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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Universidade do Estado do Rio de Janeiro Centro de Ciências Sociais

Faculdade de Direito

Ana Cláudia Rodrigues Theodoro

A imposição ou indução legal da tentativa prévia de autocomposição como procedibilidade à demanda judicial no ordenamento jurídico brasileiro:

Coeficiente de fomento ou de involução ao acesso à justiça na promoção dos meios consensuais de resolução de conflitos.

Rio de Janeiro

2023

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Ana Cláudia Rodrigues Theodoro

A imposição ou indução legal da tentativa prévia de autocomposição como procedibilidade à demanda judicial no ordenamento jurídico brasileiro: Coeficiente de

fomento ou de involução ao acesso à justiça na promoção dos meios consensuais de resolução de conflitos.

Dissertação apresentada, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre, ao Programa de Pós-graduação em Direito, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Área de concentração: Cidadania, Estado e Globalização.

Linha de pesquisa: Direito Processual.

Orientadora: Prof.ª Dra. Márcia Michele Garcia Duarte

Rio de Janeiro 2023

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CATALOGAÇÃO NA FONTE

UERJ/REDE SIRIUS/BIBLIOTECA CCS/C

Bibliotecária: Marcela Rodrigues de Souza CRB7/5906

Autorizo, apenas para fins acadêmicos e científicos, a reprodução total ou parcial desta tese, desde que citada a fonte.

_______________________________________ _____________________

Assinatura Data

T388 Theodoro, Ana Cláudia Rodrigues

A imposição ou indução legal da tentativa prévia de autocomposição como procedibilidade à demanda judicial no ordenamento jurídico brasileiro: coeficiente de fomento ou de involução ao acesso à justiça na promoção dos meios consensuais de resolução de conflitos / Ana Cláudia Rodrigues Theodoro. - 2023.

179 f.

Orientador: Profª. Dra. Márcia Michele Garcia Duarte.

Dissertação (Mestrado). Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Faculdade de Direito.

1.Acesso à justiça - Teses. 2.Direitos fundamentais – Teses. 3. Novo Código de Processo Civil – Teses. I.Duarte Márcia Michele Garcia. II.

Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Faculdade de Direito. III. Título.

CDU 347.91/.95(81)

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Ana Cláudia Rodrigues Theodoro

A imposição ou indução legal da tentativa prévia de autocomposição como procedibilidade à demanda judicial no ordenamento jurídico brasileiro: Coeficiente de

fomento ou de involução ao acesso à justiça na promoção dos meios consensuais de resolução de conflitos.

Dissertação apresentada, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre, ao Programa de Pós-graduação em Direito, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Área de concentração: Direito Processual.

Aprovada em 24 de março de 2023.

Banca Examinadora: ________________________________________________________

Prof.a Dra. Márcia Michele Garcia Duarte (Orientadora) Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ

________________________________________________________

Prof. Dr. Humberto Dalla Bernardina de Pinho Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ

________________________________________________________

Prof. Dr. Adriano Moura da Fonseca Pinto Universidade Estácio de Sá

Rio de Janeiro 2023

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DEDICATÓRIA

A todos os professores que generosamente me conduziram por essa longa jornada da vida acadêmica, aula a aula, livro a livro, conhecimento a conhecimento, sedimentaram com sabedoria e empatia a educação que transforma e contribuíram à formação do que sou. Aos que permanecem e aos que já se foram, a todos, que pela transmissão do conhecimento, em memória, citações e referências alcançam a eternidade, sendo impossível determinar a dimensão da sua fundamental influência.

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AGRADECIMENTOS

Primeiramente destino meus sinceros agradecimentos à professora Dr.ª Márcia Michele Garcia Duarte pelas valiosas orientações, por tanta generosidade, profissionalismo e empatia na docência. Obrigada por todo conhecimento compartilhado, pelos convites para participar de eventos acadêmicos e pelo ensino, por vezes técnico e por vezes tão somente, mas essencialmente, humano.

Muito obrigada por ter aberto as portas da UERJ para mim, era um grande sonho que eu ousava ter, mas mal conseguia visualizá-lo. Por vezes passava horas olhando o site do PPGD da UERJ, via o corpo docente, lia os lattes, e já pensava que eu gostaria muito em tê-la como orientadora.

