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tese - Davi Gomes Depret - 2022

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Academic year: 2023

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Portanto, o seguinte estudo buscou analisar a prevalência da violência interpessoal e os fatores associados à violência autoprovocada em um grupo de travestis e mulheres transexuais do Rio de Janeiro e região metropolitana. A seguinte pesquisa buscou levantar a discussão sobre os efeitos da violência interpessoal (intra e extrafamiliar) no comportamento suicida e autolesivo em um grupo de travestis e mulheres transexuais residentes na região da capital fluminense. Janeiro e acompanhado no LapClin-Aids do INI. /FIOCRUZ.

Breves considerações histórico-conceituais sobre o suicídio

Além disso, enfrentar conflitos, desastres, violência, abusos ou perdas e uma sensação de isolamento estão fortemente associados ao comportamento suicida (PORTO et al., 2019). Portanto, a LGBTfobia, especialmente a travestifobia e a transfobia, bem como outros processos de discriminação social, devem ser considerados como impulsionadores do processo de adoecimento nesta população (SILVA et al., 2020). Essas demandas têm sido construídas paralelamente aos esforços de consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) e suscitam debates sobre as implicações da desigualdade social na saúde (MONTEIRO et al., 2019).

Para monitorar e dar visibilidade ao problema, o Ministério da Saúde (MS) implantou o Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (VIVA) e tornou obrigatória a notificação de violência para todos os serviços de saúde do território nacional (FATTAH; LIMA, 2020); PINTO e outros, 2020). Para o novo milênio, as tônicas incluem o pluralismo, a diversidade, a interdisciplinaridade e a recuperação do cuidado humano ampliado (BRACCIALLI et al., 2009). Esses entendimentos estão direta ou indiretamente relacionados às tendências atuais da atenção ampliada à saúde (BRACCIALLI et al., 2009).

A violência interpessoal segundo modelo proposto por Krug et al. 2002), pode ser dentro da família ou da comunidade. Com base nesta lógica, Fernandes et al. 2022) aponta que a violência autoinfligida também pode decorrer de formas de violência psicológica e pode ser um fator predisponente para a violência contra si mesmo.

Tabela 1 - Apresentação do perfil sociodemográfico de uma população de travestis e mulheres  transexuais  da  região  metropolitana  do  Estado  do  Rio  de  Janeiro
Tabela 1 - Apresentação do perfil sociodemográfico de uma população de travestis e mulheres transexuais da região metropolitana do Estado do Rio de Janeiro

Epidemiologia do suicídio e sua natureza multicausal

Transvestisgeneridade(s) e suas relações com o comportamento

Quais corpos importam na lógica necropolítica?

Outra perspectiva é Bento (2018) pelas lentes dos estudos foucaultianos6 do biopoder, que entende esse posicionamento como uma forma de o Estado “deixar morrer” determinados indivíduos e determinados comportamentos que causam a morte daqueles que estão sob os cuidados do Estado, um meio de governação de determinados grupos, seja por falta de assistência médica, seja pela ausência de empregos dignos para grande parte da população, o que afecta directamente determinadas pessoas. O biopoder, segundo Cassal e Bicalho (2011) e Toledo (2010), atua como forma de incentivar a eliminação desses corpos “desviantes” (termo frequentemente utilizado por Foucault neste contexto), que seriam aqueles que não atendem os padrões impostos.

Aspectos relacionais entre o comportamento autoabusivo e o

Embora estudado de forma independente, Toro et al. 2013) chama a atenção para o fato de que essa linha de relação entre comportamento autolesivo e comportamento suicida é tênue e pouco compreendida, como em algumas situações em que os métodos são confundidos com aqueles presentes nas tentativas de suicídio, como cortar os pulsos com navalha , por exemplo. Devido a esta imprecisão de classificação, as atitudes autolesivas devem ser vistas como sinais de risco, e não devem ser negligenciadas ou subestimadas, além de serem importantes preditores de comportamento suicida, embora esta relação não seja direta ou obrigatória, é essencial que tenhamos considere essa relação (SBP, 2019; TORO et al., 2013).

