Por fim, o quinto capítulo trará a visão médica, bem como focará na questão humanitária do tema, e nas consequências da legalização da prática em todo o mundo. O produto da concepção pode ser digerido, reabsorvido pelo corpo da mulher ou mesmo mumificado, ou a gestante pode morrer antes de ser expelido.
Antecedentes Históricos
Aspectos religiosos
Como exemplo dessas posições ideológicas, podemos citar o catolicismo, que continua pautado pelos mandamentos dos quais se abstrai a máxima “não matarás”, que se reflete nas religiões cristãs, pautadas na condenação do aborto independentemente dele. . razão. Contrastando com esse ponto de vista fechado, as atitudes religiosas tolerantes em relação à prática do aborto, que podem ser percebidas pelas igrejas protestantes, como a batista, a luterana, a metodista, a presbiteriana, entre outras, possuem uma concepção mais flexível dessa terapêutica. aborto, a partir de uma maior compreensão da vida da gestante. 12.
Aspecto social
Esta realidade levanta a questão da descriminalização como forma de proteger a vida das mulheres, onde seria possível prestar ajuda e apoio a estas mulheres através de políticas de saúde pública.
Aspecto legislativo e judiciais
As penas previstas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um terço se, em consequência do aborto ou do meio utilizado para o provocar, a grávida sofrer lesões corporais graves; e são duplicados se, por alguma dessas causas, ocorrer a morte. A visão legal do aborto envolve questões relacionadas tanto ao Direito quanto às questões de proteção à vida, bem como questões médicas, onde tentamos entender onde a vida realmente começa, a partir de quando. A prática do aborto é considerada crime no ordenamento jurídico brasileiro, que abre exceções mínimas, o que apenas obscurece o fato de que centenas de abortos clandestinos são realizados todos os anos, seja por mulheres que têm meios e podem pagar, seja por aquelas que estão em situação de pobreza. situação de vulnerabilidade, que ocorre em maior número, e que acabam procurando clínicas clandestinas, sem segurança e higiene, colocando a própria vida em risco22.
Os defensores da criminalização do aborto costumam argumentar que violaria o direito à vida do feto, que legalizar a prática seria um atentado aos Direitos Humanos, contra um direito fundamental, porém, o debate toma dois lados quando observado o entendimento da Corte. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos quando se posicionou sobre esta questão, levantando não só a afirmação a respeito do estatuto da pessoa do embrião, mas também a respeito dos direitos íntimos do casal e de sua vida privada. concluir em relação ao artigo 41 da Convenção que o objeto direto da proteção é, em essência, a mulher grávida, uma vez que a proteção do nascituro é realizada principalmente através da proteção da mulher, conforme observado no artigo 15.3.a) da o Protocolo de San Salvador, que obriga os Estados Partes a "prestar cuidados e assistência especiais à mãe antes e durante um período razoável após o nascimento da criança", e o artigo VII da Declaração Americana, que dispõe sobre o direito de uma grávida mulher à proteção, cuidado especial. e ajuda.25. Este gravíssimo problema social e de saúde pública deve ser enfrentado, não no âmbito do sistema penal, mas no âmbito das políticas públicas emancipatórias, que confrontem a ideologia patriarcal, promovam a igualdade e garantam a informação sobre a sexualidade e o uso de contraceptivos, o acesso à plenitude. contraceptivos, aumentando o poder das mulheres na tomada de decisões sobre a sua sexualidade e reprodução, oportunidades e rendimentos, programas eficientes de planeamento familiar, educação formal e informal, formação de profissionais para promover a gravidez, estruturas de unidades de saúde preparadas para garantir direitos à saúde física e psicológica . , sistemas de acolhimento e orientação, apoio integral à maternidade e assistência para um aborto seguro. Nessas condições, fica integralmente protegida a orientação do projeto de reforma da parte especial do Código Penal, que autoriza o aborto quando o nascituro apresenta anomalias físicas ou mentais graves e irreversíveis, ampliando o alcance do aborto eugênico ou compassivo 27.