Jamais esquecerei o momento que vi minha aprovação no processo seletivo para o mestrado, poucas vezes senti tamanha felicidade. E por isso quero agradecer, Professora Márcia, por ter acreditado no meu projeto, e embora algumas mudanças surgiram, em razão das muitas ideias desta deslumbrada docente com a vida acadêmica, você permaneceu sempre generosamente disposta a pensar junto comigo as possibilidades para uma boa pesquisa.

Sua orientação, especialmente voltada à (re)estruturação do presente trabalho, foi essencial e espero que o resultado faça jus às recomendações e expectativas.

Agradeço aos professores Humberto Dalla, Luís Gustavo Grandinetti e Flávia Hill que me inspiraram muito antes que eu pudesse pisar na UERJ. Na minha graduação lá em Itapetininga, no interior de São Paulo já lia suas obras e com grande admiração, comecei a sonhar em ter a honra de assistir às suas aulas. Embora as aulas on-line durante a pandemia não tenham possibilitado tanta proximidade, foi com grande deferência que assisti a cada uma delas absorta com tanto conhecimento.

Agradeço aos professores Flávia Hill e Leonardo Schenk que me apresentaram perspectivas valiosas sobre o meu tema de pesquisa na ocasião da qualificação.

Agradeço à mediadora Adriana da Rocha Leite uma das responsáveis pelo meu fascínio para com a mediação.

Sou grata ao meu professor de graduação Ederaldo Paulo da Silva que por sua paixão pelo Direito Processual Civil também me contagiou.

Também agradeço à Universidade Federal do Espirito Santo, onde realizei duas disciplinas como aluna especial que contribuíram em muito para minhas reflexões e construção dessa dissertação.

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Sou grata aos meus grandes amigos, que mesmo distantes, se fizeram presentes a cada conversa, desabafo e boas risadas, aos Francisco Vieira, Allan Ronzio, Taryn Diniz, Valéria Cheque, Thais Lorenzo, Angeline Moraes, Carla Pires e tantos outros que foram acalento nessa fase desafiadora.

E por falar em amigos, agradeço ao mineiro Matheus Tavares, amizade que a UERJ me proporcionou, com quem apresentei diversos seminários e compartilhamos das angústias e das felicidades advindas deste mestrado.

Agradeço especialmente a minha família. A minha irmã Ana Eliza, minha companheira de vida, que acredita mais em mim do que eu mesma. Agradeço ao meu pequeno sobrinho Vinícius, minha alegria, que tem o incrível poder de me fazer esquecer de tudo para brincarmos de alguma grande ideia que certamente ele sempre tem. A minha irmã caçula, Luíza, agradeço por ficar e pelos motivadores bilhetes inesperados que encontrei dentre meus livros e cadernos nas longas horas de estudos. Agradeço a minha mãe pelo apoio importante para que eu pudesse deixar a minha cidade e realizar aqui o sonho do mestrado.

Talvez possa parecer egocentrismo, mas asseguro que não é o caso, com toda humildade, quero agradecer à Ana do passado por não ter desistido de estudar jamais. A caminhada até aqui foi longa e difícil, e é graças aquela Ana sonhadora que começou sendo manicure aos treze anos, que com sacrifício foi construindo degraus e com muito estudo conseguiu bolsa estudantil para cursar a graduação em Direito. Àquela Ana que passava em frente a UERJ e se perguntava se um dia conseguiria estudar ali. Pois é, conseguimos!

Agradeço, pois é graças a essa Ana que realizei meu sonho de ser professora universitária e, se eu merecer tal aprovação, mestra em Direito.

Por toda minha história quero agradecer as políticas públicas de fomento à educação, sem as quais eu jamais teria a oportunidade de sonhar. Agradeço à CAPES pela bolsa de estudos concedida que me possibilitou viver plenamente este mestrado com 14 disciplinas cursadas e 3 semestres de estágio docência realizados, além da participação e coordenação de seminários, coletânea e produção de artigos.

Por fim, agradeço a todos os discentes da graduação aos quais tive a oportunidade de ministrar aulas, que me ajudaram a confirmar que a docência é o que preenche o meu coração.

Finalizo emocionada e reafirmo meu muito obrigada!

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Um mestre precisa ter uma utopia do futuro e um desencantamento do passado. Um mestre tem que desejar, sentir falta do amanhã e contaminar, contagiar a todos a quem ajuda, com este mesmo sentimento da ausência de algo que seja bom ter.

