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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Feminismo na indústria musical: um estudo de caso na gravadora PWR Records / Julia Carolina do Nascimento Ourique. A pesquisa analisa a relação entre artista, feminismo e indústria musical a partir do estudo de caso do selo PWR Records. Concluindo, discutimos como a PWR Records – e iniciativas similares – podem ajudar as mulheres a se consolidarem como profissionais na indústria musical brasileira.

A pesquisa utiliza como estudo de caso a trajetória da gravadora PWR Records (DUARTE, 2005; YIN, 2001) para falar sobre o feminismo na indústria musical.

Ondas feministas no Brasil: ontem e hoje

Onde estavam as mulheres brasileiras quando surgiram as primeiras faíscas em relação aos direitos civis das mulheres? Na primeira onda, no Brasil da década de 1920, o objetivo era emancipar as mulheres brancas e permitir que as mulheres votassem (BLAY, 2017, p. 66). Pela primeira vez, as mulheres puderam escolher o estilo de vida que queriam viver e, como resultado, a sociedade viu a participação das mulheres no mercado de trabalho aumentar exponencialmente.

Era impossível evitar estes problemas que afectavam as mulheres da periferia – e não apenas elas.

Artivismo e música

A transformação do mundo e a consequente igualdade de géneros, raças e classes ocorreriam, de acordo com esta corrente, através do fim do capitalismo. Não acreditam na solução da desigualdade por meio do Estado, que viola e silencia os corpos femininos, negros, indígenas e pobres. É dentro deste caldeirão de possibilidades que a estética política chega à cultura pop, e então os jovens iniciam a produção musical independente, transmitindo mensagens políticas através da música, e é neste contexto que “o artivismo começa a ser usado como arma de luta e subjectivação” (ROCHA, 2019, p. 3).

O Movimento da Contracultura como aparelho social pode ter permanecido nas décadas de 60 e 70, mas os seus frutos de exigência através da arte continuaram nas décadas seguintes.

No mercado musical global, o punk nasceu na década de 1970 das mãos dos Ramones e dos Sex Pistols, enquanto o pop foi dominado pelos álbuns do ABBA e dos Bee Gees. No mercado musical no Brasil, iniciou-se a produção de discos independentes, onde os músicos escapavam do controle das grandes gravadoras, que limitavam o trabalho criativo do artista e priorizavam a quantidade em detrimento da qualidade (DE MARCHI, 2007, p. 2). Além da questão do monopólio, razões políticas foram um grande incentivo para a criação de um mercado musical independente, ou “a primeira experiência de produção fonográfica autônoma” (DE MARCHI, 2016, p. 166) pelos próprios músicos no segundo metade dos anos 70.

Embora tenha aparecido de forma tímida nas décadas anteriores, o mercado da música independente só começou a organizar iniciativas a partir da década de setenta, o que contribuirá para a visibilidade do mercado musical brasileiro no futuro. Vicente (2002, p. 124) afirma que apesar das dificuldades, a cena musical independente ainda conseguiu desenvolver-se na década de 1980 e reagir apesar do declínio da economia, dos elevados custos do processo de gravação e distribuição e contra a sua forma. No mesmo espírito de criar iniciativas no mercado musical independente, Cesare Benvenuti acompanhou o sucesso do grupo independente Boca Livre.

Enquanto isso, no mercado independente, as gravadoras e gravadoras independentes não faziam grande diferença, os donos dos selos eram ex-funcionários das grandes empresas, como foi o caso de Pena Schmidt, que fundou o selo Tinitus, e Mairton Bahia, do Radical Records, e transferiu seu conhecimento para essa área da indústria musical que começava a ter cases de sucesso de gravadoras e artistas que investiram na autogestão para continuarem suas carreiras (DIAS, 2000; VICENTE, 2002; DE MARCHI, 2016 ). Era preciso reforçar a profissionalização das gravadoras independentes e, para isso, o mercado da música independente contava com profissionais que já haviam atuado nas grandes gravadoras e, portanto, sabiam como funcionava a organização em uma gravadora. Trago esta informação para enfatizar que, desde os primórdios da digitalização musical, existia a ideia de que a utilização deste formato traria “liberdade para toca-discos e piratas da internet”, como afirma o subtítulo do artigo em questão.

Da mesma forma que o feminismo no Brasil passa por períodos de altos e baixos, o mesmo acontece com o mercado musical. Mas nem todos os géneros musicais segmentados foram abrangidos por esta mudança de grandes direcções, Vicente (2002, p. 160) diz que alguns segmentos continuaram a tornar-se viáveis ​​graças ao trabalho de independentes, como World Music, New Age, música instrumental, regional música, música infantil e música gospel.

As transformações ocorridas na década de 2000 no mercado musical podem significar o fim da indústria musical do país. Enquanto as gravadoras persistiam com o mesmo modelo de negócio da década de 1990, que se baseava na venda de discos físicos completos, ou seja, com faixas ao vivo e faixas “lado b”, o mercado musical independente decidiu se organizar ainda mais. As transformações ocorridas na década de 2000 no mercado musical podem significar o fim da indústria musical no país (DE MARCHI, 2016, p. 197).

Azul Music: Com o objetivo de divulgar a música erudita, foi criada em 1993, em São Paulo (SP). Com o lançamento de 70 discos, conquistou o Prêmio Profissionais da Música Brasileira, na categoria Melhor Artista Independente (2015 e 2016). Focado em ressurgir canções e descobrir novos talentos da música brasileira, seu catálogo conta com nomes como Nação Zumbi, Tulipa, Romulo Fróes, Blubell, Luedji Luna, Filarmônica de Pasárgada, Zeferina, entre outros.

Atua na área de distribuição, assessoria de imprensa e contratação de artistas desde música acústica e pop até rock alternativo e psicodélico. O catálogo traz artistas da nova safra da música independente, como Felipe Neiva, Astralplane, Meu Nome Não É Portugas, Eliminadorzinho, entre outros. Not Another: Selo que começou a funcionar em 2016 com o objetivo de divulgar artistas de música eletrônica pernambucanos, mas que agora atua também fora do país.

Faz parte do Grupo Live e colabora com artistas do universo da música sertaneja, tendo ganhado um Grammy Latino com o projeto “Tempo de Romance”, de Chitãozinho e Xororó, vencedor na categoria “Melhor Álbum de Música Sertaneja”; e também na música comercial, como Toni Garrido, a cantora Isadora e o grupo Sambô. Somatória do Barulho: Fundada em 2010, em São Paulo, é uma gravadora que trabalha com reedições em vinil de clássicos da música brasileira e divulga artistas emergentes.

Gráfico 1 – Vendas totais (físicos e digitais) de fonogramas no Brasil em milhões de reais
Gráfico 1 – Vendas totais (físicos e digitais) de fonogramas no Brasil em milhões de reais

As mulheres na indústria da música

A ocupação de mais mulheres na indústria musical foi apenas um reflexo da quarta onda do feminismo, que junto com a popularização da Internet reforçou os discursos. À medida que as mulheres envelhecem, torna-se mais difícil permanecer num ambiente incomum como a indústria musical. A falta de representação das mulheres na indústria musical provoca uma espécie de silêncio quando a música produzida por mulheres é imediatamente rotulada como rock feminino, rock feminino, rock feminista ou mesmo rock de calcinha.

Distinguir a música feminina da música masculina ou gay não impõe uma categoria secundária, o que por sua vez nos leva a separar a música feita por mulheres. Isto já não é considerado “outra” música, diferente da música “normal”, perpetuando novamente a “normalidade” como “masculinidade”. A partir desta demonstração, os alunos podem colocar em prática a sua aprendizagem, sentindo-se assim encorajados a entrar no cenário musical sem receios, segundo Julie Sousa, “a intenção é quebrar os padrões de pensamento tradicionais e fazê-los experimentar e acabar com a ideia de, que eles não são capazes” (ORION, 2020).

Os relatos são diversos e nos ajudam a entender como funciona a recepção da mulher no mercado musical. Essa adaptação apresenta um desafio para instrumentistas que se identificam como mulheres e desejam obter reconhecimento na indústria musical” (WERNER, 2019, p. 6). Com a experiência de gravadoras independentes e por meio das redes sociais, as mulheres da música conseguiram se conectar de forma mais íntima com o público, compartilhando opiniões e experiências.

