Em que sou impulsionada a relembrar minha trajetória pessoal e profissional através de meus arquivos pessoais, como o espaço-tempo do que vivi. Em que minha trajetória como professora negra na educação básica, nas séries iniciais do ensino fundamental, contribui para a formação e prática pedagógica de outros professores atuantes.
A experiência com a escrita (autobiográfica) e as primeiras escrevivências
É o entrelaçamento dessas memórias que pretendo refletir e acolher na forma de uma simples contribuição ao ensino da educação básica. Não se trata mais de aproximar a educação da vida, como nas perspectivas da nova educação ou da pedagogia ativa, mas de considerar a vida como espaço de formação.
Do desejo de ser e de me fazer professora
Com o passar do tempo, visitando outros espaços e tendo outras visões do mundo, percebi que ser professor é um trabalho desafiador e instigante. No entanto, isso não os impediu de ver e vivenciar a docência como uma profissão que vale a pena pela sua importância intelectual, ética e social.
Ser professora e negra a consciência de si
Os livros que encontrávamos na estante da sala da minha avó eram dele, muitos, como diz Alberto Manguel (2002) das leituras proibidas, que tínhamos imensa curiosidade em tocar justamente porque nos diziam para não tocá-los.
Um breve tempo da infância/adolescência: descobertas de si, descoberta
Um breve período da infância/adolescência: descobertas de si, descoberta dos outros – racismo e exclusão escolar. Ter consciência do meu passado escolar e da infância difícil, me remetendo a uma memória em que aprendi sozinho a atacar, vai ao encontro dos meus estudos nesta narrativa.
Os diferentes espaços tempos formativos e de muitos aprendizados
Num período em que há vários anos acompanhamos o quadro crescente de desigualdades sociais que atinge sobretudo a população da Baixada Fluminense, encontro as consequências desta situação na escola onde dou aulas, na minha turma, onde situações de discriminação com base na cor/raça, sexo, origem (regional) e situação económica (porque entre os pobres há ainda mais pobres) devem ser interrogados e combatidos todos os dias. 13. 13 Recentemente, com a criação das UPPs na cidade do Rio de Janeiro, bairro onde dou aula, Nova Campinas – 3º distrito de Duque de Caxias – recebeu um número significativo de novos moradores, e a escola da região, portanto , novos estudantes.
No chão da escola pública: o encontro com os meus iguais
Se continuarmos a viajar pelos diferentes espaços-tempos da vida para além de casa, ou seja, dos outros quotidianos que vivemos - trabalho, escola, religião, locais de lazer (SANTOS, 2000) - poderemos enumerar ainda uma miríade de registros que se relacionam, individual e coletivamente, com cada um de nós e que nos constituem como sujeitos datados e localizados nesses diferentes contextos. São esses muitos registros autobiográficos, os fragmentos de experiência que coletamos, que nos ajudam a criar e compreender nossa rede de subjetividades.
Das questões teóricas que nos atravessam
A herança de tudo que nossos ancestrais aprenderam e que está escondida em tudo que nos transmitiram, assim como o baobá já existe potencialmente em sua semente (BOKAR apud HAMPATÉ BÂ, 1980). Embora não exploradas a fundo no cotidiano daquela escola, foi possível perceber as contradições que marcam a condição humana, que nos colocam ora como sujeitos condutores de um processo emancipatório, ora como subordinados, lembrando-nos que estamos condicionados por uma o sistema, que funciona de acordo com leis, cronogramas curriculares, prazos estabelecidos.
As marcas identitárias dos sujeitos na/da escola
A partir da segunda metade do século XX, articularam-se na sociedade brasileira altos índices de desenvolvimento econômico, desigualdade de condições de vida e oportunidades de mobilidade social, mas "se o desenvolvimento [econômico] foi acompanhado pelo aumento da sociedade de mobilidade, por que ainda há tanta desigualdade?” Ou seja, o que pode ser feito para que os não-brancos tenham acesso às oportunidades oferecidas aos considerados brancos para que haja uma mobilidade social efetiva.
Das ações pedagógicas que me inquietam
O lápis cor de pele22 traz diferentes tons de pele negra nos quais podemos nos retratar. Porém, antes de apresentá-los, será necessário destacar as áreas conceituais nas quais estou ancorado. Nesse sentido, a complexidade que Morin coloca em diálogo com os estudos descoloniais ao desvendar práticas insurgentes que indicam e contribuem para a reescrita de uma nova história da educação na qual todas as pessoas são vistas.
