Instituto de Estudos Sociais e Políticos IESP-UERJ da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Obteve sua primeira experiência na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em 2003.
Desigualdade social e acesso ao ensino superior no Brasil da virada do século
Portanto, entende-se que, no início do século, mais de 85% dos estudantes brasileiros estavam matriculados em escolas públicas, com leve queda em percentual e em termos absolutos.74. Os dados apresentados acima certamente não são capazes de explicar todo o quadro de desigualdade que permeia o acesso ao ensino superior no Brasil no início do século.
Desigualdade social e a questão racial: caminhando para as cotas no ensino
O exemplo da USP pode não ser válido para todo o país em termos estatísticos, mas certamente não difere repentinamente de outras regiões do Brasil no final do século XX e início do século XXI. Dado que a maior parte dos alunos que passaram pelo “funil” do vestibular no Brasil da virada do século provinha de instituições privadas de educação básica (escolas voltadas para a classe dominante e para a classe trabalhadora com relativo poder aquisitivo), é vale a pena perguntar: a democracia racial brasileira idealizada se enquadra nesses espaços.
O mapa da desigualdade racial do DIEESE
A única região onde havia percentual superior a 10% de trabalhadores em cargos de gestão e planejamento entre pessoas negras foi no Distrito Federal. Por outro lado, em todas as regiões analisadas pelo DIEESE/INSPIR, o percentual de trabalhadores em cargos de gestão e planejamento entre os não negros era superior a 15%.
A questão da mobilidade social
Embora todos esses trabalhos tenham suas diferenças metodológicas e teóricas, eles permitem compreender que o racismo e a discriminação racial são um elemento fundamental para a manutenção dos privilégios das classes sociais mais altas. Reforçamos aqui, portanto, o argumento de que a discriminação racial presente na sociedade brasileira deve ser compreendida a partir do processo de exploração do trabalho escravo, mas que, apesar disso, não pode ser explicada exclusivamente por ele.
A demanda por ações afirmativas por parte das populações indígenas
Como parte da redemocratização do Brasil na década de 1980, a aprovação da Carta Constitucional de 1988 abriu um leque de novas possibilidades de ação para os povos indígenas no Brasil. No início do século XXI, os povos indígenas continuaram a lidar com os estigmas raciais construídos nas décadas e séculos anteriores, além de enfrentarem a espécie.
Desigualdade racial no Rio de Janeiro: as cotas na UERJ
Figura 1 - Distribuição geográfica dos habitantes da cidade do Rio de Janeiro segundo cor ou raça. Assim, as áreas onde se concentra a maior parte da população negra e parda do Rio de Janeiro parecem ser a zona norte (área em vários tons de verde e azul claro no mapa abaixo), com exceção da região da Grande Tijuca (bairros representados em bege e rosa claro no mapa abaixo) e a parte da zona oeste mais afastada do Oceano Atlântico (bairros representados em diferentes tons de azul no mapa abaixo).
O debate sobre as cotas raciais
É fundamental notar, como apontaram Luiz Augusto Campos e João Feres Júnior, que o fato de o estado do Rio de Janeiro ter sido pioneiro em cotas raciais significa que o jornal O Globo deu especial atenção ao tema antes de outros meios de comunicação populares. . .a imprensa nacional.120 Assim, podemos dizer que a questão das cotas raciais assumiu uma dimensão importante primeiro neste país, e mais tarde também assumiu o cenário nacional. O trabalho de Monique Franco é um exemplo claro de como as questões levantadas tanto pelos defensores como pelos opositores das cotas raciais deixaram uma marca nela.
A opinião pública e a imprensa
Dentre as diferenças que podem ser observadas entre a impressão dos séculos XVIII e XIX e a impressão do século XXI na sociedade brasileira, podemos destacar as seguintes características. Portanto, vale a pena explicar por que o jornal O Globo é importante no Brasil do início do século XXI, após fazer as devidas distinções.
A hegemonia
Ainda sobre a importância da mídia nas sociedades contemporâneas, tomo como referência os escritos de Antonio Gramsci, filósofo marxista italiano, que a considera um importante aparato privado de hegemonia, mas não o único. Com a difusão da rádio, da televisão e da Internet, os meios de comunicação, apesar de diversificados, continuaram a ser fundamentais em relação à consolidação dos projetos societais, tornando ainda mais complexa a dinâmica em torno da hegemonia. É a partir dessas disputas que podemos analisar a relação entre políticas públicas, opinião pública e mídia.
Os meios de comunicação social são estrategicamente importantes neste sentido porque podem moldar a forma como as pessoas avaliam as políticas governamentais.
Conclusão
Primeiramente, apresentarei os tipos de produção jornalística presentes em O Globo que abordam questões relacionadas às cotas raciais nas universidades, explicando brevemente as características de cada uma delas. Para iniciar a discussão, consideraremos os editoriais de O Globo que comentaram a política de cotas raciais nas universidades. Após análise dos textos desses autores, discutirei os relatórios informativos que incluem as cotas raciais.
Nesse sentido, serão apresentadas breves descrições biográficas de seus autores, no caso dos autores de textos dissertativos-argumentativos, além de uma breve discussão sobre o lugar social dos jornalistas que produziram as reportagens.137 Entendendo de onde vêm esses temas e qual o lugar na sociedade ajuda a entender, ainda que parcialmente, como o veículo lidava com as cotas raciais.
Os tipos de produção jornalística
Tanto no caso dos jornalistas que produziram reportagens informativas sobre o tema, como no caso dos quatro jornalistas que debatem e argumentam sobre o assunto, é necessário também localizar o lugar social onde as narrativas e os discursos são produzidos. Reportagens informativas são aquelas em que o objetivo, pelo menos no nível teórico, é informar o leitor sobre um fato. Nestes textos, desenvolve-se uma série de argumentos e críticas em torno da questão das cotas raciais.
Textos informativo-argumentativos, apesar de menos frequentes em O Globo, apareceram algumas vezes no debate sobre cotas raciais.
A posição de O Globo sobre as cotas raciais: analisando os editoriais
É importante notar que O Globo utiliza argumentos contra as cotas que se aplicam a alunos de escolas públicas e/ou escolas de baixa renda em geral. Isso significa que a questão da desigualdade racial é vista por O Globo, na melhor das hipóteses, como um vestígio de uma sociedade escravista, e não pode ser combatida com políticas públicas baseadas no conceito de raça. Certamente, esta deslocação da identidade negra, tal como a descontextualização das relações raciais no período escravagista, é um processo comum nos meios de comunicação social e no debate político em geral, comummente referido como “costume passado”.
Dessa forma, entendo aqui que ao utilizar uma série de argumentos para criticar a proposta de política pública,.
Quem constrói os debates: análise dos 4 autores principais de O Globo
De qualquer forma, a discussão das cotas raciais em O Glob não se limitou a Magnoli e Kamel, nem ao IMIL. Os autores acima apresentados foram de fundamental importância na construção do debate público sobre as cotas raciais. Em seu primeiro texto criticando as cotas raciais no Brasil, Magnoli abordou a historiografia do Quilombo dos Palmares.
Em segundo lugar, Leitão tentou desconstruir a ideia de que as cotas baixariam o nível de ensino nas universidades públicas.
A construção das reportagens informativas
Juntos, os sete jornalistas foram responsáveis por pouco mais de 40% das notícias de O Globo sobre cotas raciais no Brasil, o que evidencia a grande contribuição dos primeiros. As reportagens informativas dão uma contribuição fundamental para a constituição do debate sobre as cotas raciais. Articulação de cotas raciais com outros tipos de políticas públicas de combate ao racismo e/ou desigualdades sociais (9%) Articulação com experiências de Ações Corretivas Raciais em outros países (8%) Debates e decisões do poder judiciário (8%).
Em síntese, podemos afirmar que a produção de reportagens de O Globo sobre o tema das cotas raciais abordou temas variados, mas não aleatórios.
Conclusão
A maior parte dessa abordagem favoreceu uma construção de história que minimizasse a importância dos grupos antirracistas organizados e uma memória que vinculasse a ação afirmativa às cotas raciais, e que fundisse diferentes tipos de vagas de reserva, tendendo a tratá-los todos como se fosse racial. cotas para negros, para que os índios praticamente desaparecessem da história e da memória. De modo geral, com exceção de alguns textos e reportagens, a produção de O Globo aqui analisada mantém a questão das cotas raciais na "pequena política" sob um ponto de vista que buscava evitar que seus beneficiários se vissem como detentores de uma alcançado certo. através da luta coletiva. Como o debate por meio de textos argumentativos dissertativos não se limitou a eles, discutirei brevemente os autores dos textos com os quais trabalharei aqui e identificarei seus perfis, a fim de compreender melhor como o veículo estudado construiu esse amplo debate sobre cotas raciais nas universidades públicas. no Brasil.
Portanto, este capítulo será estruturado em duas partes: a primeira discutirá os textos de diferentes autores que escreveram em O Globo sobre cotas raciais.
Textos em que a História é mobilizada como recurso argumentativo
Autores que mobilizam a História como recurso argumentativo
Disponível em:
Disponível em:
Períodos históricos mobilizados no debate sobre as cotas raciais: textos de não
- A Antiguidade
- O período da escravidão moderna
- A abolição e o pós-abolição
- O tempo presente
Cabe agora examinar como cada um desses períodos históricos foi mobilizado no debate sobre as cotas raciais. Agora é a hora de aprofundar a forma como a história da escravidão é abordada no debate sobre cotas raciais. Contudo, vale a pena notar que os três autores acima mencionados não partilhavam exactamente as mesmas opiniões sobre as cotas raciais.
Cabe agora analisar como o contexto de suspensão e suspensão aparece no debate sobre cotas.
Textos escritos por historiadores
Seu trabalho acadêmico concentra-se na história da escravidão, na cultura popular e no fortalecimento da educação antirracista.450. Mas que evidências existem de uma política de eliminação física dos “afro-brasileiros” após 1888. Assim, Mattos também confirmou uma visão do processo histórico das relações raciais no Brasil de uma forma diferente daquela promovida principalmente por O Globo.
Como o Terceiro Reich foi guiado, entre outras coisas, por uma ideologia eugênica, a ideia de cotas raciais despertaria o medo de uma sociedade racial entre alguns autores.
Conclusão
Se tomarmos este acontecimento como exemplo, podemos dizer que ele possui três dimensões ao mesmo tempo: a dimensão midiática, pois é composta por uma série de notícias que repercutiram em diferentes veículos de comunicação; uma dimensão comemorativa, que foi criada a partir de reflexões, debates e revisões sobre a decisão do STF; e uma dimensão historiográfica, porque, embora este acontecimento não tenha sido (no momento da redação deste trabalho) objeto de estudo aprofundado por parte dos historiadores, muito provavelmente o será. Um de seus principais porta-vozes foi o senador Demóstenes Torres - registre-se, etc. Ao pedir que o que disse não fique sem registro, o jornalista acima mencionado demonstra que sabe que a mídia não serve apenas para o consumo de informações imediatas ou de um texto de última hora sobre assuntos urgentes.
Assim como vários outros profissionais da comunicação, ele sabe que os jornais também ajudam a moldar uma memória, além de servirem de fonte e objeto de estudo para historiadores.