O objetivo deste estudo é examinar a necessidade de atualização do direito penal tendo em vista a incidência de crimes cometidos por meio de ferramentas tecnológicas como computadores e internet. Numa primeira abordagem serão estudados os aspectos gerais do chamado direito penal informático, seguido da legislação existente a este respeito.
Origem e evolução do Computador e da Internet
Como exemplo, temos os contratos eletrónicos no direito civil, a tributação das transferências no direito fiscal ou o leilão eletrónico no direito administrativo e finalmente o cibercrime no direito penal (JESUS, 2016). A chamada ARPANET (Advanced Research Projects Administration), que (conectava) a Universidade da Califórnia em Los Angeles com a Universidade da Califórnia em Santa Bárbara e a Universidade de Utah por meio de telecomunicações online (CASTELLS, 2003).
Conceito de Crimes Informáticos
A partir deste momento, as empresas provedoras de acesso tiveram interesse em direcionar os investimentos para a comercialização da Internet, o desenvolvimento de novos mecanismos de acesso à comunicação e a expansão da sua utilização em escala global. Sob esse ângulo, Lima (2006) afirma que a doutrina trata o tema chamando-o de crimes informáticos, crimes virtuais, crimes digitais, crimes eletrônicos, crimes informáticos, etc. Completando o tema, Pinheiro (2010) afirma que os crimes digitais podem ser conceituados como comportamentos cujo acesso não teria sido autorizado em determinado sistema computacional, resultando em ações danosas aos respectivos sistemas, como interceptação ilegal de comunicações, alteração de dados, incitação ao ódio e ao preconceito, ao assédio, ao terrorismo, aos crimes contra a propriedade, entre outros.
O princípio da legalidade e sua relação com os delitos informáticos
Crimes informáticos próprios
Phishing, sequestro de equipamentos de informática, burlar o DNS2, introduzir vulnerabilidades em equipamentos eletrônicos de forma que dê ao invasor acesso total e irrestrito ao equipamento, apreender senhas através de Phishing3, instalar vírus para sabotagem eletrônica são alguns exemplos ilegais. comportamentos que caracterizam os próprios crimes informáticos. É um computador com algum tipo de banco de dados que vincula o endereço "nominal" de um site como www.uol.com.br pelo endereço real onde se encontra a página web, para acessá-la. Com isso, os criminosos podem obter nomes de usuários e senhas de qualquer site, bem como obter dados de contas bancárias e cartões de crédito (MÜLLER, 2012).
No Brasil foi aprovada a Lei 12.737 de 2012, que busca enquadrar o comportamento de invasão de dispositivo informático e é, portanto, um passo importante na própria proteção dos crimes informáticos.
Crimes informáticos impróprios
Crimes informáticos mistos
Condutas Informáticas que podem caracterizar crime
- Acesso Ilegítimo
- Interceptação ilegítima
- Interferência de sistemas
- Uso abusivo de dispositivos
- Falsidade ou fraude informática
- Fraudes em certames públicos e o uso da cola eletrônica
- Burla Eletrônica
- Furto de dados ou vazamento de informações
- Envio de mensagens não solicitadas
Situação em que o agente provoca deliberadamente paralisia, perturbação ou problemas no normal funcionamento de um sistema de informação através de danos, transmissão ou supressão de dados. Nesse sentido, o artigo 325, §1º, inciso I do Código Penal, na parte que se refere aos crimes contra a administração pública, prescreve a violação do sigilo funcional, pena de seis meses a dois anos e multa do agente que acessar concedidos a pessoas não autorizadas a sistemas de informação ou bases de dados pertencentes à administração pública (SANCHES, 2015). Segundo Sanches (2015), trata-se da inserção, modificação ou exclusão intencional de dados informatizados, resultando em informações falsas com a intenção de utilizá-las legalmente como se fossem verdadeiras.
Atualmente, não existe nenhuma disposição específica na legislação nacional que exija este comportamento no caso de bases de dados privadas, mas é possível. Contudo, destaca que o projeto de reforma do Código Penal (Lei do Senado nº 236 de 2012) traz no seu âmbito a previsão do referido ato ilícito (JESUS, 2016). Para punir a cópia ilícita, muitas autoridades utilizaram a analogia in malam partem para classificar o ato como falsificação, “‘roubo de dados’”, outras optaram pela “interceptação telemática”, prevista na Lei nº 9.296/96.
Artigo 153 do Código Penal (divulgação de segredos), especialmente quando a divulgação ocorre em relação a informações confidenciais, independentemente de estarem ou não contidas nos sistemas de base de dados da Administração.
Fixação da Competência
Esta prática também é chamada de ‘spam’, que envolve o envio de mensagens não solicitadas que podem causar danos. Embora se trate de um comportamento condenável, ainda não existe legislação específica regulamentando o assunto. Contudo, tramita no Senado o Projeto de Lei nº 283 de 2012, que visa atualizar o Código de Defesa do Consumidor para regulamentar o envio de mensagens não solicitadas (JESUS, 2016). No que diz respeito ao local do crime, o Código Penal, segundo a compreensão doutrinária, adopta de facto a teoria da ubiquidade, tendo em conta que o local do crime, nos termos do artigo 6º, é in verbis: “o local onde o crime foi cometido ou omitido, no todo ou em parte, e também onde o resultado foi alcançado ou deveria ter sido alcançado.”
