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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Dissertação Coletivos estudantis negros no ensino superior brasileiro: políticas de diversidade e organização política estudantil / Guilherme dos Santos Oliveira - 2019. Este é um estudo de caso sobre o surgimento de coletivos estudantis negros nas universidades do Rio de Janeiro.

O que Fundamenta as Políticas da Diversidade para Negros no Ensino Superior

Analisando dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP)11 obtidos sob a perspectiva racial sobre o número de alunos matriculados em escolas da região metropolitana do estado do Rio de Janeiro, percebemos que a desigualdade de acesso à educação educação entre jovens negros e brancos. Ao analisar os dados do Censo da Educação Básica 2017, que amostra o número de alunos devidamente matriculados em escolas da Região da Capital do Estado do Rio de Janeiro, nas modalidades Educação Geral, Especial e/ou Educação de Jovens e Adultos (EJA), por meio das categorias gênero e cor/raça, notamos que há disparidade entre jovens negros e brancos no acesso e principalmente na permanência na educação básica.

Tabela 1 – Quantitativo de matrículas na educação básica, a partir das categorias sexo e raça/cor, nos municípios do Rio de Janeiro
Tabela 1 – Quantitativo de matrículas na educação básica, a partir das categorias sexo e raça/cor, nos municípios do Rio de Janeiro

As Desigualdades Estruturantes: as políticas racializadas e o quadro das ações

Contudo, a forma de implantação e implementação das políticas de ações afirmativas e do sistema de cotas nas universidades não tem sido aceita de forma homogênea. 18 Lei Federal que regulamenta a utilização de políticas de ações afirmativas nos processos de ingresso no ensino superior nas Universidades Federais de todo o país. A Tabela 3 indica que em 2016, dezessete universidades estaduais obtiveram a aprovação de políticas de ações afirmativas por meio de resoluções de seus conselhos universitários, o equivalente a 50% do total de universidades pesquisadas pelo GEMAA.

Por outro lado, dezessete outras instituições aprovaram políticas de ação afirmativa através de leis estaduais. Esses mecanismos de ação afirmativa adotados no Brasil foram medidas essenciais para que o país reconsiderasse a presença de grupos historicamente excluídos do acesso ao ensino superior brasileiro.

Figura 1: Mapa de Ações Afirmativas no Brasil.
Figura 1: Mapa de Ações Afirmativas no Brasil.

A Acessibilidade de Jovens Negros ao Ensino Superior

Diversidade e inclusão são dois conceitos fundamentais para analisar a composição dos diferentes atores sociais nas instituições de ensino superior. Essas medidas são consideradas diversas devido à autonomia das universidades, o que incentivou a implementação de diversas experiências, o que contribuiu para o aumento de estudantes negros nas instituições de ensino superior. Com esse ajuste, a pesquisa que visava coletar dados sobre o ensino superior brasileiro passou a captar dados e informações mais precisas sobre a presença de jovens negros no ensino superior.

A Tabela 4 apresenta o número de estudantes negros matriculados em instituições de ensino superior públicas e privadas em 2016, segundo informações do Censo da Educação Superior. Ao analisarmos os dados sobre o número de estudantes brancos e negros matriculados no ensino superior em instituições privadas e o número de estudantes brancos e negros nas mesmas instituições públicas, vemos que a diferença no total de matrículas no nível brasileiro é grande.

Tabela  4  –  Quantitativo  de  discentes  por  cor/raça  matriculados  nas  instituições  de  ensino  superior em 2016
Tabela 4 – Quantitativo de discentes por cor/raça matriculados nas instituições de ensino superior em 2016

Implantação e Implementação das Políticas de Ações Afirmativas: o caso da UERJ e o

Com a obrigatoriedade da aplicação de políticas de ações afirmativas nas instituições federais de ensino superior – instituições de ensino superior – a UFF foi obrigada a adotar essas medidas em seus processos seletivos para cursos de graduação em 2012 após a adoção do REUNI. A chegada da juventude negra às universidades, provocada pela aplicação das ações afirmativas, levou a uma nova configuração no ensino superior. Em favor de uma agenda comum de luta, grupos de estudantes negros unem forças com outros para combater os obstáculos que colocam os jovens negros em posições de menor prestígio na sociedade.

Nesta seção temos interesse em discutir os coletivos estudantis negros no ensino superior, e para tal discussão é necessário olhar para um marco na história dos coletivos estudantis negros: 1. Encontro Nacional de Coletivos e Estudantes Universitários Negros – ECCUN. Organizado por e para estudantes e coletivos de universitários negros, o evento contou com resoluções e encaminhamento de agendas políticas institucionais, bem como a criação de uma rede de coletivos para fortalecer o diálogo com os isolados em suas respectivas universidades.

Discussões Contemporâneas sobre as Questões dos Movimentos Sociais

No caso do Coletivo Negro Luísa Mahin, são examinadas as formas organizacionais que os coletivos estudantis negros desenvolvem. Os coletivos estudantis negros decidem suas ações por meio de reuniões em local específico ou não. As relações que se desenvolvem entre universidades e grupos de estudantes negros são complexas e contraditórias.

Esta agenda está organizada em torno de agendas comuns encontradas em todos os grupos de estudantes negros em todo o Brasil. É importante destacar que os coletivos estudantis negros criam resistência através de táticas políticas. Na tentativa de resistir ao conhecimento hegemônico, grupos de estudantes negros propõem a presença de teóricos negros (nacionais e estrangeiros), de literatura antirracista nos currículos e o fortalecimento de relações sul-sul, antitributárias, antissexistas e democráticas que privilegiem a voz dos oprimidos (indígenas, negros, mulheres, feministas, pobres, teóricos LBGTQ, etc.).

No geral, as estratégias que os grupos de estudantes negros têm vindo a desenvolver para apoiar o acesso aos cursos de pós-graduação estão a ter impacto.

Figura 2: Representação dos valores civilizatórios afro-brasileiros incorporados pelos  membros de coletivos de estudantes negros
Figura 2: Representação dos valores civilizatórios afro-brasileiros incorporados pelos membros de coletivos de estudantes negros

Coletivos em Movimento

A Organização e Estrutura dos Coletivos de Estudantes Negros

Os coletivos estudantis negros são organizações de expressão política coletiva, atuando a partir de um viés racial e de fragmentação com o movimento estudantil e possuindo diferentes formas de organização e estrutura. A partir dessa observação, verificamos diferentes formas de organização e estrutura com as quais os coletivos se configuram. Essa variedade está relacionada a fatores como: a escolha de áreas que cada coletivo possui, as demandas que surgem no cotidiano do coletivo, a estrutura da universidade onde o coletivo está inserido e as propostas de ações que o coletivo escolhe.

A escolha das secções que os colectivos possuem baseia-se nas decisões tomadas por todos os membros – como acontece com qualquer outra decisão – e com que finalidade. Quanto à estrutura das universidades onde estão localizados os coletivos, há casos de isolamento de coletivos estudantis negros por questões tanto geográficas quanto estruturais dos campi.

O Coletivo de Estudantes Negrxs Iolanda de Oliveira (UFF) e o Coletivo Denegrir

Ao final desta seção, enfatizo mais uma vez que a organização e a estrutura dos coletivos estudantis negros carecem de um padrão de funcionamento e desempenho. O capítulo seguinte foi inteiramente dedicado a aprofundar as questões centrais que afetam os grupos de estudantes negros. “Pintar a universidade de preto” é uma das bandeiras levantadas pelos grupos de estudantes negros, e a citação no título deste capítulo descreve bem o seu objetivo geral.

A partir da racialização do movimento estudantil, coletivos estudantis negros aparecem no cenário político para compensar a falta de representação política desses jovens nas universidades brasileiras. Como forma de aliviar e combater as barreiras institucionais impostas, os coletivos criaram uma agenda marcial.

A Rede de Coletivos (estratégias de comunicação e circulação de informações)

Esta agenda foi concebida para melhorar a organização, expandir estratégias e aperfeiçoar os métodos adoptados para tornar as suas operações mais eficazes. Por meio de pesquisas e entrevistas com alguns integrantes, constatou-se que solicitações como: auxílio moradia, aumento no número de bolsas de pesquisa, auxílio transporte e auxílio viagem são comuns em todos os coletivos. a rede de comunicação que possuem. Como as universidades públicas possuem diversos institutos, faculdades, cursos e um grande número de estudantes divididos nesses espaços, a estratégia utilizada pelo coletivo estudantil negro de Luísa Mahín, por exemplo na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e o Coletivo de estudantes negros de Iolanda de Oliveira da Universidade Federal Fluminense (UFF) é construir núcleos nesses espaços da universidade para que haja contato entre as orientações comuns dos estudantes negros e as orientações específicas desses mesmos estudantes em suas experiências individuais. cursos.

Essas atividades são divulgadas nos perfis dos próprios coletivos nas redes sociais com o objetivo de atrair mais pessoas para o grupo, expor as atividades para além dos muros da universidade e ao mesmo tempo se posicionar politicamente sobre os fenômenos que estão em pauta . Dado que todos os coletivos têm realidades semelhantes e ao mesmo tempo diferentes, é uma estratégia que tem tido sucesso ao longo do tempo utilizar as redes sociais para fins militares e assim conseguir maior visibilidade para as causas defendidas.

Ativismo Digital e/ ou Ciberativismo: táticas políticas e de circulação de informações

O uso de redes sociais e outras mídias digitais por grupos de estudantes negros é um fenômeno cada vez mais comum entre eles. Para que a resistência ao racismo institucional e à discriminação racial se torne cada vez mais elaborada e organizada, é necessário que os grupos de estudantes negros criem uma agenda. Referindo-se à agenda dos grupos de estudantes negros, um ponto chave da agenda é a questão do conhecimento, ou seja, a questão do currículo da disciplina.

A agenda dos coletivos estudantis negros, entre tantas demandas e objetivos, tem uma que se destaca: a valorização da negritude 46. Além das estratégias citadas acima, os coletivos estudantis negros encontram outra grande barreira nesse processo assistencial: as restrições de idioma para a obrigatoriedade testes de língua estrangeira em seleções de programas de pós-graduação. Num esforço para facilitar este processo para os jovens negros que alcançam o ensino superior, grupos de estudantes negros promovem espaços de convívio, coletividade, aceitação e afeto.

Além de espaços institucionais como as universidades, há espaços na cidade do Rio de Janeiro que se tornaram redutos para jovens negros cariocas e, consequentemente, para membros de coletivos estudantis negros.

Agenda dos Coletivos: Agenda, permanência e saberes

Estratégias de Ação dos Coletivos

Os programas de pós-graduação de diversas universidades em todo o Brasil, especialmente aquelas localizadas em universidades historicamente mais conservadoras, não aceitam de bom grado esta política. A terceira e mais importante estratégia seguida é a criação de cursos preparatórios para seleção de programas de pós-graduação. 51 A UFG de fato não inaugurou a adoção da política de cotas raciais em seus cursos de pós-graduação.

A Tabela 6 apresenta a relação dos integrantes dos coletivos estudados nos programas de pós-graduação que utilizaram cotas – ações afirmativas raciais. Por ser obrigatório em todas as seleções de programas de pós-graduação do país, o exame de língua estrangeira é um fator decisivo na eliminação de candidatos negros às vagas do programa.

Figura  5:  Chamada  para  o  Curso  Preparatório  à  seleção  do  Programa  de  Pós-Graduação  em  Antropologia Social (PPGAS/MN/UFRJ) para candidatos Negres
Figura 5: Chamada para o Curso Preparatório à seleção do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS/MN/UFRJ) para candidatos Negres

Profissionalização dos Coletivos

Como solução para esse obstáculo, os coletivos também estão se organizando promovendo aulas de idiomas e/ou orientando potenciais candidatos a vagas em programas de pós-graduação a procurarem cursos comunitários de idiomas ou mesmo cursos de idiomas muitas vezes oferecidos pelas faculdades de artes de universidades públicas. como: CLAC52 na UFRJ, LICON53 na UERJ e PROLEM54 na UFF. Ao longo do tempo, o número de estudantes negros neste nível de ensino aumentou lentamente, especialmente em programas de pós-graduação tradicionalmente elitistas, como PPGAS/MN/UFRJ e PPGA/UFF, que até recentemente relutavam em adotar essas políticas de ação afirmativa racial em seus países. processos seletivos para cursos de mestrado e doutorado. A Nuvem Negra nasceu de um transtorno sofrido por três estudantes de ciências sociais durante um evento ocorrido no dia 19 de março de 2015, denominado: “Lélia Gonzalez: O feminismo negro no palco da história”.

A preocupação que os alunos sofriam estava relacionada ao descaso do currículo do curso com o intelectual, que era diretor do departamento de Ciências Sociais da PUC-Rio. O primeiro encontro presencial ocorreu no dia 1º de abril de 2015, no Centro Acadêmico de Ciências Sociais (CASOC), com treze estudantes negros de diferentes cursos da PUC-Rio.

Espaços de Sociabilidade e de Afetividade

Como solução para esses diversos obstáculos enfrentados pelos jovens negros no ensino superior, os coletivos estudantis tornaram-se espaços para serem fortalecidos, ouvidos, cuidados e acolhidos para enfrentar as dificuldades encontradas ao longo do caminho. Este e outros fatos apresentados nesta última seção apontam para as questões e problemas levantados pela criação e/ou redefinição de espaços urbanos na cidade do Rio de Janeiro que estão incluídos na rotina da juventude negra, independentemente de serem compostos por membros estudantes. coletivos negros ou não. O estudo do fenômeno da racialização do movimento estudantil, com o foco da análise na compreensão da emergência de coletivos de estudantes negros no ensino superior brasileiro, traz um desafio e uma novidade no campo do estudo dos movimentos sociais.

Com a questão racial no centro do debate, os coletivos estudantis estão se distanciando do movimento estudantil para justificar suas próprias reivindicações em favor da juventude negra nas instituições de ensino superior de todo o Brasil. A análise da emergência dos coletivos estudantis negros no ensino superior brasileiro indicou que a diferença entre esse modelo de ação coletiva e o modelo adotado pelo movimento estudantil está na forma, na organização e na estrutura dos coletivos.

Imagem

Tabela 1 – Quantitativo de matrículas na educação básica, a partir das categorias sexo e raça/cor, nos municípios do Rio de Janeiro
Figura 1: Mapa de Ações Afirmativas no Brasil.
Tabela 3: Meio de adoção da Ação Afirmativa
Tabela  4  –  Quantitativo  de  discentes  por  cor/raça  matriculados  nas  instituições  de  ensino  superior em 2016
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Referências

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