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Teses-2020-Ana-Teresa.pdf

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Academic year: 2023

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Rio de Janeiro, cidade-mercadoria: (des)construção de sentidos sobre a cidade e sua marca em documentários televisivos internacionais em tempos de megaeventos. Como tudo mais, os interesses econômicos e a fama internacional são os motores da dramática transformação do Rio de Janeiro.11.

O Movimento Documentário Britânico e os documentários de televisão

O episódio evidencia as dificuldades de adaptação das práticas de trabalho documental (pequenas unidades operando com considerável grau de liberdade criativa) às estruturas institucionais da televisão (grandes, burocráticas e hierarquizadas). No entanto, as práticas institucionais dos documentários televisivos mostram a extensão de seu "tratamento criativo" com bastante rigor.

A trilha sonora e suas narrativas musicais

Fica claro o papel da música e do gênero musical nessas produções de sentidos no produto audiovisual e como eles servem para construir uma possível e desejada representação da cidade pelos produtores da série. Também é interessante observar como os gêneros musicais mediam a produção de sentidos nas imagens (que podem ter uma interpretação diferente no caso de uma trilha sonora diferente) por meio dos significados que carregam.

A construção das emoções sobre, na e para a cidade

Welcome to Rio – Peace: construção da empatia e consumo da alteridade

54 Do original: “But for those of us who live in the favela, pacification is a mixed blessing. 58 Do original: "Sure it's quite cozy, but we'd rather that than be apart". 59 Do original: "But rich or poor, there is sure to be one disaster that will befall any parent: teenagers.

70 Do original: “It's only a few hundred yards away, but it might as well be another planet. 75 Do original: “Acme's customers are not the only ones struggling to pay the bills.

Bope: morte e salvação, ou a alteridade da alteridade

Destaca-se, nesse sentido, a ideia de uma Instituição, de um poder centralizado, que se soma à monopolização da força e da violência física, conforme proposto por Elias (1994), como parte de um processo civilizatório moderno. Aqui, nosso erro pode custar uma vida” – esta é uma das últimas falas do tenente Gripp para o episódio. Por fim, dado o contexto da produção documental, é importante reconhecer o papel desse artefato na construção da marca de uma cidade que será consumida, no caso dos megaeventos.

No próximo capítulo, serão apresentadas as principais narrativas que compõem os discursos oficiais da cidade-empresa, cidade-mercadoria e pátria, tanto do ponto de vista do desejo da cidade de construir seu planejamento estratégico, quanto em relação ao Comitê Olímpico Internacional como detentora de uma das principais e mais valiosas marcas do mundo - os Jogos Olímpicos -, ponto de partida fundamental para a operacionalização do projeto. É também sobre como os megaeventos podem contribuir para o crescimento econômico, geração de empregos (ainda que glamorizando a informalidade como uma oportunidade) e sustentabilidade, sendo o megaevento um catalisador para um “retorno à natureza”.

A construção dos imaginários de salvação por meio dos megaeventos esportivos

Atinge seu ápice com a reunião de atletas do mundo inteiro no grande festival esportivo, os Jogos Olímpicos. A ideia de que os Jogos Olímpicos deveriam deixar um legado remonta a 1940 (Torres, 2011) e a partir do final da década de 1940 a palavra legado apareceu na documentação olímpica (McIntosh, 2003). Inclui todos os benefícios tangíveis e intangíveis de longo prazo iniciados ou acelerados pela realização dos Jogos Olímpicos/eventos esportivos para pessoas, cidades/territórios e o Movimento Olímpico”.

É um documento que visa resolver o que chamam de “desafio” quanto à “percepção” do legado dos Jogos Olímpicos. E se a imagem da cidade é o principal produto a ser consumido, também se deseja a construção de uma “paisagem de perfeição”.

A cidade global e a economia dos megaeventos

Cidade global: um conceito em disputa

A tese do lugar de exceção revela alguns dos “legados obscuros” ocultos pela narrativa oficial, embora não haja (ou tenha havido) uma perspectiva unificada nas análises acadêmicas. Como exemplos, destaco a história do investimento da cidade do Rio de Janeiro na realização de megaeventos (FREITAS, 2011) e como isso pode afetar agora o desejo de incluir a cidade no circuito internacional da economia do turismo, uma das principais influências dos eventos da cidade; e esforços para construir essa cidade “impossível não amar” e segura para visitar por meio de documentários seriados sobre turismo, incluindo favelas em novas geografias de consumo turístico (GOTARDO, 2016). E considerando, como Sánchez e Broudehoux (2013, p. 132), que a globalização afeta “não apenas a esfera econômica, mas também a produção do espaço, especialmente a legitimação de políticas urbanas e novos paradigmas de ação” e que “a produção de a cidade olímpica resultado de um intenso processo de construção de imagem que mobiliza múltiplos atores e complexas estratégias territoriais” (p. 133); e que há intervenções urbanas mediadas pelo conceito de cidade global, cuja expressão efetiva é o chamado planejamento estratégico120 (CARVALHO, 2000; conceito também apresentado por Sánchez e Broudehoux, 2013, e cujo grande símbolo é Barcelona); Podemos buscar relações possíveis entre a cidade global (como modelo desejado na reapropriação do conceito), as indústrias culturais e a (re)construção do Rio de Janeiro para sediar megaeventos esportivos.