Luis Alberto Warat

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RESUMO

THEODORO, Ana Cláudia Rodrigues. A imposição ou indução legal da tentativa prévia de autocomposição como procedibilidade à demanda judicial no ordenamento jurídico brasileiro: Coeficiente de fomento ou de involução ao acesso à justiça na promoção dos meios consensuais de resolução de conflitos. 2023. 179f.Dissertação (Mestrado em Direito) – Faculdade de Direito, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2023.

O presente trabalho tem por escopo analisar os possíveis efeitos ao acesso à justiça na sociedade brasileira com a imposição ou indução legal da tentativa prévia de autocomposição como procedibilidade à demanda judicial. Esta dissertação pretende examinar a adequabilidade da mediação compulsória com a essência, os princípios e regras dos meios adequados consensuais, bem como à realidade brasileira. Primeiramente estabelecerá uma base teórica a respeito de temas cruciais como o acesso à justiça como direito fundamental, o dever do Estado na resolução dos conflitos, a evolução do acesso à justiça, a releitura da jurisdição perante uma justiça multiportas e o potencial dos meios consensuais no fortalecimento do efetivo acesso à justiça, (cap.1). Em seguida, buscar-se-á a identificação das raízes e dos principais atores envolvidos com a carga de litigiosidade no Brasil. Analisará institutos basilares que abarcam a obrigatoriedade ou a indução da autocomposição como as condições da ação e o interesse de agir. Far-se-á a distinção conceitual entre a obrigatoriedade e a indução à autocomposição e abordará o tema das sanções penais e premiais, (cap.2).

Continuamente, trabalho fará uma análise dos Projetos de Lei 533/2019 e 3.813/2020 que propõem a alterações legislativas para a implementação da mediação obrigatória e examinará suas justificativas e fundamentações à luz da jurisprudência brasileira e dados extraídos de pesquisas científicas uma confrontação do entendimento comum a respeito da litigância no Brasil e das premissas a partir de dados auferidos em pesquisas cientificas, (cap.3). A seguir apresentará um panorama da Justiça brasileira e a atuação do consumidor, e cotejará as premissas da utilização da autocomposição como requisito de procedibilidade à demanda judicial com dados científicos que elucidam o tema e apresenta, a oligopolização da máquina estatal, (cap.4). Por fim, examinar-se-á a mediação obrigatória a partir da realidade brasileira com a apresentação de dados reais relevantes à luz do princípio do acesso à justiça, ocasião em que abordará a questão da desigualdade sócio-jurídico-econômico-educacional no Brasil, (cap.5).

Palavras-chave: Meios adequados de resolução de conflitos. Tentativa de autocomposição prévia. Mediação obrigatória. Acesso à justiça.

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ABSTRACT

THEODORO, Ana Cláudia Rodrigues. The imposition or inducement by the law of the prior attempt at self-composition as a procedure for judicial demand in the Brazilian legal system:

Coefficient of promotion or involution of access to justice in the promotion of consensual means of conflict resolution. 2023. 179f.Dissertação (Mestrado em Direito) – Faculdade de Direito, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2023.

This paper aims to analyze the possible effects on access to justice in Brazilian society with the imposition or inducement by the law of the prior attempt at self-composition as a procedural step to judicial demand. This dissertation intends to examine the suitability of compulsory mediation with the essence, the principles and rules of the consensual adequate means, as well as the Brazilian reality. Firstly, it will establish a theoretical basis regarding crucial issues such as access to justice as a fundamental right, the duty of the State in the resolution of conflicts, the evolution of access to justice, the re-reading of the jurisdiction before a multi-door justice and the potential of consensual means in the strengthening of the effective access to justice, (chapter 1). Next, we will seek to identify the roots and main players involved in the litigation burden in Brazil. It will analyze basic institutes that encompass the compulsory nature or the inducement of self-composition, such as the conditions of the action and the interest in acting. A conceptual distinction will be made between the compulsory nature and the inducement of self-composition, and the issue of criminal and punitive sanctions will be addressed (chapter 2). Continuously, the work will analyze the bills 533/2019 and 3813/2020 that propose legislative changes for the implementation of mandatory mediation and will examine their justifications and rationales in light of Brazilian jurisprudence and data extracted from scientific research a confrontation of the common understanding regarding litigation in Brazil and the assumptions from data obtained in scientific research, (chapter 3). Next, it will present an overview of the Brazilian Justice system and the performance of the consumer, and will compare the premises of the use of self-composition as a procedural requirement for judicial demand with scientific data that elucidate the theme and present, the oligopolization of the state machine, (chapter 4). Finally, we will examine compulsory mediation from the Brazilian reality with the presentation of relevant real data in the light of the principle of access to justice, when we will address the issue of socio-juridical-economic-educational inequality in Brazil, (chapter 5). The deductive approach and the monographic method will be used in the preparation of this work, starting with the reading, summarizing and examining of bibliographical sources and scientific research related to the theme, which will consolidate, at the end, a conclusion on the proposed theme.

