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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Na década anterior, José Jorge Carvalho (1994) discutiu a relação entre os gêneros musicais populares e a construção da etnia negra no Brasil. Na segunda parte, o desejo é trazer materialidade à discussão teórica que funciona no âmbito de uma sociologia da cor.

Negritude: identidade ou experiência?

Além disso, a especificidade de seu lugar no mundo como homem negro passou a ser tematizada por meio de narrativas do novo repertório musical, o samba – que se tornou a base de seu trabalho artístico. Neste ponto, o que devo concluir é que a negritude, antes de ser uma identidade racial e cultural, é uma experiência caracterizada pelas ordens do racismo, causada por signos somáticos, e que será incluída à medida que forem compostas versões pessoais e circunstanciais, baseadas em uma mistura de elementos.

A marca de uma experiência

O realismo crítico baseia-se numa visão poderosa e revigorante contra a forma como conhecemos e, portanto, concebemos o mundo. Como uma crítica radical das filosofias da ciência positivistas e pós-modernistas, o realismo crítico oferece uma filosofia alternativa para as ciências naturais e sociais que destaca questões ontológicas.”

Colonização, racialização e modernização

O facto é que tudo o que não é logicamente adequado (inteligível) às normas correspondentes das cópias mal feitas da modernidade/colonialidade não é tão cedo considerado como inexistente. Contudo, é sempre eficaz em relação aos corpos, à corporeidade e às performances que não correspondem ao modelo de subjetividade normal da modernidade/colonialidade, em direção ao Outro do “Ocidente”. Até agora, estes processos de racialização têm sido apresentados sobretudo como o principal mecanismo generativo para cruzar e interpelar tanto o corpo como a experiência das pessoas negras e também como a tecnologia militar fundamental do projecto de expansão da modernidade/colonialidade.

Arranjos globais

A organização também financiou pesquisas num esforço declarado e sistemático para banir a “raça” do vocabulário aceitável do discurso público e substituí-la por “etnia”, e também para desembaraçar o conceito. A aposta de que a remoção da “raça” da discussão iria estancar o sangramento da violência racista infelizmente não teve sucesso. Se antes estava no corpo, o racismo, sob a pressão da força-tarefa liderada pela ONU para transformar “raça” em “etnia”, escapa para a cultura (em certo sentido, para este corpo num movimento importante no mundo, para corporalidade). ), e o novo termo serve mais como um recipiente para armazenar rótulos discriminatórios do que como uma definição forte e original para capturar a diversidade da experiência humana além (e em) contato com a modernidade/colonialidade.

Arranjos locais

É de facto uma antinomia, uma oposição intransponível que se reproduz necessariamente, com base nos mesmos pressupostos, em dois níveis: o do racismo tal como o definimos, e o do anti-racismo tal como se define assim que se define. no horizonte está a primeira evidência de 'racismo' que é a sua. Entrando no contexto do Atlântico Negro, podemos evocar a África do Sul como um território que serve como emblema de uma ordem racial polar (discursiva). Trata-se, portanto, no primeiro caso, de uma defesa irrestrita do princípio da igualdade; no segundo caso, a distinção cultural recebe um valor inegociável, o que destaca o poder da cultura em proporcionar inclusão.

Outros arranjos

Mesmo assim, para escapar dessas contingências, novos e velhos racismos se organizam em camadas de restrições e violências nos ombros, na pele das pessoas negras – e/ou racializadas. Por exemplo, assim como nos Estados Unidos e na África do Sul, áreas consideradas emblemáticas aqui, a escravização e o massacre de multidões de pessoas sequestradas e escravizadas são inseparáveis ​​do racismo contra os negros no Brasil. Parece que esta matriz escravista histórica comum não é suficientemente decisiva para os efeitos do racismo ou mesmo para os repertórios de negritude vividos pelos negros em cada uma destas áreas.

Os riscos da cor

Precarização da vida

Quanto aos riscos da cor no campo da saúde, podemos confirmá-lo, por exemplo, pelos dados da terceira edição da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN), e antes mesmo, pela demanda e pelo existência de uma política nesse sentido. Além disso, conforme o Gráfico 12, o perfil dos alunos da rede pública mostrou-se mais democrático em comparação ao da rede privada, atendendo quase o dobro de alunos que faziam parte dos 20% da população de menor renda. Enquanto 16,4% da população branca estava entre os 10% com maior renda, apenas 4,7% da população negra ou parda estava na mesma faixa de renda em 2017.

Violência e violação

Esse processo deu origem ao que seria chamado de “setor informal” no Brasil algumas décadas depois. Exemplo desta orientação é o facto de não existir sequer uma taxa consolidada de esclarecimento de homicídios, o que resta são dados dispersos, como o da Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública, que indica que aproximadamente apenas 6% dos homicídios dolosos assassinatos são resolvidos no Brasil. Continuando sobre a exposição das mulheres ao risco da cor, o Atlas da Violência 2018 mostra que entre as vítimas de estupro registradas no Brasil em 2016, mais da metade eram pardas e negras (CERQUEIRA et al., 2018, p. 65).

Aniquilação

Ainda em relação à taxa de mortes violentas, esta é nitidamente mais elevada, especialmente entre os homens jovens88. Em 2016, por exemplo, a taxa de homicídios de pessoas negras foi duas vezes e meia superior à de pessoas não negras. O caso de Alagoas é particularmente interessante, pois o estado teve a terceira maior taxa de homicídios de negros (69,7%) e a menor taxa de homicídios de não negros do Brasil (4,1%).

Matizes para a segurança ontológica

Por que o quadro está em branco?

O que se segue aqui é um remix dessa mistura psico-sócio-filosófica que Gabriel Peters fez para apresentar sua versão de (in)segurança ontológica. A importância do enquadramento cognitivo e prático dos cenários de acção de acordo com os papéis socialmente tipificados, não só para a reprodução da ordem social, mas também para a manutenção de um sentido de “segurança ontológica” (Giddens) entre os actores individuais, é particularmente pronunciada nas sociedades modernas, sociedades urbanizadas e de massa. Porque precisamente ao endossar esta ligação, entre o cognitivo e o afetivo, o espiritual e o corporal, a segurança ontológica aqui não pode ser puramente o oposto simétrico da insegurança ontológica.

Um contorno moral

Estes princípios servir-lhe-ão de base para desenvolver uma classificação sistemática de três formas de desrespeito; e até, agora não mais negativos, três padrões de reconhecimento. 104 A primeira forma é “Aquele tipo extremo de desrespeito, que interrompe a continuidade da autoimagem positiva no nível corporal, que deve ser distinguida das formas de degradação que afetam a autoimagem normativa”. (HONNETH, 1992, p. 190). Além das premissas morais coletadas por Ernest Bloch, Axel Honneth analisará as dinâmicas intersubjetivas que corporizam tanto as formas de desrespeito quanto os padrões de reconhecimento, enfatizando sua importância para sua teoria do reconhecimento: “[...] eu diria que a manutenção da integridade humana depende do experiência de reconhecimento intersubjetivo”. (HONNETH, 1992, p. 188).

Outras tonalidades

Com base nesta diferença de foco, há alguma correspondência entre a luta pelo reconhecimento (Honneth) e a segurança ontológica matizada aqui proposta. A rotinização é crucial para os mecanismos psicológicos pelos quais um sentimento de confiança ou segurança ontológica é mantido nas atividades cotidianas da vida social. Portanto, outro pilar da segurança ontológica matizada é a composição de redes (co)autorais, que são condição e resultado da reinteração em ambientes de sociabilidade e solidariedade baseados no afeto que permitem o cultivo da dignidade negra.

Um mapa de contrastes

Nego Love: Fokken bravo, e com mais vontade de mostrar para ele o que tenho é arte. Nego Love: Porque são um bando de vadias, que não conseguem ver um negrinho que já acha que o cara quer assaltá-las. Nego Love: Não tem valor, mas mostrou que o hip-hop tem voz e não precisa ter voz.

Um vórtice teórico: mais linhas para a pauta

Nessa direção, a resposta teórica sobre o que seria a negritude que apresentei e que pretendo sistematizar neste capítulo tem três dimensões: a da estrutura, a da identidade e a da experiência. Não estão fora da estrutura e do efeito das relações sociais, embora cada prática tenha a sua especificidade. Estas dimensões interagem num movimento centrípeto – que nos ajuda a reflectir sobre a importância candente que o debate sobre as filiações identitárias assume na esfera pública contemporânea – e consequentemente este movimento coloca a identidade no olho da tempestade e inscreve-a na esfera conceptual. e reflexivo do que é a negritude, que parece ter se cristalizado como o ponto cego nas controvérsias entre positivistas e pós-estruturalistas, (envolvidos tanto no racismo quanto no anti-racismo): a mediação da experiência em um nível (inter)subjetivo.

Estrutura racializante: o metrônomo

A inclusão substancial de termos concorrentes, ou seja, qualquer inovação que não se reduza a uma simples tradução do que já está em circulação, acarreta o risco de uma transformação fundamental do próprio sistema. Uma diferença entre o que o teórico crítico indo-britânico aí encontra e o que desenhamos aqui é que na construção de uma identidade nacional128, a estrutura define os parâmetros do que deveria ser significativo em termos positivos, enquanto na construção de . O conhecimento humano depende da descoberta, diz Fanon (1969), “de uma substância muito mais fundamental que se renova constantemente”, uma estrutura de repetição que não é aparente na translucidez de seus hábitos ou na aparente objetividade que parece. para caracterizá-lo.

Identidade racializada: o flow

Dentro da mesma estrutura, contudo, existem algumas possibilidades de acção, e isto levanta também a possibilidade de uma analogia musical para a identidade racializada. Isto não significa que esteja fora de uma influência estruturante, nem que existam, como condições de possibilidade, formas de práticas e relações sociais que não sejam culturais. 135 O trecho acima é um trecho da transcrição de uma série de palestras proferidas por Stuart Hall para um público em Illinois (EUA) em 1983, compiladas e editadas por Lawrence Grossberg, Jennifer Daryl Slack (HALL, 2016).

A experiência negra: a síncope

Em geral, “examinamos em termos cotidianos o nosso contexto social, perguntando-nos e (falivelmente) respondendo como podemos alcançar melhor os objetivos que estabelecemos, em circunstâncias que não são de nossa escolha” (ARCHER, citação de VANDENBERGHE, 2010, p. 265). ). Contudo, uma vez feita uma articulação, as duas práticas podem funcionar em conjunto, não como uma “identidade imediata” (na linguagem da Introdução de Marx de 1857), mas como “distinção dentro de uma unidade”. FEAGIN; SIKES, 1994, pág. 15-17) e “Finalmente, as barreiras epistemológicas residem na tendência – em nome da investigação social objectivista – de ignorar a experiência primária que é, afinal de contas, parte integrante do objecto racial sob investigação.”

Um continuum de negritude

O ponto nodal da afirmação

O ponto nodal da negação

O ponto nodal da abstenção

O descontínuo

A dimensão somática

A dimensão performática

A dimensão discursiva

A dimensão política

Mais do que através do seu fenótipo ou de uma “marca interna” de diferenciação explícita e institucionalmente definida, grupos exógenos, muitos deles imigrantes das suas antigas colónias, são estigmatizados como intrusos inferiores. Mesmo com ressalvas, não há dúvida de que estamos falando do mesmo fenômeno, mas apenas como uma narrativa, ou seja, uma abstração que visa ordenar o caos do mundo, e aqui estamos tratando de uma narrativa específica, a científica78, o racismo pode ser percebido como inequívoco. Esta informação pode ser ilustrativa de uma divisão racial do espaço81, bem como do debate sobre a representação que tem destacado a ausência de pessoas.

Os riscos da cor para o pleno desenvolvimento de uma trajetória podem ser demonstrados pelo precário acesso ao sistema de educação formal no país. 84 Não foi possível ter uma base de dados que representasse a intersecção destas duas variáveis. Passamos de um diálogo que procura determinar a precisão técnica de uma imagem para um diálogo que enfatiza a dinâmica de poder subjacente ao próprio processo de definição.

Porém, seus valores não são equivalentes ou estão em relação horizontal, mas precisam de uma ordem hierárquica.

Os batuques ancestrais – o referencial do afro

Os beats das quebradas – o referencial do hip-hop

Os bambas caetés – o referencial do samba

Os (anti)sistemas sonoros – o referencial do reggae

Referências

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