Quebrando o espelho: ação e autorreflexão numa experiência com o gênero discursivo storyboard no ensino de língua portuguesa. TESE O espelho se estilhaça: ação e autorreflexão numa experiência com o gênero discursivo storyboard no ensino de língua portuguesa / Raphael Cássio de Oliveira Pereira. Como objetivo, esta dissertação tenta desvelar o processo de construção do professor em sala de aula com seus alunos em torno de um gênero discursivo que tem despertado seu interesse.
Autoetnografia
A visão exotópica do professor o impulsiona tanto a aprimorar sua técnica em sala de aula, sua prática pedagógica quanto a desenvolver suas habilidades como pesquisador, refletindo e aplicando a teoria adquirida na formação acadêmica em suas intervenções com os alunos e analisando constantemente as situações. em informações relevantes para compartilhamento em um gênero acadêmico como a dissertação de mestrado profissional na área de literatura com ênfase em linguagem e letramentos. Envolve uma introspecção autoconsciente guiada pelo desejo de compreender melhor tanto “o eu” como “os outros” através do exame das suas ações e percepções em relação e no diálogo com os outros. Nesse método, há clara preocupação em representar interações com outros sujeitos investigados e com os temas de pesquisa.
A formulação da pesquisa
No meu planejamento, resolvi levar para sala de aula para que os alunos, a partir dessas imagens, pudessem produzir narrativas que se relacionassem. Essas perguntas exigiam que os alunos escrevessem com autoridade sobre o que entenderam ao ler em sala de aula. Nessa etapa de criação do storyboard, os alunos também tiveram liberdade para usar o celular nas aulas.
Espaço e sujeitos da pesquisa
A escola
É um fenômeno biopsicossocial complexo e dinâmico, mas seu lugar de criação e desenvolvimento é a vida em sociedade (Minayo, 1994, p. 28). Este é um problema que afecta o mundo inteiro, mas em países em desenvolvimento como o nosso ocorre de forma mais forte e permanente. A própria comunidade do Morro do Céu, localizada nos limites de um município extremamente desenvolvido como Niterói, no bairro de Caramujo, é uma prova dessa desigualdade.
O Canal Anchieta
A escola funciona com uma infraestrutura que conta com os seguintes espaços: 10 salas de aula; sala de informática; laboratório de ciências; sala de leitura; sala para professores com banheiro independente; Sala de recursos; câmera de vídeo; espaços administrativos (secretaria e gerência e banheiro); sala de jantar; cozinha; despensa; vestiário e banheiro exclusivos para funcionários; banheiros estudantis adaptados para portadores de necessidades especiais; armazéns; quadra poliesportiva coberta e área externa (coberta e aberta). Os vídeos produzidos pelos alunos como resultados desta pesquisa e proposta de tese foram exibidos no Canal Anchieta para que toda a comunidade escolar tivesse acesso. Esta é uma importante mudança de paradigma para a comunidade onde a escola está inserida, uma vez que na prática as aulas são vistas pelos alunos como apenas “dever” e os professores as medem por esta diretriz: “isto é mais um dever” e “isto é menos de dever”. uma tarefa".
As turmas
Nas aulas de língua portuguesa, os alunos apresentam grande dificuldade em desenvolver a escrita autônoma e ler com segurança, escrevendo ou falando sobre o que lêem sem a ajuda do professor. Juntos em duas turmas inteiras, os alunos do 7A e do 7B apresentaram inúmeras questões em torno da indisciplina, com agressões rotineiras contra si mesmos e contra professores e funcionários. Os alunos foram, portanto, convidados pela direção e professores para uma reunião coletiva, onde foram discutidos diversos temas para melhorar o diálogo dentro da Unidade entre professores, docentes, funcionários e alunos.
O professor pesquisador
A informação dada na apresentação da situação serve de enquadramento para que os alunos obtenham sucesso parcial na sua primeira tentativa. Esse processo de leitura de storyboards e narrativas, escolhido como módulo inicial do percurso didático, teve como objetivo fazer com que os alunos compreendessem como o gênero discursivo relevante se enquadra na realidade de forma concreta. A etapa denominada “contextualização”, que dá início à mesa, deve ser considerada uma espécie de mergulho, em que os alunos compreenderão a importância das imagens como forma de contar histórias.
Em seguida, os alunos foram apresentados aos conceitos dos quadrinhos e como eles funcionam com o apoio do livro didático. O objetivo desta fase de contextualização foi familiarizar os alunos com a possibilidade de contar uma história visualmente. Após a conclusão da leitura de “A face escondida” (MALDONADO, 2018), última ação da etapa anterior, os alunos receberam modelos de storyboard trazidos pela professora para que pudessem entrar em contato com o gênero.
Os alunos poderiam pensar em perguntas que responderiam de forma independente sobre um livro lido em sala de aula com o professor. Alguns professores pensaram na possibilidade de criar uma semana pedagógica, uma semana de boas-vindas onde os alunos teriam à sua disposição oficinas e atividades criadas pelos professores. Em seguida, pedi aos alunos que escrevessem sobre as situações de bullying que vivenciaram e me mostrassem em seus cadernos em forma de redação.
Em uma das aulas, 7A, os alunos fizeram fila na mesa da professora para apresentar os textos. Vai além da ideia de que os alunos simplesmente aprendem porque precisam superar um desafio, traduzido em uma nota. Experimentei pedir aos alunos que o lessem também; mas isso quebrou o ritmo da aula e criou mais desinteresse.
Na aula, após a apresentação do tutorial, pedi aos alunos que trouxessem seus gráficos para uma revisão final. Por se tratar de uma comunidade, os alunos moram próximos uns dos outros, o que favoreceu esse trabalho.
