Minha esposa Rayele, que sempre me amou e sempre esteve ao meu lado nos momentos mais difíceis, me ajudando e apoiando nesta fase da minha vida. Faculdade Doctum de Caratinga e seus professores, que sempre se dispuseram a nos transmitir seus conhecimentos e contribuir com minha formação.
DO PROCESSO PENAL E SUAS PROVAS
- Princípios Relacionados
- Princípio da Legalidade
- Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa
- Princípio da Verdade Real
- Princípio da Inadmissibilidade das provas obtidas por meios ilícitos
- Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade
- Conceito e função das provas
- Provas ilícitas e sua proibição perante a constituição
- Provas derivadas das ilícitas
- Provas Ilegítimas
- Admissibilidade das provas ilícitas perante o principio da proporcionalidade
- Os tipos de gravações e suas diferenças
- Interceptação
- Escuta
- Gravação Clandestina
- Projeto de Lei - PL 3.514/89
- Considerações sobre a lei 9.296/96
Outro princípio importante no processo penal, que tem gerado discussão sobre a sua aplicabilidade, é o princípio da proibição do uso de provas ilegais no processo penal. Por fim, apesar da proibição constitucional, a doutrina tem sido dividida em três correntes distintas em relação às provas ilegais em processos penais. Na primeira vertente, as provas ilegais são completamente ignoradas e não devem ser aceites nos termos do art.
Na segunda vertente, o uso de provas ilegais é permitido apenas nos casos em que essas provas foram produzidas em nome do princípio da verdade real. Na terceira vertente, o uso de provas ilegais é permitido excepcionalmente, sob os olhos do princípio da proporcionalidade26. Como visto acima, e como regra geral, o uso de provas ilegais em julgamento é claramente proibido pela nossa Constituição e pela nossa.
Apesar desse entendimento afirmado por essas nações estrangeiras, devemos ressaltar que a proibição do uso de provas ilegais é uma garantia constitucional do indivíduo, e que o princípio da proporcionalidade, portanto, não nega o direito de não ser acusado com base em provas ilegais. . .34 Este conceito também foi investigado pelo Min. Deve-se, portanto, notar que a doutrina e a jurisprudência nacionais não aceitaram o uso de provas ilegais em situações em que tais provas são utilizadas contra o réu, exceto nos casos em que essas provas podem ser exculpadas. o acusado.
DIREITOS FUNDAMENTAIS EM RELAÇÃO ÀS GRAVAÇÕES CLANDESTINAS
Os direitos humanos e os direitos fundamentais
- Conceitos
- A limitação dos direitos fundamentais
Em suma, os direitos humanos são os direitos previstos em tratados e outros documentos internacionais, mesmo que não estejam incorporados no sistema jurídico de um país.64. Quanto à expressão direitos fundamentais, é amplamente utilizada pelos constitucionalistas65; para tanto está presente na nomenclatura do Título II da nossa Constituição e no artigo 17, caput, que diz: “A criação, a fusão, a incorporação e a extinção são isentas de partidos políticos, garantindo a soberania nacional, o regime democrático, o multi- sistema partidário, os direitos fundamentais da pessoa humana e...'66 (grifo nosso). 34; Os direitos fundamentais” e os “direitos humanos” diferem, portanto, apenas em termos da sua positivação, sendo os primeiros normas exigidas ao nível do Estado interno, enquanto os últimos são aplicáveis ao nível do direito internacional.68.
Falar em limitar os direitos humanos fundamentais parece inicialmente autoritário e vai além do significado para o qual foram criados. Contudo, não devemos esquecer que tais limitações, se aplicadas proporcionalmente, poderiam levar à garantia de um direito que seria limitado por um conflito com outro direito de menor importância. Já temos na Constituição vários exemplos de direitos fundamentais limitados, como o artigo 5.º, ponto Como podemos ver, até o Estado tem autonomia para limitar os direitos fundamentais dos indivíduos; Logicamente são casos específicos, mas devemos lembrar que as limitações devem ser excepcionais e não ultrapassar os limites impostos pela norma, ou nos casos Na ausência de norma e na presença de conflitos, os limites serão baseados no princípio da proporcionalidade, como o conflito entre a proteção da privacidade e a proteção da segurança pública78.