Keywords: Alternative Dispute Resolution. Prior self-composition attempt. Mandatory mediation. Access to justice.

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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ADIn AMB CEJUSC CNJ CF CPC FGV IBGE INSS IPESPE OCDE OXFAM SAC SENACON SINDEC

STF STJ

Ação Direta de Inconstitucionalidade Associação dos Magistrados Brasileiros

Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania Conselho Nacional de Justiça

Constituição Federal Código de Processo Civil Fundação Getúlio Vargas

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Instituto Nacional do Seguro Social

Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico Oxford Committee for Famine Reliefe

Serviço de Atendimento ao Consumidor

Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça do Brasil Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor da Secretaria Nacional do Consumidor

Supremo Tribunal de Justiça Superior Tribunal de Justiça

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SUMÁRIO

1 1.1 1.1.1 1.2 1.2.1

1.3

1.3.1

1.4 1.4.1 1.5 1.5.1 1.5.2

2

2.1

2.1.1 2.1.2 2.2 2.3

3

3.1

INTRODUÇÃO...

O DIREITO FUNDAMENTAL AO ACESSO À JUSTIÇA...

Aspectos conceituais......

A eficácia dos direitos fundamentais nas relações entre particulares...

O dever do Estado na resolução dos conflitos e o princípio da adequação..

Os meios autocompositivos de resolução de conflitos como instrumentos efetivos ao acesso à justiça...

A evolução do acesso à justiça: a transição da concepção formal à material...

A alta da litigiosidade como produto do princípio ao acesso à justiça pelo viés do direito de ação e o avanço social...

O acesso à ordem jurídica justa...

O acesso a uma justiça multiportas e a ampla jurisdição...

Os aspectos teóricos dos meios consensuais de resolução de conflitos...

A evolução histórica e o marco legal da mediação no Brasil...

A essência da mediação de conflitos...

A IMPOSIÇÃO OU INDUÇÃO LEGAL À TENTATIVA PRÉVIA DE AUTOCOMPOSIÇÃO COMO PROCEDIBILIDADE À DEMANDA JUDICIAL...

A importância da análise contemporânea de institutos basilares que abarcam a obrigatoriedade ou indução da autocomposição...

O direito de ação e suas condicionantes no Código de Processo Civil vigente..

A releitura do interesse de agir...

A obrigatória tentativa prévia de autocomposição...

A indução à autocomposição prévia...

ANÁLISE DAS REGULAMENTAÇÕES LEGISLATIVAS ACERCA DA INDUÇÃO OU IMPOSIÇÃO À PRÉVIA AUTOCOMPOSIÇÃO...

Iniciativas legislativas no Brasil...

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18 19 25 28

30

37

42 49 53 58 58 61

68

72 72 75 76 79

84 84

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3.1.1 3.1.2 3.2

3.2.1 3.2.2

4 4.1

4.2

4.2.1 4.2.2 4.2.3 4.3

4.4

4.4.1

4.5

4.5.1 4.5.2 4.5.3

4.5.4

5

Projeto de Lei 533/2019...

Projeto de Lei 3.813/2020...

Analogias e distinções na jurisprudência brasileira em julgados paradigmas acerca de temas correlatos...

O Acórdão do Recurso Extraordinário 631.240...

A Ação Direta de Inconstitucionalidade 216018/02/2019...

UM PANORAMA DA JUSTIÇA BRASILEIRA...

A crise das relações intersubjetivas e na gestão de conflitos no Brasil...

As premissas da utilização da autocomposição como requisito de procedibilidade à demanda judicial: uma confrontação entre senso comum e dados científicos...