O crime de aborto
- Objeto Jurídico
- Sujeitos do Crime
- Elementos Objetivos
- Elemento Subjetivo
- Consumação e Tentativa
I - se não houver outra forma de salvar a vida da gestante; Exercício regular do direito ao aborto em caso de gravidez em decorrência de estupro II - se a gravidez for resultado de estupro e o aborto for precedido de consentimento da gestante ou, na impossibilidade, de seu representante legal. O objeto legal de proteção aqui é a vida intrauterina, a vida que se desenvolve no útero da gestante após a fecundação, e no caso de aborto alheio, onde não há consentimento da gestante, visa-se também proteger sua integridade corporal30 . 124, isso é crime em si, pois somente a gestante pode cometê-lo, porém, em relação ao disposto nos demais dispositivos, o crime pode ser cometido por qualquer pessoa.
O aborto é caracterizado como crime doloso, que pode ocorrer por dolo direto, pois o infrator deseja obter o resultado, ou definitivo, quando aceita o risco desse resultado. É importante ressaltar que embora o tipo penal não preveja a modalidade punível, uma vez que alguém por culpa provoca o aborto, responderá por lesão corporal punível33. A prática do aborto resulta na morte do feto, mesmo que este não seja expulso do útero. É interessante ressaltar também que o crime de aborto reconhece a tentativa, portanto, uma vez iniciado o ato com o objetivo de abortar, e não atingir o resultado, o agente será responsável pela tentativa34.
Modalidades de aborto
- Autoaborto e aborto consentido
- Aborto provocado por Terceiro
- Aborto Consensual
- Aborto Qualificado
- Aborto Necessário e Aborto Sentimental ou Ético
- Aborto eugenésico ou eugênico
O parágrafo único do artigo levanta a questão da desaprovação da gestante, dadas as suas qualidades psicológicas. O artigo 126 do código penal dispõe sobre a modalidade de aborto consensual, de forma que o agente que pratica o aborto com o consentimento da gestante comete o crime, de modo que a prática do crime exige a participação de pelo menos duas pessoas. Neste caso, a retirada da gestante antes do término do ato impõe à terceira pessoa a figura do artigo 125 do código penal.
128 do Código Penal, prevê duas concessões legais à prática do aborto, sendo a primeira prevista no inciso I, conhecida como aborto necessário ou terapêutico, e a segunda, no inciso II, conhecida como aborto sentimental, ético ou humanitário. O aborto necessário pode ser entendido como aquele que o médico pratica como único meio de salvar a vida da gestante, pois podem surgir complicações durante a gestação que acabam colocando em risco não só a vida do feto, mas também a da gestante, independentemente se este é um risco iminente ou atual ou com possibilidade de ocorrer durante o parto38. Essa classificação é entendida como exclusivamente ilegal para o médico que comete o crime, como única forma de salvar a vida da gestante, o que caracteriza o estado de necessidade (art.23, I, CP).
Entendimento jurisprudencial
Mais tarde, um julgamento do Supremo Tribunal Federal mostrou mais uma vez a tendência à necessidade de mudança no conceito jurídico, na época foi uma decisão de Habeas Corpus, onde o julgamento do tribunal se prestou ao entendimento de que a criminalização de aborto para o 3º mês de gravidez viola vários direitos fundamentais da mulher, o que também mostra que outras formas devem ser procuradas para evitar a prática além de criminalizar o ato. A criminalização é incompatível com os seguintes direitos fundamentais: os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, que não podem ser forçadas pelo Estado a manter uma gravidez indesejada; a autonomia das mulheres, que devem manter o direito de fazer as suas escolhas existenciais; integridade. Atualmente está em discussão a Ação de Descumprimento da Diretriz Fundamental (ADPF) 442, apresentada pelo PSOL, visando ao não reconhecimento parcial dos artigos 124 e 126 do Código Penal pela Constituição da República, sob a alegação de que a criminalização do aborto viola princípios e direitos fundamentais previstos constitucionalmente, que buscam não apenas o direito da mulher de interromper a gravidez, mas também o direito do profissional de realizar o procedimento43. Contudo, este ainda é um assunto em discussão, o que não diminui o fato de que a jurisprudência brasileira tem se mostrado aberta a noções contrárias ao que atualmente é tipificado pela lei.
