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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Para efeito desta pesquisa, focamos nas experiências da Escola Municipal Mauro Sérgio da Cunha, escola localizada na periferia de Angra dos Reis (RJ), no bairro Campo Belo. Embora as fotos contenham imagens diferentes, todas são imagens de Angra dos Reis e existem juntas porque registram algumas possibilidades do local.

Figura 1 - Imagem utilizada para fins de divulgação turística mostrando uma das praias  do município
Figura 1 - Imagem utilizada para fins de divulgação turística mostrando uma das praias do município

Angra dos Reis ou Angra dos súditos?

Desde o início, um contingente de alunos com distorções entre idade e ano letivo começou a chamar minha atenção. A professora refere-se ao seu relacionamento com uma das alunas do 4º ano.

Figura 5 – Taxa de adequação no sistema de ensino
Figura 5 – Taxa de adequação no sistema de ensino

Fazerpensar pesquisas com os cotidianos

A primeira professora, que defendia o extermínio do grupo em fuga, era muito popular entre o grupo e mantinha um bom relacionamento com os alunos em geral. Todos criamos conhecimento e alimentamos redes que não têm começo nem fim e estão sempre em movimento, porque são múltiplas e múltiplas.

Sobre encontros e vísceras

A minha formação e identidade foram construídas a partir de uma espécie de rejeição aos modelos dominantes de construção pessoal e cultural a que fui exposto. Nem existe apenas um intelectual público, alguém que atua apenas como figura de proa, porta-voz ou símbolo de uma causa, movimento ou posição. O momento em que conseguiam parar e pensar acontecia na escola, mas às vezes acompanhado de um sentimento constante de culpa.

Acredito verdadeiramente que durante este período no PROJET MOVA, fui mais beneficiado pela relação com os alunos e, além disso, compreendi que "quando o trabalho intelectual surge da preocupação com mudanças sociais e políticas radicais, quando este trabalho é direcionado para as necessidades dos o povo, isso nos coloca em maior solidariedade e comunidade. Ao contar minhas histórias, reafirmo que toda vontade de explorar começa com uma relação que mobiliza afeto. Na minha história, a formação académica faz parte de uma teia tecida por um conjunto heterogéneo de espaços-tempos e relações sociais que visitei ao longo da minha vida e que são fundamentais para a interpretação e reforço das possibilidades académicas e profissionais nos caminhos que percorri. .

Figura 7 - A pesquisadora aos quatro anos nos fundos da casa na Japuíba.
Figura 7 - A pesquisadora aos quatro anos nos fundos da casa na Japuíba.

Imagens como Potência

Pensando com Fotografias

Como já mencionado, a pesquisa ainda está em andamento, por ser considerada de longo prazo. Tomados como momentos capturados, a partir de uma forma de “leitura” das imagens que os consideram “a verdade”, são erroneamente vistos como uma cópia do real, que se tornaria assim permanente. No entanto, seria ingênuo da nossa parte pensar que foi só ela quem deixou que essa experiência a afetasse.

As fotografias provocam discussões em torno da questão da descendência, da família e do género, tendo a memória como valor central. Por fim, entramos em conversa com as fotografias que os alunos12 criaram em saídas de campo pelo bairro Campo Belo. Utilizamos fotos dos alunos, Anderson Freitas de Almeida Chagas (14 anos), Pedro Henrique da Rosa (12 anos), Jefferson Silva de Oliveira (12 anos), João Carlos Alves dos Santos (16 anos), Ramon Teodoro Alberto da Silva (14 anos) e Wesley Siqueira Dias Junior (15 anos)13.

Figura 8 - O grupo de estudantes que produziu as fotografias e a professora Elaine  Eucário que os acompanhou
Figura 8 - O grupo de estudantes que produziu as fotografias e a professora Elaine Eucário que os acompanhou

Moço, que favela é essa?

Dito isto, acreditamos que a relação entre as classes populares e as elites urbanas ainda reflete uma lógica colonial que subjuga e nega o direito à terra e à educação, e que não reconhece estes sujeitos como produtores de culturas e conhecimentos. Ele nos disse que queria obter um doutorado. e ao sair da escola que não valia a pena continuar em sala de aula porque se sentia cada vez mais desanimado porque os alunos não valorizavam o que ele queria ensinar. Aí ele explicou que não entendia como a turma podia ignorar o que ele falava em aula, que era sobre a Revolução Francesa, e essa revolução é a coisa mais importante a aprender porque tudo que somos e conquistamos é por causa dessa revolução . e que era um absurdo os estudantes não darem qualquer importância a este facto.

