Novas culturas de torcedores: das arenas dos negócios do futebol à resistência nas arquibancadas e nas redes / Irlan Simões Santos. Esforços realizados com o objetivo de estabelecer os pressupostos preliminares para a formação de uma economia política crítica no futebol.
Do Association Football à difusão internacional
A proposta termina apontando os novos actores políticos e económicos que se apresentam como a linha da frente desta nova indústria “fictícia” do futebol. A Espanha em 1878 foi palco de um dos primeiros registros da prática do futebol no estilo inglês e fora das Ilhas Britânicas, através de mineiros em Huelva.
Profissionalização e a busca da renda
No Brasil, a profissionalização do futebol já se tornava inevitável e no final ele conseguiu um “aliado”. Conforme já explicado, nas duas subseções seguintes trataremos do “segundo ciclo” da história do futebol.
Dos superestádios aos estúdios
Se este público estiver disperso por um número cada vez maior de clubes, especialmente aqueles onde o público opta por se dedicar a eles devido à sua localização, existe um ponto de fragilidade na comercialização de jogos na televisão.65 Estes deveriam ser cada vez mais passivos. consumidores do produto futebol em geral.
Futebol em tempos neoliberais
Empresarização dos clubes
Em 1998, a proposta de corporatização dos clubes sofreu oposição e a solução encontrada pelo então governo social-democrata foi. Ao longo da década de 1990, especialmente quando se analisam os governos Collor e FHC (1990-2001), o mundo do futebol esteve cercado de promotores e agentes econômicos interessados no processo de corporativização dos clubes brasileiros.
Empresarização dos estádios
Vale a pena apreciar outro aspecto da ultramercantilização do futebol que não ocorre necessariamente nos clubes, mas também surge do processo de transformação dos torcedores em consumidores passivos; que é a transformação dos estádios. O tema da mercantilização do futebol e da corporatização de clubes e estádios será abordado nos próximos dois capítulos.
Plastic football
Magnatas e barões
O ataque da UEFA aconteceu precisamente porque toda a transformação provocada pelo processo de corporativização do futebol europeu resultou na formação de ligas nacionais de clubes separadas das antigas federações e levou ao surgimento da Associação Europeia de Clubes (ECA), uma associação dos clubes mais importantes no continente europeu. Estes países ricos em petróleo são governados por famílias que estão no poder há décadas. É também anunciante do clube inglês Chelsea, clube de propriedade de Roman Abramovich, ex-proprietário da Sibneft, empresa que se tornaria a Gazprom.
Ligas de plástico
Aí vem uma iniciativa para remodelar o futebol indiano da IMG-Reliance, joint venture formada pela Reliance, maior empresa do país, junto com a gigante. A IMG Reliance Star League (agora um novo parceiro) continua a existir no mesmo formato de curta duração, talvez por ser uma estratégia para atrair jogadores com mais facilidade. Passemos, portanto, para uma terceira dimensão de uma realidade “pós-neoliberal” da indústria do futebol, que acreditamos ser importante para compreender o que resta das iniciativas agressivas de comercialização do futebol que discutimos na subsecção anterior.
Clube-empresa e clube-prefeitura
Talvez um estudo mais aprofundado possa estabelecer uma ligação entre a ascensão e o financiamento desses clubes menores (às custas de tantos times paulistas médios, tradicionais e com grande torcida) e a tomada do poder político por esses administradores no tabuleiro político do futebol nacional. Essa faceta brasileira do que chamamos de 'futebol de plástico' completa nosso trabalho sobre a história do futebol, a partir da localização do clube, do jogador, do estádio e da torcida em tantos momentos diferentes. É assim que a década de 1990 testemunhará o crescimento de uma nova figura, uma nova categoria: os treinadores de futebol.
De Leitch a Hillsborough
Archibald Leitch e o “estádio de classes”
Mas aqui é fundamental destacar a participação do arquitecto Archibald Leitch na criação de um modelo de estádio que se espalharia por todo o planeta, mas que se baseava categoricamente na necessidade de aproveitar o espaço cada vez mais caro no terreno na Inglaterra. principal. as cidades. No caso brasileiro, o ápice óbvio é a participação do poder público na construção de estádios em todo o território nacional, que durou desde a década de 1940, com a criação do Pacaembu, até o início da década de 1980, com o declínio da civilização. ditadura militar. O tema da violência passou a ocupar grande parte dos esforços dos estudiosos do futebol, pois buscava-se um entendimento mais completo do que aquele explorado em reportagens e materiais jornalísticos diversos.
Hillsborough, 15 de abril de 1989
Modelo Inglês com American Way
Arenas: American Way of Fandom
Esta é uma alusão não apenas ao mundo dos negócios, mas à configuração administrativa e comercial do desporto norte-americano há várias décadas. Essas peculiaridades também fazem com que a cultura do consumo esportivo nos Estados Unidos seja completamente diferente daquela do resto do mundo. Como pode ser visto no caso de algumas arenas brasileiras, a indústria esportiva norte-americana está indissociavelmente ligada ao capital imobiliário há mais de meio século e tem servido de modelo para políticas de reorganização urbana.
Narrativas por “futebol moderno” para brasileiro ver
Há, portanto, uma dupla inversão histórica nos rumos do futebol nacional, que chegou na década de 1990 com grande pressão diante de – mais uma vez – uma. O embate entre integrantes da Mancha Verde do Palmeiras e Independente do São Paulo, ocorrido em partida de competição juvenil, num Pacaembu em reforma e quase sem polícia, que levanta dúvidas até hoje. Sua estrutura atendia plenamente aos princípios básicos de uma arena multiuso, típica do esporte norte-americano, com suítes, salões corporativos e camarotes, e incluía ainda a venda de naming rights para a multinacional Kyocera.135 A Arena da Baixada era um esforço isolado em um mar de incertezas, elemento totalmente desvinculado da realidade do futebol brasileiro.
Copa 2014: vetor da arenização à brasileira
Arenas do Brasil
147 Não faltam exemplos de estádios que foram chamados de ‘arenas’ neste período, mesmo estando longe de reunir as condições básicas para tal: Arena Condá (Chapecó), Arena da Fonte (Araraquara), Arena do Jacaré ( Sete Lagoas), Arena Bezerrão (Gama) Arena Batistão (Aracaju). Disponível em:
Pós-Copa: um breve balanço do “legado”
O evento, como o nome sugere, tem como objetivo discutir o futebol sob o ponto de vista da abrangência do mercado, do seu potencial de lucro e da importância de melhorar a gestão dos clubes e federações. Era comum comparar preços de ingressos de futebol com ingressos de cinema nas grandes cidades do país. Eduardo Martins, então presidente da Associação Brasileira de Arenas (Abrarenas), apontou vários problemas que incomodam o público das novas instalações, como a violência, a qualidade do conteúdo e a proibição da cerveja, mas como Rogério Dezembro (então diretor da WTorre e responsável pela interlocução da empresa com o Palmeiras em sua nova casa), afirmou que o preço médio de R$ 30 do futebol brasileiro não é alto porque os custos das instalações têm que ser cobertos.
Mineirão e Beira-Rio
Mineirão – Belo Horizonte (MG)
- Arena Mineirão
- Números na Série A (2014-2016)
Disponível em:
Beira-Rio – Porto Alegre (RS)
- Arena Beira-Rio
- Números na Série A 2014-2016
Entenda as garantias do acordo entre Andrade Gutierrez e BNDES para a reforma do Beira-Rio. Disponível em:
Considerações parciais
A análise que realizamos para as novas arenas do Mineirão e do Beira-Rio ainda não é suficiente para nossos objetivos. Analisaremos como esse processo agressivo de comercialização do futebol e de corporativização de clubes e estádios desencadeou uma série de experiências de resistência dos torcedores. Aqui tentaremos abordar o outro lado da moeda desta música sobre uma “nova cultura de fãs” que seria formada pela adoção de novas arenas.
Quem são os torcedores que lutam?
Members ou supporters
Os trabalhos mais recentes finalmente preencheram uma lacuna deixada pelos seus antecessores em relação ao estudo do futebol como cultura da classe trabalhadora. Em sua obra, o autor analisará os efeitos da mercantilização do futebol no pós-guerra de diferentes maneiras, e destacará a mudança nos padrões culturais ali estabelecidos, quando o jogo seria moldado pelos ditames do lucro. Como pode ser percebido na formulação de todos os autores elencados, a comercialização do futebol busca mudar o perfil desse torcedor para um perfil mais passivo, consumista e frio.
Taxonomias em outras perspectivas teóricas
Share Liverpool, um fundo de torcedores focado em organizar torcedores para a compra conjunta de ações do clube; e o Spirit of Shankly, uma espécie de “união” de fãs. Ainda na Inglaterra, David Kennedy e Peter Kennedy tentaram desenvolver uma leitura marxista da oposição dos torcedores à mercantilização do futebol. Como se pode observar, existe uma grande variedade de abordagens teóricas e até metodológicas para o estudo das formas de resistência dos torcedores à mercantilização do futebol.
