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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Strange Aeons in Dark Rooms: A mitologia de Lovecraft na cultura moderna e suas apropriações cinematográficas / Yuri Garcia. O Mad Arab também é indicativo da perspectiva de Lovecraft sobre diferentes raças, neste caso os árabes.

Lovecraft, o autor e suas criações

A busca de Lovecraft pela indiferença o leva a um inegável pessimismo filosófico que fica ainda mais evidente em seus contos. Embora a mensagem de Lovecraft seja sobre a indiferença da natureza e do cosmos para com o homem, suas histórias o colocam em um pessimismo que acaba contradizendo sua própria perspectiva.

Figura 1 - Lovecraft em 3 etapas da vida
Figura 1 - Lovecraft em 3 etapas da vida

Fundamentos básicos lovecraftianos

Mitologia e Horror

O terror se manifesta por meio de um sentimento constante de medo e desconforto causado por um terrível desconhecido e pela possibilidade de revelar um universo sombrio. Seria o ato em si, o medo que ocorre, a descrição de uma morte, de uma cena sangrenta, de uma criatura.

Monstros Sagrados

Contudo, esta relação de superioridade do seu panton teratológico resulta num desenvolvimento complexo de uma mitologia não humanista. Além disso, auxilia no desenvolvimento de sua perspectiva filosófica baseada no niilismo ou no indiferentismo, como acreditava o próprio escritor.

Sci-Fi e Fantasia

O próprio pessimismo cósmico, estrutura filosófica central nos escritos de Lovecraft que costuma definir o cenário de suas histórias e ser o cerne de suas narrativas, está ancorado em uma premissa cósmica que dialoga com a ficção científica. Lovecraft termina descrevendo a forma própria de uma história de ficção científica, fórmulas que sempre são encontradas em suas histórias.

Poe

A narrativa é uma história dentro de uma história, uma história dentro de uma história. A relação de Poe com o sobrenatural, em geral, é diferente daquela utilizada por Lovecraft na maioria de suas histórias.

Figura 3 - Poe e Lovecraft por Phlegias T. Redback
Figura 3 - Poe e Lovecraft por Phlegias T. Redback

Berkeley Square

A terceira parte é um relato do início da investigação do narrador sobre o ocorrido no momento em que esse ser tomou conta de seu corpo. Não como um cientista em si, ou como um grande estudioso da relatividade do tempo de Einstein, mas antes como um escritor curioso e observador de um período específico em que tais questões estavam em voga. Schawartz fala sobre a nova concepção de tempo que as imagens em movimento no cinema trouxeram para a modernidade, época em que vive Lovecraft.

A época em que Lovecraft viveu foi caracterizada por um fluxo de experiências tecnológicas e mudanças no cotidiano das pessoas. 65 Extraído do filme Berkeley Square, onde o personagem Peter Standish (Leslie Howard) explica sua perspectiva sobre a noção de simultaneidade do tempo: “Suponha que você esteja em um barco, navegando por um riacho sinuoso. A forma como suas criações evidenciam noções que podiam ser percebidas na época em que viveu.

Ao mesmo tempo que sua obra entra em conversação com seu tempo, também contrasta com ele. Algo extremamente paradoxal com o otimismo causado pelo avanço da ciência e das novas mídias no período em que viveu.

Figura 4 - Entrada do filme Berkeley Square (1933)
Figura 4 - Entrada do filme Berkeley Square (1933)

Lovecraft e a “Cultura Erudita”

No artigo Mais coisas: horror, materialismo e estranheza especulativa (2012), Fred Botting se propõe a analisar as relações entre a filosofia materialista especulativa e a obra de Lovecraft. Harman destaca a escrita de Lovecraft como um meio importante de afirmar sua proposição epistêmica conhecida como "ontologia orientada a objetos". Lovecraft: a disjunção do ser (2013), Ludueña apresenta a figura de Lovecraft como “o mitógrafo mais brilhante do século XX”.

Assim, vejo uma relação importante entre a obra de Münchow e a de Ludueña, que apresenta a importância de Lovecraft trazer a ideia de mito para uma época em que a metafísica perdia seu lugar na filosofia. Os personagens de Lovecraft são movidos pela ansiedade criativa que torna possível a transcendência humana e produz uma fuga de uma existência inautêntica. A vida pessoal de Lovecraft reflete-se claramente em seu trabalho e em todo o desenvolvimento de seu universo complexo e perspectiva filosófica.

Embora o niilismo na obra de Lovecraft se refira diretamente a Nietzsche, e o próprio escritor já tenha apresentado seu ensaio sobre o filósofo alemão, seu Pessimismo Cósmico e seu mítico panteão teratológico suscitam as mais diversas proposições epistêmicas. O artigo pretende desenvolver esta ligação entre a obra de Lovecraft e a de Däniken, considerando a questão da alteridade e do pós-humano como central para a sua análise.

Monstros Divinos: Cibercultura e Cultura Pop

De certa forma, Thacker acaba sendo uma figura muito importante na promoção do Pessimismo Cósmico de Lovecraft na cultura pop sob um viés filosófico mais claramente definido. A frase se aproxima muito do Pessimismo Cósmico de Lovecraft, enfatizando sua profunda absorção na cultura contemporânea. Outros autores também se apropriaram de Lovecraft e criaram suas próprias obras em diálogo com seu universo complexo e seu Pessimismo Cósmico.

Borges era um admirador de Lovecraft e dedica à sua memória um de seus contos, intitulado Há mais coisas (2009), publicado originalmente em 1975. A obra busca diversas sutilezas nas obras de Lovecraft e Borges, aponta suas convergências, trata, nem sempre, do conto Há mais coisas. Medeiros também reforça a ideia de que Há mais coisas está sendo escrita como uma história póstuma de Lovecraft.

As casas das histórias de Lovecraft e a de There Are More servem como exemplos de sua hipótese. A proposta de Borges difere de outras apropriações da filosofia e da mitologia de Lovecraft em diferentes mídias.

Lovecraft no Cinema

Com enfatiza as características de Lovecraft que dificultam sua tradução em produções cinematográficas de maior destaque. O terceiro filme entra em um âmbito mais cômico e traz características menos lovecraftianas (o Necronomicon é a maior relação com o autor vista ao longo da história). Além disso, Carpenter pretende destacar seu alienígena tentacular, muito parecido com as criaturas de Lovecraft.

No filme, o nome da personagem Catherine Danforth vem do nome da personagem Danforth de uma das histórias mais famosas de Lovecraft (At The Mountains of Madness, que acompanha o narrador na viagem às montanhas e aparentemente vê algo que até o narrador vê não quando ele sai). Os títulos dos livros de Cane referem-se aos contos de Lovecraft (este último é o nome do filme). Ambos os filmes foram bem reconhecidos entre os fãs de Lovecraft por sua aparente fidelidade à história original.

Devido ao seu pequeno tamanho, Gordon só pode usar a história de Lovecraft como prólogo de seu filme. O outro nome famoso entre as adaptações cinematográficas de Lovecraft é Daniel Haller, o primeiro diretor a transformar abertamente uma das histórias do autor em filme. Embora alguns elementos já tenham sido traçados em alguns filmes e outras aparições que não foram creditadas a ele já tenham sido feitas, Die, Monster, Die. 1965) é o primeiro filme produzido como adaptação de uma história de Lovecraft.

Com um apelo que remete directamente para O Palácio Assombrado do autor Edgar Allan Poe (algo semelhante ao que Francis Ford Coppola tinha feito no seu filme Drácula de 1992 e que foi mesmo incorporado na sua tradução portuguesa do Drácula de Bram Stoker), é estranho descobrir que esta não é uma história de Poe, mas de Lovecraft.

Figura 9 - The Evil Dead (1981)
Figura 9 - The Evil Dead (1981)

Listas de filmes lovecraftianos

  • The Lurker in the Lobby (2006) de Andrew Migliore e John Strysik
  • The Complete H. P. Lovecraft Filmography (2001) de Charles P. Mitchell
  • Lista de filmes da Wikipédia
  • Lista de filmes do IMDB
  • Minha Lista (ELT)

Porém, nesta parte incluirei as produções que não mencionei ao longo da tese para fins de catalogação. Lovecraft na Televisão, uma sessão de imagens Lovecraftianas de vários artistas, algumas entrevistas e uma seção contendo curtas-metragens que decidi não listar aqui por acreditar que não fazem parte da proposta inicial da tese não. The Crimson Cult, também conhecido como Maldição do Altar Carmesim e Casa da Bruxa (Vernon Sewell, 1968)* – ELT.

