Na sutileza desses movimentos, por meio da inspiração filosófica da ideia de devir animal baseada em Deleuze e Guattari (2012a e 2012b), tenta-se tecer a noção de furtividade infantil. Explora a dimensão do tornar-se professor a partir dos encontros entre crianças e professores dentro dos muros institucionais da pré-escola, que acredito serem fendas para novos modos de ser.
Expedição-brincante de uma professora-cartógrafa
A expedição disruptiva do professor-cartógrafo encontra seu lugar na criação a partir do acontecimento e na resistência a partir da criação. Na lúdica expedição, o cartógrafo-professor encontra locais de devoção que potencializam a relação entre vida e educação.
As perguntas que movem o percurso da professora-cartógrafa
A próxima fissura acompanha esses movimentos presentes nas áreas por onde o cartógrafo-professor transita. O movimento é horizontal, num sentido de vaguear e mudar os níveis em que se encontra.
Entre mapas e intensidades: um sobrevoo infantil
Da mesma forma, permite pensar a Educação Infantil na perspectiva do acontecimento e das desterritorializações também criadas entre as crianças nas relações vivenciadas no espaço-tempo em que se encontram. Dessa forma, Deleuze (1997) entende que o inconsciente não é composto por pessoas e objetos e pelas relações que ocorrem entre eles, mas por caminhos e fazeres. Há, portanto, uma simbiose entre o sujeito e o caminho, que se rompe com a relação edipiana, com o inconsciente como algo que é invocado na tentativa de explicar o comportamento.
A professora só assume forma profissional quando representa esse ambiente em outros ambientes, que se dão em outra dimensão, de características e relações, que por sua vez permeiam a pessoa. Nesta fase é desnecessário dizer que a criança alcança estes outros meios apenas por inferência ou por uma extensão do que o professor representa. Em última análise, o imaginário é uma imagem virtual que permanece com o objeto real, e vice-versa, para formar um cristal do inconsciente.
Este ponto de vista impregna a vida e tenta criar uma nova relação educativa que se distancia da institucional, pois é desafiada pelo que Deleuze chama de desterritorialização e abre a linha do devir, repetindo que “a criança molecular é produzida. Quem sabe a questão não seja tão diferente da questão do que o corpo pode fazer.
Entre espreita animal e espreita infantil: uma abertura ao imperceptível
Na arte, na obra do artista, há a captação de um momento que se distingue pela dimensão em que se combina, como um “bloco de sensações” (DELEUSE; GUATTARI, 2010), que permanece composto de afetos e intensidades que se cruzam , mas é distinto e dependente de si mesmo, através dos movimentos que cria e das sensações que provoca nos outros. O filósofo considera a relação do carrapato com seu mundo, suas ações e reações como constituindo três tipos de estímulos, esclarecedores. Neste espaço o homem tem o poder de se transformar em animal em mais um movimento de desterritorialização, quando há comportamentos dissonantes com o grupo, considerados anormais, que se destacam pela singularidade e irregularidade que produzem.
Ser imperceptível como o animal camuflado é estar em fuga, num devir-animal que se torna imperceptível para fugir da manada, da manada, e criar novos mundos. Aponta a criação e a invenção como forma de transformar a escolarização em oposição à reprodução e imitação que se perpetua nas instituições. Criar e inventar está relacionado ao pensamento, nas forças da vida e da liberdade que tentam transformar as práticas, o que se faz na escola, que reproduz o servilismo que a reprodução impõe, o erro inerente à imitação (KOHAN, 2013a).
É nesse movimento de ruptura e cisão que se tenta encontrar outros passos, passos, voltas que movam a possibilidade de reinvenção, de se tornar professor e de um estilo que dê espaço aos sentimentos. Nesse estilo, a atitude de espreita está presente nas fronteiras do espaço-tempo, que tenta captar os poderes e as forças de mudança e reterritorialização no movimento de fuga e invenção que permeia suas experiências.
Entre dançar e improvisar: ritmos educativos de uma feitiçaria
Na dança não há distância entre quem dança e quem assiste à dança, porque a intensidade está nos sentimentos e movimentos que passam entre eles, como aglomerados de sentimentos que mudam a cada momento, a cada giro do corpo, a cada vire ou repita a partir das pernas. Porque está vinculado ao seu lugar, como experiência da realidade estimula o pensamento a conectar-se com outros tempos. Esta atenção é ainda mais necessária quando pensamos na relação com a realidade mutável do presente, que na dança afecta o movimento que sai do seu tempo e ressoa nos outros.
Não pode ser pensado como a criação de um ensino estético fixo, mas se expressa no delineamento de um estilo, da prática da experiência que nos afasta de nós mesmos. Mergulhe em cada cena, para que você (seu corpo vibrante): não consiga mais apreender os planos, mas as planícies, as regiões de intensidade contínua, compostas pela latitude dos corpos você encontra corpos humanos, animais, sons... corpos de uma ideia, de uma linguagem, de um coletivo. São uma tentativa de traduzir em palavras as experiências em que os professores, ao se tornarem invisíveis, foram atravessados pelos fazeres infantis das crianças.
Os professores praticam a feitiçaria, nos limites da instituição, em busca de uma nova linguagem que lhes permita expressar as sensações e intensidades que contaminam seus caminhos. A aparência e a memória inventada combinam-se para criar outros mundos, para atravessar, para permanecer sensíveis aos momentos imperceptíveis.
Entre descortinar o mundo e desabar expectativas (ou sobre o espanto e a
Entre tempo e devir: instante e aión
Conecte-se com coisas que se desviam para se afastar de um tempo cronológico que é muito pequeno para a sua experiência. A vida nas pré-escolas é cheia de momentos repetitivos e esperados. Essas duas cenas nos permitem ver atrás das grades como algumas crianças vivem estrategicamente, em vez de uma identidade apegada e adequada.
Surpreendemo-nos, perguntando-nos como ainda manifestamos ou carregamos o que constitui atenção e presença que nos escapa. Torna-o possível evocando estes locais de passagem, onde quem permanece atento pode atravessar sem hesitação. Entre as intensidades que se moviam naquele momento, num devir animal, num devir criança, surge uma micropolítica ativa de afeto.
Nas cenas vividas com a professora-cartógrafa, os movimentos a levaram a ver as fissuras existentes no espaço-tempo nas quais irrompiam sentimentos e intensidades. Em ambos os sentidos, há uma ruptura com o espaço de uma Escola de Educação Infantil e com o sentido do movimento que nela ocorre.
Um encontro entre professoras-feiticeiras: uma tentativa de transver o mundo
Entre grades (ou sobre linhas e fugas)
Martin, seu filho, participou de uma atividade onde as crianças tiveram que desenhar para comemorar o aniversário da escola. Em uma escola de educação infantil, uma criança correndo pelos corredores da escola se joga contra as grades na tentativa de sair da escola e fugir daquele local. Pessoas que experimentaram seriamente outras ferramentas educacionais sabem bem que esse mecanismo infernal pode ser desmantelado (GUATTARI; ROLNIK, 1996, p. 54).
O movimento aqui é contra a máquina capitalista de subjetivação que está presente desde o início da infância, na construção da linguagem dominante do mundo, que impõe à criança todos os modelos nos quais ela deve se enquadrar, tanto imaginários quanto técnicos ( GUATTARI; ROLNIK, 1996). A escola, como instituição, projeta-se na sociedade como produtora de subjetividade na tentativa de estabelecer um controle social vascularizado de agência que se estende em escala planetária. Nesse diálogo entre as professoras, elas explicam o desejo de deixar a criança e a si mesmas, que se sentem sufocadas no espaço físico, pelas regras da escola, que na sua burocracia não permitem as saídas que o corpo necessita.
Esses movimentos são devires únicos que se revelam autênticos em sua existência e, portanto, confrontam os processos de subjetivação capitalista. São essas fissuras que se percebem nessas cenas, a ruptura com o território da instituição e como é preciso romper para criar e movimentar.
Entre noite e som: uma sensibilidade (ou sobre o desconcerto de uma presença)
Num dos seus movimentos muito especiais, quando a sala foi questionada sobre o que se via no quadro O Sonho de Chagall, sem qualquer resposta, Sofia gritou: "A noite. Estes estão assim ligados ao presente e aos sentidos que estão presentes e não a uma postura física, rígida e tradicional. Estimulados pelo Sonho, os movimentos sutis da dança da menina no espaço não foram percebidos pelas professoras até o momento em que se levantaram e compuseram o novo território que apareceu e as arrebatou.
Ela se move independentemente dos continentes físicos, mas não ignora o que está acontecendo e responde de forma sensível, de forma infantil com o professor, em virtude de criar novos territórios. Como explica a segunda cena da epígrafe, entre as crianças que estavam agitadas, chorando e gritando, a professora tentou acalmá-las para que pudessem iniciar as atividades que havia planejado. A cessação do choro ou do grito alarmante quebra a rotina do esperado, com a lógica do desamparo em situações que em meio ao caos tendem a se tornar mais caóticas.
Há, portanto, um caminho de comunicação no silêncio que interpõe e compõe mensagens verbais, com suas camadas e contornos, ocupando seu devido lugar e delineando os contextos. A confusão da presença de Sofia ou o silêncio da atenção das crianças perturba a nossa relação com o que constitui uma presença e torna-nos mais conscientes dos nossos sentimentos, do que o ambiente nos diz e da procura dos silêncios que surgem.
Beija-flor!! Beija-flor!! (ou sobre um visitante inesperado)
Em ambas as cenas, portanto, rompe-se uma relação que se estabelece institucionalmente pelo silêncio e pela presença, que são forças de criação de novos territórios e experimentações diversas, mas que não se limitam às obrigações que o sistema impõe às crianças. vida e se tornar um professor. Durante a dança, há uma oportunidade que não pode ser capturada, que não pode ser controlada, que flui e escapa no movimento entre corpos, palavras, silêncios e vazios. CD: Acho que tem a ver com algo que eu estava pensando, tipo, “Ah, estou trabalhando na dança?
CD: Mas não acho que seja possível estar, Paula, o tempo todo na experiência. CD: E acho também que às vezes não sabemos que aquele momento nos marcou, que nos afetou, mas não afetou. PM: Deleuze diz que o pensamento surge do exterior, do estranho, de algo que já não te faz pensar como antes, do desconforto.