• Nenhum resultado encontrado

Universidade do Estado do Rio de Janeiro

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2023

Share "Universidade do Estado do Rio de Janeiro"

Copied!
148
0
0

Texto

Por fim, agradeço à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), em especial ao Departamento de Pós-Graduação em Geografia (PPGEO), por toda estrutura e apoio. Dissertação (Mestrado em Geografia) - Instituto de Geografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2022. ABIO Associação dos Agricultores Biológicos do Estado do Rio de Janeiro AOC Agricultura Orgânica Controlada.

Esses produtores fundaram em 1984 a Associação dos Produtores Orgânicos do Estado do Rio de Janeiro (ABIO). Segundo Fonseca (2013), desde a década de 1980, a oferta de produtos orgânicos no estado do Rio de Janeiro tem buscado ligação a ciclos curtos de comercialização. Mais tarde, em 1994, surgiu a Feira Orgânica e Cultural da Glória, primeira feira específica para produtos orgânicos da cidade do Rio de Janeiro.

Figura 1 –  Mundo:  crescimento  das  terras  agrícolas  orgânicas  e  participação  orgânica 1999-2019................................................................................
Figura 1 – Mundo: crescimento das terras agrícolas orgânicas e participação orgânica 1999-2019................................................................................

Transformações no espaço rural brasileiro

Primeiramente, discute-se o processo de tecnologia agrícola durante os anos de 1950 a 1970, com a compreensão do projeto de macromodernização. Para assimilar as transformações observadas no espaço rural brasileiro, concentra-se, portanto, no processo de tecnologia agrícola de 1950 a 1970, considerado por Delgado (1985) como o período do macroprojeto de modernização econômica do Estado brasileiro. E então é possível compreender as mudanças provocadas nas décadas de 1980 e 1990 com o processo de revalorização do espaço rural e o reconhecimento da agricultura familiar.

Nesta década, durante o período da ditadura militar, a intervenção do Estado no processo de modernização da agricultura e acesso do capital ao campo pode ser percebida de forma mais intensa (GONÇALVES NETO, 1997). O terceiro momento, em meados da década de 1970, é entendido por Delgado (1985) como o processo de integração do capital intersetorial entre a agricultura e a indústria. No processo de revalorização do mundo rural, as mais diversas redes sociais incluem a reconversão produtiva (diversificação da produção) e tecnológica (tecnologias alternativas agroecológicas e naturais), a democratização da organização produtiva e agrícola (reforma agrária e fortalecimento da agricultura familiar), o fortalecimento e expansão do turismo rural (ecológico e cultural).

Formas de produção alternativas ao agronegócio: produções de base

Está relacionado a outras correntes da agricultura não industrial no que diz respeito à diversificação e integração das diferentes atividades da unidade produtiva, à reciclagem de resíduos vegetais e animais e à utilização de fertilizantes com baixa solubilidade e baixa concentração de nutrientes (ASSIS, 2005, pág. 15). Ou seja, as técnicas de cultivo agrícola natural baseiam-se no método natural de formação do solo, que se apoia no poder da natureza e em todo o conhecimento técnico científico adquirido através da evolução humana. Assim, a partir do final da década de 1970, como forma de estabelecer uma base teórica para as diversas correntes da agricultura não industrial, surgiu o termo agroecologia, que não deve ser entendido como uma prática agrícola (ASSIS, 2005).

Vale ressaltar, segundo Caporal e Costabeber (2002), que as correntes, ditas alternativas, não foram capazes de dar as respostas necessárias aos problemas socioambientais decorrentes do modelo agrícola convencional. A primeira classe, denominada agricultura corporativa, tem como foco o mercado, neste caso um mercado diferenciado e especializado. Os estilos de agricultura ecológica corporativa privilegiam a dimensão empresarial e, embora apresentem claras vantagens ecológicas em comparação com a agricultura moderna, não evidenciam preocupações socioambientais.

As “novas” interações espaciais decorrentes das transformações no espaço

Interações espaciais e as redes geográficas

Circuitos curtos de comercialização

Dessa forma, estimular novas estratégias de mercado local, reconectar produtores e consumidores e incentivar a compra de alimentos de base ecológica em cadeias e circuitos curtos de comercialização são formas de moldar um novo modelo de consumo alimentar, dentro de padrões sustentáveis ​​(ROVER; DAROLT, 2021). Quando as feiras são específicas para produtos de base ecológica, a maioria dos produtos é certificada de forma participativa (DAROLT, 2013). A CSA é um modelo de trabalho conjunto entre produtores e consumidores de alimentos orgânicos: um grupo fixo de consumidores compromete-se por um ano (em geral) a cobrir o orçamento anual da produção agrícola.

Na fase seguinte, foi abordado o processo de produção e comercialização de produtos orgânicos no mundo e no Brasil, proporcionando um panorama atual desse processo e destacando potencialidades e obstáculos. Segundo estudo realizado pelo Ipea (LIMA et al., 2020), a produção e o consumo de produtos orgânicos no Brasil estão crescendo em 2019. Dito isso, o capítulo traz um panorama atual da produção e do consumo de produtos orgânicos no mundial e apresentado no Brasil, destacando o processo de institucionalização e revelando potenciais e tendências futuras.

Agricultura orgânica no Mundo: institucionalização, produção e consumo

Por exemplo, a produção biológica foi incluída no quadro de incentivos à produção alimentar da Política Agrícola Comum (PAC). É importante notar que o comércio internacional de alimentos existe há milhares de anos, mas até recentemente os alimentos eram basicamente produzidos, vendidos e consumidos localmente. Ao longo do último século, a proporção de alimentos vendidos internacionalmente cresceu exponencialmente, e uma quantidade e variedade de alimentos nunca antes vista está circulando no mundo contemporâneo (FAO, 2022).

De acordo com Willer et al. 2021), dados de 2019 revelaram crescimento do mercado orgânico em todos os países analisados. Em relação ao mercado global de alimentos e bebidas orgânicas, Sahota (2021, p. 137) descreve que a pandemia da Covid-19 provocou um aumento significativo na procura por alimentos orgânicos. De acordo com a Nielsen, as vendas de alimentos orgânicos nos EUA aumentaram 25% nas 17 semanas até julho de 2020.

Muitos países, num contexto de restrições de mobilidade, enfrentaram problemas de abastecimento alimentar. O acesso aos alimentos é particularmente crítico para cidades com mais de 5 milhões de habitantes que ‘têm que importar nada menos que 2.000 toneladas de alimentos por dia, viajando em média 1.000 quilômetros’ (ALTIERI; NICHOLLS, 2020 apud ALENTEJANO, 2020, p. 3 ). Dada a fragilidade de algumas regiões na manutenção das redes de abastecimento durante a crise, “países como Singapura e os Emirados Árabes Unidos garantiram que não houve perturbação nas importações de alimentos durante a crise”.

Varini e Hysa (2021, p. 170) enfatizam o poder da compra pública de alimentos no incentivo à produção e ao consumo orgânicos. Além de incentivar a produção orgânica, as orientações públicas para a compra de alimentos também devem abordar aspectos como condições justas de trabalho, compras locais e menor consumo de energia. Espera-se que os varejistas online respondam por uma parcela maior das vendas de alimentos orgânicos nos próximos anos.

Além disso, pesquisas recentes mostram que a pandemia da Covid-19 pode despertar novas tendências e pensamentos sobre o consumo alimentar.

Agricultura orgânica no Brasil: regulamentação, produção e consumo

Regulamentação e certificação no Brasil

No Brasil, ainda na década de 1970, organizações de produtores e consumidores, além de técnicos, desenvolveram práticas que seguem os princípios da agricultura orgânica (FONSECA, 2009). A segunda razão é que a demanda vem do movimento ambientalista organizado, representado por ONGs preocupadas com a conservação ambiental, algumas delas atuando na certificação e abrindo espaços para a comercialização de produtos orgânicos pelos próprios agricultores, o que tem contribuído para a demanda dos consumidores por causa. A quarta razão para o aumento da procura de produtos orgânicos viria de grupos organizados que se opõem ao domínio da agricultura moderna por grandes corporações transnacionais; Esses grupos teriam exercido influência na opinião pública.

E o quinto motivo seria resultado da utilização de ferramentas de “marketing” por grandes redes de supermercados, influenciadas pelos países desenvolvidos, o que teria induzido a demanda por produtos orgânicos entre determinados grupos de consumidores. Em 1994, iniciaram-se discussões entre órgãos governamentais e organizações da sociedade civil para regulamentar a agricultura orgânica no país. Assim, em 1999, ganhou reconhecimento com a publicação da instrução normativa nº 007/99 do então Ministério da Agricultura e Abastecimento.

Define e estabelece condições obrigatórias para a produção e comercialização de produtos agrícolas orgânicos (FRISON; ROVER, 2014 apud MACIEL; MATTEI; REMPEL, 2019). A legislação brasileira prevê três formas de garantir a qualidade de produtos orgânicos: certificação por auditoria; certificação pelo Sistema Participativo de Garantia (SPG); e controle social de vendas, que oferece uma forma especial de apoio sem certificação. A certificação da auditoria é realizada por certificadora pública ou privada, sem qualquer vínculo com os fabricantes, credenciada pelo MAPA.

