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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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A todos os jovens privados da sua liberdade, agradeço por fazerem da vida quotidiana um espaço de afirmação da vida. Para escapar a estes riscos, comecei a explorar como os jovens reclusos dominavam formas de “trabalhar a sua saúde” num espaço de confinamento.

A pesquisa encontra o DEGASE: procedimentos de entrada e a violência

10https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia gouverneur-do-rj-veta-projeto-que-proibia-agentes-Homens-em-unidades-femininas-do-degase.ghtml. 12https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia justica-afasta-25-servidores-do-degase-por-suspeita-de-maus-tratos-e-tortura-contra-internos-de -unit-zegt-mprj.ghtml.

O CENSE Dom Bosco

Após esta parte encontra-se o conjunto de alojamentos mais recente, o anexo, descrito pelos agentes como padrão SINASE20, onde residem os jovens da cidade do Rio de Janeiro, e a escola. No pátio, à esquerda, existe outro conjunto de alojamentos mais antigos, o bairro – herança do antigo IPS – que alberga jovens cujo negócio não é do bairro da capital.

Espacialidade da internação e afetos hostis: estratégias de diferenciação

Os alojamentos e a higiene

Com ritmo (modo de funcionamento) próprio em cada galeria e pequenas variações em cada centro, os jovens atribuíam entre si uma rigorosa rotina diária de limpeza: após cada refeição24, a sede é varrida e uma vez por semana, fazem uma limpeza, utilizando produtos perfumados, como shampoo e desodorante, em caso de falta de produtos de limpeza – que podem ser proibidos e/ou regulamentados pela direção da unidade. A rotina higiênica transformou-se em tensão contra os atributos poluentes e condições degradantes do espaço que os desvalorizavam moralmente25.

Os banheiros: analisadores morais

Ao mesmo tempo, flexibiliza os toques físicos amorosos, sendo comum ver jovens sentados nos braços um do outro, e se hesitarem, até adormecerem nos braços um do outro, num cenário de solidão e sofrimento onde não há outras interações possíveis. Tem um banheiro de técnico que não sei onde fica, mas sei que tem que ter chave para usar, e que nas outras unidades que estive, era isso que eu deveria fazer. Vale ressaltar que não sei qual é o banheiro das visitas, mas imagino que seja o do pátio onde elas acontecem.

Destaco também que não fui apresentado ao banheiro destinado aos agentes sociopedagógicos e que não encontrei nenhuma agente feminina.

A insalubridade: segurança, trabalho sujo e desumanização

Apesar disso, quando se veem comparados aos presos em geral, os agentes sentem-se mais desvalorizados e invisibilizados pelos atores externos do que os jovens detentos. Os agentes sentem-se desvalorizados no seu papel, sem reconhecimento, e atribuem parte da sua precariedade à poluição que vivenciam, que ninguém vê, pois estão todos os dias nas unidades, vivendo nas mesmas condições insalubres que os jovens e os jovens. a diferença entre O que faz a diferença (BRAH, 2006; LOWENKRON, 2020; SOLATERRAR, 2020) aqui é ser menor e privado de liberdade. Se por um lado o espaço degrada a todos, os sujeitos em suas relações internas lutam contra a precariedade a partir de uma micropolítica das emoções (CARNEIRO, 2013; COELHO, 2010; LUTZ, 2012; LUTZ; ABULUGHOD, 1990; VÍCTORA; COELHO, 2019), 2019. criando formas de hierarquia e superioridade por meio de afetos hostis, como repulsa, ódio e desprezo (MILLER, 1997), que os separam dos outros e do espaço.

Se os jovens tentaram separar-se dos poluidores com práticas e regras higiênicas, os atores socioeducativos o fizeram mostrando a atividade laboral insalubre deles, reconhecendo as características humilhantes do espaço e comparando-os constantemente com os jovens, que eles eram. desvalorizados, mas suas narrativas revelaram que são valorizados e protegidos por outras entidades estatais.