O olhar epidemiológico sobre o modelo ecológico das violências

Fragilidades acerca dos registros e (sub)notificações de violência

Como resultado das deliberações posteriores à 13ª Conferência Nacional de Saúde, em 2007, o Ministério da Saúde recebeu a responsabilidade de incluir os elementos de orientação sexual e identidade de gênero nos sistemas de informação do SUS. Porém, antes de chegar a esse cenário, a violência repetida foi observada em mais de um terço dos relatórios analisados ​​por Pinto et al. 2020), os autores ressaltam, portanto, que é fundamental que os profissionais de saúde sejam capacitados para atuar na saúde de forma humanizada e eficiente, promovendo o cuidado integral às pessoas em situação de violência e moldando a rede de proteção e garantia de direitos das pessoas. prevenção de novos casos de agressão, além de evitar a revitimização que pode ocorrer na violência institucional, e superar as desigualdades existentes.

Reflexões sobre a saúde Travesti e Transexual feminina

O cuidado à luz da Teoria do Estresse de Minoria

Além do estresse vivenciado, a antecipação da violência que pode ocorrer no dia a dia também pode se tornar um importante estressor com sérios impactos na saúde mental das pessoas LGBT (PACHANKIS et al., 2015). A teoria do estresse minoritário também leva em consideração o contexto interseccional, pois entende que quanto mais se sobrepõem os status minoritários (por exemplo, cor da pele, classe social, escolaridade, local de residência, deficiência, entre outros), mais lesões a pessoa pode ter. saúde mental (PACHANKIS et al., 2015).

Modelo teórico-conceitual do estudo: As (inter)relações sociais da

Em geral, como vemos, a violência está relacionada com questões socioculturais e político-ideológicas em todo o mundo e não é um problema novo. A inclusão da palavra “forças” além da frase “uso de força física” amplia a natureza de um ato violento e expande o significado convencional de violência para incluir. Um dos tipos de violência interpessoal é a violência doméstica (ou doméstica) e é a violência que ocorre dentro de casa ou unidade domiciliar e geralmente é perpetrada por um familiar que mora com a vítima.

O mesmo dossiê (ANTRA, 2019b) também mostra que as questões de gênero são reforçadas e demonstra que 97,5% dos assassinatos foram contra pessoas trans.

Desenho do estudo

Breves considerações sobre o estudo de base

Cenário do estudo

Coleta de dados

Variáveis do estudo

Variáveis desfecho

Tabela 1 - Variável Ideação Suicida, suas respectivas questões do questionário e as possíveis respostas para a variável. Tabela 2 - Variável tentativa de suicídio, suas respectivas questões do questionário e as possíveis respostas para a variável. Tabela 3 - Variável comportamento autolesivo, suas respectivas questões do questionário e as possíveis respostas para a variável.

Covariáveis do estudo

O segundo grupo de covariáveis, trauma infantil, foi mensurado por questões propostas no Childhood Trauma Questionnaire (QUESI – originalmente chamado de Childhood Trauma Questionnaire ou CTQ), adaptado e validado transculturalmente para uso no Brasil por Grassi-Oliveira et al. 2006). A Tabela 3 apresenta características de autoavaliação de saúde e acesso aos serviços de saúde entre travestis e mulheres transexuais participantes. A Tabela 6 apresenta a análise bivariada entre autoavaliação de saúde e acesso aos serviços de saúde e comportamento suicida (isolado) e autoabuso em mulheres travestis e transexuais participantes.

Além disso, aspectos psicossociais também podem permear a vida das PVHIV, como culpa, medo, vergonha, rejeição e alguma ameaça ao futuro, e dependendo do estado psicoemocional, a vulnerabilidade a situações de violência autoinfligida pode aumentar. com o diagnóstico de HIV (FERNANDES, 2015; FERNANDES et al., 2022). Para confirmar esta hipótese, 20% dos participantes do estudo de Silva et al. 2021) realizavam atividades relacionadas à prostituição, realidade que pode ser consequência da violência escolar, bem como do aumento da exposição à violência em geral. Coordenação de desenvolvimento educacional e ensino a distância da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, ENSP, Editora FIOCRUZ p.

Desenvolvimento Educacional e Educação a Distância da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, ENSP, Editora FIOCRUZ p. Rio de Janeiro: Coordenação de Desenvolvimento Educacional e Educação a Distância da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, ENSP, Editora FIOCRUZ p.

