou indicados pela diretoria da entidade (caso comum de Héracles e Atena) são de alguma forma representantes do COMUSA e conscientes de suas limitações, é importante destacar que a representação por eles exercida é um pouco diferente do que se entende por ela em uma sociedade democrática, justa e igualitária. Representatividade, segundo Pitkin (2006), deve significar agir no interesse daqueles que são representados, de uma forma que lhes responda. Como se pode verificar, os conselheiros entrevistados dificilmente respondem e retribuem à comunidade, pois têm dificuldade em articular e comunicar isso.

Isto pode dever-se a vários factores que os próprios consultores apontam: falta de apoio e responsabilização da comunidade, falta de reconhecimento por parte da comunidade, falta de conhecimento das políticas públicas e da estrutura dos conselhos de governo, descrédito político e pouco progresso em comparação com tantos tentativas, além da desmobilização por parte do Estado. É perceptível que no final se cria um círculo vicioso, pois a ilegitimidade e a falta de consolidação da representação implicam inevitavelmente um processo de empoderamento e de participação custoso, num sentido simbólico, para a sociedade civil. Ao participarem de diversas atividades com a intenção de ocupar cargos e de forma não intencional, podem, em última análise, contribuir para a manutenção da “elite decisória”.

Justificam-no falando de avanços que, vistos ao longo do tempo, revelam na verdade que as leis não estão seladas em papéis e que uma sociedade justa é possível mesmo num modelo económico liberal. Boff (1999) destaca que nesse sentido a aposta é muito mais relacional do que a ação. Por isso acho que deveríamos investir mais em pesquisas que possam moldar possíveis respostas e soluções, como a construção do projeto Nação para o Brasil.

Acredito também que esta pesquisa contribui para pensar o processo de empoderamento e representação, num momento em que lutamos pela tomada de decisão consensual e pela consolidação de um Sistema Único de Saúde que reserve um lugar especial à participação popular. A saúde me encanta pelas oportunidades de lidar com as pessoas e pelo confronto com as realidades que temos, queremos e fazemos, pois aponta para os caminhos da busca, da vontade de fazer mais, de uma forma diferente e numa construção comum. Falar de saúde e de ser humano é lembrar que somos iguais em tudo na vida, “(..) trata-se de um país de gente, de carne e osso, de inúmeras misérias..” (ROSA, 1991).

R EFERÊNCIAS

Construção e análise de proposta para instrumentalizar os conselheiros de saúde para o exercício do controle social. Capacitação de idosos em grupos com objetivo de promoção da saúde. mestrado) Fundação Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública; 2002. As percepções de saúde dos conselheiros municipais de saúde da Região AMFRI/SC e a relação com a prática no conselho.

A entrevista tentará responder ao objectivo da investigação acima referido, nomeadamente: compreender a composição dos representantes dos utentes como sujeitos históricos (empoderamento) no processo de participação e investigar a relação entre o prestador de cuidados, o grupo que representa e o conselho em que atua (representação) no Conselho Municipal de Saúde de Itajaí –SC. Os dados referentes ao que você responde são coletados por meio de entrevistas gravadas em gravador digital e posteriormente transcritas. MESTRADO PROFISSIONAL EM SAÚDE E GESTÃO DO TRABALHO FORMULÁRIO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO PARA GRUPO FOCUS Nome Sr. (ou Sra.).., Idade:.., Gênero:.., Local de nascimento:.., Endereço:.., Ocupação:.

O grupo focal procurará responder ao propósito do estudo acima intitulado, que será: compreender a composição dos representantes dos utilizadores como sujeitos históricos (empoderamento) no processo de participação e examinar a relação entre o orientador, o grupo que representam . e a diretoria que atuam (representação) no Conselho Municipal de Saúde de Itajaí –SC. Os dados referentes ao que você responder serão coletados por meio do grupo focal gravado em gravador digital e posteriormente transcrito. Que tipo de relacionamento existe entre os conselheiros durante a reunião (“atmosfera” da reunião), antes e depois dela.

Quando os usuários conselheiros se colocam no grupo, como os outros recebem sua explicação (ficar atento, conversar, expressões faciais e corporais, conversa); Roteiro5 para entrevista semiestruturada e em profundidade com os dois conselheiros de usuários selecionados pela pesquisadora. Que estratégias utiliza para discutir ou reivindicar necessidades e desejos de saúde no conselho e na comunidade;

Referências

Documentos relacionados

São Luís – MA, 23 a 26 de agosto 2005 CONTRADIÇÕES DE UMA CULTURA POLÍTICA HÍBRIDA E AMBIVALENTE REFLETIDA NA PARTICIPAÇÃO DOS CONSELHOS GESTORES DAS POLÍTICAS PÚBLICAS Terezinha