3 FUTEBOL FEMININO CAPIXABA: COMO UM CASO PRIVILEGIADO DE VIOLÊNCIA SIMBÓLICA: UM LONGO DESAFIO PARA A SOCIEDADE E PARA O DIREITO. Mostrará o quanto elas são capazes no futebol, mesmo diante da violência simbólica e dos pensamentos machistas que ainda dominam a sociedade, esporte em que sempre houve obstáculos para a participação e profissionalização dessas atletas que estão afastadas dos gramados há anos (em todos os sentidos, incluindo os de Bourdieus) esportivos. Para isso, abordaremos primeiramente a Teoria dos Campos do sociólogo Pierre Bourdieu, que discorre sobre a violência simbólica, a dominação masculina e os conceitos de habitus e campo.
Por fim, o terceiro e último capítulo deste trabalho traz a junção dos capítulos primeiro e segundo, e utiliza, como exemplo privilegiado, a violência simbólica dentro do futebol capixaba, sob a teoria de Pierre Bourdieu, que aborda o problema dos “déficits " na legislação brasileira referente à profissão de jogadora de futebol feminino. Consequentemente, atitudes preconceituosas, sexistas e estereótipos de gênero são internalizados pelos agentes presentes nos campos sociais de forma naturalizada e automatizada, representada pela violência simbólica (BOURDIEU, 2004, p. 11). Para Bourdieu (2004, p. 134), essas formas permitem o estabelecimento de vantagens no jogo do poder social, criando condições para que os agentes alcancem posições mais favoráveis no campo do poder.
Essa violência simbólica é legitimada pela distribuição do conhecimento possuído pelo grupo dominante, que assim mantém uma posição de domínio no campo social (Bourdieu, 2004, p. 10). A seguir, será explicado como a teoria de Bourdieu se aplica ao campo profissional dos atletas. Para Bueno e Rodrigues (2014, p.873) "o esporte aparece na obra de Bourdieu talvez muito mais pelo fato de a teoria de campo permitir pensar o esporte como um campo de interesse relativamente autônomo na luta pelo poder".
A violência simbólica e a dominação masculina estudadas por Pierre Bourdieu estão presentes no campo do futebol profissional com atletas do sexo feminino.
AS DIFICULDADES DA MULHER COMO ATLETA PROFISSIONAL DE FUTEBOL
No entanto, todo esse comportamento foi necessário para evitar a interdição do Conselho Nacional de Esportes (CND), que, segundo o decreto-lei de Vargas, era o órgão responsável por determinar quais esportes eram adequados para mulheres. Segundo o Globo Esporta, as mulheres viajaram para a Copa sem uniformes especiais, mas com as sobras das roupas da seleção masculina. Ainda segundo o Globo Esporte, a primeira Copa do Mundo feminina foi realizada em 1991, em 1996 o Brasil fez sua estreia olímpica e conquistou a medalha de bronze, o time foi assumido pela Confederação Brasileira de Futebol - CBF.
Isso mostra que, apesar de todas as suas realizações e conquistas como atleta, prova que as mulheres ainda são objetificadas e sexualizadas. É inegável que as mulheres ainda lutam para entrar no mercado de trabalho, e no esporte não é diferente. O futebol ainda é considerado um esporte para homens, as mulheres que decidem seguir carreira sofrem desde cedo com desvalorização, machismo e falta de incentivo.
Enquanto os atletas do sexo masculino recebem salários altíssimos, as mulheres convivem com a impossibilidade de se sustentar economicamente apenas praticando esportes. Uma vez que as mulheres conquistassem o direito de serem pagas por seu trabalho, elas seriam capazes de levantar demandas por salários mais altos, forçando assim os capitalistas a promover a industrialização das tarefas domésticas. Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, as mulheres ganham muito menos que os homens em qualquer atividade laboral exercida.
No período de 2012 a 2018, houve queda na desigualdade salarial, embora as mulheres ainda ganhem em média 20,5%. O mundo dos esportes é um mundo altamente lucrativo e os atletas masculinos também superam as mulheres nesse quesito. Durante a exibição da Copa do Mundo Feminina da FIFA que aconteceu em 2019, a Organização das Nações Unidas realizou um estudo que apontou a diferença salarial entre jogadores masculinos e femininos.