Ele fornece uma imagem oficial do sucesso da cidade (para que as pessoas possam comprá-lo), o que também constitui um ponto final de desenvolvimento para cidades ambiciosas. Refletindo a ênfase da cidade global em uma gama limitada de atividades econômicas com um certo escopo global, bem como sua necessidade de categorização, a abordagem da cidade global tem um efeito semelhante, removendo a maioria das cidades do mundo de sua visão.

O aquecimento econômico como oportunidade

Quatro personagens são retratados no episódio: Rose (em relação ao marido Marcus), dona de um chamado "centro de reciclagem" no quintal de sua casa, localizada no Jardim Gramacho; Tem tudo que uma família precisa, mas não é estanque” – aparecem imagens de um grande buraco no telhado. A história se desenrola de forma a mostrar um suposto “espírito empreendedor” que se desenvolve para além de leis e políticas governamentais ou, se pensarmos criticamente, por meio de uma romantização do trabalho precário em prol de um ideal meritocrático e talvez até da construção do não -necessidade da presença do Estado (perspectiva neoliberal).

Embora aceite que este seja um conceito polêmico, considerando que as indústrias culturais são um novo campo de estudo nas Ciências Sociais, Pratt (2007, p. 2), para fins de compreensão de sua obra, define as indústrias culturais como "cinema, . Esta é, portanto, a narrativa do aquecimento econômico como uma oportunidade, mas dentro de um processo de “rebelião”, sobretudo em relação à exigência de maior protagonismo dos moradores nas decisões quanto às mudanças urbanas que para o local se planejam.

Da utopia pelo “milagre das Olimpíadas” ao paraíso tropical distópico

Já para a ONG, ela se apresenta como a possibilidade de um futuro melhor para as crianças, que “não pedem mais, como antigamente”. 180 Fonte: . É um documentário construído a partir de um conjunto de imagens contrastantes, atuais ou de arquivo (muitas vezes confundidas com imagens feitas exclusivamente para o documentário); e a produção desses significados não se esgota no contraste das imagens, ela se dá também nos recursos de edição (dos quais a música também faz parte).

A esta série de imagens que apresentam a cidade nos seus mais sólidos clichés juntam-se imagens de arquivo que confirmam as fantasias dos estrangeiros sobre a cidade (e que contribuíram para a sua construção). No caso do Rio, foi possível ver a transformação da cidade em um lugar “impossível não amar” (GOTARDO, 2016).

Da cidade colonial à cidade global: as contradições históricas

Isso é particularmente importante em alguns contextos específicos, que acreditam que o “verdadeiro” carioca é o da praia e que a favela não faz parte da cidade (para mais informações, ver GOTARDO, 2016). A respeito da obra de saneamento na Lagoa, Abreu (2011) destaca que é um exemplo importante da incorporação de uma área da cidade pelo poder público que mudou as características do local, deixando de ser uma área proletária para se tornar um área destinada à elite. Enquanto o carnaval é apresentado com imagens do centro da cidade (principalmente Cinelândia, Lapa e Sambódromo) e favelas (especialmente em imagens documentais ou fictícias de arquivo), a bossa nova marca imagens aéreas e de praia.

Tanto o samba quanto a bossa nova desempenham um papel importante na reconfiguração dos imaginários sobre os lugares da cidade, especialmente as favelas e as praias, e mais, acabam se consolidando como importantes imaginários da identidade nacional e da cidade do Rio de Janeiro. como representante de toda a nação. Dado menciona as Diretas Já e "comemora" o retorno da democracia com imagens de jogos de futebol como um gol sendo marcado, evocando outra imagem sólida da cidade e do país no contexto da produção de megaeventos esportivos.

As Jornadas de Junho e o rompimento com o projeto de cidade olímpica

As discussões vão desde esse "orgulho do passado", a parte do planejamento estratégico da cidade nativa, reconstruindo significados a partir de imagens de arquivo, discutindo os estereótipos e clichês mais arraigados associados ao Rio (e vendidos como parte da marca da cidade), até representações de o presente como uma distopia - trecho discutido no capítulo anterior deste trabalho. Durante os 25 minutos de duração, as imagens dos manifestantes são intercaladas com imagens da repressão policial, jornais e vídeos do Anonymous Brasil convocando manifestações como "ações cidadãs", além da então presidente Dilma Rousseff condenando os atos de violência. São mostradas imagens de indígenas em protesto, enquanto a narrativa destaca os custos dos preparativos do país para os megaeventos e as reformas sociais exigidas nos protestos, destacando que se tratou de um “movimento sem lideranças e sem partidos políticos”. ,201 embora o entrevistado que se apresenta logo a seguir destaque a participação de partidos políticos, ainda que não tenham instituído um processo de liderança.

Enquanto há imagens de um manifestante algemado sendo conduzido por um policial a uma van da polícia, uma paisagem sonora cheia de bombas retrata a luta. No documentário, a paisagem sonora também é um ponto de construção de conflito, ora substituído, ora misturado ao piano clássico, classificado na Tabela 2 como sombrio, belo e nostálgico, contendo imagens de violência, incluindo a polícia, além de um vendedor ambulante chorando com os efeitos do gás lacrimogêneo, e a manifestante se solidariza com a trabalhadora e lhe oferece vinagre para amenizar a sensação de queimação causada pelo gás.

A violência da política de pacificação

Turismo LGBT+ no Rio de Janeiro: as desconstruções em Gaycation

Corpos dissonantes e as lutas pelo espaço urbano

Referências

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A hipótese que defendo, e que tentarei confirmar ao longo deste trabalho monográfico, é a de que o Reino Unido de fato ampliou seus esforços na temática das