Kiara e Kadija trabalham juntas desde o primeiro dia em que se conheceram, quando assumiram as gravações. Na maioria dos casos, não conseguimos escapar dos enquadramentos, das armadilhas em que nos colocamos. Na minha opinião, como alguém me disse e ouvi várias vezes na escola onde trabalho: “É importante discutir questões raciais na escola com as crianças.
Ou seja, como característica fundamental de todos os negros (independentemente da classe social), poderiam manter a exclusão em que se encontravam em nível nacional.
A história das minhas inquietações/afetações: sem perder a raiz
Por que Tayó?
A vontade de ter esse material em mãos surgiu com a necessidade de revelá-lo aos alunos, que neste texto sempre chamarei de alunos, para que. Isso porque todas as crianças, sem exceção, conseguem dizer os nomes da maioria dos clássicos da literatura infantil, mas quando pedimos para elas falarem sobre histórias que remetem à cultura negra, trata-se basicamente de um repertório inexistente. Como lidar com a cultura africana, a religião, a beleza de sua pluralidade étnica, começando pelo tema da identidade na perspectiva das relações raciais, foi importante para marcar o lugar social de homens e mulheres negras, a maioria dos alunos daquela turma e de aquela escola, em busca do respeito, do elogio e da valorização de um povo, com diferentes formas e expressões, que tanto enriqueceu o mundo com sua rica cultura, vinda de seus diferentes povos.
Quando você ouve a palavra Tayó, o que vem a sua cabeça? É nome de
A história de uma menina que morava com a mãe, que aumentou sua confiança com seus fortes cabelos negros, que era a parte preferida do corpo de Tayó. A fala de Kiheinda, uma menina negra, revela o quanto ainda é preciso dialogar dentro e fora da sala de aula para construir sua identidade: “Achei ela linda. Nas relações estabelecidas em sala de aula, as questões de identidade estão sempre presentes e são negociadas diariamente com os outros.
Tayó e o lápis cor de pele: Pele de quem?
Pedi que falassem sobre os nomes famosos que acharam estranho quando riram do nome Tayó. Prometi e levei para o próximo encontro o significado de seus nomes e que precisávamos conhecer outros nomes originados de outros povos. Eram um grupo de estudantes entusiasmados, mas o que me chamou a atenção foram as mais notícias sobre pessoas de outras origens que ouviam e procuravam conectar-se com o conhecimento que já traziam.
Avaliação desta atividade
O processo de eleição de novos diretores de escolas municipais da rede de ensino de Duque de Caxias deixou explícitos alguns obstáculos para construir e estabelecer uma trajetória democrática para os processos pedagógicos, bem como a dificuldade de reconhecimento por parte de outros sujeitos para ver e aceitar a presença de mulheres negras à frente de uma escola. Especificamente, como fuga de uma linearidade normalmente exigida em construções acadêmicas baseadas em construções hegemônicas e hierárquicas. No âmbito da escola municipal de Waaldé, o que primeiro chama a atenção é a presença de uma gestão escolar composta por três mulheres negras (Kiara, Kadidja e Dandara), e em segundo lugar e principalmente as práticas realizadas por elas.
As tessituras teóricas – presenças e ausências
Kiara e Kadidja, como professoras que se tornaram diretoras, analisam cuidadosamente suas práticas docentes e seu relacionamento com os alunos. Ao olharmos para a produção acadêmica brasileira que inclui os arquivos pessoais de professores e professoras, é possível arriscar uma crítica que se materializa em forma de afirmativa: as práticas educativas, preferencialmente aquelas realizadas por professores e professoras da vida cotidiana . funcionam nas salas de aula do cotidiano, não são área de interesse de muitos pesquisadores devido à dupla discriminação. Considero encontrar e apresentar estas mulheres e as suas práticas, bem como as suas experiências escolares, o que me levou a aceitar este trabalho como um reflexo do que se deseja, no entanto, como nos diz Sodré, 2012 ainda está pela frente.
A cidade de Duque de Caxias – breve apresentação do contexto local
Como forma de frear a chegada de muitos deles à cidade de Duque de Caxias, ocorre um forte aumento nos preços dos aluguéis. Portanto, na região onde estão localizadas as duas escolas, é comum ver o surgimento de novas comunidades construídas com materiais incertos: papelão, plástico e placas. Algumas comunidades são apelidadas de ‘faça o que quiser’, como forma de dizer que ali não há ‘donos’, não há controle de liderança.
E as mulheres negras, quem são?!
