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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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É bem conhecida a importância das atuais técnicas utilizadas na gestão de resíduos sólidos. O terceiro capítulo tenta explicar diretamente os elementos da globalização na gestão de resíduos sólidos.

Sobre um conceito de globalização

O Capitalismo Comercial

7 O mercantilismo foi a principal doutrina político-económica adoptada pelas potências europeias durante o período do capitalismo comercial (XV-XVIII). A partir da destruição de diferentes povos e culturas em África e na América, as potências europeias produziram novos espaços coloniais de acordo com os seus interesses defendidos pelo capitalismo comercial.

O Capitalismo Industrial

À escala global, “a expansão do capitalismo teve a aura de uma missão civilizadora e pôs assim fim ao etnocídio e ao genocídio cometidos contra os povos da África, da Ásia e da América Latina, considerados primitivos e tardios”. Os conflitos étnicos em África, o impasse em Caxemira, os etnocídios causados ​​na América, a degradação ambiental em grande escala em várias partes do planeta e mesmo os conflitos no Médio Oriente são resquícios de uma política de dominação das potências industrializadas em todo o mundo. , e hoje vale a pena discutir uma certa “dívida”, seja ela ambiental, cultural ou económica, que estas potências têm de pagar ao mundo.

O Capitalismo Financeiro

Mesmo com o fracasso do fordismo em cruzar o equador (GONÇALVES, 2006, p. 34), a chamada “Crise de 1929” foi uma das maiores crises do capitalismo na história, afetando quase todos os países que abalou o mundo. É verdade que a eclosão da Segunda Guerra Mundial foi também um factor importante na superação da crise de 1929, uma vez que houve uma grande absorção de mão-de-obra nas indústrias de guerra recentemente reactivadas e nas indústrias que fabricam outro equipamento militar.

Visões da globalização

A globalização como fábula e a globalização como perversidade

Para este autor, a presença deste mundo fábula num mar de desigualdades é explicada por quatro fatores: (1) singularidade técnica, representada principalmente pela chegada da tecnologia da informação através da cibernética, da informática, da eletrônica, que inclui, para o pela primeira vez na história, o planeta inteiro; (2) a convergência de momentos representados pela ordem da história dos grandes atores globais deste tempo real, que são ao mesmo tempo donos da velocidade e autores do discurso ideológico; (3) conhecimento do planeta, que é hoje um elemento fundamental das empresas; e (4) a existência de um motor único na história representado pela mais-valia universal através do qual a competição deu lugar à competitividade (SANTOS, 2005, pp. 25-35). A difusão de um determinado estilo de vida que decorre do discurso da globalização é tão forte na sociedade atual que não é discutida.

O papel do Estado na globalização

Só está ausente quando é do interesse da população e torna-se mais forte, mais ágil, mais presente ao serviço da economia dominante” (SANTOS, 2005, p. 66). SANTOS (2005, p. 42) utiliza o termo “desmaio do Estado” em relação a esse poder das empresas capitalistas, que acaba por trazer graves consequências para a governança do território.

Globalização no Brasil

De longe, o reflexo mais relatado da falta de cidadania no Brasil é a violência representada por brigas, roubos, sequestros, assassinatos e tráfico de drogas. E no Brasil cada vez mais se defende esse estilo de mundo, um mundo onde há formações.

Globalização e Meio Ambiente

A correta identificação e caracterização dos resíduos sólidos gerados, bem como o maior conhecimento dos seus potenciais efeitos nocivos ao meio ambiente, são os primeiros passos a serem implementados em um sistema de gestão de resíduos sólidos (FERREIRA, 2000, p. 37). Apesar disso, sabe-se que a maior quantidade de resíduos sólidos não corresponde ao que se denomina resíduos sólidos urbanos. Os resíduos sólidos também são uma importante fonte de propagação de doenças e/ou como forma de aumentar a sua incidência.

Portanto, para evitar ou reduzir estes e outros impactos, deve haver uma gestão adequada dos resíduos sólidos. Já os aterros controlados visam descartá-los de forma adequada, reduzindo riscos à saúde pública, principalmente por meio do descarte diário de resíduos sólidos.