Este sistema é gerido por um Organismo Participativo de Avaliação da Conformidade (OPAC), que corresponde aos certificadores na norma de certificação de auditoria. A OPAC é uma pessoa jurídica que assume formalmente a responsabilidade pelo conjunto de atividades realizadas em um SPG e deve ser credenciada pelo Ministério da Agricultura (BRASIL, 2008a). Segundo Maciel, Mattei e Rempel (2019), além de reduzir os custos associados à certificação por meio de auditorias de terceiros, essa forma de garantia também envolve os agricultores em uma relação de confiança durante todo o processo de certificação.

Ressalta-se que, desde 2010, todo produto orgânico brasileiro certificado por auditoria ou SPG deve portar o selo oficial único do sistema de avaliação brasileiro.

Produção e consumo no Brasil

No próximo capítulo, foi discutida a produção e comercialização de culturas de base ecológica no estado do Rio de Janeiro. No ano seguinte, esse mesmo grupo fundou a Associação dos Produtores Orgânicos do Estado do Rio de Janeiro (ABIO) com o objetivo de possibilitar a troca de experiências entre produtores e facilitar a comercialização de seus produtos, por meio de uma estrutura comum de pontos de varejo. comércio (FONSECA, 2009). Além disso, no mesmo ano, foi consolidado o projeto de criação do CCFO e inaugurado o circuito na cidade do Rio de Janeiro.

Portanto, o credenciamento da ABIO como Órgão Participativo de Avaliação da Conformidade (OPAC) e a Criação do Distrito Carioca de Feiras Orgânicas mudaram a realidade da agricultura orgânica no estado do Rio de Janeiro. Portanto, conforme mostrado por Siqueira et al. 2020), o Circuito Carioca de Feiras Orgânicas promoveu o mercado de venda direta de produtos orgânicos na cidade do Rio de Janeiro. Começa assim uma árdua busca por autorização para novas feiras na cidade do Rio de Janeiro.

Atualmente, o bairro é composto por 21 feiras, distribuídas em diferentes bairros da cidade do Rio de Janeiro (Figura 11 e Tabela 4). 26 Marcelo Crivella foi prefeito da cidade do Rio de Janeiro entre os anos do Partido Republicano (PR). Vale destacar também que a regulamentação do CCFO visa incentivar a participação dos produtores orgânicos da cidade do Rio de Janeiro.

Nota-se que a localização das produções é espacialmente próxima da cidade do Rio de Janeiro. Produção e comercialização de culturas orgânicas em feiras. ecológico: o exemplo da feira da Glória, na cidade do Rio de Janeiro. A comercialização de frutas e hortaliças orgânicas (FVL) e a integração dos agricultores no estado do Rio de Janeiro.

A geografia do estado do Rio de Janeiro: da compreensão do passado aos desafios do presente. As crises vividas pelo estado do Rio de Janeiro e o surgimento de novos territórios no meio rural. Circuito Carioca de Feiras Orgânicas: Construção Participativa de Novas Estratégias de Oferta de Produtos Orgânicos no Estado do Rio de Janeiro.

Leitura do percurso histórico da construção da política estadual de agroecologia e produção orgânica (PEAPO) no estado do Rio de Janeiro. Circuito Carioca de Feiras Orgânicas, uma visão geográfica da expansão das vendas de alimentos orgânicos na cidade do Rio de Janeiro.

Tabela 2 – Dados sobre produção orgânica no Brasil e nas grandes regiões – 2006  Brasil e Grandes
Tabela 2 – Dados sobre produção orgânica no Brasil e nas grandes regiões – 2006 Brasil e Grandes

Imagem

Figura  1  –  Mundo:  crescimento  das  terras  agrícolas  orgânicas  e  participação  orgânica 1999-2019
Tabela 1 - Mundo - área agrícola orgânica (incluindo áreas em conversão) e participação do continente na área  total mundial destinada - 2019
Figura 2 - Os dez países com maiores áreas de terras agrícolas orgânicas - 2019
Figura 3 – Países com mais de 10% da área total agricultável destinada à produção orgânica - 2019
+7

Referências

Documentos relacionados

Erick Felinto, Universidade do Estado do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro/RJ, Brasil Francisco Rüdiger, Pontifícia Universidade Católica e Universidade Federal do Rio Grande do Sul