O direito à privacidade e o sigilo das comunicações
- O direito à privacidade e a intimidade
- O sigilo das comunicações presentes na constituição
- Os limites ao direito à privacidade e ao sigilo das comunicações
Desta forma, podemos dizer que a intimidade e a vida privada são dois círculos concêntricos que dizem respeito ao mesmo direito: o direito à privacidade ou o direito a ficar sozinho. Por isso, podemos pensar que, apesar das diferenças entre ambos os termos, não percebemos argumentos que impeçam a utilização da expressão direito à privacidade para tratar também do direito à intimidade, afinal, como mencionado acima, a intimidade está incluída no direito à privacidade, então, ao tratar do direito à privacidade, estaríamos também a lidar com a intimidade. Antes da actual Constituição, os direitos inerentes ao sigilo das comunicações eram tratados sem quaisquer reservas, sendo estritamente proibida a violação do sigilo da correspondência e das comunicações.
Como já mencionado, os direitos fundamentais não são absolutos, portanto podemos dizer que o direito de um indivíduo à privacidade também não é absoluto, afinal também é um direito fundamental. Tal como o direito à privacidade, o sigilo da comunicação pode ser limitado, pois é também um direito fundamental. Conforme já apresentado, o sigilo da comunicação pode ser limitado por reserva especificada na norma que a garanta como direito, mas esta restrição não se limita apenas a este caso, mas pode haver restrições nos casos recomendados pelo princípio da proporcionalidade, como expressa Gilmar Mendes quando diz que “se não houver direitos absolutos, o sigilo das correspondências e mensagens telegráficas pode ser limitado mesmo nos casos recomendados pelo princípio da proporcionalidade”92.
As gravações clandestinas e o direito à privacidade
Outra questão relacionada com as restrições às gravações secretas é que tais gravações não são admissíveis quando os agentes estão a ter uma conversa informal com um prisioneiro ou arguido. De referir ainda que o ministro admitiu que existe uma diferença entre a escuta telefónica e a referida gravação, salientando que no caso em apreço não se tratou de escuta telefónica, eliminando assim o conflito entre as gravações secretas e o sigilo da comunicação e centrando-se no litígio aos direitos à privacidade. Apesar da prevalência do princípio da proporcionalidade no conflito entre gravações secretas e o direito à privacidade em questões relacionadas com a defesa, devemos ter consciência de que quando este meio de prova é utilizado na acusação, a tendência é não aceitar que o o direito à prova e o interesse social em punir os crimes se sobrepõem ao direito do arguido à privacidade, pelo que o princípio da proporcionalidade não se aplicaria.
Outra questão que também suscitou dúvidas seria o conflito entre gravações clandestinas e o direito à privacidade da comunicação. Nesse sentido, podemos dizer que as gravações clandestinas realmente não conflitam com o sigilo das comunicações presente na Constituição, portanto é mais correto dizer que tais provas conflitam com o direito à privacidade, excluindo a hipótese de ilegalidade baseada no sigilo protegido .constitucional. Através desta afirmação podemos observar que as gravações clandestinas são, na verdade, provas legais que podem ser utilizadas em processos penais e que em casos de conflito de valores, como proteção da liberdade da privacidade, direito à privacidade. devem ser mitigados à medida que o conflito é observado em cada caso.