A atmosfera do medo: neurose, rumor e violência sutil

Rumor, vulnerabilidade e perigo

Quando os jovens notaram meu olhar atento, zombaram de mim com uma pergunta irônica se eu não confiava neles. 30 Nesta unidade, vale ressaltar que os jovens tinham entre 17 e 21 anos, o que foi explorado no ponto “Violência sutil e o horizonte da violência” do mesmo capítulo. 31 Esses sujeitos genéricos tornam-se objeto de possível ilegalidade e controle, são confundidos com presos, embora só pudessem ser referência a familiares que trazem alimentos e objetos aos jovens.

Neste jogo entre segurança e ameaça, foi-me criada uma imagem aparentemente paradoxal do alegado perigo imediato que os jovens representam, com base na extrema vulnerabilidade que lhes foi impressa.

O medo e a neurose

Eu tinha medo do que os jovens poderiam fazer comigo e do que eles poderiam fazer com eles num contexto de desordem, em que seriam vistos como ameaças e, portanto, se veriam como ameaçados. Isto criou um estado de tensão, uma neurose, em que o risco era sempre previsto, mas a protecção, a segurança tão prevista, falhava. Os jovens concluíram então a atividade, que poderia durar mais 20 minutos, e regressaram à sua residência, aproveitando a oportunidade de ação que lhes foi dada de acordo com o contexto em que se encontravam.

No mesmo dia, quando conversamos sobre medo e neurose, os dois jovens presentes flertaram comigo abertamente e tentei evitar a situação sem conseguir estabelecer um limite claro.

A violência sutil e o horizonte da dimaior

Assim, os internos do CENSE Dom Bosco evitavam criar situações em que os funcionários ficassem cheios de neurose e agissem de forma violenta - o que envolveria uma provável reação violenta dos jovens. A prisão maior, nas suas proximidades, fez com que os jovens quisessem sair da prisão em paz e os forçou a enfrentar um futuro encarcerado onde se encontravam quase sem saída. Foi neste contexto de violência, medo, neurose e sentimentos hostis que os jovens criaram uma vida possível.

Numa situação de incerteza, onde a condição precária está distribuída de forma desigual e alguns corpos estão mais expostos ao dano, à violência e à morte do que outros, a exigência feita pela sobrevivência é intrinsecamente uma exigência de uma vida que possa ser vivida.

Aqui todo mundo é menor: bandidos e ladrões, todos no mesmo barco

As unidades de detenção são o ambiente que limita as possibilidades de agência dos presos, e é justamente nessa intersecção entre a incerteza e suas possibilidades de agir sobre ela que os jovens tecem uma vida que pode se tornar privação de liberdade, que eles vivenciam no cotidiano. . Nesse sentido, expuseram a sua situação de direitos parciais, decorrentes de um processo de hierarquização social que os colocou em estado de subjugação. O uso feito pelos jovens da categoria menor, porém, fez algo além de simplesmente revelar a precariedade de suas condições de existência: mostrou a construção de uma agência a partir de uma posição de vulnerabilidade através da reapropriação do termo que os sujeitou. e com o qual se colocaram numa identificação com valor moral positivo.

A prática da unidade era utilizar seus números de registro na movimentação dos internos, o que os rastreava dentro de uma equipe técnica específica, facilitando algumas comunicações institucionais.

Habitando a internação

Cadeia ritmada: construindo as bases para tirar a cadeia tranquilo

Numa manhã de segunda-feira, os jovens chegaram muito entusiasmados, tão entusiasmados que nem pediram imediatamente o tablet como sempre faziam. Até recentemente, se um preso não se adaptasse ao ritmo, os jovens de sua sede podiam colocar [o preso] em fuga sob seguro, forçando o preso a se mudar para o alojamento destinado aos que falharam na pista (estupro, roubo de ônibus, homossexual, qualquer conduta repreensível pelas leis de tráfico humano), seguros. Estar neste alojamento significou menor circulação pela unidade, pois não podiam interagir com os jovens da comunidade, menos atividades e maior reclusão, ou seja, menos infraestrutura para atender o MPE.

Esta última implica um uso excessivo e desnecessário da força, é uma violência injustificada, enquanto a noção de violência/agressão é naturalizada entre os jovens.