Mercantilização do futebol e formas de resistências
Football Commodification
Vale a pena revisitar o final da década de 1980 para outro marco seminal que atingiu o público dos estádios: a tragédia de Hillsborough em 1989, na Inglaterra. O tema da violência serviu como elemento de manipulação da “opinião pública” para mudar o público dos estádios, aumentando os preços dos ingressos em todo o mundo, inclusive no Brasil nas décadas de 1990 e 2000.222 No entanto, esta é uma afirmação problemática porque assume simultaneamente que a frequência ao estádio é estritamente hereditária – transmitida de pai para filho – levando-nos a acreditar que a sua restauração só ocorre através da linha familiar e não através da adoção. um.
Resistência torcedora na Europa
Parece que a organização dos torcedores baseada na recompra de ações dos clubes tem se desenvolvido muito lentamente. No entanto, nem todas as lutas dos adeptos na Europa se limitaram a tentativas de recuperar o controlo acionário dos clubes. A questão da corporatização dos clubes e da clientelização dos torcedores acabou sendo popularmente chamada de “futebol moderno” em diversos países do mundo.
Resistência torcedora no Brasil
É possível perceber um enorme vazio dentro do futebol brasileiro, além de uma margem perigosa para a corporativização de clubes que ainda está aberta. No final de 2015 e início de 2016, um novo momento começou no futebol brasileiro após uma série de protestos iniciados por torcedores dos Gaviões da Fiel, ligados ao Corinthians. A difusão das críticas à comercialização do futebol deve ser vista como um indício de que os movimentos de torcedores deverão crescer nos próximos anos, seja em relação à briga dentro dos clubes, seja na defesa dos direitos de torcedores dentro dos estádios.
Luta torcedora: uma abordagem classista
Torcida e luta de classes
David Kennedy e Peter Kennedy começaram a sua tentativa de desenvolver uma economia política marxista para os fãs de futebol. Para Kennedy & Kennedy, há uma flagrante ausência de estudos relacionados à mercantilização do futebol que tenha como ponto de partida o próprio marxismo. Esse aspecto é destacado para contra-leituras que se baseavam nas dicotomias “mercadoria x tradição” ao tratar do tema da resistência dos torcedores à mercantilização do futebol.
O “Comum” do futebol e as lutas urbanas
Analisaremos como essas experiências dos torcedores, apesar de desconhecerem as ideias do “comum”, sugerem a formação, construção e defesa do comum no campo de futebol como saída ao processo agressivo de mercantilização do jogo. Estas lutas acabam por estar relacionadas, em certa medida, com a reivindicação de espaços e direitos que se opõem à conquista capitalista do futebol como cultura – ou como bem cultural – e ao mesmo tempo visam reivindicar o clube como uma instituição que pertence ao corpo coletivo. de torcedores – mesmo que haja uma clara confusão sobre o que realmente é um clube. Esse tipo de torcedor, independente da realidade em que vive, consegue resistir ao discurso da comercialização do futebol como um caminho favorável ao clube, uma vez que esse processo afeta diretamente seus interesses e de seus pares como torcedores; sente-se magoado e, por assim dizer, expropriado por aquilo que, juntamente com as gerações anteriores, foi produzido pelo povo comum.
Direito à cidade, ao clube e ao estádio
É preciso considerar como a “cultura do torcedor” e o estádio – seus rituais e templos de apoio – também são culturalmente compartilhados num processo de expropriação capitalista. Chegamos aqui ao ponto central de todo este estudo, uma vez que o formato das arenas multiusos constitui um momento especial nesta realidade, pois promove o processo de exclusão de um setor menos favorecido da sociedade através do aumento dos preços dos ingressos, ao mesmo tempo que doutrina e limites. diferentes formas de práticas e formas de cantar. David Harvey deixa claro que – ao contrário de Negri & Hardt – não rejeita o papel do Estado no processo de construção e manutenção do comum.290 Para ele, é necessário proteger o fluxo de bens públicos que sustentam as qualidades. comum, de forma muito útil para abordar a questão do direito ao estádio.
Resistência Azul Popular e Povo do Clube
Resistência Azul Popular (Cruzeiro)
O entrevistado confirmou que foi um dos fundadores da Resistência Popular Azul e membro ativo do movimento desde então.296. A Resistência Popular Azul nasceu no final de 2014 como uma página no Facebook, criada por um “grupo de pessoas de esquerda”. Na sua página no Facebook, intitulada “Resistência Azul Popular”, o grupo identifica-se da seguinte forma: “Torcedores anticapitalistas que lutam pelo futebol democrático e popular.
Povo do Clube (Internacional)
Considerações parciais