A guarda como expressão do cuidado das responsabilidades parentais: a despatrimonialização do instituto a partir do reconhecimento da criança como pessoa / Elisa Costa Cruz. A guarda como expressão do cuidado das responsabilidades parentais: a despatrimonialização do instituto a partir do reconhecimento da criança como pessoa.
A necessária consideração da criança como pessoa
7º Ao respeitar os direitos das crianças e dos jovens, o disposto no art. A doutrina da proteção integral expressa o reconhecimento da criança como pessoa e a sua propriedade das situações jurídicas.
Pais, filhos e crianças: síntese das relações parentais
A pensão de alimentos consiste em prestações destinadas à satisfação das necessidades da vida81 e é regulada pelo artigo 1.694.º do Código Civil de 2002.82 De acordo com o artigo 1.845.º do Código Civil, os descendentes, os descendentes e o cônjuge são herdeiros indispensáveis.
Pátrio poder, poder familiar, autoridade parental, responsabilidades parentais .34
384, caput, do Código Civil de 1916 atribui direitos parentais a ambos os pais: “Quanto aos filhos menores, depende dos pais:”. O parágrafo único do artigo 36 da Lei da Criança e do Adolescente é revogado nesta parte pela 1.728. Artigo do Código Civil de 2002.
O significado de guarda: como o tema se apresenta no direito de família
Este capítulo parte desta complexidade da existência da guarda que se projeta sobre uma pessoa – no caso, a criança – para determinar um conteúdo que atenda à doutrina da proteção integral, ao princípio do melhor interesse e à parentalidade responsável. . lado, no direito da família, como um dos deveres inerentes às responsabilidades parentais. O dever de custódia no contrato de depósito impõe ao depositante a guarda dos bens objecto do contrato, ou seja, a sua guarda e posse, além dos deveres de fiscalização e guarda168, efeitos que ocorrem no momento da entrega do bem. como se se tratasse de um contrato de natureza real169. Num resumo do livro de Florencio Ozcáriz Marco, María Dolores Mesquita García-Garnero ratifica que a custódia é a causa do contrato de depósito e estabelece o dever do depositante de preservar a coisa, bem como a obrigação de preservar a coisa em sua posse170 . . . escrituração contábil pelo empresário; o artigo 1.348 e o dever de zelo do administrador de imóveis em relação às partes comuns do condomínio; artigos 1.431 e 1.489 com dever de custódia em penhor e hipoteca.. 167 TEPEDINO, Gustavo; BARBOZA, Heloisa Helena; MORAES, Maria Celina Bodin de.
Pelo dever de cuidado, o outro cuidará bem dela para que continue no seu ser de acordo com a natureza natural da coisa e de tal maneira que não deixe de estar na posse, para que o contrato pode-se concluir que produzirá, no final, seu reembolso. O artigo 1.632 do Código Civil173 também expressa a ideia da tutela como tutor físico, garantindo aos pais que não moram juntos o direito “de estar em sua companhia”. Isto continua com a análise do dever de guarda em dois aspectos: como dever de guarda e como dever de preservação.
Por fim, o artigo 1.616 também permite o reconhecimento da ideia de tutela como tutela, ao permitir à criança “educar-se e educar-se longe da companhia dos pais ou de quem contestou essa capacidade” em caso de reconhecimento de parentesco176.
As formas de exercício da guarda
01/1969 e permitiu a dissolução do vínculo conjugal por meio de divórcio, desde que a separação judicial o precedesse há mais de três anos. Os artigos 315 a 328 do Código Civil de 1916, que regulamentavam o divórcio, foram revogados e a instituição foi substituída pela separação judicial como causa de dissolução da convivência conjugal. Apesar da denominação diferente, a lógica foi mantida: as causas anteriores do divórcio foram reunidas sob a rubrica “condutas desonrosas e violação dos deveres conjugais” como fundamento do divórcio, e o período de separação de facto de dois anos foi mantido. para o tribunal favorável ao divórcio193.