O excesso de litigiosidade e a facilidade de acesso ao judiciário...

A necessidade de se incentivar vias extrajudiciais de solução de conflitos...

Baixa aderência social dos meios autocompositivos...

O consumidor no cenário da justiça brasileira e as plataformas on-line de resolução de conflitos...

Os meios autocompositivos como uma das apostas do CPC/2015 para desafogar (ou não) o judiciário...

Os meios consensuais e seu caráter educativo à autonomia da resolução dos conflitos...

Mitos x benefícios concernentes aos meios adequados de resolução de conflitos a partir de José Carlos Barbosa Moreira...

Primeiro mito: a rapidez acima de tudo (ou: Quanto mais depressa, melhor)....

Segundo mito: a "fórmula mágica" (ou "Abracadabra")...

Terceiro mito: supervalorização de modelos estrangeiros (ou "A galinha da vizinha é sempre mais gorda que a minha")...

Quarto mito: a onipotência da norma (ou: "Vale o escrito")...

A OBRIGAÇÃO OU INDUÇÃO LEGAL À AUTOCOMPOSIÇÃO COMO PROCEDIBILIDADE À DEMANDA JUDICIAL CONDESCENDE À REALIDADE BRASILEIRA? ...

85 94

98 98 103

106

106

110 111 118 121

129

136

139

142 143 145

146 147

149

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5.1 5.2

5.3

5.4

Desigualdade, a rainha de uma república chamada Brasil...

A quem beneficiaria a exigência da tentativa consensual como requisito à demanda judicial? Promoção ou obstrução ao acesso à justiça?...

A autocomposição obrigatória prévia: um mal necessário, uma etapa ineficaz ou uma boa solução? ...

Os desafios e as barreiras de efetivação dos meios consensuais...

CONCLUSÃO...

REFERÊNCIAS...

150

153

158 161

164

170

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13

INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem como tema principal os meios consensuais de resolução de conflitos como instrumentos efetivos ao acesso à justiça.

Neste contexto, sob o pano de fundo do acesso à justiça, o estudo faz um exame se a imposição ou indução legal da mediação como requisito prévio ao judiciário é compatível à realidade jurídico-social da população brasileira.

O tema deste trabalho foi escolhido pela autora a partir do estudo realizado para a preparação de um seminário ao grupo de pesquisa sobre os meios adequados de resolução de conflitos no mestrado.

Oportunidade em que identificou-se forte tendência à imposição da tentativa de autocomposição prévia no Brasil, inclusive dois projetos de lei já em tramitação propõem alterações legislativas a fim de regulamentar a medida.

Sua preocupação social e o interesse por dados científicos oriundos de pesquisas empíricas a motivaram a aprofundar a investigação acerca do tema e foi possível reunir diversos dados que podem contribuir com o aceno orientado à favorabilidade ou à objeção quanto a mediação obrigatória.

A sociedade contemporânea funda-se em bases complexas que abarcam as relações diversificas e múltiplas inerentes a uma sociedade globalizada em constante evolução.

O Direito como produto histórico e social, incorpora em suas leis, interpretação e jurisprudência, a evolução do pensar da própria sociedade, ao passo que os chamados

“operadores do Direito” propõem incansável e consistentemente modificações aos diversos problemas inerentes à ineficácia da prestação jurisdicional a fim de promover soluções adequadas ao seu tempo.

A concepção do princípio do acesso à justiça, do conceito de jurisdição e do interesse de agir têm sofrido importantes modificações ao longo dos anos, novas releituras passaram a incluir novas possibilidades ao processo judicial.

Essas releituras ampliaram o acesso à justiça para além do judiciário e novas possibilidades passaram a ser pensadas e propostas, como por exemplo o sistema multiportas e a mediação obrigatória.

Nesse sentido, pretende-se com este trabalho estimular uma reflexão sobre a evolução do princípio do acesso à justiça na comunidade jurídica, desde sua compreensão nos séculos XVIII e XIX até a concepção atual, bem como o contemporâneo conceito de jurisdição e os

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limites do alargamento deste importante princípio para a inclusão da mediação obrigatória prévia.

Oportunidade em que serão levantados questionamentos dessa prática realizados por juristas no que diz respeito a ofensa ou a adequabilidade ao princípio do acesso à justiça contidos em artigos, projetos de lei e obras acadêmicas.

Para tanto, assume-se como pressuposto conceitual o termo mediação em sentido lato, sem fazer distinções entre conciliação e mediação, dado que neste estudo objetiva-se a aplicabilidade da autocomposição, de modo que as respectivas especificidades são integradas.

O presente trabalho, provoca uma reflexão entre senso comum e dados científicos no que diz respeito à realidade da Justiça brasileira.

Por conseguinte, investiga quais são, de fato, a origem dos principais problemas no judiciário brasileiro, e os principais atores envolvidos com o alto número de demandas e congestionamento do judiciário. Os quais foram determinados a partir dos resultados da pesquisa sobre os pós e contras e de fundamentos e princípios basilares da obrigatoriedade e da indução da autocomposição prévia.

Para tanto, o trabalho será dividido em cinco capítulos.

No capítulo inicial será estudado o acesso à justiça como direito fundamental constitucionalmente reconhecido e positivado, de caráter básico e fundamentador do Estado Democrático de Direito e fundamentador do princípio da dignidade da pessoa humana.

Discorreremos sobre os aspectos conceituais dos direitos fundamentais, suas características, eficácia e suas dimensões, bem como, a correta atuação estatal na concretização do direito fundamental de acesso à justiça. Além disso, abordaremos a eficácia horizontal dos direitos fundamentais, em especial, o direito de acesso à justiça na esfera privada.

Nesse contexto apresentaremos os meios consensuais como alternativas apartadas do judiciário mas que potencialmente podem efetivar e fomentar o acesso à justiça, compreendido a partir da evolução da concepção formal à material do acesso à justiça até o conceito de acesso à ordem jurídica justa.

O potencial de promoção ao acesso à justiça com o emprego e a atividade dos meios adequados será examinado a partir dos quatro subprincípios que informam o acesso à justiça apresentados por Paulo Cezar Pinheiro Carneiro, a acessibilidade, a operosidade, a utilidade e a proporcionalidade.

A mencionada evolução do acesso à justiça abarca nova concepção sobre a jurisdição a partir do princípio da adequação, nessa oportunidade estudaremos a história do acesso à

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15

justiça ao longo das últimas décadas sobre as barreiras e as ondas renovatórias desenvolvidas por Mauro Cappelletti e Bryant Garth.

O presente estudo se aprofundará nos efeitos no judiciário da alta demanda, a partir do acesso à justiça pelo direito material do direito de ação, o avanço social e o protagonismo que o judiciário tem assumido na atualidade.

Desse modo, pretende-se promover reflexão importante sobre a interpretação a ser feita quanto ao aumento das demandas judiciais, como um fenômeno negativo ou de democratização do acesso à justiça pelo exercício da cidadania.

A realidade do judiciário pátrio e sua inconteste sobrecarga resulta hoje em uma Justiça lenta e ineficiente de modo que o cenário atual consiste em um desafio cultural, diante desse cenário tem havido crescente valorização dos meios adequados com o intuito de promover a autonomia do indivíduo a partir da atividade dialogal à autocomposição e viabilizar soluções à denominada “crise da justiça.”

À vista disso, o presente trabalho busca trazer à atenção a importância da preservação da essência, dos princípios e das regras da mediação com sua institucionalização no Brasil, e estuda suas características da voluntariedade e da autonomia da vontade de modo a estabelecer uma diferenciação entre esses princípios.

No segundo capítulo, desenvolveremos sobre os temas da imposição ou indução legal à tentativa prévia de autocomposição como procedibilidade à demanda judicial propriamente dita e o que se pretende com as referidas medidas. Nesse sentido, apontaremos críticas e benefícios reunidos com a pesquisa teórica realizada.

Ademais, analisaremos institutos basilares que abarcam o tema, como o direito de ação e suas condicionantes no Código de Processo Civil vigente, e a releitura do interesse de agir.

Nesta oportunidade abordaremos alguns casos em que o interesse de agir passou a ter um entendimento restritivo e por uma releitura no sentido de que somente estará preenchida essa condição de ação se comprovada a pretensão resistência pelo autor com a demonstração de resposta negativa ou de sua ausência após tentativa prévia de requerimento ou autocomposição.

Nesse ensejo, estabeleceremos a diferenciação entre mediação obrigatória e mediação induzida, pressuposto conceitual adotado a partir dos ensinamentos de Paula Costa e Silva, ocasião em que abordaremos os conceitos e a aplicabilidade das sanções penais e premiais, bem como as particularidades de cada prática em sopeso à argumentação de juristas a respeito do tema.

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16

Em seguida, no terceiro capítulo, analisaremos as iniciativas legislativas acerca da indução ou imposição de tentativas prévias à autocomposição no Brasil, como o Projeto de Lei 533/2019 e o Projeto de Lei 3.813/2020.

Basear-nos-emos nas justificativas contidas nessas propostas legislativas para pormenorizar os argumentos e as regulamentações propostas em confrontação com a legislação vigente, princípios e dados científicos.

Nesse sentido, destacaremos analogias e distinções na jurisprudência brasileira em julgados paradigmas acerca de temas correlatos, como o acórdão do recurso extraordinário 631.240 que designou necessário o requerimento prévio para a configuração do interesse de agir nas ações previdenciárias em face do INSS, e da ação direta de inconstitucionalidade 216018/02/2019 que firmou interpretação inconstitucional à obrigatoriedade tentativa resolutiva prévia da demanda às Comissões de Conciliação Prévia como requisito essencial ao ajuizamento de reclamações trabalhistas.

No quarto capítulo, com o fim de cotejarmos os temas basilares até aqui propostos, apresentaremos um panorama da justiça brasileira, bem como destacaremos a existente crise nas relações intersubjetivas e na gestão de conflitos no Brasil.

Em seguida, exibiremos as premissas da utilização da autocomposição como requisito de procedibilidade à demanda judicial, sendo eles: i) o excesso de litigiosidade; ii) a facilidade de acesso ao judiciário; iii) a necessidade de se incentivar vias extrajudiciais de solução de conflitos; e acrescentamos, iv) a baixa aderência social dos meios autocompositivos.

A partir dessas premissas, faremos uma confrontação entre senso comum e dados científicos que elucidam a realidade da justiça e da população brasileira. Nessa oportunidade abordaremos o tema da oligopolização por poucos mas importantes atores do cenário social, bem como a cultura do desrespeito a direitos em massa no Brasil.

Nesse contexto, incluiremos o estudo da perspectiva do consumidor no cenário da justiça brasileira, vez que são atores centrais das propostas legislativas, bem como faremos um panorama da efetividade da plataforma on-line de resolução de conflitos Consumidor.gov.br.

Seguidamente abordaremos a aposta e expectativas de que os meios autocompositivos podem desafogar (ou não) o judiciário e constituírem solução à “crise da justiça”.

À vista disso, faremos um paralelo entre as inverdades e benefícios concernentes aos meios adequados de resolução de conflitos a partir dos mitos da justiça apresentados por José Carlos Barbosa Moreira quanto a celeridade, às soluções mágicas, a supervalorização de modelos estrangeiros e a onipotência da norma.

(19)

17

Por fim, no capítulo cinco será posto em confronto a mediação obrigatória com a realidade brasileira a partir da apresentação de dados reais relevantes à luz do princípio do Acesso à Justiça, ocasião em que abordaremos a questão da desigualdade sócio-juridico- economico-educacional no Brasil.

Procuraremos desvendar quais serão os verdadeiros beneficiados e prejudicados com a regulamentação da exigência da tentativa consensual como requisito à demanda judicial no Brasil.

Nesse contexto buscar-se-á identificar se a medida fomentaria a promoção ou obstrução ao acesso à justiça e, dessa forma, se vale o seu investimento no sistema pátrio e social.

Finalmente abordaremos quais são na atualidade os desafios e as barreiras de efetivação dos meios consensuais no Brasil.

A metodologia empregada para a elaboração deste trabalho consistirá na abordagem dedutiva, examinando a relação entre argumentos gerais, o senso comum e premissas em confronto com dados auferidos por meio de pesquisas cientificas consubstanciando, ao final, a partir da pesquisa levantada, uma conclusão a respeito do tema proposto.

Como método de procedimento recorrer-se-á ao método monográfico, a partir da leitura e fichamentos de fontes bibliográficas e pesquisas relacionadas ao tema da pesquisa.

(20)

170

REFERÊNCIAS

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Referências

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Governo do Estado do Rio de Janeiro Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia Universidade do Estado do Rio de Janeiro Faculdade de Comunicação Social Programa de Pós-Graduação