Súmula vinculante n.24 do Supremo Tribunal Federal: uma análise crítica a partir de estudo empírico realizado no processo administrativo tributário da União e do município do Rio de Janeiro / Rafael Gaspar Rodrigues. Súmula Vinculante nº. 24 do Supremo Tribunal Federal: uma análise crítica a partir de estudo empírico realizado no processo administrativo tributário da União e do Município do Rio de Janeiro.
Contexto desta Dissertação
Contudo, numa situação como a do Brasil, onde tais procedimentos administrativos podem se arrastar por décadas, o resultado é que o contribuinte inadimplente muitas vezes terá que se defender contra processos criminais muitos anos depois de ter cometido o suposto delito.
Objeto da Presente Dissertação
Estrutura da Dissertação
Por último, pretendemos propor soluções – que intuitivamente poderão estar mais alinhadas com o direito fiscal do que com o direito penal – para os graves problemas atualmente identificados.
Justificativa
Nesta tese, pretendemos tratar de consequências que podem ser mais graves do que as puramente económicas – pois podem afetar a liberdade dos indivíduos. E talvez um exemplo simples seja mais eficaz para ilustrar o problema que queremos resolver do que longas digressões teóricas.
BREVE REVISÃO TEÓRICA ACERCA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO
- Definição e Natureza Jurídica
- Princípios Norteadores do Processo Administrativo Tributário
- Fases do Processo Administrativo Tributário
- Processo Administrativo Tributário da União
- Processo Administrativo Tributário do Município do Rio de Janeiro
No processo administrativo tributário aplicam-se geralmente os princípios orientadores do processo administrativo. Na lição de Sergio Ferraz e Adilson Abreu Dallari20, o primeiro princípio norteador do processo administrativo é a igualdade.
A SÚMULA VINCULANTE Nº 24 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
O único e insuficiente ponto de contato entre a edição do sumário e a atividade jurisdicional é que ambas, via de regra, são realizadas apenas por órgãos integrantes da estrutura do Poder Judiciário. II – O uso de algemas durante o julgamento não constitui restrição ilegal se for essencial à ordem do processo e à segurança dos presentes. Não há defesa expressa do uso extraordinário de algemas, levando ao inevitável questionamento se tal decisão poderia ser uma das “decisões reiteradas sobre o mesmo assunto” que justificariam a publicação da Súmula Vinculante nº. 11.
Neste caso, houve efetivamente uma decisão que declarou expressamente o caráter excepcional do uso de algemas, como pode demonstrar o seu próprio menu (“1.
A Aprovação da Súmula Vinculante nº 24
Contudo, enquanto durar, o processo administrativo de iniciativa do contribuinte suspende a prescrição da acção penal por infracção ao lançamento do imposto que dependa do lançamento final. Portanto, o cardápio afirmava que enquanto ainda estivesse pendente a introdução definitiva do crédito tributário – porque o processo administrativo ainda está em andamento – não haveria justa causa para a ação penal. Por fim, o quinto dos precedentes apontados pelo Pretoriano Excelso seguiu exatamente a mesma linha: tratou o não esgotamento do processo administrativo tributário como fator suficiente para demonstrar a ausência de justa causa para a ação penal.
PEDIDO DE QUE NÃO HÁ JUSTA CAUSA DE AÇÃO PENAL ENQUANTO A AVALIAÇÃO DO IMPOSTO PENDENTE DE DECISÃO FINAL NO PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO.
Críticas à Súmula Vinculante nº 24
Saber qual imposto (art. 1º da Lei ou contribuição previdenciária (art. 337-A do CP) é suprimido ou reduzido não depende de qualquer avaliação ou interpretação, mas de pura observação à luz do que determina a legislação específica. portanto o crime se consuma com a ação (neste caso, necessariamente comissiva) de supressão ou redução (caput do inciso 1) de tributo por alguma ação, fraudulenta ou não (pois nem todas as modalidades de conduta pressupõem fraude), prevista no as seções Na opinião desses autores, esta seria uma tipificação autônoma incomum da tentativa de cometer um crime substancial (neste caso, o previsto no artigo 1 da mesma lei).
Portanto, o autor destas normas não vê diferença que justifique a inaplicabilidade da Súmula Vinculante nº 24 à infração de que trata o art.