A principal diferença foi a inclusão da permissão para encerrar a união estável quando o outro cônjuge sofria de doença mental grave há mais de cinco anos, sem prognóstico de recuperação e impossibilitasse a convivência194. O divórcio foi finalmente estabelecido como hipótese de divórcio por conversão da extinção da vida dos cônjuges decorridos três anos a contar do dia em que foi finalmente aprovado, ou como medida de segurança de separação física195 e desde que também fosse decidido no divisão de bens196. 193 Art. 4º - O divórcio baseia-se no consentimento mútuo dos cônjuges, se estiverem casados há mais de 2 (dois) anos, manifestado perante juiz e devidamente homologado.
Caso a separação judicial ou o divórcio seja decretado sem acordo entre as partes relativamente à guarda dos filhos, esta será concedida a quem demonstre melhores condições para o exercício da guarda.
Um debate crítico sobre a guarda
As divergências surgiram no objetivo a ser alcançado, que no direito de família seria o processo educativo para a vida adulta da criança. Assim, a base da proteção da criança no direito da família é a dignidade da pessoa humana, que é importante nas novas interpretações da proteção e da educação da criança, entre as quais se destaca a efetiva inclusão da criança na discussão sobre o cuidado dela. Se tomarmos como parâmetro o artigo 1.634 do Código Civil, a única alteração que envolve a guarda unilateral é o direito à coabitação, pois mesmo o direito de reivindicar um filho de quem o detém ilegalmente pode ser utilizado pelo genitor não-guardião para fazer valer respeito pela convivência.
Observe-se que o caput do artigo impõe ao tutor a obrigação de prestar assistência material, moral e educacional, o que também lhe confere o direito de oposição de terceiros, inclusive dos pais (neste caso, o outro genitor). Ademais, Marcos Alves da Silva236 e Euclides de Oliveira237 podem ser incluídos como defensores do entendimento de que a guarda unilateral confere ao tutor o cuidado exclusivo dos filhos e o direito de definir o local de residência. A segunda, ou seja, a guarda legal, implicaria “o direito de governar a pessoa dos filhos, de dirigir a sua educação e de decidir todos os assuntos que sejam do seu melhor interesse”.
Além disso, a vinculação da guarda exclusiva ao direito de constituir domicílio é uma proposição distinta do princípio do superior interesse e do direito à convivência familiar e comunitária, que regem a manutenção dos laços familiares e comunitários da criança, de acordo com o artigo 19 da Lei da Criança e do Adolescente.
Um novo significado para a guarda
O cuidado jurídico
Para a autora, o cuidado representa “uma atitude de ocupação, preocupação, responsabilidade e preocupação com os outros; afeta a natureza e a constituição do homem'243, em suma, o cuidado é um 'modo especial de ser'244. PEREIRA, Tânia da Silva; OLIVEIRA, Guilherme de; COLTRO, Antônio Carlos Mathias (org.) Cuidado e carinho: projeto Brasil/Portugal 2016-2017. 252 “Ao defender o 'cuidado' como valor jurídico, somos confrontados com a identificação de princípios que vão além dos limites expressos da legalidade.
El 'cuidado' también debe informar las relaciones privadas e institucionales, conduciendo a compromisos efectivos." (PEREIRA, Tânia da Silva. 254) 'Una de las principales resistencias que el término puede evocar es que 'cuidado' casi necesariamente incluye un componente. 'Cuidado' está tan ligado al componente afectivo que la palabra siempre hace referencia a algo 'bueno' y por tanto todo lo negativo que tiene desaparece: sacrificio, desigualdad, carga y responsabilidad.' (MART N, Nuria Belloso.
In: PEREIRA, Tânia da Silva; OLIVEIRA, Guilherme de; COLTRO, Antônio Carlos Mathias (org.) Sorg en toegeneentheid: Brasilië/Portugal-projek 2016- 2017.
A releitura da guarda pelo cuidado
O artigo 33 do Estatuto da Criança e do Adolescente cumpre melhor essas funções do que o artigo 1.583, § 1º, do Código Civil de 2002, pois define a tutela como o dever de prestar assistência moral, material e educacional. A este artigo somam-se o artigo 35 do Estatuto da Criança e do Adolescente264 e o artigo 1.586 do Código Civil de 2002265, que autorizam a mudança de guarda para atender aos interesses dos filhos. 267 Descobrimos que o Código Civil e o Estatuto da Criança e do Adolescente usam as palavras perda e remoção do poder familiar de forma intercambiável para explicar o mesmo fenômeno.
