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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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A reflexão proposta nesta pesquisa tem como objetivo examinar o discurso sobre os povos indígenas e sua cultura que está presente na materialidade textual da escrita de alunos do Ensino Fundamental (6º e 7º anos) de uma escola pública, a fim de avaliar como os discursos aparecem nos textos, análise de por que e como os sujeitos se identificam ou não com características herdadas ancestrais. A questão central desta pesquisa é: como os significados sobre os povos indígenas e sua cultura estão presentes naquela comunidade escolar e como promover novas leituras e significados sobre os povos indígenas e sua cultura sob uma perspectiva diferente?

Figura 1 - Modelo de oca indígena tupinambá presente no espaço anexo da Escola  Municipal Honorino Coutinho
Figura 1 - Modelo de oca indígena tupinambá presente no espaço anexo da Escola Municipal Honorino Coutinho

A noção de cultura em Análise do Discurso

Um dos efeitos da cultura é a separação dos sujeitos que cria uma ilusão de unidade entre os que estão de fora e os que estão dentro. Há a criação de um imaginário que vai separar justamente quem está dentro e quem está fora, e apaga uma variedade de comportamentos que existem em uma mesma cultura.

Os Estudos Decoloniais

Portanto, sendo o colonialismo a organização de um mundo maniqueísta, não há solução para a fórmula de que todos os povos indígenas são iguais. 3 Quanto à presença da palavra “índio” no livro “Terra à vista”, é importante considerar que quando foi publicado pela primeira vez, em 1980, não havia discussão atual sobre o uso da palavra “índio”. ". ”para se referir aos povos indígenas. As novas tecnologias e as tecnologias de informação ilustram também as profundas transformações em curso na produção do conhecimento técnico e científico, que têm implicações nos “conteúdos” e na sua forma de transmissão.

Centrando-me na posição de professor e pesquisador, inserido no discurso pedagógico da disciplina escolar “Produção de Texto”, para construir o corpus de análise representativo do contexto escolar, produzi uma entrevista com os avós dos alunos e, ao longo da última aula ano vim propor atividades de produção de leitura e escrita, baseadas nos gêneros quadrinhos e desenhos animados, que abordassem temas indígenas sob diferentes perspectivas. O aluno concorda com a afirmação de que os índios fazem parte do passado e justifica seu argumento com a linguagem. No segundo exemplo abaixo, além de responder à pergunta, o aluno também justifica esta pergunta referindo-se aos ancestrais do SD7: “Porque todo mundo..” confirma o massacre sofrido pelos indígenas no Brasil.

O ponto focal desta pesquisa foi possibilitar, por meio de uma série de atividades produtivas de leitura e escrita, outras compreensões sobre os povos indígenas e sua cultura. A formação do projeto teórico de Michel Pêcheux: de uma teoria geral das ideologias à análise do discurso.

Figura 3 - Entrevista de uma aluna do 6º ano
Figura 3 - Entrevista de uma aluna do 6º ano

Pontos de aproximação

A formação social do Brasil a partir da perspectiva da Análise do

Ao pensar nas perspectivas e relevância desta dissertação, que visa articular a AD com questões de identidade indígena, é possível pensar um ensino orientado para a reflexão da realidade escolar em que os alunos estão envolvidos. Na concepção bancária de educação, o conhecimento limita-se à mera transmissão do conhecimento, na qual os alunos recebem um depósito substantivo. Diferentes representações funcionam como formas de conhecimento que dependem das identidades sociais dos grupos que as produzem.

O objetivo foi avaliar quais significados foram materializados e compilar os discursos apresentados pelos alunos sobre temas indígenas e sua cultura. Com isso, pode-se dizer também que os livros didáticos utilizados na escola ajudam a formar uma visão equivocada e distorcida sobre os grupos indígenas presentes no Brasil. SD3: “Acho que os nativos americanos têm uma cultura atrasada porque os nativos americanos fazem parte do passado, porque os nativos americanos foram os primeiros habitantes.

Eles perceberam as diferentes características culturais dos outros nativos e para mim isso confirmou que eles entendem que nem todos os nativos são iguais. É oportuno ressaltar que não se pretende que os alunos necessariamente tenham que aceitar novos significados, mas sim direcioná-los a pensar em outras possibilidades.

Práticas escolares e sua relação com uma educação emancipatória

Redefinindo alguns conceitos

Segundo Márcia Mura (2022), a palavra “índio” é um termo genérico que não leva em conta as especificidades dos povos indígenas, sejam elas linguísticas, culturais ou mesmo de contato com a sociedade não indígena. Para reforçar esta ideia vale a pena citar um trecho da entrevista de Daniel Munduruku à BBC News5 sobre a questão da palavra “índio” e quando esse uso se relaciona com a celebração do Dia do Índio. Muitas pessoas não sabem quem são estes “índios”, como viveram, como ocuparam estas áreas, ou seja, só conhecem a história eurocêntrica.

O “Dia do Índio” não deve ser uma data festiva de comemoração, mas de luta e conscientização pelos direitos desse povo e de valorização de sua diversidade cultural.

A representação do indígena nos manuais didáticos

A palavra índio está quase sempre associada à preguiça, à selvageria, ao atraso tecnológico e à visão de que os índios têm terras demais e não sabem o que fazer com elas. Ao pensar no LD e nos possíveis significados para o indígena nele presentes, considere que “todos os significados são, por direito, significados possíveis. Na primeira, ela afirma que “o silêncio não é vazio, nem falta de sentido; pelo contrário, é o sinal de um exemplo significativo.

Em relação aos sentidos que ali estão presentes, pode dar uma ideia de que eles se fecham e aparecem transparentes para o professor.

A questão do currículo

Segundo Tomaz (1996, p. 86), “a ideologia nesta perspectiva está relacionada com as divisões que organizam a sociedade e com as relações de poder que mantêm essas divisões”. Relacionar o conceito de ideologia com relações de poder e questões preocupantes significa desafiar a noção de conhecimento como uma representação da realidade implícita na perspectiva epistemológica da ideologia. Na área do currículo e do eixo do poder, há uma visão de que esses conceitos estão profundamente entrelaçados com as relações de poder, conferindo às teorias educacionais críticas um caráter político.

A própria noção de currículo como conhecimento válido e importante expressa, assim, os interesses de grupos e classes que são vantajosos nas relações de poder.

O currículo oculto

Por outro lado, apesar do seu aspecto polêmico, o currículo ao expressar essas relações de poder, ao apresentar-se no seu aspecto “oficial” como representante dos interesses do poder, constitui identidades individuais e sociais que ajudam a fortalecer as relações entre os poderes existentes , fazendo com que os grupos subordinados permaneçam subordinados. No caso do currículo, existem forças que tornam o currículo oficial hegemônico e trabalham para produzir identidades sociais que mantêm as relações de poder existentes. O poder dos grupos e classes dominantes está incorporado no Estado porque é a fonte controladora do sistema educativo e também devido às ações quotidianas nas escolas e nas salas de aula que expressam relações de poder subtis e complexas.

Ao reconhecer estas características, o objetivo não é retirar o poder de uma vez por todas, mas sim opor-se de alguma forma a ele, e só através da luta será possível estabelecer relações de poder transformadas.

Currículo e identidade social

Essas narrativas incorporam certas ideias sobre o conhecimento, as formas de organização da sociedade, sobre os diferentes grupos sociais. As narrativas contidas no currículo têm noções incorporadas de quais grupos sociais podem representar a si mesmos e aos outros, e quais grupos sociais só podem ser representados ou mesmo completamente excluídos de qualquer representação. É perceptível a ligação entre o currículo e a constituição da identidade social com o poder, pois esta se manifesta no currículo por meio de divisões entre saberes e narrativas, que são inerentes ao processo de seleção do conhecimento e à consequente divisão entre diferentes grupos sociais.

Isto levanta as seguintes questões: que conhecimentos estão incluídos e que conhecimentos estão excluídos?, que grupos sociais estão incluídos e quais são excluídos.

Currículo e representação

Descolonizar o currículo

Descolonizar o currículo significa torná-lo relevante para a vida social desse grupo e isso só será possível através do envolvimento de todos os envolvidos no processo educativo – professores, alunos, funcionários e pais – na produção de conhecimento e identidade social. Se tivermos uma compreensão histórica e social de como estes significados hegemónicos são cristalizados, será possível miná-los e desafiá-los. Portanto, teremos um mundo social em que as identidades sociais possam transcender e superar as divisões existentes e circular livremente.

Uma atitude necessária em que o currículo multiplique significados, ao invés de se fechar a significados tomados e incontestados.

Natureza da pesquisa

Segundo Orlandi (2017), o primeiro passo da análise é pegar o material linguístico bruto e dessuperficializar esse material. Esta pesquisa, que tem como foco as práticas escolares e as possibilidades de construção/desconstrução de significados sobre os povos indígenas, à luz da análise do discurso materialista, é de natureza qualitativa.

Contexto da pesquisa

Elaboração das Propostas de atividades

Seguindo essa preliminar, foram desenvolvidas e implementadas quatro atividades de produção escrita para explorar o discurso sobre os povos indígenas e sua cultura nas produções estudantis. Este primeiro passo será importante para discutir as premissas desta pesquisa e verificar outras possibilidades de desconstrução de discursos estereotipados sobre os povos indígenas e sua cultura. A terceira atividade foi a leitura de uma charge que destaca a cultura indígena e sua relação com a questão do sangue, em seus diversos significados.

O objetivo foi estabelecer um vínculo entre essas reflexões e os espaços de preservação da cultura indígena que fazem parte da escola, com o objetivo de promover o discurso sobre os povos indígenas e sua cultura e sua importância na formação social do Para remodelar o Brasil .

Relatos e análises das etapas desenvolvidas

SD4: “Os índios fazem parte do passado e não são brasileiros. Concordo que eles não são brasileiros porque falam uma língua diferente”. Durante esta aula, lembrei-me muito de um texto da professora Eni Orlandi “A Língua Brasileira” (2002), em que ela busca mostrar processos de significação que produzem significados para a língua nacional no contexto das culturas situadas num europeu. -A relação americana. Porque na escola os professores mostram o ponto de vista português e os índios não se importam.”

Por meio da SD9, o próprio aluno reconhece o apagamento que os indígenas sofreram e também mostra que de alguma forma na educação a existência de uma versão do indígena é vista como parte integrante da própria história do Brasil ignorada, ao afirmar a SD10: “que os indígenas são nem aí” embora o aluno entenda isso de forma crítica, isso indica a exclusão que esta versão sofre por não ser considerada válida. O objetivo não era a adesão obrigatória a novos significados sobre os indígenas, mas a possibilidade de compreender e validar outros significados sob um ponto de vista diferente, no caso dos indígenas e não apenas dos não indígenas. O impacto da análise do discurso na prática educativa: experiências de leitura e escrita na escola.

Imagem

Figura 1 - Modelo de oca indígena tupinambá presente no espaço anexo da Escola  Municipal Honorino Coutinho
Figura 2 - Vista amplificada do anexo pertencente à escola. Nela é possível ver o modelo  de oca e a casa de farinha
Figura 3 - Entrevista de uma aluna do 6º ano
Figura 4 - Atividade de produção escrita espontânea de um aluno do 7º ano
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Referências

Documentos relacionados

Estes materiais foram produzidos por duas turmas de estágio de observação para licenciaturas da Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de