A PWR Records foi escolhida como estudo de caso porque oferece a uma gama de profissionais da música a possibilidade de se unirem em torno de uma mesma causa: a igualdade de género. Na primeira parte do capítulo, contamos a história de como duas amigas fãs de música, em sua busca por ver mais mulheres na indústria musical, decidem elas mesmas mudar essa situação.

Gráfico 1 - Total de mulheres registradas na UBC entre os anos de 2018 e 2022
Gráfico 1 - Total de mulheres registradas na UBC entre os anos de 2018 e 2022

De Pernambuco para São Paulo: como duas garotas iniciaram um selo feminista

Durante entrevista ao site Hits Perdidos, Letícia Tomás disse que foi graças ao apoio dos amigos que a PWR Records foi criada. O evento que desencadeou a divulgação da PWR Records foi o Jam das Minas, evento exclusivo para mulheres que aconteceu no Recife no dia 25 de outubro de 2016, com as bandas Ventre (RJ), Rakta (SP) e My Magical Glowing Lens (ES), na turnê My Magical Ventre (SILVA, 2016). Em 2016, foi lançado um formulário na internet que buscava nomes de mulheres que trabalhavam nos bastidores, mixavam e masterizavam para que a PWR Records pudesse recomendá-las às bandas que administravam.

Neste primeiro ano, a PWR Records lançou o single Instinto e o EP autointitulado de PAPISA, projeto solo da artista paulista Rita Oliva, integrante das bandas Cabana Café e Parati (GUERRA, 2016). Sem familiares morando em São Paulo (SP), os shows no SESC pagavam passagem aérea e hospedagem, além da taxa – que até então era a maior já recebida pelos artistas da PWR Records. Foi durante 2018 que a PWR Records teve sua primeira mudança de sócio e Hannah Carvalho deixou de fazer parte da gravadora.

Entre os lançamentos da PWR Records em 2019 estão os álbuns Quarentena, da LUMANZIN; e Sobre os edifícios que derrubei tentando salvar o dia, por Def. É também nesse período que a PWR Records se reconhece no papel de um pequeno intermediário (DE MARCHI, 2016, p. 233) e passa a investir na curadoria de artistas, preferindo a qualidade à quantidade. Durante a pandemia, a PWR Records também se tornou produtora de conteúdo, por meio do podcast PWRCast43, com 10 episódios lançados entre julho de 2020 e março de 2021.

Devido ao retorno parcial das atividades presenciais, observa-se um ligeiro aumento no número de lançamentos da PWR Records em relação aos anos anteriores (Tabela 1). Em janeiro de 2022, a PWR Records passou a ser objeto de um estudo de caso publicado no relatório anual da ABMI, no qual Letícia Tomás fala sobre a história da gravadora e como a gravadora cresceu (ABMI, 2022).

Figura 3 - Hannah Carvalho e Letícia Tomás, respectivamente, em 2017
Figura 3 - Hannah Carvalho e Letícia Tomás, respectivamente, em 2017

Feminismo da quarta onda e um modelo de negócio

Pretendemos também contribuir para o desenvolvimento de mais conteúdos acadêmicos que abordem os estudos de gênero e o feminismo na indústria musical. No entanto, notamos que a PWR Records se destaca como uma importante iniciativa para reunir uma gama de artistas e profissionais da indústria musical que veem o feminismo como uma ferramenta importante para aumentar o número de mulheres na área. Disponível em: .

Disponível em: . Disponível em: . Disponível em: .

Mulheres na indústria musical: um estudo de caso do grupo Women in Music Brasil. Disponível em: . Disponível em: .

Disponível em: . Disponível em: .

Gráfico 4 - Onde estão as mulheres e pessoas não-binárias da música no Brasil?
Gráfico 4 - Onde estão as mulheres e pessoas não-binárias da música no Brasil?

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Gráfico 1 – Vendas totais (físicos e digitais) de fonogramas no Brasil em milhões de reais
Figura 1 - Cartaz de anúncio da turnê Sem sair na Rolling Stone mais bem sucedida
Gráfico 1 - Total de mulheres registradas na UBC entre os anos de 2018 e 2022
Gráfico 2 - Faixa etária das mulheres na música registradas na UBC
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Referências

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Este trabalho visa analisar a situação do uso indiscriminado de agrotóxicos nas montanhas da região serrana do Estado do Rio de Janeiro contribuindo para a diminuição das contaminações