Visões da gestão de resíduos sólidos urbanos em países centrais

Como exemplo, o jornalista Washington Novaes33 apresenta o drama ocorrido em uma das principais cidades canadenses, Toronto, onde não havia mais áreas para substituir o principal aterro sanitário da cidade, que teve que ser fechado, mesmo com projetos que reciclavam 26%. de resíduos municipais. após 17 anos de operação. Na União Europeia ainda existe uma diferença considerável entre os seus membros, mas a geração de resíduos sólidos também é bastante pronunciada. Por exemplo, EIGENHEER (2003, p. 16) mostra que a Noruega e os Países Baixos geraram 513 e 484 quilogramas de resíduos sólidos per capita em 1995, respectivamente, enquanto a Alemanha e a Dinamarca geraram 351 kg/capita/ano e a França e a Itália 348 kg. kg/habitante/ano e Espanha cerca de 323 kg/habitante/ano.

Neste bloco económico, a questão da gestão de resíduos sólidos é regulada pela Directiva 1999/31/CE do Conselho, de 26 de Abril de 1999. Em suma, estes números sobre a gestão de resíduos sólidos nos países centrais mostram que estamos em todos estes países, duas características marcantes: a primeira é representada pelas diferentes alternativas de tratamento pelas quais os resíduos passam antes de chegarem aos aterros.

Figura 1 – Tratamento e destinação final em alguns países da Europa.
Figura 1 – Tratamento e destinação final em alguns países da Europa.

Visões da gestão de resíduos sólidos urbanos no Brasil e em países

É igualmente interessante comentar o fato de que no Brasil existem grandes dificuldades quanto à caracterização da gestão de resíduos sólidos nos municípios. A globalização, que contribui enormemente para a existência do precário sistema de gestão de resíduos sólidos no Brasil, também pode ajudar. Para garantir uma gestão adequada dos resíduos sólidos, os responsáveis37 devem criar um plano de gestão de resíduos sólidos.

Contudo, como se pode verificar na prática, o sucesso de um plano de gestão de resíduos sólidos não é tão simples. Fato que apresentaria problemas ambientais, técnicos e econômicos semelhantes a ambos na gestão de resíduos sólidos urbanos.

Considerações prévias: demografia e geração de resíduos sólidos

É interessante notar aqui que as dificuldades de gestão dos resíduos sólidos humanos não são recentes e não são um problema exclusivo da sociedade atual. 40 O crescimento vegetativo é o resultado do cálculo obtido subtraindo a taxa de natalidade da taxa de mortalidade. Contudo, afastando-se de uma escala temporal e aproximando-se de uma escala espacial, a relação entre o crescimento populacional e a quantidade de resíduos sólidos gerados não deve ser feita em termos absolutos, mas sim em termos relativos.

Com apenas 4,6% da população mundial, os Estados Unidos produzem cerca de um terço dos resíduos sólidos do mundo” (MILLER Jr, 2007, p. 446). Em relação aos resíduos perigosos, “os países desenvolvidos produzem de 80% a 90% dos resíduos sólidos perigosos do mundo, a maior parte dos quais não é regulamentada” (MILLER Jr, 2007, p. 445).

Figura 2 – A população humana aumentou rapidamente com o desenvolvimento da  tecnologia
Figura 2 – A população humana aumentou rapidamente com o desenvolvimento da tecnologia

Globalização e Resíduos Sólidos: um problema sistêmico

Aumento da quantidade de resíduos sólidos urbanos

Existem outras artimanhas no sistema que incentivam o consumo e a posterior geração de resíduos sólidos. Buscando assim uma análise mais direta de quais são as implicações desse padrão de consumo global para a gestão de resíduos sólidos urbanos. Este facto depende de vários factores, como uma sociedade organizada e educada e a qualidade do sistema de gestão de resíduos.

Por mais que se reduza a quantidade de resíduos produzidos, ainda haverá uma boa parcela de resíduos que será depositada em aterros. Além da ideologia dos três R's, o aumento da quantidade de resíduos gerados pela sociedade refletindo a globalização afeta todo o sistema de gestão de resíduos sólidos.