GRAVAÇÕES CLANDESTINAS E O ENTENDIMENTO ATUAL DOS TRIBUNAIS
As gravações clandestinas na visão do STF
- Recurso Extraordinário – RE 402717/PR
- Recurso Extraordinário – RE 583937/RJ
- Ag.Reg. no Agravo de Instrumento – AI 560223/SP
- Habeas Corpus com Medida Cautelar – HB 148864/ES
Cezar Peluso, relator do processo, emitiu decisão no RE 583.937/RJ, que reconheceu as consequências gerais e confirmou seu entendimento sobre o reconhecimento de gravações de conversas de um dos interlocutores, e que consequentemente anula o processo a partir do momento em que tal a gravação era inadmissível como prova. Como podemos verificar nas palavras do ministro: “Este entendimento corresponde à mesma relação que a validade de uma gravação telefónica feita por um dos interlocutores, pois em nenhum dos casos a gravação de um dos interlocutores pode ser considerada como escuta telefónica”. . A prova que consista na gravação de uma conversa telefónica efectuada por um dos interlocutores, sem o conhecimento do outro, é admissível se não existir motivo jurídico especial para o sigilo ou reserva da conversa.
Marcelo José Dinamarco gravou uma conversa, da qual também foi um dos interlocutores, dentro de um escritório de advocacia. O plenário do STF confirmou no julgamento da questão de despacho no RE-RG-583.937/RJ a jurisprudência do Tribunal no sentido de que a gravação obtida por um dos interlocutores sem isso. É lícita a prova que consiste em registro ambiental realizado por um dos interlocutores sem o conhecimento do outro”. CEZAR PELUSO, PADRÃO GERAL - DJe MÉRITO Além disso, não é necessário proteger os direitos do paciente.
As gravações clandestinas na visão do STJ
- Habeas Corpus - HC 292858 / ES
- Agravo Regimental no Recurso Especial - AgRg no AREsp 1084333/PR
Respeitando esta decisão sobre a medida liminar, vemos que o Ministro Gilmar Mendes proferiu a sentença com base no Recurso Extraordinário RE 583.937/RJ, já demonstrado acima, que aceita o registro clandestino como lícito no processo. Trata-se de um caso de Habeas Corpus que foi julgado em 2015 e, entre outras coisas, o peticionário questiona a utilização do registro clandestino como fundamento da denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo. Em princípio, a gravação clandestina (feita por um dos interlocutores, sem o consentimento dos demais), quando produzida com a finalidade de provar a inocência do acusado ou investigado, no exercício do direito de defesa, ainda na polícia esfera. , não se trata de provas ilegais.
A defesa pede que o processo seja declarado inválido, pois quando questionam a sentença, dizem que foi baseada em provas ilegais, gravação clandestina. Neste caso, conforme consta da súmula, a denúncia não foi acatada, pois o ministro relator não constatou nenhum dano ao condenado, por considerar que o registro clandestino não foi a única prova em que se baseou a condenação. Nesse contexto, reafirmo que a jurisprudência deste Supremo Tribunal Federal está firmada ao enfatizar que, “caso seja feita gravação clandestina por um dos interlocutores, são válidas as provas obtidas” (RMS n.
Entendimento de outros tribunais
No mesmo entendimento, temos também a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), para o processo nº, onde uma gravação clandestina foi utilizada por policiais rodoviários registrando o momento. A prova obtida a partir da gravação de conversa, por um dos interlocutores, é legal, com o objetivo de produzir elementos necessários à reconstrução da verdade e à demonstração da ocorrência de infração penal. Neste caso, como vemos que a gravação clandestina foi aceita como um dos meios de prova contra o réu, ainda que tenha sido realizada por um policial sem o conhecimento do réu, apesar disso, devemos ter em mente que a gravação da infração penal difere dos casos em que o preso é interrogado informalmente e o que é ilegal, como já visto.
Dependendo dos fundamentos da sentença já transcrita, não é ilegal gravar uma conversa de um dos interlocutores com o objetivo de produzir provas necessárias para reconstruir a verdade e impedir a ocorrência de um fato em um processo criminal para demonstrar teoria. Como podemos perceber nesta análise, as gravações clandestinas apresentam uma curiosa diferença em relação aos demais métodos de gravação, pois envolvem gravações de um dos interlocutores. Disponível em: