PRONFO em Nova Iguaçu: Tecnologia Educacional e Formação Cultural ou Tecnologia da Informação Educacional e Semiformação / Naira Fonseca Fois- 2014. Para tanto, define como objeto de estudo o Programa Nacional de Tecnologia Educacional (Proinfo) e a Rede Municipal de Nova Iguaçu. Iguaçu como campo empírico.
Tecnologia: técnica e ambiente político
Pelbart (2011, p. 20, 21), em seu livro “Vida Capital: ensaios sobre biopolítica”, no qual trata das variações da vida no contexto atual e de como o capital permeia a vida de todos, alude ao fato de que o contexto contemporâneo Império “já não funciona com base em muros e trincheiras, mas sim que “depende da circulação de fluxos de toda espécie em alta velocidade, fluxos de capital, de informação, de imagem, de mercadorias, até e sobretudo de pessoas”. Contudo, Pelbart não se limita a expor os factos; ele sugere: “Mas não devemos deixar-nos embalar por um determinismo que é tão apocalíptico quanto complacente.
Semicultura: a crise da formação cultural
O mesmo acontece com as suas ideias sobre os direitos humanos, como aconteceu com os universais mais antigos. Mas desta forma “o intelecto e o espírito ficam privados de parte do alimento que alimenta a formação”, pois o tempo e a memória são as únicas mediações que realizam “na consciência a síntese da experiência que caracterizou a formação cultural em outros tempos” (ADORNO , 2011).
Educação para a contradição e para a resistência
Neste ponto podemos abordar outro fator que Adorno destaca no processo de formação, a constituição do eu, a necessidade de uma representação sólida da subjetividade. A produção de uma consciência emancipada exige “uma certa firmeza de si, da unidade combinada de si” (ADORNO, 1995, p.180-181) Portanto, a ideia de uma educação orientada por um conceito de ideal modelo é contraditório, pois outra ideia está embutida neste conceito, a de. A educação depois de Auschwitz", Adorno declara que "um dos momentos do estado nocivo de consciência e inconsciência é quando o próprio ser - que se é de uma certa maneira e não de outra - é confundido com a natureza torna-se, como um dado imutável e não como resultado de treinamento” (1969).
Contudo, é necessário compreender a emancipação não como um título de posse vitalício recebido como um presente, como uma carta de libertação concedida, mas sim como uma conquista de uma consciência emancipada. Somente sob estas condições a verdadeira consciência pode ser produzida; Somente nesta base a formação cultural deverá ser sustentada para que se transforme numa prática revolucionária de transformação da sociedade. No sentido contrário, é necessário que o conteúdo entre sempre na escola e na sala de aula de forma contextualizada (basta pedir licença) - por isso, em hipótese alguma, deve ser fixado ou colocado em uma ordem pré-determinada - e que eles são apresentadas, não como verdades indiscutíveis, mas como construções sociais carregadas de valores e crenças que devem ser sempre analisadas e questionadas.
Devem corresponder às necessidades de compreensão da realidade social e das suas contradições, e desta forma devem estar ligados à ideia de criação de uma consciência histórica do sujeito, para que o sujeito se veja como capaz de intervir neste processo para transformar esta realidade. Sendo um dos objetivos da escola o desenvolvimento da capacidade de pensar, o ambiente escolar deve não só permitir o desenvolvimento da competência lógico-formal, mas também e sobretudo incentivar a realização de experiências intelectuais - dado que, na sua sentido mais profundo, eles são na verdade a capacidade de pensar.
TDIC e educação
Não olharemos para os “pedaços do mosaico”, mas sim para o “conjunto da obra”, para a “imagem” revelada após os “espaços preenchidos”, para procurarmos os significados que ela nos sugere. Esses novos dispositivos de (re)reprodutibilidade possibilitam novas formas de autoria/autenticidade e são vivenciados por um número cada vez maior de “leitores que se tornam escritores”. Considerando que o termo “informatização escolar” pode hoje ser entendido como uma “forma decaída” do que se define como cultura digital, afirma: “Portanto, só parece fazer sentido categorizar como expressão da cultura digital (o futuro, o estrangeiro) todas as iniciativas de crítica às nossas práticas educativas (passadas e presentes, o nativo)”.
Nesse sentido, propõe (VERMELHO, 2002, p.77) resgatar “o (antigo/novo) conceito de indivíduo”, pensado nos séculos XVII e XVIII, entendido “como um ser capaz de autodeterminação” e dotado de normas e valores elementos básicos que se mantêm diante das ações externas. É necessário, portanto, segundo o autor, ajudar nossos alunos a desenvolver algum domínio dos códigos e das linguagens midiáticas, proporcionar experiências que lhes permitam assumir, em contato com as tecnologias trazidas para a sala de aula, o estado de “sujeitos enfrentados por um discurso que deve ser lido, compreendido e criticado" (VERMELHO, 2002, p. 85). A razão moderna, baseada no racionalismo, no operativo, dá lugar a uma nova razão que agora está sendo construída − repito, baseada em globalidade e integridade, onde realidade e imagem se fundem no próprio processo de construção de conhecimento e experiência.
O que se propõe com os processos colaborativos em rede é que o professor não se preocupe apenas em produzir um vídeo completo (animação ou simulação), com começo, meio e fim. Na conceituação de Bardin, “o tema é a unidade de sentido que se liberta naturalmente de um texto, analisada segundo critérios relativos à teoria que serve de guia à leitura” (BARDIN, 1977, p.105).
O Proinfo e as TDIC nas escolas de Nova Iguaçu
Para participar do Proinfo, os estados e municípios devem aderir, estabelecendo assim compromisso com as metas e estratégias planejadas. Posteriormente, com as escolas que já possuíam laboratórios, o funcionamento do NTE deveria prestar assessoria pedagógica para a utilização dos recursos tecnológicos no processo de ensino e aprendizagem e dar suporte na resolução de problemas técnicos. Durante a jornada letiva ampliada, foram planejadas diversas oficinas com os alunos, incluindo esportes, cultura, inclusão digital e aprendizagem (SANTOS, 2010, p. 82).
Conforme estipulado no programa, a escola que aderir ao Mais Educação e optar pela atividade “tecnologia educacional” poderá selecionar estudantes universitários com formação específica em tecnologia ou pessoas da comunidade local com competências adequadas nesta área para supervisionar e ministrar oficinas com alunos do Laboratório Proinfo. A primeira é que, como a utilização do laboratório se destinava exclusiva ou principalmente à realização de oficinas com os alunos do horário escolar ampliado, que acontecia fora do horário escolar, o acesso de alguns dos alunos a esse ambiente foi impossibilitado. ou limitado, pois nem todos participaram da viagem prolongada13. No tópico “Requisitos necessários ao mediador tecnológico” encontramos este verbete: “Coordenar com o corpo docente para garantir melhor aprendizagem dos alunos” (Nova Iguaçu.
Quadro 2 – Entrevista com os dirigentes da turma – 1º momento de integração entre você e o mediador tecnológico. Tabela 3 – Entrevista com dirigentes de turma - 2. acompanha sua turma até o laboratório do Proinfo.
A formação docente voltada para o uso das TDIC
Diretrizes do MEC para o Programa de Formação Continuada
Em 2007, com a reformulação do Proinfo e a implantação do Programa Nacional de Formação Continuada em Tecnologia Educacional (Proinfo Integrado), o MEC passou a realizar, em conjunto com secretarias estaduais e municipais, as atividades de formação de agentes educacionais que visassem a utilização do TDIC . A partir daí, porém, o MEC começa a traçar diretrizes e estruturar o programa de formação; Cabe então aos governos locais incentivar e facilitar a formação. Este elemento do texto sugere uma continuação dos princípios que nortearam o programa de formação na edição anterior do Proinfo, ou seja, aponta para uma abordagem técnica e instrumental ao processo de formação de agentes educativos.
Assim, o primeiro objetivo, promover o uso educativo das TDIC, e o segundo, incentivar a melhoria do processo educativo por meio desse uso, tem alcance reduzido e parece apenas instrumentalizar o processo educativo para o trabalho. Dado que o objetivo principal do Proinfo se baseia no uso instrumental das TDIC, como nossa leitura até aqui indicou, o direcionamento do programa de formação de agentes educacionais se baseia na mesma base. Levando em conta que, após a reestruturação do Proinfo, o MEC não apenas formula as diretrizes do Programa de Educação Continuada, mas também formata os cursos de formação, recorremos à avaliação feita por Bonilla e Passos (2012, p. 5) de um dos módulos do curso elaborados pelo MEC.
Nas suas considerações finais, os autores sublinham, não só com referência a este módulo, mas ao programa de formação em geral, a ideia de que a formação centrada na utilização das TDIC é tomada "como uma estratégia para melhorar a qualidade do ensino (no caso de professores e gestores) e o desenvolvimento de competências técnicas para inserção no mercado de trabalho (no caso de estudantes), sem questionar ainda mais o modelo social que se tornou hegemônico". Com base nesses elementos destacados na descrição e análise do Programa de formação do MEC, em sua primeira e atual edições, confirmamos mais uma vez que a formação proposta pelo Proinfo segue numa perspectiva instrumental, o parâmetro do conhecimento a ser “transferido”, sua funcionalidade e precisão.
A condução da SEMED na capacitação dos docentes
O que se segue, junto com esta proposição, é a lógica de que o conhecimento teórico e prático tem caráter de mercadoria e, como tal, deve ser propagado; é preciso “mostrar a todos o que você tem e o que você pode fazer” (ADORNO; HORKHEIMER, 1995, p. 129), pois, na lógica comercial,. Nesse sentido, “a publicidade é o seu elixir da vida” (Idem, p. 129); é necessário recorrer a ele para obter projeção. O que se pode chamar de valor de uso na recepção dos bens culturais é substituído pelo valor de troca; [..] o que você quer é ganhar prestígio e não ser conhecido” (ADORNO; HORKHEIMER, 1995, p. 131) e fazer dessa aquisição cultural algo que leve à maturidade intelectual e à autodeterminação.
A lógica ali presente é a mesma determinada pela indústria cultural: “Tudo só tem valor na medida em que pode ser trocado, não na medida em que é algo em si” (ADORNO; HORKHEIMER, 1995, p .131) . . Contudo, a análise que realizamos mostra que os significados que os gestores atribuem a estes termos – ‘cultura digital’ e ‘inclusão digital’ – diferem dos significados a que nos referimos e que marcam a agenda de reivindicações das diferentes organizações. Em vez de oferecer novas perspectivas à educação e à sociedade em geral, o Proinfo é a favor da preservação das estruturas que deseja mudar. A ideia é, portanto, que, à medida que for proporcionado o acesso às redes tecnológicas e garantidos os equipamentos para a sua utilização, a exclusão digital seja reduzida.
Portanto, neste esquema, a ideia é que é possível/necessário “inserir” uma determinada cultura (neste caso digital) no ambiente (escola) e ainda, que é possível “imergir” os sujeitos (educadores e estudantes) nesta cultura. Deste ponto de vista, pode-se argumentar que não existe “cultura digital” na sociedade, existem “culturas digitais” – tantas quantos forem os grupos que se conectam às redes digitais e tantos ambientes nos quais essas relações se estabelecem. . O discurso elaborado busca avaliar o uso das TDIC, que possibilita interações mais efetivas entre alunos e professores, que viola currículos padronizados, que está conectado aos processos sociais e estimula a reflexão crítica e a criatividade, enfim, enfatiza o uso inovador e emancipatório. .
Isto pressupõe necessariamente reflexão e crítica sobre as relações que são/poderiam ser criadas com a tecnologia nas escolas e na sociedade em geral, e sobre as implicações de cada forma de relação.