Esta monografia pretende discutir se, à luz do princípio constitucional da priorização do superior interesse do menor e do direito à convivência familiar, instituído pela Constituição Federal de 1988 e pelo estatuto da criança e do jovem, será possível conceder a adoção intuitu personae no ordenamento jurídico brasileiro. . A adoção intuitu personae é a adoção consentida quando os pais biológicos escolhem e entregam a criança ao adotante, sem que este ou a criança estejam inscritos nos registos de adoção, conforme estipulado na Lei da Criança e do Jovem. Considerando os princípios da dignidade da pessoa humana e do melhor interesse do menor, considerando a situação fática existente, é possível, assim, conceder a adoção intuitu personae no ordenamento jurídico brasileiro, garantindo assim o direito à convivência familiar protegido pela Lei Federal. Constituição de 1988 e pelo estatuto da criança e do jovem.
O tema desta monografia é a adoção intuitu personae e os princípios constitucionais, tendo como objetivo geral estudar a possibilidade de permitir a adoção intuitu personae no ordenamento jurídico brasileiro, em conformidade com o direito de convivência familiar e o princípio do melhor interesse da pessoa. o menor, e Os objetivos específicos são examinar a legislação pertinente à adoção e os princípios constitucionais que regem a instituição, bem como a análise jurisprudencial quanto à mitigação da ordem dos registros de adoção nas situações em que o vínculo afetivo entre o potencial adotante e o adotado é encontrado, se comprovado. Como problema de pesquisa, debate-se se, dado o princípio constitucional que prioriza os interesses do menor e o direito à convivência familiar, consagrado na Constituição Federal de 1988 e no Estatuto da Criança e do Adolescente, seria possível de adoção intuitu personae no ordenamento jurídico brasileiro. A discussão sobre a possibilidade de permitir a adoção intuitu personae no ordenamento jurídico brasileiro torna-se um ganho social, pois visa proteger o direito das crianças e adolescentes ao convívio familiar, ao mesmo tempo em que preserva o vínculo socioafetivo entre crianças e adolescentes. Jovens. os potenciais adotantes e a pessoa adotada.
O terceiro e último capítulo, intitulado “A Interpretação Civil Constitucional e a Concessão da Adoção Intuitu Personae”, terá como foco analisar a possibilidade de permitir a adoção intuitu personae no ordenamento jurídico brasileiro pelo prisma da interpretação civil constitucional. Dado o tema proposto, “Adoção intuitu personae e princípios constitucionais”, faz-se necessário apresentar conceitos essenciais para a compreensão deste trabalho.
PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL AO INSTITUTO DA ADOÇÃO NO
Dentre os princípios, um em especial pode ser destacado pela sua importância social: o princípio da dignidade humana. O princípio da dignidade da pessoa humana está consagrado no artigo 1º, inciso III, da Constituição Federal de 1988, que constitui a base do Estado democrático de direito. Maria Berenice Dias acrescenta que o princípio da dignidade humana é “o princípio maior, o mais universal de todos os princípios.
O direito da família é o ramo do direito privado em que o princípio da dignidade humana tem maior influência25. O princípio da dignidade humana reflecte a igual dignidade de todas as entidades familiares. O Estatuto da Criança e do Adolescente também se rege pelo princípio da proteção integral da criança e do adolescente.
O princípio da protecção integral está intimamente relacionado com o princípio do interesse superior do menor. Para proteger o direito à vida familiar destes menores, devem ser aplicados três princípios constitucionais, nomeadamente o princípio da dignidade humana; o princípio da proteção abrangente; e o princípio do melhor interesse do menor.
LEI 8.069/90 E O INSTITUTO DA ADOÇÃO
Inicialmente, o instituto da adoção era regido pelo Código Civil de 2002, bem como pela Lei da Criança e do Adolescente. Mais tarde, a lei nº. A Lei Nacional da Adoção atribuiu ao Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n) a regulamentação exclusiva das adoções. Além do Estatuto da Criança e do Adolescente, Maria Berenice Dias explica que “dois tratados internacionais estão incluídos na legislação brasileira: a Convenção sobre a Proteção da Criança e a Cooperação na Adoção Internacional, mais conhecida como Convenção de Haia, e a Convenção sobre o Direitos da Criança"61.
Com a entrada em vigor do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº), novas regras para adoção foram introduzidas no Brasil. Além disso, nas palavras de Cristiano Chaves de Farias e Nelson Rosenvald, “a falsa ideia da adoção como medicamento é para dar. Maria Berenice Dias afirma que “a adoção cria um vínculo fictício de relação paternidade-maternidade entre estranhos, análogo ao vínculo resultante da descendência biológica”69.
Em todas as exceções, Maria Berenice Dias explica que “é também fundamental comprovar que a solução é a que melhor se adapta ao interesse do adotado”91. Bordallo salienta, portanto, que com este tipo de adoção “uma das linhas de parentesco, materna ou paterna, muda”99. Embora a Lei da Criança e do Adolescente condicione a aprovação da adoção após o falecimento à propositura de ação judicial antes do falecimento, a jurisprudência tem entendido a possibilidade de aprovação desse tipo de adoção, caso a vontade de adotar seja manifestada de forma inequívoca. está provado.do falecido112.