Breve Digressão sobre Experiências Internacionais
Cabe señalar que la "pregiudiziale tributaria", como se ha establecido, también con reservas, somete al Poder Judicial a la decisión del Poder Administrativo. Y la liquidación que resulte, en su caso, de aquellos conceptos y cantidades relacionados con el posible delito contra la Hacienda Pública seguirá la tramitación que al efecto establezca la normativa tributaria, sin perjuicio de que se adapte en última instancia a lo que decida en materia penal. proceso. Una vez dictada la liquidación administrativa, la Administración Tributaria trasladará la deuda a la jurisdicción competente o enviará el expediente al Ministerio Fiscal y finalizará el procedimiento de verificación, respecto de los elementos de la deuda tributaria regulados por dicha liquidación, con la notificación al contribuyente del mismo, en la que se advertirá que el período de ingreso voluntario sólo se computará una vez notificada la admisión a trámite de la correspondiente denuncia o queja, en lo dispuesto en el artículo 255 de esta Ley.
La improcedencia del recurso o denuncia determinará la devolución de las actuaciones inspectoras hasta el momento anterior a la emisión de la propuesta de liquidación relacionada con el delito, procediéndose en este caso a la formalización del acta correspondiente, que se tramitará de conformidad con el lo dispuesto en esta ley y su reglamento de desarrollo.
ANÁLISE EMPÍRICA: ESTUDO DOS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS- TRIBUTÁRIOS DA UNIÃO E DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO
Estudo Empírico do Processo Administrativo-Tributário do Município do Rio de Janeiro
Ao longo de 2019, foram proferidas cento e noventa e três decisões finais, relativas ao ISSQN, em processos de contencioso tributário no Município do Rio de Janeiro. Pois bem, estes cento e setenta e cinco processos tramitaram, em média, durante oito anos e um mês, até ser finalmente decidido. Súmula Vinculante nº. 24: Uma crítica baseada em estudo empírico do processo administrativo-tributário no Município do Rio de Janeiro.
De facto, importa referir que vinte e cinco dos cento e setenta e cinco casos decididos, pelo menos parcialmente, a favor do Tesouro (de um total de 14,29%) demoraram mais de quinze anos a tramitar.
Estudo Empírico do Processo Administrativo-Tributário da União
Enquanto o processo com tramitação mais rápida tramitou no tribunal administrativo num prazo razoável de um ano e uma semana, o processo mais antigo finalmente decidido data de 1999 – então, com vinte anos e sete meses de tramitação. Pois bem, estes mil e quinhentos e quarenta e quatro casos tramitaram, em média, durante oito anos e dois meses até serem finalmente decididos. Enquanto o processo que teve o menor tempo de tramitação – entre aqueles que preservaram, pelo menos em parte, o crédito tributário – passou pelo contencioso administrativo em apenas oito meses e meio, o processo mais antigo definitivamente encerrado data de 1990, contabilizando assim, , com vinte e oito anos e seis meses de tramitação.
De facto, importa referir que sessenta e um dos mil quinhentos e quarenta e quatro processos que foram pelo menos parcialmente julgados a favor do Tesouro (num total de 3,95%) demoraram mais de quinze anos a tramitar.
CONSEQUÊNCIAS DA MORA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Teoria do Esquecimento
O que podemos dizer sobre a aplicação desta teoria se o fluxo do tempo na sociedade tem causado o esquecimento sobre o crime – portanto não há mais interesse na punição. Se, por um lado, muitos anos depois do crime já não existe memória social da sua ocorrência – o que destrói os argumentos que defendem a prevenção negativa geral – também não há vestígios dos danos causados pelo crime142. Será nestes exercícios – e possivelmente nos subsequentes – que faltarão recursos para investimentos em saúde, educação, segurança, transportes públicos, etc.
A primeira consequência danosa da Súmula Vinculante nº 24 é, portanto, a aqui discutida: o infrator é punido quando tal punição não tem mais efeito absoluto na sociedade – seja porque não há memória do ocorrido, seja porque não há dano maior como resultado do comportamento ilegal.