Mais uma vez, o Estatuto da Criança e do Adolescente oferece uma alternativa mais adequada ao caráter assistemático do Código Civil. Ou seja, o Estatuto da Criança e do Adolescente acolhe o entendimento de que o descumprimento dos deveres parentais de cuidado autoriza a suspensão ou destituição das responsabilidades parentais. 276 O Título II do Estatuto da Criança e do Adolescente (“Direitos Fundamentais”) dá mais detalhes sobre esses direitos beneficentes devidos à criança.
O direito de visitação estende-se a todos os avós, a critério do juiz, atendendo aos interesses da criança ou adolescente. A necessidade de modular os cuidados parentais deve visar a promoção dos interesses da criança. 1.584, § 2º, do Código Civil, sem falar na possibilidade de extinção da guarda compartilhada em situações excepcionais, atendendo ao princípio do melhor interesse da criança e do adolescente.
O fim da guarda como posse e novos arranjos parentais
A distribuição das assistências no modelo de guarda como cuidado
Esta preocupação não ocorre na guarda conjunta, porque ambas as partes exercem o poder familiar e existe um sistema de freios e contrapesos inerente ao exercício da guarda conjunta. Estas regras que determinam o exercício da guarda e a distribuição de responsabilidades entre tutores e não-tutores são incompatíveis com a proposta desta tese de reformular a guarda como cuidado, porque não atendem aos princípios da parentalidade responsável e do melhor interesse da criança . Um último tópico que vale a pena abordar nesta questão envolve a possibilidade de um ou ambos os progenitores optarem por não exercer a guarda.
Essa disposição consta do artigo 1.584, § 2º, do Código Civil318, que autoriza a instituição da guarda unilateral, no sistema do Código, quando um dos pais declara não querer a guarda do filho. As peculiaridades do caso específico inviabilizam a implementação da guarda compartilhada dado o princípio do superior interesse da criança. Polêmica: dizer em que circunstâncias a guarda compartilhada poderá deixar de ser implementada, à luz da nova redação do art.
A guarda compartilhada deixará de vigorar somente quando um dos sucessores estiver impossibilitado de exercer o poder familiar, fato que deverá ser declarado antes ou incidentalmente à ação de guarda, por meio de decisão judicial, no sentido de suspensão ou perda da guarda. Poder familiar.
O descumprimento dos cuidados na guarda
O descumprimento das assistências devidas diretamente aos filhos
Para as parcelas pagas mais de três meses após o cumprimento da pena, a execução poderá ser realizada mediante obrigação pecuniária do devedor, nos termos do artigo 528, § 8º, do Código de Processo Civil347. Caso pretenda, o credor de alimentos pode optar pelo rito de cumprimento da pena em vez do procedimento previsto no artigo 528.º do Código Civil relativamente às três últimas prestações da obrigação349. Recurso especial interposto contra decisão proferida nos termos do Código de Processo Civil de 1973 (Declarações Administrativas nºs 2 e 3/STJ).
528, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015, que dispõe expressamente que, no caso de não pagamento de pensão alimentícia, “a prisão será cumprida em regime fechado, sendo o preso separado dos presos comuns”. Recurso especial interposto contra decisão publicada nos termos do Código de Processo Civil de 1973 (Declarações Administrativas nº 2 e 3/STJ). Há, portanto, o dever dos pais de fiscalizarem a utilização adequada dos recursos financeiros destinados aos filhos, mas esta responsabilidade, conforme mencionado no artigo 1.583, § 5º354, do Código Civil, não tem por finalidade impor dívidas indevidas ao devedor. , mas garante que os valores sejam revertidos em favor da criança ou, ainda, que o auxílio-guarda seja alterado para preservar o melhor interesse da criança355.
O artigo 536.º da Lei de Processo Civil constitui a base jurídica desta solução356, cuja decisão é específica.
O descumprimento da guarda que afeta o outro genitor e o filho comum
In: TEIXEIRA, Ana Carolina Brochado; RIBEIRO, Gustavo Pereira Leite (coord.) Handboek familie- en erfrecht.