Para esta explicação, é importante citar o Código Civil, que diz em seu artigo 2º: “A personalidade civil da pessoa começa desde o nascimento com vida; mas a lei protege, contra a concepção, os direitos do nascituro”. Desta visão, abstrai-se que o feto só adquire personalidade jurídica a partir do seu nascimento vivo, isto é, quando é ejetado do ventre materno, de modo que o feto desde a sua concepção até o seu nascimento vivo é um nascituro, e ainda não pode considerado como uma pessoa. Apesar desse entendimento, o próprio artigo deixa claro que a lei protege os interesses deste último, de modo que, do seu ponto de vista, sejam asseguradas as expectativas de direitos que passarão a viver a partir do momento do seu nascimento com vida.
Teoria Natalista
Teoria Concepcionista
Teoria da personalidade condicionada
O aborto é legal em todos os casos comprovados de problemas socioeconómicos e pode ser realizado até às doze semanas de gestação. Se não for diagnosticado nenhum defeito congénito fatal, a maioria dos obstetras na Áustria segue o instinto materno de permitir o aborto após 24 semanas. Se for diagnosticado um defeito congênito, o prazo para interrupção da gravidez é de aproximadamente 24 semanas após o início da gravidez.
Na Bulgária, o aborto é legal, mas a interrupção deve ser feita no prazo de 12 semanas, se não houver autorização, e no prazo de 20 semanas, com autorização. Em França, o aborto é permitido e pode ser realizado a qualquer momento, tanto em casos de dificuldades socioeconómicas como em casos de diagnóstico de anomalias congénitas. De acordo com a lei alemã, os abortos por indicação médica não têm limite de tempo para a sua realização.
O aborto e a medicina
A prova mais eloquente de que a proibição legal e a criminalização do aborto não impedem a prática que estigmatizam são as estimativas alarmantes do número anual de abortos clandestinos no país. É verdade que devido à ilegalidade do aborto no Brasil, não existem dados oficiais sobre o seu número. Outra teoria afirma que a vida realmente surgiu no início do século III. semana de gravidez, quando o embrião, já formado por 3 camadas diferentes de células, se fixa ao útero materno50.
Outra corrente define que a vida começa com o aparecimento dos primeiros sinais de atividade cerebral. Em relação a essa teoria, há quem defenda que isso aconteceria na 8ª semana de gestação do embrião, quando o feto já possui versões primitivas de todos os sistemas orgânicos básicos do corpo humano, inclusive o sistema nervoso, por outro lado, aqueles que argumentam, que isso acontece a partir da 20ª semana de gestação, e a partir daí a gestante já consegue sentir os primeiros movimentos do feto, fase em que o tálamo, centro de distribuição dos sinais sensoriais, já está formado dentro do cérebro51. Apesar dessas diversas teorias, alguns entendimentos neurológicos relacionados tendem a afirmar que o feto se torna efetivamente humano a partir do estabelecimento das primeiras conexões neurais, o chamado córtex cerebral.52 Assim, segundo Muto e Narloch (2005), não poderia diga isso.
Questão de saúde pública
No que diz respeito, especificamente, às dimensões do aborto como questão de saúde pública, vale considerar as primeiras análises feitas no Uruguai após a legalização do procedimento ocorrida naquele país em dezembro de 2012. De modo geral, o assunto a ser discutido aí Não há dúvida de que a criminalização da prática do aborto acaba por levar milhares de mulheres a procurarem procedimentos clandestinos, sem qualquer segurança, colocando as suas vidas em risco, com consequências que podem levar à morte. Fato comprovado pelos estudos abordados no texto, que eleva a um patamar mais importante a questão da legalização do aborto, do que apenas o principal pilar das questões jurídicas e porque não dizer morais e religiosas.
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