Nóis é coletivo: QG como espaço de troca e socialidade

Segundo eles, foi por ordem do juiz do tribunal de execução que os jovens deveriam abandonar os seus alojamentos com maior frequência. Nestas situações, os jovens tentaram usar-me como recurso para contornar e desviar-se das proibições e limites institucionais, para criar condições de vida mais habitáveis. NOS SENTIDOS Dom Bosco houve uma mistura entre essas experiências temporárias de parto, pois os jovens com limite de tempo de três anos também não sabiam quando partiriam e no seu curto tempo de vida, o tempo de internação adquiriu contornos mais longos.

A construção de um pólo coletivo garantiu um certo grau de coesão interna entre os jovens e quebrou a política de isolamento que caracteriza a privação de liberdade (FOUCAULT, 2014), o que lhes permitiu reduzir a incapacidade de viver uma vida adequada (BUTLER, 2019) no Hospital. .

Transitando na unidade para focar ali dentro: campo, se trancar, escola e

  • A escola
  • O campo
  • As visitas
  • Se trancar
  • Inventando saídas

Os jovens disseram que é bom ir à escola porque é uma forma de sair do comando, porque é um momento perturbador. Além da presença e do valor emocional da visita, é nestes encontros que os jovens podem obter alguns itens que tornam a experiência da hospitalização mais agradável, como Neste sentido, no dia em que cheguei tarde54 e por isso os jovens demoraram a ser chamados pelos agentes, Joaquim disse acreditar que eu não voltaria e desorganizou as suas saídas para esse dia.

A ida à enfermaria era uma estratégia comum no cotidiano dos jovens para encontrar saídas de sua residência, principalmente nos dias em que não havia atividade.

Agir na desconfiança e com medo

Os ventiladores desligaram, os rádios, as telas, tudo apagou e todos os jovens acordaram e começaram a gritar. Nesse sentido, a utilização das oficinas como forma de materializar efeitos outros que não os hegemônicos no espaço, como o medo e o desprezo (vistos no Capítulo 1), também foi uma forma de utilizar o trabalho de campo como estratégia de cuidado, tendo como referência a origem deste projeto, que pretendia investigar formas de promover a saúde entre os jovens. Da mesma forma, os jovens também administraram outros espaços do cotidiano institucional, como as oficinas oferecidas pela Equipe de Saúde Mental da unidade.

Neste sentido, os jovens pediram-me que trouxesse materiais para desenhar e, enquanto desenhavam, ficámos todos em silêncio e apenas ouvíamos a música.

Fotografia: não posso ficar de sorrisinho

Ele deu permissão, mas pediu que eu entregasse as fotos, com o número..., "O nome?", Ou seja, o nome do jovem que está na parte inferior da foto, para que a administração pudesse exercer algum controle sobre esses objetos. Após a impressão das fotos, fui orientado a entregá-las a outro diretor que as distribuiria pelas propriedades. As fotografias tinham, assim, o potencial de fazer e romper conexões em sua materialidade, entrelaçando relações (BUMACHAR, 2016).

Eles viam nas imagens e na dureza das expressões a corporificação de uma presença através da qual continuavam essa relação separados pelo confinamento, de modo que as imagens lembravam as pessoas sem nunca deixá-las serem esquecidas (BUMACHAR, 2016)63.

Comida de pista: melhor refeição da cadeia

Na terça-feira, nosso encontro foi motivado pela notícia da saída de Lucrécio da unidade duas horas antes da minha chegada, restando apenas Romilson e eu (Rogério havia sido liberado algumas semanas antes). Ao comer o pão de mortadela, Ricardo se reconectou com os afetos e as relações que vivenciava antes de sua internação, de modo que a alimentação trabalhasse com a temporalidade e a geografia (CARSTEN, 2014), aproximando-o de seus outros significativos, mesmo permanecendo distante deles. À tarde, logo após o almoço, era provável que seu interesse por comida salgada fosse menor, então ele apenas comeu bolo e bebeu refrigerante.

Existia uma tensão entre os agentes e os reclusos, que se materializava na comida e na forma como era distribuída e distribuída, pelo que.

Materializações de uma ética do cuidado

Tese-Rio de Janeiro: Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social, Instituto de Psicologia, Centro Educacional de. A adolescente dobrada: cartografia feminista de uma unidade masculina do Sistema Socioeducativo do Rio de Janeiro. Tese-Rio de Janeiro: Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), 2018.

Tese—Rio de Janeiro: Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia, Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2019.

Referências

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