Gêneros do discurso e escola
Storyboard como gênero discursivo
Segundo Schneuwly e Dolz (2011, p.86), a realização parcial da produção do gênero proposto é condição para o ensino, pois permite ao professor compreender as habilidades que os alunos já possuem e suas potencialidades. Nosso papel fundamental na educação escolar é sermos mediadores interessantes entre o que a instituição propõe em cada etapa e o que os alunos esperam, desejam e alcançam. As narrativas que saem desse procedimento com os alunos são bastante enriquecedoras e podem contribuir muito para as ideias de storyboards que serão geradas ao final do processo.
Nessa etapa também houve a leitura de imagens, pinturas do modernismo brasileiro, que foram distribuídas em sala de aula para que os alunos pudessem criar livremente narrativas a partir da imagem. Os alunos foram orientados ao longo do processo de leitura e produção de narrativas para pensarem sobre os motivos pelos quais as pessoas leem e contam histórias. Nesta aula, os alunos receberam novamente as imagens e só tiveram que descrever o que havia na cena.
Por saberem da possibilidade de reprovação, os alunos do sétimo ano acabam se preocupando muito com os trabalhos escolares. Nosso objetivo era aprisionar os alunos e, através da brincadeira, tentar minimizar o impacto que os problemas de indisciplina tinham na aprendizagem. Porém, com a experiência que tive ao longo deste trabalho aplicada em sala de aula, percebi que os alunos conseguem executar muito melhor suas respostas oralmente.
Os alunos disseram: “Ninguém vai ver!”, “que pena aparecer no vídeo!”, “ah, não quero aparecer, não”. Esta escolha não os obrigou a utilizar esta aplicação específica e não impediu os alunos de utilizarem outros programas da sua livre escolha. Por incrível que pareça, os alunos já demonstram ter total controle sobre esse tipo de programa.
No storyboard há evidências de que os alunos compreenderam as etapas de uma história, com a situação inicial, o problema, o clímax e o desfecho, e que compreenderam que era possível narrar por meio de fontes visuais. Após a semana de provas, apliquei a recuperação com trabalhos de aula e trabalhos de pesquisa e combinei com os alunos a realização de um show, uma estreia de seus vídeos para encerrar o ano letivo.
Dimensão discursiva do storyboard à luz de Bakhtin
Storyboard e sequências didáticas
TDIC em sala de aula
Tais tecnologias têm especial relevância na nossa sociedade, também chamada de sociedade da informação, na qual o conhecimento se torna mais valioso do que a capacidade de trabalhar. Morin (ibid. p. 61) acrescenta que não há certeza sobre os resultados do uso das TIC nas escolas; sejam ou não verdadeiramente positivos, especialmente à luz dos desafios que os educadores enfrentam devido às mudanças trazidas pela tecnologia. Na área de idiomas da BNCC, o uso das TIC é ainda mais delineado nas competências gerais para o Ensino Fundamental, como mencionado na sexta e última habilidade esperada dos alunos.
Além da BNCC, o referencial curricular da cidade de Niterói, no estado do Rio de Janeiro, onde esta pesquisa foi realizada, também contém a proposta de trabalhar com as TIC na escola, na área de língua portuguesa, especificamente em o sétimo ano do ensino primário. Morin (2000, p. 87) continua dizendo que, na utilização das TIC na escola, alguns eixos principais devem ser levados em consideração. O uso das TIC beneficia esse papel, pois possibilita um acesso infinitamente maior à aprendizagem, liberando o aluno do espaço da sala, do caderno e do quadro negro com informações limitadas ao professor.
Esta é a verdadeira intervenção pedagógica através das TIC, na qual também se baseia esta investigação. Tendo isto em mente, a educação deve abraçar as TIC como ferramentas de seleção de informação relevante para a aprendizagem ou como ferramentas que favorecem a contextualização de competências a desenvolver com os alunos. Com o uso das TIC, muita informação está disponível hoje, por isso a proposta desta tese considera os alunos como autores ativos de sua aprendizagem, e desloca o professor do papel de portador de conhecimento para o papel de alguém que desenvolve caminhos e propostas que priorizar o aprendizado a partir da análise das potencialidades e problemas do aluno.
Pretendeu-se aqui, portanto, ter em conta o interesse dos alunos pelo género storyboard, adaptá-lo à realidade da sala de aula e respeitar as especificidades deste grupo, para que o aluno, como sujeito do seu processo de aprendizagem, produza sistematicamente o e tal gênero, sendo a escrita parte desse processo como um ato consciente de utilização de práticas sociais de linguagem.
Objetivos da intervenção didática
Aqui os alunos foram orientados a pensar sobre o tema e propor suas próprias questões e reflexões que pudessem melhorar a “imersão” da turma no processo de escrita e criatividade. Os alunos enviaram seus rascunhos, receberam feedback do professor e dos colegas, revisaram o texto e, finalmente, digitalizaram-no usando seus celulares. Na aula seguinte, os alunos tiveram novamente a liberdade de ilustrar e imaginar suas próprias cenas para criar o vídeo e aprimorar seus storyboards.
Para contornar o problema, disponibilizei minha internet 4G para os alunos utilizarem, através do roteador do meu celular, para que me enviassem os textos que produziram. Nos textos expostos observa-se também que, apesar do processo contínuo de revisão que o professor realiza com os alunos em sala de aula, a aquisição da ortografia e dos aspectos linguísticos e textuais requer tempo e prática. Mesmo ao digitar o texto revisado e corrigido, os alunos apresentam algumas palavras com grafia fora do padrão.
E os estudantes eram muitas vezes levados a imitar estes modelos sem qualquer reflexão e sem muita possibilidade de os alterar.
Percurso teórico-metodogógico