Aumento da periculosidade ambiental dos resíduos sólidos urbanos

De modo geral, no que diz respeito aos resíduos sólidos domiciliares, TENÓRIO e ESPINOSA (2004, p. 165) mostram que quanto mais desenvolvido é um país, menor é a concentração de matéria orgânica encontrada em todos os resíduos. Assim, a aliança da obsolescência programada com os tipos de materiais descartáveis, como computadores, telemóveis e eletrónicos, é o mais recente desafio que o capitalismo coloca à gestão dos resíduos sólidos. Mas é preciso entender que o problema dos resíduos sólidos e da crise socioambiental não se limita ao Brasil, mas também ocorre em todo o mundo.

Além disso, todo o sistema de gestão de resíduos sólidos sente os impactos, pois necessita de um sistema de coleta que acomode os resíduos mais persistentes, e a disposição final deve ser igualmente impecável em termos de proteção ambiental. Contudo, é interessante notar que alguns autores atenuam a forte tendência de analisar a questão dos resíduos sólidos como um problema contemporâneo.

A colonialidade do saber na gestão dos resíduos sólidos

Mas, por outro lado, deve notar-se que embora o sistema de gestão de resíduos sólidos urbanos seja muito eficiente nos países centrais, este modelo pode não ser imediatamente adequado nos países periféricos. Portanto, a coleta seletiva, que neste caso é realizada com ampla participação comunitária, representa apenas uma das etapas de um complexo sistema de gestão de resíduos sólidos, também muito caro e pago pela população. Agora, qual seria o grande benefício de gastar recursos astronômicos na implementação de incineradores em países periféricos se até mesmo os princípios básicos do sistema de gestão de resíduos sólidos – coleta, varredura e disposição final – não são eficazes.

No entanto, é preciso estar sempre consciente de que o sucesso actual desta directiva é o resultado de um longo processo de amadurecimento dos governos e da sociedade da União Europeia em relação à protecção ambiental e à gestão de resíduos sólidos. Para um sistema adequado de gestão de resíduos sólidos é necessário observar e estudar outras experiências no exterior.

A nova Divisão Internacional do Trabalho e o destino dos resíduos sólidos

Portanto, é um modelo técnico que não pode ser facilmente exportado para países periféricos, onde a gestão ambiental e social geralmente eficiente dos resíduos sólidos ainda está na sua infância. Portanto, esta nova funcionalidade do ouro leva para onde é provável que grande parte deste metal vá: para os países centrais. A mesma lógica se aplica aos resíduos sólidos, pois diversas empresas aproveitam as novas tecnologias de informação e transporte para se estabelecerem em países ou regiões mais distantes dos países centrais, externalizando os problemas decorrentes da gestão dos resíduos sólidos.

Contudo, existe outra forma ainda mais grave de eliminação de resíduos, que mostra o desrespeito dos países centrais pelo ambiente do resto do mundo. Além da brecha na entrada clandestina de resíduos perigosos nos países periféricos, a Convenção de Basileia nada diz sobre a redução de substâncias geradoras desses resíduos (BRASIL, 1991, p. 195).

Figura 3 – Grande comércio internacional de minério de ferro
Figura 3 – Grande comércio internacional de minério de ferro

Problemas na gestão de resíduos sólidos urbanos no Brasil

É certo que a eficiência da gestão de resíduos sólidos num município dependerá em grande medida da capacidade e vontade da comunidade em contribuir. Outra questão muito complicada na gestão de resíduos sólidos no Brasil, fortemente influenciada pela globalização, surge nos processos de coleta seletiva e reciclagem. Os elementos desta relação são fundamentais para futuros projetos de gestão de resíduos e também para a adoção de um comportamento social diferente do ocorrido.

Este texto procurou, de modo geral, reunir dois temas: a globalização com a gestão de resíduos sólidos urbanos, particularmente no Brasil. Mas é de grande valia para tentar suprir uma carência de textos que discutam a gestão de resíduos sólidos urbanos, que não se limitem a dispositivos técnicos e normativos.

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Figura 1 – Tratamento e destinação final em alguns países da Europa.
Figura 2 – A população humana aumentou rapidamente com o desenvolvimento da  tecnologia
Figura 3 – Grande comércio internacional de minério de ferro

Referências

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