Teoria da Expiação Moral do Criminoso
Agora, embora a Súmula Vinculante nº. 24 criou a ficção jurídica de que a consumação do crime contra a ordem tributária (no caso dos incisos I a IV do artigo 1º da Lei 8.137/90) só ocorre por ocasião da constituição definitiva do crédito tributário, o fato que o próprio acto criminoso – evasão fiscal – parece muito (como visto na secção anterior) anos antes intocável. 1 e 2 da Lei nº. 8.137/90, determinou expressamente em seu parágrafo segundo sobre a extinção da criminalidade dos crimes acima referidos, quando a pessoa jurídica vinculada ao agente efetuar o pagamento integral dos débitos decorrentes de impostos e contribuições sociais, inclusive acessórios, cabendo, portanto, à União O Tribunal Regional, mediante comprovação do pagamento do débito tributário pela pessoa jurídica à qual os agentes estão vinculados, declarou a extinção da pena, o que vai ao encontro da jurisprudência fundamentada no Supremo Tribunal Federal: . 293, § 1º, III, “b”, do Código Penal não está previsto nos casos de apagamento de pena, em decorrência do pagamento do tributo, trazidos pelo art.
Leandro Paulsen145 entende que a abolição da pena é coerente com a subsidiariedade do direito penal, e elogia a evolução da simples argumentação teórica para a iniciativa legislativa que limita o confinamento a situações extremas, respeitando a dignidade da pessoa humana.
Teoria da Emenda
Neste caso, simplesmente porque o crime não foi cometido num determinado momento, não se pode concluir que o tenha sido. Por outro lado, uma hipotética pessoa de bons princípios e educação moral, que acabe sendo presa e processada injustamente ou pela prática de um crime eventual, quando colocada entre criminosos em ambiente prisional prejudicial, poderia, por rebelião ou por sobrevivência , estar envolvido na execução de outros atos criminosos. No caso particular em consideração, poderíamos facilitar a aplicação da teoria da mudança.
Se, dentro deste prazo, o agente ou a empresa por ele gerida não tiver sido objeto de novas liquidações fiscais, poderá efetivamente presumir-se a sua modificação.
Teoria do Desgaste Probatório
Nestes exemplos, o primeiro criminoso que não fosse efetivamente reformado (mas que aparentemente tivesse modificado seu comportamento) seria tratado com a extinção da pena, enquanto o outro, que na realidade não era mais perigoso, não gozaria da pena. a mesma condescendência. 0,150. Explique: Nos crimes contra o sistema tributário, a principal prova a favor do suspeito costuma ser documental. Dado que a resposta às questões acima colocadas é claramente negativa, existe ainda outra base para evitar a persecução criminal por crimes contra o sistema fiscal – ou, pelo menos, na forma como hoje é feita.
Levar um arguido a julgamento quando já não é razoável que ele tenha retido provas que pudessem provar a sua inocência é, no mínimo, uma violação dos direitos fundamentais à plena defesa e ao contraditório.
Teoria da Presunção de Ineficiência do Estado
Na verdade, estes atos criminosos são praticamente não estatutários devido à falta de prazos específicos que devem ser observados pelos funcionários da administração tributária responsáveis pela condução do procedimento administrativo-tributário. Contudo, não é razoável nem compatível com o princípio da segurança jurídica que o erário estadual prorrogue indefinidamente o prazo prescricional da cobrança e atrase o procedimento administrativo. A ausência de norma expressa, que determinasse o prazo para a avaliação do procedimento administrativo tributário, não pode ser entendida como um silêncio revelador da legislação, o que constituiria um obstáculo ao reconhecimento da prescrição intercorrente.
Fica clara, portanto, a inércia da Fazenda Pública na avaliação do processo administrativo tributário da oposição do contribuinte ao auto de infração lavrado.
Teoria da Exclusão do Ilícito
1º da Lei 8.137/90 até a introdução definitiva do crédito tributário – ou seja, ao final do processo administrativo tributário – seria um problema, dada a realidade brasileira. Contudo, terminam aí as sugestões de regras gerais para o processo administrativo tributário dos entes da Federação Brasileira para aproximá-lo do modelo espanhol. Revista Jurídica da Procuradoria-Geral da República, Rio de Janeiro; (Edição especial); Administração Pública, Risco e Segurança Jurídica, 2014.
Segurança jurídica no processo administrativo tributário: sobre a possibilidade de revisão judicial de decisões administrativas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.