Ele ficou realmente chateado e magoado porque realmente acreditava que o conhecimento sobre a Revolução Francesa era importante para os estudantes. Portanto, não nos surpreende que os estudantes desqualifiquem sistematicamente a sua estética, porque não se aproximam desse padrão de beleza idealizado - porque não existe um oposto real - intimamente relacionado ao consumo, que alimenta o inconsciente com promessas impossíveis. Algumas meninas vieram me perguntar por que eu fiz “isso” no meu cabelo, me disseram que não tem porque meu cabelo não ser duro, não é ruim trançar assim.

Figura 9 - Iara – Foto criada por Jefferson Silva de Oliveira
Figura 9 - Iara – Foto criada por Jefferson Silva de Oliveira

A Raça em questão

Qual é a cor do seu namorado?

Os insultos raciais, como já discutido, também não são raros no recreio e outros momentos, mas ainda há a ilusão de que vivemos numa democracia racial, o facto de não termos dispositivos legais de segregação, ou seja, o facto de o nosso racismo não está institucionalizado reforça a mentira de que somos uma sociedade harmoniosa onde todos desfrutam de oportunidades iguais. Além disso, concordamos com Hasenbalg que diz que “nascer branco numa sociedade multirracial constitui uma espécie de posse” e o mesmo autor chama a nossa atenção para o facto de que em termos de empregabilidade e mobilidade social, “à medida que as pessoas entram numa arena competitiva com os mesmos recursos, exceto em relação à raça, o resultado (posição de classe, ocupação, renda e prestígio) será em desvantagem para os não-brancos". HASENBALG, 1979, p.116) Assim, os negros sofrem uma desvantagem competitiva em o processo de mobilidade social e a raça ou cor serão fatores determinantes de alocação dentro dessa hierarquia, princípios classificatórios sobre os quais são produzidas e reproduzidas as desigualdades sociais e econômicas.Quijano chama a atenção para o fato de que colonialidade, modernidade e capitalismo estão interligados, com a antigos eixos constitutivos do padrão global do poder capitalista, desde as últimas décadas do século XV.

Este universo específico é o que mais tarde se designará por “modernidade” e assenta na ideia de que a Europa é o ápice do progresso, sendo a população mundial classificada segundo este mito como referência. A ideia de que as pessoas possam formar uma classe homogênea é suspeita, pois podem ocupar “um lugar e papel em relação ao controle do trabalho e outro, diferente e até oposto, em relação ao controle de gênero ou subjetividade ou nas instituições . autoridades. Não pretendemos julgar o governo cubano, mas queremos aproveitar a experiência de Moore para constatar que a possível superação das desigualdades económicas não significa necessariamente a eliminação do racismo.

Diáspora, travessia e reinvenção

Realidades gravadas

Devemos explicar que a atividade foi realizada no período da manhã com os professores e à tarde com os alunos. Ao chegarem ao espaço onde anteriormente se desenvolvia a oficina, ficaram encantados com os trabalhos expostos. Até aquele momento estava todo mundo confuso, então tinha na sala alunos que eram de outras turmas.

Quando as aulas começaram, aqueles que realmente iriam participar da oficina permaneciam na sala. Acreditamos que se os alunos se mobilizaram na atividade foi pela identificação com ela e com os assuntos com os quais conversavam. Acredito que existe uma vontade genuína de organizar a escola e estabelecer a ordem exigindo o uso de uniforme e sei muito bem o quão difícil às vezes é o dia a dia na escola, principalmente em relação ao relacionamento com os alunos.