Também conhecida como Casa no Fim do Mundo e Monstro do Terror (Daniel Haller, 1965)* – ELT. NOTA: A lista da Wikipedia também contém alguns curtas-metragens, peças de teatro e outros títulos que não considerei relevantes para a transcrição. NOTA: A lista de filmes do IMDB baseados ou inspirados em Lovecraft também traz alguns curtas-metragens, videogames, séries de televisão e outros títulos que não considerei relevantes para a transcrição.

As criações lovecraftianas e sua sofisticação filosófica, mitológica, por que não dizer, literária contradiz o fato de só serem vistas nas primeiras obras em meios considerados artisticamente inferiores. A seguir, tentarei me afastar desse lado de Lovecraft e adotar sua perspectiva filosófica para adentrar no pensamento por trás do pessimismo cósmico, articulando-o com outros pensadores que não citam o escritor mas que, com uma leitura mais atenta, podem apresentar-se curiosos. intersecções epistemológicas.

Dissecando o monstro

Embora esta questão seja um guia para pensar sobre este aspecto da vida de Lovecraft e sua influência em suas criações, não creio que possa respondê-la. Devo admitir que esse lado de Lovecraft me fez reconsiderar inúmeras vezes se deveria tê-lo como tema de minha dissertação. E aqui vou reservar um tempo para me desviar um pouco da sua apropriação, para tentar entender um pouco mais sobre a situação em que nós, admiradores de Lovecraft, nos encontramos.

Assim, voltando ao ponto de vista mais político que Paul Buhle (já mencionado anteriormente no primeiro capítulo) aponta em sua obra: “O medo do suicídio racial nunca esteve longe da superfície das concepções de Lovecraft. A opinião de Lovecraft sobre o nazismo, bem como as suas considerações racistas, mudaram ao longo do tempo. No entanto, os contos de fadas de Lovecraft eram um reflexo paradoxal de suas próprias crenças morais.

Porém, ao final de seu ensaio, ele aponta o fracasso de Lovecraft em lidar com a mudança como algo que acaba dificultando sua vida em geral e enlouquecendo seus personagens. Mas tal posicionamento repreensível de Lovecraft está ainda mais arraigado em nossa cultura do que simplesmente a experiência do autor.

Figura 24 - World Fantasy Award 2005
Figura 24 - World Fantasy Award 2005

Teoria lovecratiana ou delírios de uma tese?

Por mais múltiplo – ou falsamente múltiplo – que pareça, o sistema é sempre homogéneo, colocando cada conceito pertencente ao seu corpo numa relação pré-estabelecida. O sistema Rizoma é a ideia de um sistema aberto, sem divisão e hierarquia de conhecimentos que se relacionam com o mundo.” (SOUZA, 2012, p.252-253). Os teóricos tentam apresentar uma proposta que torne esta forma de pensar mais complexa, sem uma única verdade ou raiz do problema, mas com uma ampla gama de possibilidades que estão conectadas em um complexo sistema de redes.

Ele não é aquele que se torna dois, nem se tornaria diretamente três, quatro, ou cinco, etc. Em oposição a uma estrutura definida por um conjunto de pontos e posições, por correlações binárias entre esses pontos e relações um para um entre essas posições, o rizoma é feito apenas de linhas: linhas de segmentaridade, de estratificação, como dimensões, mas também linha de fuga ou desterritorialização como dimensão máxima, após a qual a multiplicidade se transforma e a sua natureza muda. Essa característica lovecraftiana de uma obra em constante mudança, em constante transição, sem nunca atingir o clímax, sem nunca resultar no abandono de um modelo arborescente em determinado ponto.

Esta passagem, ao apontar explicitamente para uma noção de multiplicidade do eu, que seria entendida como um modo do animal humano, revela algo do papel da criação de animais na filosofia de Deleuze e Guattari. Assim, dentro de seu argumento central que articula a magia com o devir-animal de forma bastante complexa, o teórico apresenta a relação entre Deleuze-Guattari e Lovecraft.

Imagem

Figura 1 - Lovecraft em 3 etapas da vida
Figura 2 - Túmulo de H. P. Lovecraft em Providence
Figura 3 - Poe e Lovecraft por Phlegias T. Redback
Figura 4 - Entrada do filme Berkeley Square (1933)
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Referências

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