Kadidja: Diretora
De estatura mediana e cabelos grisalhos, trouxe para a Educação a experiência de trabalho na Assistência Social quando ingressou no sistema educacional, há dezessete anos. Embora seja professora há mais tempo, 39 anos, ela me revelou que: “Gosto de ouvir as pessoas”. Com formação na área de: Serviço Social (UERJ), Pedagogia (UNIRIO), Sociologia (Universidade Cândido Mendes), Especialização: Educação Especial (UFF), Educação Infantil (PUC-Rio) e Gestão Escolar (UFRJ).
Kiara: Vice diretora
Dandara: Orientadora Educacional (OE)
Então quando chegamos nesses lugares, sempre nos deparamos – todos nós, homens e mulheres negras, que ocupamos esses lugares, e não só eu – sempre nos deparamos com um processo totalmente despedagógico e que deforma as estruturas de relação com as questões raciais. E podemos identificar esse processo como racismo institucional, como o racismo que está presente no imaginário, ou também racismo brasileiro, que é esse fenômeno que aparentemente não existe, mas existe (GOMES, 2016, p. 92). O pouco tempo que passei com Dandara ao longo do ano me faz refletir sobre o papel da orientação pedagógica e pedagógica na escola, como constitutiva de um processo educativo que se estende para além do espaço da escola, onde não apenas os percursos de vida constituem o seu trabalho, que assim como as marcas dessa trilha são significativas num cotidiano duro e perverso, impregnado de racismo.
Analisando os dados da pesquisa
Portanto, uma escola com um pátio convidativo para brincar, mas apenas com sombras nas laterais onde ficam as salas de aula. Ao entrar na escola, você vê um grande pátio, cercado por grandes salas de aula, e o refeitório. Há pouco tempo, era comum na rede municipal a prefeitura alugar ou mesmo comprar prédios de escolas particulares falidas para ampliar vagas na rede municipal.
Os compromissos com resultados escolares
Isso pode ser um indício de que os alunos avaliados também são avaliados, pois no período de avaliação do IDEB eu ainda não estava na escola para realizar a pesquisa. A ideia que um indivíduo tem de si mesmo, do seu “eu” é mediada pelo reconhecimento recebido dos outros em decorrência de sua ação. Pelo contrário, é negociado ao longo da vida através do diálogo, em parte externo, em parte interno, com os outros.
Os nós delas – mulheres negras em ação
A marimba foi executada e cada vez mais confusa: por um lado os diretores procuravam compreender e dar soluções para o problema que surgia. O dia em que chegou um caminhão da oficina trazendo trabalhadores para substituir as grades, soldar e pintar. Essa é a forma de cuidado que também tenho visto na minha escola: fornecer café da manhã, almoço e lanche da tarde, pois esta é a contrapartida da Diretoria de Educação para os funcionários de outras diretorias: garantir junto com as unidades escolares alimentação para construção. os trabalhadores.
As marimbas que disputam a pipa – quem vai levar a melhor?
Ela me fez a oferta de retornar à escola como sua vice, pois pretendia concorrer ao cargo de vereadora e achava que eu poderia substituí-la. E assim, a moral da história: Margarida não foi eleita, Zito perdeu para Washington Reis, e como o cargo é por nomeação, conseguimos ficar no governo. Acho que essa é a forma mais racional de dizer que havia o temor do retorno do ex-diretor ao cargo de liderança.
O fim das eleições, nós e marimbas desfeitas ou ainda mais atadas?
Revelaram ainda que o edital ainda não foi publicado e que a professora já está em campanha antecipada, pois aproveitou que mora em um local próximo à escola e anunciou a todos que voltará a dirigir a escola, o que considerou " dela" e que contou com o apoio da comunidade. Nesse sentido, o Plano de Ação – Projeto de Transformação intitulado “As marimbas pedagógicas: entrelaços nos” é a viabilidade de dar vida à teoria que exige passagem, que exige ação e reflexão e posterior ação. Construo um Plano de Transformação quando busco no curso Narrativas Professoras31 (UERJ/FFP em 2015) construir uma história da educação a partir da minha construção como professora e das minhas intersecções no chão da escola.
Com que nós queremos romper? Com quais nós queremos nos
Esta pesquisa confirma a literatura sobre propósito e gestão escolar, que mostra que ambos importam e têm futuro (COSTA, 2003; SOARES, 2007). Certamente seria impressionante ter um grande painel com os rostos dos nossos filhos na entrada da escola. Voltei depois de dois anos como vice-diretor desta mesma pessoa, pois percebi que seria a única forma de intervir no desenvolvimento do trabalho da escola de forma mais humana, consciente e respeitosa.