A adoção internacional é regulamentada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente juntamente com a Convenção de Haia sobre a Proteção das Crianças e a Cooperação em Matéria de Adoção. O Estatuto da Criança e do Adolescente exige a inclusão em cadastro específico de pessoas residentes em território estrangeiro que tenham interesse na adoção. Apesar das variadas discussões sobre os benefícios e malefícios da adoção internacional, o essencial a entender, como dizem Farias e Rosenvald, é que “se a adoção é um ato de amor, seu caráter universal não pode ser negado, sendo, portanto, possível, a adoção por pessoa ou casal domiciliado no exterior"135.
Intuitu personae, adoção dirigida ou dirigida pode, na visão de Júlio Alfredo de Almeida, ser entendida como a modalidade de adoção onde “o requerente a recolhe. Há ampla discussão no ordenamento jurídico brasileiro sobre a possibilidade de concessão da adoção intuitu personae. no terceiro capítulo discutiremos, assim, a possibilidade de concessão da adoção intuitu personae no ordenamento jurídico brasileiro.
Complementando o exemplo acima, Galdino Augusto Coelho Bordallo acrescenta que “quando um filho é recebido de pais que não querem criá-lo, muitas pessoas recorrem ao Cartório Notarial. Portanto, especialmente no que diz respeito à adoção intuitu personae, é importante que a concessão da adoção se limite à proteção do superior interesse do menor e à sua proteção integral.
INTERPRETAÇÃO CIVIL CONSTITUCIONAL E O DEFERIMENTO
Portanto, torna-se imprescindível o estudo da intitu personae da adoção, sobretudo a ligação com os princípios da dignidade da pessoa humana, da proteção integral e do superior interesse do menor. Nessa convocação, os ministros do STJ decidiram aprovar a adoção intuitu personae e explicaram que o cumprimento dos registros da adoção não é absoluto. A adoção Intuitu personae é um tipo de adoção que não se limita à ordem dos pedidos de adoção.
Por isso, faz-se necessário discutir se, dado o princípio constitucional que prioriza o melhor interesse do menor e o direito à convivência familiar instituído pela Constituição Federal de 1988 e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, seria possível adotar intencionalmente personae no ordenamento jurídico brasileiro. É o que se chama de adoção intuitu personae, que não está prevista em lei, mas também não é proibida. O que se constata, portanto, é que a não concessão da adopção intuitu personae, simplesmente pelo estrito cumprimento da ordem de registo, é contrária ao direito à convivência familiar e aos princípios do superior interesse do menor, da protecção integral e da dignidade do menor. pessoa humana.
Portanto, embora a adoção intuitu personae ou adoção consensual não seja regulamentada pelo artigo, é justamente possível classificar esse tipo de adoção entre as hipóteses nele indicadas. A concessão da adoção intuitu personae dá assim ao menor a oportunidade de ver assegurado o seu sagrado direito à vida familiar. Em defesa do direito à convivência familiar e dos princípios do melhor interesse do menor, da proteção integral e da dignidade humana, é importante, portanto, a concessão da adoção intuitu personae no ordenamento jurídico brasileiro, uma vez que esta modalidade de adoção não está sujeita a registro prévio de os potenciais adotantes e o adotado nos registros de adoção, cria-se um vínculo de amor entre a criança e o casal que detém a guarda de fato da criança, vínculo que não deve ser fragmentado para proteger o limitado cumprimento da ordem de registro.
O objetivo principal deste trabalho monográfico foi discutir a possibilidade de aprovação da adoção intuitu personae no ordenamento jurídico brasileiro, segundo o princípio constitucional que dá prioridade aos maiores interesses do menor e ao direito à convivência familiar, estabelecido pelo Constituição Federal de 1988. e Estatuto da Criança e do Adolescente. O terceiro e último capítulo foi responsável por analisar a possibilidade de aprovação da adoção intuitu personae no ordenamento jurídico brasileiro pelo prisma da interpretação civil constitucional. Para tanto, foi necessário primeiramente explicar do que se trata a hermenêutica civil-constitucional, para que posteriormente pudéssemos discutir o tema principal, que se refere à possibilidade de concessão da adoção intuitu personae.
Viu-se assim no último capítulo que, considerando os princípios da dignidade da pessoa humana e do melhor do menor, dada a situação fática existente, é possível conceder a adoção intuitu personae no ordenamento jurídico brasileiro, garantindo assim a direito à convivência familiar protegido pela Constituição Federal de 1988 e pela Lei da Criança e do Adolescente. A adoção intuitu personae é uma forma de adoção que não se limita ao registo prévio dos potenciais adotantes e dos adotados. A Constituição Federal de 1988 tem como um dos seus princípios a proteção integral das crianças e jovens e o melhor interesse dos menores.
A adoção Intuitu personae não está isenta de processo de adoção, mas apenas isenta do cumprimento da obrigação de registo. Portanto, confirmando a hipótese estabelecida neste trabalho monográfico, entende-se que em conformidade com os princípios da dignidade humana, da proteção integral e do melhor do menor, é importante a concessão da adoção intuitu personae no ordenamento jurídico brasileiro, especialmente porque esta A forma de adoção cria um vínculo de amor entre os potenciais adotantes e os adotados, de modo que é assegurado ao menor o direito à convivência familiar, direito garantido pela Constituição Federal de 1988 e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente com absoluta prioridade.