Análise de dados

Aspectos éticos

Por se tratar de um conjunto de condições estigmatizantes e geradoras de sofrimento psíquico, com risco potencial aos participantes, mas entendido como “risco mínimo” pela equipe de pesquisa, tais riscos foram minimizados por meio de aconselhamento antes e após a aplicação dos procedimentos. , e com acompanhamento e encaminhamento para equipe de apoio, quando necessário. Vale ressaltar que a equipe de pesquisadores responsáveis ​​acompanhou o processo e, sempre que fosse detectado risco aumentado de sofrimento psíquico, as entrevistas eram passíveis de encerramento imediato e posterior encaminhamento para acompanhamento ambulatorial no Instituto. Como forma de garantir privacidade e confiabilidade, as entrevistas foram realizadas em ambientes privativos, além de não terem sido coletadas informações que possibilitassem isso.

O computador era protegido por senha, apenas os pesquisadores e coordenadores do projeto tinham acesso a ele, e os dados eram criptografados e bloqueados após a conclusão dos procedimentos de coleta.

Financiamento do estudo

A amostra foi composta por 139 travestis e mulheres transexuais, e as principais características da amostra foram que o grupo não apresentava diferenças significativas de idade, sendo a maioria com 35 anos ou mais (52%), que também foi a média de idade encontrada, com uma faixa de idades entre 18 e 65 anos, 61% identificadas como mulheres transexuais, a grande maioria eram heterossexuais (95%) e autoidentificadas como não brancas (79%), com mais de oito anos de escolaridade ( 64%) e com alguma filiação religiosa/espiritual (65%). A Tabela 5 apresenta a análise bivariada entre as características sociodemográficas e o comportamento suicida (isolado) e autoabusivo das participantes travestis e transexuais. A Tabela 7 apresenta uma análise bivariada entre as características de discriminação e violência, bem como comportamento suicida e autoabusivo em mulheres travestis e transexuais que participaram da pesquisa.

Análise bivariada entre características sociodemográficas e violência autoprovocada (agrupada) em uma população de travestis e mulheres transexuais da região metropolitana do estado do Rio de Janeiro. Jesus (2021) provoca ao mostrar que travestis e mulheres trans negras vivem atualmente num vácuo de políticas públicas do Estado que oferecem pouca assistência psicossocial, nem apoio psicoterapêutico, onde se busca um olhar integral, voltado principalmente para a promoção da saúde física e mental. Apesar do baixo número de estudos sobre comportamento suicida entre travestis e mulheres transexuais, a confluência dos achados e a relação estabelecida entre esse comportamento e essa população sustentam a inquietação e preocupação de levantar tal discussão.

Aplicações para a saúde coletiva e para a enfermagem

Segundo, como um espaço que não reproduz a violência, visando assim quebrar o ciclo da violência, tornando o serviço de saúde um bom local para isso. Soares e Cadete (2022) apontam ainda que a tentativa de suicídio está entrelaçada com diversos fatores, não apenas relacionados exclusivamente à saúde pública, mas também com fatores sociais, biológicos e multidimensionais e que, desta forma, as práticas de saúde devem estar comprometidas com compromissos na proteção da vida e na responsabilidade social, cujo conjunto de ações desenvolvidas e promovidas pelos profissionais de saúde fortalecem a visão integral da saúde. Reforçando a importância de se apropriar dessa discussão da Enfermagem, Sousa e Nogueira (2022) apresentam dados de sua pesquisa, onde os participantes relatam que o acompanhamento pelos profissionais de saúde contribuiu significativamente para a compreensão das questões relacionadas à saúde mental voltadas à sexualidade e suas interseções.

Embora a agressão e a violência sejam cada vez mais reconhecidas como um importante problema de saúde pública social, Liu e Wuerker (2005) salientam que pouca investigação tem sido feita sobre este assunto no contexto da enfermagem e da saúde.

Limitações do estudo

Disponível em: . Disponível em: .

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Tabela 1 - Apresentação do perfil sociodemográfico de uma população de travestis e mulheres  transexuais  da  região  metropolitana  do  Estado  do  Rio  de  Janeiro
Tabela 1 - Apresentação do perfil sociodemográfico de uma população de travestis e mulheres  transexuais  da  região  metropolitana  do  Estado  do  Rio  de  Janeiro
Tabela 3 - Características de autoavaliação em saúde e acesso aos serviços de saúde em uma  população  de  travestis  e  mulheres  transexuais  da  região  metropolitana  do  Estado  do  Rio  de  Janeiro
Tabela 2 -  Prevalência  de  ideação  suicida,  tentativa  de  suicídio,  comportamento  autoabusivo  e  violência  autoprovocada  em  uma  população  de  travestis  e  mulheres  transexuais  da  região  metropolitana  do  Estado  do  Rio  de  Janeiro
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