Figura 13 - Francilene Silva orientando a pintura das gravuras
Figura 13 - Francilene Silva orientando a pintura das gravuras

Imagem como opressão

Nesse sentido, a percepção de que o uso de imagens mobilizou os sujeitos vai ao encontro da proposta de pesquisa na Escola Municipal Mauro Sérgio da Cunha. Além do estabelecimento de um padrão racial, onde se destaca a afirmação de que em Angra dos Reis o crime tem cor, a separação racial também fica evidente no espaço da cidade, uma vez que os bairros periféricos onde vive a população miscigenada negra e pobre são os cenários dos acontecimentos. . Seria ingênuo supor que num território tão separado, com ilhas e condomínios privados, onde milionários podem pousar em seus helicópteros ou andar em suas lanchas, enquanto a maioria da população sofre sem poder contar com serviços públicos básicos, seja existem outras alternativas. pois status, poder e ganho não prosperaram.

A ontologia pericial da criminalidade violenta no Brasil baseia-se na crença racológica de uma suposta tendência criminosa que os negros possuem. Ou seja, mais do que fortalecer a própria capacidade de gestão, era fundamental que os povos colonizados fossem protegidos e lhes fosse negada a independência e a autonomia. Por isso, confirma-se a previsão de que os estudantes não têm perspectivas além do crime, ao invés de destacar as opressões que os impedem de entrar no espaço-tempo onde circulam conhecimentos básicos para quebrar esse padrão, os sujeitos são responsabilizados e as opressões são naturalizadas e justificadas como “ “deficiências internas” reforçadas pela discriminação sofrida.

Figura 15 – Galeria de fotos do jornal A Cidade
Figura 15 – Galeria de fotos do jornal A Cidade

Imagem como memória

O que foi abordado e como variou de acordo com cada turma, que inclui alunos de diferentes idades e professores que, junto com eles, criaram significado para as imagens. A mesma exclusão ocorre na escola quando imagens de mulheres brancas são reproduzidas e utilizadas para ilustrar e criar obras a serem expostas, sendo um dos exemplos representativos o Dia das Mães. Além disso, também tiraram as fotos que gostam de criar para mostrar no dia do encontro.

Além de abordarmos as imagens como memórias, no sentido de que nos contam histórias, entendemos também o seu valor como amplificadores de encontros entre os sujeitos da afrodiáspora e os seus contextos, porque permitem um diálogo com elementos identitários desses diferentes sujeitos. Quando os alunos olham as imagens das pinturas, surge a pergunta: o que essa imagem diz sobre mim. As imagens evocam os sentidos, o sabor do café de caldo de cana fervido que o pai trazia do engenho onde fazia açúcar melaço.

Figura 17 -  A artista plástica Magdalena dos Santos em visita ao município de Angra dos Reis
Figura 17 - A artista plástica Magdalena dos Santos em visita ao município de Angra dos Reis

Realidades Luminosas

Eu ia acompanhar, mas comecei a perceber que pessoas que já os conheciam acolheram os meninos e concordaram em autorizar as fotos. O currículo oficial também ignora o que são os meninos e meninas das classes populares, o que sabem e o que fazem. O que os meninos veem ao criarem as imagens nas fotografias está relacionado às suas referências, ou seja, aos seus contextos e trajetórias nos diferentes grupos em que estão inseridos, enfatizando o que têm e não o que lhes falta.

Acreditamos que as atividades desenvolvidas na pesquisa que os meninos realizam não são novas, o que muda é que geralmente são percebidas como eventos que ocorrem predominantemente em ocasiões especiais. Note-se que não estamos falando de reduções ou conteúdos mínimos, mas de um planejamento que tome os meninos e meninas nas escolas como reais em seus contextos cotidianos e que não parta de modelos idealizados e estáticos. Para Arroyo (2012), precisamos avaliar até que ponto o que propomos para as classes populares reproduz formas de pensar meninos e meninas como inferiores.

Figura 26 - Fotografia criada por Anderson Freitas de Almeida
Figura 26 - Fotografia criada por Anderson Freitas de Almeida

Imagem

Figura 1 - Imagem utilizada para fins de divulgação turística mostrando uma das praias  do município
Figura 2 - Vista da cidade onde as casas ocupam o morro. Foto “Panorama da Cidade de Angra dos Reis”
Figura 3 - A Angra que não é dos Reis - Imagem consta do periódico  eletrônico Brasil Econômico
Figura 4 - Mapa geral do Município de Angra dos Reis e Bairros
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Referências

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Com o ensino, com o lidar constante que os nossos rapazes teem a todo o momento, em todos os dias, em todos os tempos, com esta vida do campo, é bem certo que eles no futuro,