Além da diferença salarial, as atletas também convivem com a insegurança da infraestrutura, mesmo nas equipes mais relevantes. Por outro lado, a CBF disponibilizou R$ 120.000,00 para as seleções masculinas das séries C e D do Campeonato Brasileiro de Futebol Masculino. Só o que se aponta no ponto I não é suficiente para afastar a responsabilidade dos sujeitos de respeitar e organizar-se de acordo com a legislação desportiva, também no tocante à promoção do desporto feminino.
A PROTEÇÃO JURÍDICA DA PROFISSÃO DE JOGADORA DE FUTEBOL: UMA (PARCA) ABORDAGEM PELA DOUTRINA, LEGISLAÇÃO E
Em relação ao contrato de trabalho, o futebol feminino conquistou uma decisão judicial que pode ser considerada um marco para a categoria. A comissão é formada por 10 advogadas de todo o Brasil que julgam exclusivamente casos de futebol feminino ocorridos durante o Campeonato Brasileiro de Futebol. Portanto, após analisar o acórdão da 23ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, a legislação aplicada e a esparsa doutrina, é inegável que ainda faltam matérias que tratem da legislação desportiva para atletas de futebol feminino.
Além desses fatores externos, o futebol capixaba infelizmente reproduz até hoje a ideia de que ''futebol é esporte de homem'', pois, conforme consta no site da Associação Espírita de Futebol, o Tribunal de Justiça Desportiva do Estado é composto de 24 homens e apenas 3 mulheres. Em relação à prática esportiva por atletas femininas, a primeira competição por equipes de futebol feminino no Espírito Santo ocorreu pela primeira vez em 2010, que até 2019 era considerada a maior em número de times participantes com dez times. Apesar de possuir vários times representando o futebol feminino no estado, apenas um alcançou destaque nacional, o Vila Nova Futebol Clube de Vila Velha, destacou-se no futebol Society, o.
Foi somente após o acesso ao campeonato brasileiro de futebol feminino que o clube recebeu o patrocínio de uma cooperativa médica que durante anos patrocinou times masculinos do futebol capixaba, como times do Rio Branca, Desportiva Ferroviária, Vitória e Serra. Como exemplo disso, no futebol capixaba, podemos citar a diferença no número de competições que a Associação de Futebol organiza por ano para times masculinos e femininos. Essa falta de competições para atletas femininas faz com que os times de futebol feminino não sejam reconhecidos e sofram com a falta de patrocinadores.
A mesma coisa acontece no Espírito Santo, já que a equipe masculina que se sagrou campeã da principal competição do estado, o "Capixabão", recebe, além de troféus e medalhas, uma vaga na Copa do Brasil e uma fatia do concorrência. que chega a cerca de R$ 650 mil reais, além de um valor de R$ 70 mil reais doados pela Federação de Futebol do Espírito Santo. Essa desvalorização do futebol feminino está relacionada à imposição de estereótipos e papéis de gênero e à preservação da estrutura dominante e dominada presente na sociedade. Apesar da sociedade machista em que vivemos, que ainda acredita que lugar de mulher é em casa, com os afazeres domésticos, em 2019 a última edição da Copa do Mundo Feminina aconteceu na França, e segundo a Federação Internacional de Futebol - FIFA, esse foi o competição feminina mais assistida de todas as edições, sendo a América do Sul responsável pelo crescimento do público da competição.
Segundo Holanda Júnior (2018, p. 19), “Os atletas que ficam no estado costumam praticar mais de um tipo de futebol: futebol de campo, futsal, society, areia, futebol de sete ou futebol de praia”. '. Diante dessas considerações, pode-se dizer que a violência simbólica e a dominação masculina estudadas pelo sociólogo Pierre Bourdieu estão presentes no futebol feminino em todos os campos, desde o futebol estadual até o futebol mundial. Ao analisar o futebol feminino capixaba, fica claro que essa desaceleração faz parte do futebol mundial e, portanto, afeta também o futebol local.
Isso acontece devido à reprodução do habitus já imposto em nossa sociedade, que é a supervalorização do futebol masculino, do atleta masculino e a desvalorização total do futebol feminino e a sexualização das atletas femininas. Disponível em: