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Tese - Fernando Uhlmann Soares - 2020.pdf

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Academic year: 2023

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Por meio dessas narrativas foi possível compreender os aspectos obscuros e contraditórios do pensamento do trabalhador migrante nordestino sobre a cidade de Rio Verde. Ao percorrer o perímetro urbano, foram analisados ​​os componentes iconográficos das principais ruas da cidade de Rio Verde. Confirmam que os trabalhadores migrantes do Nordeste constituem uma das principais forças de trabalho manual na cidade de Rio Verde.

Esta rede é de extrema importância, pois representa uma das principais características da migração nordestina na cidade de Rio Verde. Pretende revelar o que existe na atmosfera do pensamento quando o trabalhador migrante nordestino descreve a cidade de Rio Verde como uma de possibilidades. O procedimento iconográfico da fotografia possibilitou compreender as trajetórias territoriais desses sujeitos na cidade de Rio Verde.

Tabela 1 - Cronograma de atividade desenvolvidas
Tabela 1 - Cronograma de atividade desenvolvidas

RIO VERDE: FORMAÇÃO TERRITORIAL E INTEGRAÇÃO

ELEMENTOS DA FORMAÇÃO ECONÔMICA DE RIO VERDE

  • Rio Verde sob a escala geopolítica de modernização do território do
  • Implicações territoriais no Sudoeste Goiano: o caso de Rio Verde

Conforme apontado nos estudos de Estevam (2004), Peixinho (2006) e Teixeira Neto (2012), a pequena aglomeração que compunha o Rio Verde no século XIX surgiu em uma região cujas paisagens gerais de Cerrado eram ocupadas pela pecuária extensiva. Portanto, entende-se que a transformação de Rio Verde em um importante centro agroindustrial do país (XAVIER, 2013; SANTANA, 2017) e um centro de atração de trabalhadores migrantes nas últimas décadas, requer uma análise geopolítica de Goia e do território do Cerrado. Consequentemente, o avanço da modernização territorial em Goiás e nos territórios do Cerrado foi fortalecido diante dos novos projetos de infraestrutura e urbanização nas décadas de 1950/60.

A mais significativa delas, e representando uma nova fase da “urbanização do Cerrado” (CHAVEIRO, 2010; PELÁ, 2014), foi a construção de Brasília e a transferência da capital federal do Rio de Janeiro para o Planalto Central. Assim, ficou demonstrado até o momento que a partir de 1930 a construção de Goiânia, a criação do CANG e a construção de Brasília constituem três empreendimentos centrais para a compreensão do progresso da modernização territorial em Goiás e, por extensão, no território goiano . Gordo. Com o objetivo de dotar as áreas do Cerrado de infraestrutura técnica e tecnológica e de investimento empresarial, programas como o Programa de Desenvolvimento do Centro-Oeste (PRODOESTE) tiveram forte foco regional na agricultura.

Destaca-se, assim, o Programa de Assentamento Gerenciado Alto Paranaíba (Padap), iniciado em 1973 nas áreas de Cerrada do Alto Paranaíba, Minas Gerais. Como aponta Gomes (2008), a inclusão do Cerrado na nova DIT surgida no pós-Segunda Guerra Mundial. Dentre esses programas, destacam-se o POLOCENTRO e o PRODECER como projetos que fortaleceram o processo de territorialização do capital nas áreas de Cerrado da região Centro-Oeste e especialmente no estado de Goiás.

No caso específico de Rio Verde, a presença da intervenção territorial representada pelas ações planejadas pelo PRODECER, tem beneficiado o processo de apropriação e uso das terras do Cerrado. Além disso, esse processo foi territorializado e ampliado de forma diferente e desigual no território do Cerrado goiano.

Figura 2 - Pátio da BRF em Rio Verde, Goiás.
Figura 2 - Pátio da BRF em Rio Verde, Goiás.

RIO VERDE: CAPITAL DO AGRONEGÓCIO

  • A cidade do agrotóxico

Como celeiro agrícola, as áreas do Cerrado goiano e especificamente Rio Verde também sustentam assim a designação convencional como “capital do agronegócio”. Por possuir o maior PIB agrícola do estado de Goiás, Rio Verde é, portanto, considerada a “capital do agronegócio” do estado. Percebe-se, portanto, que o município de Rio Verde é um território resumo do Estado de Goiás devido à excelente situação econômica do interior goiano com atividades voltadas para os setores agrícola, industrial e agropecuário.

Contudo, é no setor primário que são visíveis as ações dos vetores que irradiam a representação de Rio Verde como “capital agrícola”. Observa que a Região Centro-Oeste, o Estado de Goiás e o Município de Rio Verde atendem a três partes: a produção de produtos de grãos, a pecuária e a exploração mineral, além da instalação de grupos de empresas globais. Nos últimos anos, Rio Verde tornou-se o principal centro econômico no ranking de exportações goianas.

É possível identificar que a inserção de Rio Verde na rota globalizada do capital se dá por meio da exportação de carnes, grãos e seus derivados. Da mesma forma que a proclamada “cidade do agronegócio”, Rio Verde também pode ser considerada uma “cidade dos agrotóxicos”. Se apenas a quantidade de produção serve aos produtores rurais para chamar o município de Rio Verde de capital ou “cidade do agronegócio”, o contexto está aqui estabelecido.

Na foto à direita está a manchete de uma transmissão (inter)nacional sobre a pulverização sofrida por alunos e funcionários de uma escola rural no município de Rio Verde. Como resultado de investigações conjuntas realizadas pela Repórter Brasil, Public Eye e Agência Pública, foram detectados 16 tipos diferentes de agrotóxicos na água consumida pela população de Rio Verde.

Figura 3 - Rio Verde das Abóboras.
Figura 3 - Rio Verde das Abóboras.

IMPLICAÇÕES NA DINÂMICA DEMOGRÁFICA RIO-VERDENSE

Isso, somado a outros fatores como a expropriação da população rural da região sudoeste, contribuiu para o crescimento populacional de Rio Verde, que se acentuou a partir de 1970. No gráfico 4 é possível perceber dois intervalos de aumento acentuado da população crescimento em Rio Verde devido à consolidação das mudanças territoriais, relacionadas principalmente à presença do Estado-nação. O segundo período de notável crescimento populacional de Rio Verde começa com a implantação do complexo agroindustrial na virada do século XXI.

Neste período de vinte anos, que vai de 2000 a 2020, o crescimento da população residente em Rio Verde passou de 116,5 mil para cerca de 236 mil habitantes. Vale ressaltar que a taxa média geométrica anual de crescimento de Rio Verde está na faixa de 4%, enquanto a taxa estadual é de 1,84% e a taxa brasileira é pouco superior a 1,0%. Este aumento da população residente em Rio Verde está relacionado não só com a migração, mas também com o deslocamento rural-urbano, como pode ser analisado no gráfico 5.

Pelo gráfico percebe-se que a população rural de Rio Verde no período entre 1950 e 1970 era maior que a população urbana. Confirmando o que foi analisado no gráfico 4 acima, a década de 1960 parece ser o marco temporal para o início da redução da população rural e do crescimento acelerado da população urbana. Por outro lado, como já foi apresentado, o crescimento acelerado da população urbana aprofundará as desigualdades e a segregação espacial.

Isso mostra que em Rio Verde existe uma área ocupada por monoculturas intensivas em capital e tecnologia para atender ao modelo agroexportador. Além disso, a tentativa de periodizar as medições sobre as mudanças na dinâmica demográfica de Rio Verde mostra que a partir do início da década de 1990 o aumento da população local passou a depender do crescimento do número de migrantes de diferentes regiões brasileiras.

Gráfico 4 - Evolução da população residente em Rio Verde, 1950 a 2020.
Gráfico 4 - Evolução da população residente em Rio Verde, 1950 a 2020.

A RIO VERDE NORDESTINA: MÃOS QUE MIGRAM

O GOIÁS NORDESTINO

Ela é responsável pelo Centro de Assistência ao Migrante (CAM) que funciona na rodoviária e faz parte da Secretaria de Assistência ao Migrante (SAM) do Município de Rio Verde. A Figura 9 apresenta o dígrafo da rede socioafetiva da migração nordestina em Rio Verde, com base em dados coletados em conversas e em Cartas de Vida. O Globo Repórter divulgou a notícia de que a cidade de Rio Verde era uma máquina de empregos.

O ponto de entrada, mas muitas vezes também o ponto de saída, para os trabalhadores migrantes nordestinos é principalmente a rodoviária da cidade de Rio Verde. O Gráfico 11 mostra a distribuição por gênero da população migrante nordestina em Rio Verde para 2010. Especificamente, a Bahia acaba sendo a maior população nordestina residente em Rio Verde e Goiás.

Descrever a situação dos migrantes nordestinos em Rio Verde é uma das formas acadêmicas de explorar suas relações interpessoais e territoriais no município de Rio Verde, Goiás. Dito isso, podemos afirmar que a formação de uma rede socioafetiva nordestina está intrinsecamente ligada. para a área de produção e ocupação da cidade de Rio Verde. Os amigos que tenho em Rio Verde moram em Rio Verde, mas são de cidades diferentes.

É interessante, portanto, notar que o retrato transmitido da vida em Rio Verde refere-se apenas a conquistas. O próximo mosaico de geofotografias, Figura 17, mostra diversas atividades e exposições laborais dos migrantes em Rio Verde.

Tabela 4 - População residente não nascida em Goiás, por Mesorregião, 2010.
Tabela 4 - População residente não nascida em Goiás, por Mesorregião, 2010.

A RIO VERDE NORDESTINA

  • A Rede Socioafetiva de Migração
  • Rodoviária de Rio Verde: a porta de entrada do trabalhador migrante
  • A Rio Verde Nordestina: a nova morada do migrante

A REPRESENTAÇÃO SOCIAL DO MIGRANTE NORDESTINO

AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS EM SERGE MOSCOVICI

O QUE FALA O TRABALHADOR MIGRANTE NORDESTINO

QUADRO SÍNTESE DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS

Como vimos, as representações sociais construídas pelos trabalhadores migrantes nordestinos sobre Rio Verde através de suas cartas de vida demonstram suas conquistas, mas também ambiguidades e contradições. A diversidade e a contradição referem-se ao estudo das representações sociais como um processo, aqui entendido não como processamento de informação mas como práxis, ou seja, tomando como ponto de partida a funcionalidade das representações sociais na orientação da ação e da comunicação. Portanto, abrem-se duas perspectivas ricas para o estudo das representações sociais como processo: por um lado, a perspectiva mais tradicional de estudar os muitos para compreender a diversidade; por outro lado, o estudo de casos únicos para encontrar os mecanismos cognitivos e afetivos de elaboração das representações na relação entre representação e ação.

Embora os migrantes do Nordeste, bem como os migrantes dos municípios vizinhos do sudoeste de Goia e mesmo os trabalhadores nascidos em Rio Verde, façam o discurso dominante sobre Rio Verde como uma cidade economicamente próspera, dinâmica, moderna e desenvolvida, no caso do O trabalhador migrante nordestino, como visto, percebe o preconceito e o autoritarismo dos indígenas em relação à sua pessoa e presença. Compreende-se então como são empregados os milhares de trabalhadores migrantes do Nordeste que chegam a Rio Verde e a grande dificuldade de ascensão social. Portanto, estas ainda são regiões onde os trabalhadores pobres têm dificuldade em sustentar as suas vidas nesses países.

Ao observar o gráfico 18 das ofertas de empregos formais dos estados brasileiros, mesmo que o contexto atual seja diferente do período em que os trabalhadores nordestinos migraram, fica claro que as menores taxas estão nos estados nordestinos, exceto, por exemplo, diante . da atual crise estrutural no Rio de Janeiro. Sem o propósito de discutir políticas públicas e a participação do Estado brasileiro na constituição da desigualdade social e regional, como demonstrado nas cartas, a migração para uma cidade como Rio Verde não resolve as desigualdades. Contudo, qualquer ritmo de progresso e esperança de uma vida melhor, que ocorre em muitos casos, faz com que o migrante desenvolva a representação da área com base nas representações daqueles que a dominam.

As representações do migrante apresentam, assim, as tensões e ambiguidades que refletem o processo migratório no Brasil. É por isso que é importante que os migrantes contem as suas histórias de vida, descrevam o seu sofrimento e as suas conquistas.

Gráfico 17 - Saldo de vagas formais entre janeiro e fevereiro de 2019.
Gráfico 17 - Saldo de vagas formais entre janeiro e fevereiro de 2019.

GEOFOTOGRAFIAS E TRAJETÓRIAS SOCIOTERRITORIAIS . 179

DA TOTALIDADE ÀS PARTICULARIDADES: NARRATIVAS DE VIDA

Imagem

Figura 1 - Monumento ao Desenvolvimento Econômico-Cultural de Rio Verde
Mapa 1 - Mesorregiões, Microrregiões e Regiões de Planejamento de Goiás
Mapa 2 - Área de estudo, Rio Verde, município e cidade
Gráfico 1 - Distribuição percentual da população brasileira indigente em 1990.
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Referências

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