Portanto, é importante lembrar que em relação aos crimes cometidos por nacionais no exterior que causam vítimas no Brasil, o fato deve ser considerado ilegal em ambos os países e que a entidade ativa deve ingressar no território nacional para ser devidamente processada e punida. De acordo com art. Diante dos fatos acima mencionados, muitos atos criminosos na área de tecnologia da informação não foram devidamente reprimidos devido à ausência de legislação específica que indique tal conduta. Na verdade, foi necessário criar ou alterar disposições legais para preencher as lacunas existentes.
Neste sentido, de acordo com o entendimento doutrinário, é importante lembrar que não há necessidade de legislar relativamente aos crimes informáticos indevidos, que já estão previstos no Código Penal, mas sim no que diz respeito aos crimes informáticos propriamente ditos, ou seja, aqueles em qual a Internet, o seu computador ou o seu equipamento é o centro do comportamento criminoso.
Da legislação nacional que regula os delitos informáticos
1. Quem produzir, oferecer, distribuir, vender ou distribuir dispositivo ou programa de computador com a finalidade de permitir a prática do comportamento definido no caput, é punido com a mesma pena. 3. Se a invasão resultar na obtenção de conteúdos de comunicações eletrónicas privadas, comerciais ou industriais, informações. 4º No caso do § 3º, a pena é aumentada de um a dois terços se houver divulgação, comercialização ou transmissão a terceiro, a qualquer título, dos dados ou informações obtidos.
III - Presidente da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, da Assembleia Legislativa do Estado, da Câmara Legislativa do Distrito Federal ou da Câmara Municipal; ou. 154-A, faz-se apenas por meio de representação, salvo se o crime for cometido contra a administração pública direta ou indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios ou contra as concessionárias de serviço público. 1 Quem interromper os serviços públicos de telemática ou de informação, ou impedir ou dificultar o seu restabelecimento, incorre na mesma pena.
De acordo com o disposto no título, um cartão de crédito ou débito corresponde a um documento particular.
Segundo Jesus (2016), o relator do projeto foi o deputado Eduardo Azeredo e seu objetivo era criar uma legislação penal específica para a Internet, classificando uma série de comportamentos ilícitos cometidos por meio da rede mundial de computadores. Esta lei não foi tão abrangente quanto pretendido, já que a Presidente Dilma Rousseff vetou dois dos quatro artigos. O artigo 20, §3º, inciso II foi atualizado para permitir ao tribunal determinar o encerramento de transmissão ou publicação eletrônica, radiofônica, televisiva (BRITO, 2013).
Foram vetados os artigos que tratavam da equiparação de cartão de crédito ou débito a documento particular em casos de falsificação de documento particular (seção 2), e autorização para militares controlarem dados eletrônicos em possível caso de guerra cibernética (JESUS , 2016). A referida lei tem sido alvo de uma série de críticas por parte da mídia em geral, sendo comparada a uma espécie de AI-54 digital, devido ao seu ataque excessivo à privacidade e aos direitos dos usuários da rede mundial de computadores (BRITO, 2013) .
A licenciatura em direito foi limitada a duas disciplinas. A primeira prescrevia que a Polícia Judiciária criasse setores e equipes especializadas no combate a ações criminosas em redes de computadores, equipamentos de comunicação ou sistemas automatizados, a segunda altera a Lei nº 7.716, de 1989. Como seria devido à dinâmica da lei e do constante mutação das relações sociais, a sua existência não foi capaz de erradicar toda a agitação jurídica na rede mundial de computadores. Na verdade, esse diploma jurídico consiste em um arcabouço normativo que entra em conflito direto com as relações virtuais, criando um conjunto de direitos e obrigações para os usuários da Internet (LEMOS, 2014).
Da legislação internacional que regula os delitos informáticos
A Convenção de Budapeste e a legislação penal brasileira
154- As do Código Penal, também sujeitas à existência de modalidade específica de pretensão eleitoral prevista no art. O artigo 4º prevê a criminalização da interferência de dados, mas esclarece que o delito diz respeito a danificar, apagar, deteriorar, alterar ou suprimir dados sem consentimento, uma vez verificada a intenção e a não intenção do agente de acessar os arquivos a serem apropriados. , conforme determinado no artigo anterior. Contudo, esse comportamento já está previsto em princípio no artigo 163 do Código Penal, que enquadra o crime de Dano.
Os referidos elementos elementares, porém, em tese já possuem previsão genérica nos artigos 256 e 26 do Código Penal. 265 e 266 do Código Penal, que considera crime contra a segurança dos serviços públicos as condutas que “ataquem a segurança ou o funcionamento dos serviços de água, electricidade, energia ou calor, ou quaisquer outros serviços públicos”; A alteração contida na Lei nº. 12.737 de 2012 – Lei Carolina Dieckmann, no artigo 154-A, §1º, porém, trouxe justamente o comportamento.
Contudo, é importante ressaltar que já tramitam no Congresso Nacional projetos de lei que pretendem criar essa modalidade penal ou alterar artigos do Código Penal (PINHEIRO, 2010).
DA NECESSIDADE DE ATUALIZAÇÃO DA LEI PENAL
Propostas Legislativas sobre os crimes cibernéticos
- A reforma do Código Penal (Projeto de Lei do Senado nº 236 de 2012) e os
- Projeto de Lei nº 7.758 de 2014
Ao referido projecto, que visa a reforma do Código Penal, foi atribuído um título específico para o cibercrime, começando pelos conceitos do artigo 208.º para uma melhor compreensão do que tratam os artigos. Visa ainda classificar os crimes de acesso não autorizado, sabotagem informática, terrorismo, fraude informática e danos a dados informáticos, entre outros. Como se não bastasse, o Projeto de Lei nº estipula que o objetivo do perfil falso deve ser prejudicar, intimidar, ameaçar, obter vantagem ou causar dano a outrem.
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